quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sou monárquico por rigorosa convicção intelectual

António Filipe Pimentel - Gestor Cultural - Museu de Arte Antiga


Observador: (...) No início de 2016 o país vai necessitar de que perfil na Presidência da República? Alguém que assegure pequenas cosméticas ou que proponha uma grande cirurgia ao regime?

António Filipe Pimentel: Neste ponto estou em completo embaraço: sou monárquico, por rigorosa convicção intelectual, pelo que a questão se me afigura de índole rigorosamente sofística (com a devida vénia, claro), partindo do princípio de que a figura do Presidente da República terá algum impacte na reforma da estrutura política, da qual mais ou menos directamente emerge. O pobre senhor, qual ele seja, será sempre vítima das contradições internas do cargo/função: se interventor, contribuirá poderosamente para o aumento do clima de conflitualidade institucional; se colaborante apagar-se-á e será acusado pela oposição de conivência com o Governo e quebra da sua função arbitral (sobram os exemplos de uma e de outra, até com ritmos que configuram uma coreografia pré-determinada: colaborante no 1º mandato; interventivo e conflitual no último, sendo o caso presente atípico por alteração violenta das condições meteorológicas). (...)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Sobre a 1.ª Convenção da Associação dos Autarcas Monárquicos, os Municípios e a Monarquia


A Plataforma de Cidadania Monárquica teve a honra de acompanhar os trabalhos da ‘1.ª Convenção da APAM – Associação dos Autarcas Monárquicos’ que decorreu no último Sábado, dia 11 de Abril de 2015, na ‘Casa do Infante – House of Prince Henry’, no Porto.
Numa sessão com o anfiteatro repleto de monárquicos, que decorreu com a Presença de SAR O Senhor Dom Duarte de Bragança, os autarcas monárquicos e os convidados debateram as vantagens do municipalismo e da mudança de regímen de republicano para uma Monarquia.
Esgotado que está o actual modelo de chefia de Estado, assim como o actual sistema político, o exercício da chefatura do Estado por um Rei traduzir-se-á num enormíssimo conjunto de benefícios para o cidadão que hoje se encontra quase na posição de um elementar número face ao poder central sem que do processo somatório resulte a genuína representação da vontade dos indivíduos. Também, nesse processo de aumento da expressão dos anseios dos cidadãos e da sua vontade o reforço do poder dos municípios aparece como uma solução para a falta de representação actual.
O presente sistema eleitoral para as eleições legislativas, em que os círculos eleitorais correspondem à organização administrativa, não permite aos cidadãos-eleitores elegerem os seus representantes, pois os deputados são escolhidos pelos partidos. Os deputados eleitos pelos actuais 22 Círculos Eleitorais – no continente correspondem actualmente aos distritos, e mais dois círculos nas Regiões Autónomas, e ainda um para os cidadãos portugueses residentes na Europa e outro para os que residentes fora da Europa – representam quem?
O actual sistema proporcional, de círculos plurinominais e do domínio de listas partidárias, é um sistema representativo em que não existe uma relação entre o deputado e o eleitor, e, consequentemente, onde as ânsias verdadeiras das gentes são relegadas para um plano secundário e permutadas pelas conveniências das agendas próprias dos deputados e dos partidos políticos, assim como dos lobbies instalados. É necessário um sistema que permita a escolha dos deputados pelos eleitores, e não exclusivamente pelos partidos, como actualmente. Assim, com o actual sistema proporcional, a maneira de organizar as actuais listas partidárias cria uma espécie de blindagem, fazendo dos deputados meros representantes dos partidos e não dos eleitores e, em último grau, do Povo.
Os municípios encontram-se hoje praticamente esvaziados de poderes e numa dependência gritante face à vontade do poder central. Ora com municípios com maior autonomia e competências, o cidadão pode exercer a sua escolha em função de figuras que reconhece e que pode responsabilizar, se for esse o caso.
Este sistema que vigora actualmente, preserva a primazia do Estado central, distinto é um sistema que amplie o papel democrático dos municípios tornando-o em real representante de toda a comunidade.
Além do mais, haverá muitas mais candidaturas independentes locais, muito relevante para despertar a participação activa de todos os cidadãos na política, livre da partidocracia, e, das conveniências salinadas dos partidos políticos tradicionais.
O Rei será assim o Chefe Supremo do Estado e da Nação, que, acima de tramas partidárias, independente de um calendário político, terá a tranquilidade e a legitimidade para actuar como moderador entre as várias facções políticas ou demais grupos da sociedade civil evitando conflitos e efervescência social e contribuindo para a unidade e traduzindo a vontade nacional. A Monarquia é uma instituição que contém um peso emblemático que faz todos sentirem-se parte de um todo. O Monarca encarna a Nação!
O Monarca nunca seria um bloqueador do funcionamento das instituições democráticas, mas sim o capital contributo para o normal e regular funcionamento das mesmas.
Depois, Municípios fortes que representem a vontade dos cidadãos, que defendam os interesses locais seja a nível cultural, patrimonial, etc., contribuirão para um maior índice de Democracia, pois não podem os interesses do Povo ceder perante as conveniências do Estado Central.
Recordemos ainda Agostinho da Silva através de uma das suas reflexões: ”Continuo firme na ideia de que a Monarquia coordenadora de Municípios Republicanos foi o regime mais certo para Portugal. (…) O regime de que o mundo precisa para sair do atoleiro em que está metido é realmente o da Monarquia Portuguesa anterior a D. João I… Acima disso, o município, clara e inteiramente ‘republicano’. Como ‘coordenador geral’ e ‘inspirador’ o Rei…”
Não se encare o termo republicano como o conceito positivista que foi implantado na revolução do 5 de Outubro de 1910, mas comores publica, isto é, coisa comum. Assim, teremos uma Monarquia em que o Rei será o principal defensor da Coisa Comum e que com o seu exemplo de virtude, honestidade e suprapartidário fará reflectir no Parlamento, nas estruturas do poder local – os Municípios – e na sociedade em geral essa probidade inatacável.
É necessário, uma verdadeira comunicação entre os cidadãos e aqueles que são eleitos para os representarem. Atente-se o exemplo do Sistema Eleitoral na Monarquia Constitucional Parlamentar Britânica no qual para a eleição dos Membros do Parlamento se estabelece um sistema de eleição individual, por método maioritário e por meio de círculos eleitorais uninominais. E, consequentemente, todos os cidadãos britânicos têm o direito tradicional de pedir para serem recebidos pelos seus Membros do Parlamento, encontro que se verifica no ornamentado Salão Central (Central Lobby). Hoje, nenhum cidadão pode requerer o mesmo no nosso País!
Também, nas Monarquias do Norte da Europa, o poder local possui um elenco de competências que lhe permitem uma justa e célere satisfação das necessidades da comunidade local.
A Sociedade é um corpo vivo, e não um agregado de indivíduos, portanto é necessário, também no nosso amado País, tornar a haver representação verdadeira.
Miguel Villas-Boas

terça-feira, 14 de abril de 2015

«MONÁRQUICOS QUEREM MUDAR REGIME QUE ELEGE PR»


O presidente da Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos defendeu hoje a mudança de regime para o monárquico para que o "ciclo vicioso e viciado" do lóbi político e financeiro que elege os Presidentes da República seja substituído.
Em declarações à agência Lusa sobre a primeira Convenção Nacional da Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos (APAM), que hoje decorreu no Porto, Manuel Beninger sublinhou o "contributo muitíssimo importante" que a Monarquia pode dar à sociedade actual, uma vez que é essa a sensibilidade que falta nesta República, em profunda "crise profunda de valores".
Na opinião do presidente da APAM é preciso mudar este "ciclo vicioso e viciado" que é eleição dos Presidentes da República pelo lóbi político e financeiro, defendendo a implementação do regime monárquico, uma vez que o rei é alguém "preparado, isento partidariamente e que pode representar as várias sensibilidades e as transversalidades das vontades políticas".
Enfatizando que a APAM não é um partido político mas sim uma associação pluripartidária que representa os seus associados -- que em nove meses de existência são já mais de 300 - Manuel Beninger afirmou que os autarcas, que estão na base da democracia, podem "contribuir para uma mudança de paradigma", uma vez que é urgente "repensar este tipo de regime".
Cultura, património, turismo, ambiente, família e agricultura são algumas das preocupações que estão na base da acção destes autarcas monárquicos em exercício de diferentes funções nas freguesias, câmaras e assembleias municipais, que representam actualmente cinco sensibilidades políticas distintas.
"Nesta convenção de hoje mais de 120 autarcas conseguiram reflectir sobre a saúde pública da política e contribuir com propostas válidas", disse, acrescentando que a adesão à associação tem sido "francamente crescente".
Do programa da convenção - que contou com a presença de D. Duarte Pio de Bragança, Gonçalo Ribeiro Teles e Francisco Calheiros, entre outros - fez parte "um painel ligado ao Património e Turismo, temáticas diferenciadoras dos agentes de desenvolvimento local e de importância premente no quadro dos futuros investimentos a decorrer nas regiões" e um outro sobre "Ser Autarca e Monárquico nos Dias de Hoje".

Fonte: PPM Braga

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Tomé, o cientista


A incredulidade de Tomé favoreceu a credibilidade científica da ressurreição de Cristo

 Ver para crer – eis a frase que, de certo modo, imortalizou o incrédulo apóstolo São Tomé. Ausente durante a primeira aparição de Cristo ressuscitado aos restantes apóstolos, negou-se depois a crer no que os outros lhe disseram. Mais ainda, impôs, como condição para aceitar a ressurreição do crucificado, tocar, com as suas mãos, nas suas chagas, para ter a certeza de que era o mesmo corpo que tinha morrido na cruz.
A atitude de Tomé revela, é certo, falta de fé. Quem precisa de ver para crer não tem fé, porque a fé é, precisamente, crer sem ver. Para acreditar na ressurreição de Cristo não era preciso, em sentido próprio, que ninguém visse nada, porque bastava que ele tivesse revelado que assim iria acontecer.
Ora Jesus de Nazaré disse que havia de ressuscitar por ocasião da sua transfiguração, sobre a qual impôs um embargo noticioso, até que esse facto se realizasse. Disse-o também quando, por três vezes, anunciou a sua paixão, morte e ressurreição, a ocorrer exactamente ao terceiro dia. Portanto, em teoria, nenhum cristão precisaria de ter visto Cristo vivo depois da sua crucifixão, para acreditar na sua ressurreição. Deveria ter sido suficiente a sua palavra e a ausência do seu corpo, misteriosamente desaparecido do sepulcro, a que os soldados fizeram guarda, durante o tempo decorrido entre a sua deposição no túmulo e as suas primeiras aparições.
Contudo, convinha que o ressuscitado aparecesse e assim aconteceu naquele mesmo dia de Páscoa: primeiro, às mulheres; depois, só a Maria Madalena; a seguir, a Simão Pedro, individualmente; mais tarde, aos discípulos de Emaús; e, já ao fim do dia, ao conjunto dos apóstolos. Portanto, não foi só na palavra de Cristo que Tomé não acreditou, mas também na das santas mulheres, na de Maria Madalena, na de Cléofas e do seu companheiro de viagem para Emaús, na de Simão Pedro e, por último, na dos restantes apóstolos, que também o viram, ao final daquele dia.
Apesar de ser tanta a gente que o viu, em momentos e sítios diferentes, Tomé não acreditou e manteve-se firme na sua incredulidade. Ele que, por não ter estado presente, em teoria não se poderia pronunciar sobre um acontecimento de que não fora testemunha, não cedeu, até ser confrontado com uma prova definitiva da ressurreição de Jesus.
Com efeito, Cristo reapareceu aos apóstolos no domingo seguinte ao da Páscoa. Estando Tomé presente, foi instado a verificar o que, até esse momento, ainda não tinha crido, o que fez exclamando, cheio de admiração e de devoção: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). Tocou-o, ouviu-o e até o viu comer uma posta de peixe assado.  Mas não se livrou da repreensão do Mestre, que lhe censurou a sua falta de fé.
Se é verdade que Tomé mereceu essa censura, também é certo que a sua atitude revela um espírito crítico que é, em termos científicos, muito louvável. Se ele tivesse aceite acriticamente algo tão surpreendente como a ressurreição de um morto, quiçá hoje houvesse quem duvidasse da historicidade desse acontecimento. Talvez alguns pensassem que se tinha tratado de uma sugestão colectiva, de uma interpretação simplista daqueles homens e mulheres, rudes e sem instrução. Quem poderia afirmar que tudo não fora, afinal, mais do que um erro de percepção dos discípulos?! Inadvertidamente, poderiam ter transposto para a realidade o que, de facto, só tinha acontecido na sua imaginação…
Graças a Tomé, essas dúvidas não fazem sentido, não são minimamente sustentáveis, precisamente pela sua falta de fé … e extraordinário espírito científico! Sim, na verdade, ele agiu como um escrupuloso homem de ciência que, em princípio, não aceita uma tese que não tenha sido previamente verificada. Um cientista, por regra, só admite como verdadeiro um axioma comprovado experimentalmente ou, pelo menos, susceptível de verificação empírica. O conhecimento científico, com efeito, requer sempre, pelo menos como ponto de partida da sua própria especulação, essa referência à experiência, que o caracteriza em relação a outros saberes não menos verdadeiros.
Não foi a Igreja que impôs a ressurreição de Cristo, mas foi a ressurreição de Jesus de Nazaré que se impôs à Igreja, com a evidência de um facto ineludível. Poucas verdades de fé têm tão firme fundamento racional. Se a alguém o devemos, é sobretudo a Tomé, o apóstolo inicialmente incrédulo, mas a cuja exigência intelectual e rigorosa análise se ficou a dever, em boa medida, a consistência científica deste mistério cristão.

Fonte: Observador

domingo, 12 de abril de 2015

Um passado que nos acrescenta e consolida, e uma democracia que nos actualiza


Sou monárquico pela razão, pela esperança, pela certeza que acompanha o seu restabelecimento. Razão na decisão, esperança na vontade,  certeza em Portugal. Associo a monarquia à defesa dos valores mais altos, à defesa da liberdade sobre as opressões, à defesa da soberania sobre as ingerências, à defesa da pessoa sobre interesses sem rosto. Associo a monarquia a um sistema político de liberdade democrática, com tanto espaço para a alternativa como para o consenso. Posto o que temos vivido e aprendido, tenho confiança na nossa história. O futuro tem um passado, um passado que nos acrescenta e consolida, e tem uma democracia que nos actualiza.



Domingo da Divina Misericórdia

sábado, 11 de abril de 2015

Heróis Portugueses Em La Lys

O CEP PCM

Completam-se hoje (8 de Abril) 98 anos sobre a Batalha de La Lys. Os bravos soldados portugueses foram empurrados pela República Velha, então em fase embrionária e carecida de afirmação, para morrerem nesta Guerra que, pelo menos na Europa, não era a sua.
O Corpo Expedicionário Português (CEP) é o nome do contingente militar de 105.542 homens enviado pela 1.ª República Portuguesa para combater ao lado dos aliados durante a Iª Grande Guerra como forças expedicionárias para Europa e ilhas atlânticas. Para além disso para África seguiram ainda quase 85 mil homens para defender as colónias portuguesas.
Ao contrário da Divisão do Exército que em África defendia as colónias contra os avanços alemães, a expedição para a Frente Ocidental europeia foi uma opção política isolada do governo republicano do Partido Democrático de Afonso Costa – consecutivamente à implantação da república, Afonso Costa nomeado Ministro da justiça do governo provisório (sem eleições) de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911, anuncia novo programa político do partido republicano em 29 de Agosto de 1911, considerado como o partido único da República -, contra quase todo o resto da sociedade portuguesa dividida entre ‘guerristas’ e ‘antiguerristas’ – a maioria -, com propósitos de afirmação e legitimação do novel regímen republicano. Também, em território nacional, a guerra, provocara um agravamento das condições de vida, com aumento galopante dos preços dos bens essenciais, gerando uma escalada de violência que se traduziu em ataques bombistas, greves e motins quase diários, e como tal para evitar um derrube do regime houve a necessidade de meter o País na Grande Guerra para desta forma afastar os possíveis ‘golpistas’.
Para o Teatro de Operações da Europa seguiram logo 55.165 militares portugueses para combater um inimigo técnica e tacticamente superior.
Desde 1814 que Portugal não actuava operacionalmente naquele território europeu nem num ambiente de guerra intensa. Mas em Março de 1916 a República portuguesa, deliberadamente, requisitou os navios alemães detidos no Tejo, criando o ‘casus belli’ com o qual o Império Alemão declarou guerra a Portugal entrando assim o País na Guerra de duvidosas causas, mas como veremos de perniciosos efeitos.
Assim começou a preparação das forças do Exército Português que combateram em França. Foram instruídas, equipadas e armadas pelos britânicos, porém, o comando do CEP foi português, embora submetido ao caixilho britânico durante a instrução militar, o transporte em navios britânicos e o seu gradual ingresso em sector e, uma vez, instalado na frente, subordinado hierarquicamente ao comando do I Exército Britânico.
A guerra das trincheiras era uma novidade para os militares portugueses habituados que estavam à táctica do quadrado que já vinha desde a de boa-memória Batalha de Aljubarrota. Assim, em La Lys, no dia 9 de Abril, os alemães elegeram propositadamente o sector português sabendo que este seria o ponto mais frágil. Os alemães atacaram justamente no dia em que o contingente português se preparava para ser rendido. Na batalha, embora, existissem extraordinários actos de bravura – como o de Milhões – o saldo de mortandade foi enorme com cerca de seis centenas de mortos e bem mais de seis mil prisioneiros. Ao meio dia, os últimos esforços de resistência terminavam e com eles a Divisão Portuguesa deixava de contar como unidade militar. Os que não tinham sido mortos ou feitos prisioneiros retiravam desorganizadamente para a retaguarda.
Depois disso, o Comando Britânico dispensou da operacionalidade o contingente português remanescente, remetendo-o para trabalhos de organização do terreno, transformando os heróicos militares portugueses em ‘batalhões de trabalhadores’.
A 11 de Novembro de 1918 foi assinado o Armistício entre os Aliados e a Alemanha pondo um terminus àquela que fora até à altura a mais mortífera guerra da humanidade. Depois do Desfile da Vitória, entre Abril e Junho de 1919, o contingente português regressou à Pátria.
200 mil Portugueses foram mobilizados e combateram na Europa e em África, só 55.000 bravos do contingente do Corpo Expedicionário Português na Flandres. 7.500 soldados portugueses perderam a sua vida e 14.062 foram de alguma forma vítimas da Iª Guerra Mundial, seja como mortos, feridos, prisioneiros e mesmo incapacitados por stress pós-traumático. Além destas baixas foram imensuráveis os custos sociais e económicos que tiveram consequências superlativas para a capacidade nacional, e, os objectivos que levaram os responsáveis políticos da 1ª República a empurrar os jovens para a guerra saíram gorados em toda a linha. Ao invés da unidade nacional pretendida pelo novel regime saído do golpe revolucionário do 5 de Outubro gerou-se ainda mais instabilidade política que levaria primeiro ao golpe sidonista e, em 1926, à queda da República Velha.
Como escreveria Fernando Pessoa, em 1919:
“Anda o povo a passar fome
E quem o mandou para França
Não tem barriga para o que come
Nem mãos para o que alcança”
É pois fácil tirar as devidas conclusões, mas não se pode olvidar a HEROICIDADE ESTÓICA DOS JOVENS PORTUGUESES ATIRADOS PELA REPÚBLICA VELHA PARA UMA GUERRA QUE NÃO ERA A SUA, NEM TÃO POUCO DA NAÇÃO.
Miguel Villas-Boas

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Livro « Maria Pia, queen of Portugal »

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Prochaine parution en mai (en anglais) de cette biographie de la reine Maria Pia de Portugal par Sabrina Pollock. Née princesse de Savoie, elle fut l’épouse du roi Luiz de Portugal avec qui elle eut deux fils Carlos et Afonso. En 1908, son fils le roi Carlos et son petit-fils le prince héritier Luiz furent assassinés. La reine Maria Pia est décédée en Italie en 1911.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Dom Manuel II – O Rei Amigo



Sinos a repicar alegremente, foguetes a estalar nos céus, mantas coloridas nas janelas, faixas e bandeiras nas árvores, tudo sinais com que as povoações com multidões compactas, entusiasticamente, por brios ter, acolhiam o Rei.
Ele que tinha por avoengos os Imperadores romanos da Dinastia Comnenus e Paleólogo, os Reis Capetos de França, a estirpe real dos Orleães, os Saxe-Coburgo e Gotha, os Imperadores da Hispânia, o Rei Fundador Afonso Henriques; Ele que privava com os maiores Reis da Terra, mostrava-se português em tudo e não se fazia rogado em estender a mão e a Sua palavra fácil e amistosa ao Povo.
El-Rei Dom Manuel II de Portugal num interesse atento entregava constantemente um sorriso mostrando-se sempre o que era, pois já na sua «Doutrina ao Infante D. Luís», o douto humanista Lourenço de Cáceres Lhe recomendava “que se não aparte da afalibilidade nem dê pouca parte de si ao povo, pois que não há erro mais nocivo para quem seja de senhorear ânimos portugueses!” Berço abençoado!
Era a comunhão entre Rei e Povo, represtinada dos primórdios da humanidade que começou por se organizar sob o modelo da Monarquia, o Elo natural que só as revoluções de uma minoria que se apropriou dos meios de força e coacção conseguiu quebrar.
O Rei protegia e amava o Povo e a Nação e todas as suas coisas; aos primeiros amava como um Pai e as suas coisas guardava como se fossem Suas. Lembremo-nos da célebre tirada d’ El-Rei Dom João II: ‘Quero que se entenda que a Bandeira Portuguesa defende e protege até um papagaio!’
Servir! – Sempre servir… o Povo, a Nação, até à morte e até depois dela… pelo exemplo!
Este louvor popular é a prova que a História dos últimos 104 anos tão faltado tem à Verdade, transmudada pela pena dos subjugadores, distorcida pela vontade dos caluniadores! Só esses são os nossos inimigos, pois enquanto um Rei encarna a História os políticos têm de a reescrever.
Miguel Villas-Boas