quinta-feira, 12 de junho de 2014

Reis, Mecenas e Ilustrados – I Parte

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Mecenato
Teria sido de Ouro o Século de Augusto sem Mecenas para o dourar?! Teríamos tido Virgílio, Horácio, Ovídio, Tito Lívio e outros se a bolsa de sestércios do segundo não transbordasse?!
Caio Mecenas foi um aristocrata e político romano, senhor de uma enorme fortuna, que pertenceu juntamente com Marco Agripa ao restrito círculo de poder e de amizade do Imperador Octávio César Augusto, tendo mesmo substituído o primeiro Imperador romano na governação de Roma entre 36 e 30 a.C..
Mas foi pelo enorme apoio que deu aos artistas, sobretudo escritores da época como os acima referidos e outros mais, os quais trouxe para a esfera do César, que Mecenas ficou a ser sinónimo de Protector das Artes e das Letras. Ao colocar o dinheiro ao serviço do Estado Romano, Mecenas ajudou Augusto a construir uma Roma de mármore, e, ao financiar os grandes escritores latinos da Era de Ouro de Augusto, possibilitou o engrandecimento de Roma através das Artes, contribuindo indelevelmente para a possante afirmação da maturidade da literatura romana.
Que seria da cultura Ocidental sem ”A Eneida” de Virgílio, sem “A História de Roma” de Tito Lívio, sem as “Odes” de Horácio, sem as “Metamorfoses” de Ovídio, bem diferente por certo, bem mais pobre sem dúvida.
Foi na fase mais difícil da sua vida que Horácio foi apresentado a Mecenas e passou a frequentar a casa do Protector das Letras onde se reunia o mais importante círculo de intelectuais romanos da altura. Por isso conheceu Augusto a quem dedicou uma das suas famosas “Epístolas” assim como cinco poemas na obra maior “Odes”. Por isso Horácio se tornou célebre ainda na juventude.
Toda esta introdução serve para demonstrar que nunca a nossa cultura ocidental seria tão rica se não fosse o papel preponderante dos Príncipes no financiamento do talento e não raras vezes mesmo na própria produção artística. E que melhor maneira de começar se não na Era de Ouro de Augusto que Mecenas ajudou a dourar.
Os Príncipes Portugueses e a Cultura
Depois dos primeiros reis da Primeira Dinastia Portuguesa com preocupações marcadamente políticas e com a formação e manutenção do território, chega-se ao Reinado de Dom Dinis, que transforma Portugal num dos mais famosos focos da poesia europeia da Idade Média, e que ficou conhecido como o Período Trovadoresco ou Galego-Português. Neste período eram sobretudo o “Amor” e a “Amizade” os temas sobre o que os poetas escreviam e que os trovadores cantavam, mas não exclusivamente, debruçando-se ainda em temas políticos sobretudo feitos guerreiros e até mesmo assuntos satíricos.
Mas dominam sobretudo dois estilos de lirismo: as Cantigas d’ Amor – de influência Provençal – e as Cantigas d’ Amigo, completamente nativo português.
As primeiras, recatada e requintadamente platónicas, focam-se no enaltecimento das qualidades da mulher amada ou na expressão da saudade do ente amado.
Nesta sublimação da figura feminina participou el-Rei Dom Dinis com a sua mestria e indiscutível talento poéticos:
«Quer’ eu en maneira de poençal
Fazer agora un cantar d’amor
E querrei muit’ i loar mnha senhor’a,
A que prez nem fremusura non fal,
Nem bondade, e mais vos direi en:
Tanto a fez Deus comprida de bem
Que mais que todas las do mundo val.»
Mas mais conhecidos e enaltecidos são os seus poemas no estilo de Cantigas d’ Amigo, talento que o próprio Fernando Pessoa volvidos séculos decidiu glorificar n’A Mensagem:
D. DINIS
«Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio murmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.»
A mais célebre Cantiga d’ Amigo D’el-Rei Dom Dinis – escrito sobre a perspectiva de uma personagem feminina – como era comum há mestria da época – foi certamente o célebre:
AI FLORES, AI FLORES DO VERDE PINO
«Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo!
aquel que mentiu do que pôs comigo!
Ai Deus, e u é?»
Mas além da Poesia trovadoresca outro elemento contribuía para a aculturação em Portugal, as escolas que se multiplicavam por todo o Reino – embora as primeiras escolas (monásticas) tenham surgido na governação do próprio Conde D. Henrique, assim como o primeiro grande trovador português, D. Gil Sanches (filho de Dom Sancho I e de D. Maria Paes Ribeira).
De resto, desde El-Rei Dom Sancho I, que os Reis portugueses, quais Mecenas, concediam bolsas de estudos para portugueses irem estudar em Bolonha, Salamanca, etc. Mas a partir de 1290, e para o engrandecimento de Portugal, dá-se a abertura do Estudo Geral – primeiro em Coimbra, depois em Lisboa.
Quem herda o talento de seu real pai, é Dom Pedro Afonso, Conde de Barcelos, senhor de uma enorme obra literária – proporcional à sua envergadura física. Duma notabilíssima e profícua produção literária resultam obras como o “Livro das Linhagens” e a “Crónica Geral de Espanha”.
Mas, em Portugal, foi durante os reinados da Dinastia de Avis que se verificou a maior aculturação dos Príncipes e reflexamente a do País.
O gosto pelos autores clássicos, pelas letras, resultado da esmerada educação dos Príncipes da Dinastia de Avis, propiciou a difusão dos textos clássicos. Era a introdução da mentalidade Humanista do Renascimento em Portugal.
É com o início da Dinastia de Avis que, de facto, a sociedade portuguesa sofre a sua maior metamorfose. Para começar a língua portuguesa toma a sua característica e inconfundível fisionomia que é enriquecida com os neologismos que advém do contacto com as obras clássicas. Com o Renascimento vem a ideia de tomar a Antiguidade Clássica como modelo.
A educação que Dom João I recebeu como Grão-mestre da Ordem de Aviz transformou-o num Rei invulgarmente culto para a época e o seu gosto pelo saber passou-o para a sua Ínclita Geração.
O Infante Dom Pedro de Portugal, Duque de Coimbra, quarto filho d’el-Rei Dom João I e da Rainha Dona Filipa de Lencastre, traduz o “De Officiis” de Cícero, e redige ele próprio a maior parte do “Tratado da Virtuosa Benfeitoria”, obra inspirada e assente em Séneca e Cícero. Além, dessa valia pessoal como autor e tradutor não foi menos importante o seu papel como mecenas das Artes, sobretudo das Letras, tendo inclusive sido traduzido por encomenda sua o “De Senectute” por Vasco Fernandes de Lucena, e o “De Amicitia” pelo Prior São Jorge.
Os Príncipes de Avis, quase sem excepção, como nenhuma outra Dinastia, inclusive na Europa, desde a primeira geração até Dom António, Prior do Crato, brilham nas mais variadas áreas das Artes.
Nem vamos abordar o papel guerreiro que o Infante D. Henrique teve nos descobrimentos portugueses – pois não é o tema em análise -, mas sim o seu papel como patrocinador da criação de uma cadeira de Astronomia na Universidade de Coimbra, ou o seu empenho no desenvolvimento da Caravela, de portulanos, de roteiros e de instrumentos náuticos que facilitassem essas mesmas descobertas por parte dos navegadores. “O Navegador” investiu toda a sua fortuna em investigação relacionada com navegação, náutica e cartografia, dando início à epopeia dos Descobrimentos. Esta descoberta geográfica do Mundo empreendida pelos portugueses é reflexo do paradigma do Renascimento na medida que o humanismo não se trata apenas de um ideal de cultura, mas um ideal de pensamento de confiança no Homem. Com os Descobrimentos, Portugal participa na primeira linha da construção de um admirável Mundo Novo.
A mais importante edificação do Reinado de Dom João I foi o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha que o Rei mandou edificar como agradecimento pela vitória na Batalha de Aljubarrota, e onde aliás jaz, na Capela do Fundador, o Rei da “Boa Memória”.
Embora, a História existisse já desde os primórdios da Monarquia Portuguesa, é com Fernão Lopes que esta se autonomiza e se converte em género próprio.
É com Fernão Lopes nas suas “Crónicas” que se inicia um novo e inédito género na literatura portuguesa, a prosa literária, «em que a arte alcança o grau supremo da naturalidade», vincou António José Saraiva in “História da Literatura Portuguesa”. Nesta sublime obra da prosa histórica portuguesa, o historiador oficial da Corte de Avis reúne uma exposição sequente da história dos sucessivos reinados, sem esquecer o exercício narrativo da época, embora o faça de uma maneira independente compilando factos seleccionados nas mais diversas fontes e narrando-os de uma forma muito particular, o que permite dizer que criou um estilo literário próprio. «A História há-de ser luz da verdade e testemunha dos antigos tempos», escreveu. Assim foi!, escrevemos nós.
Isabel de Portugal, única filha de Dom João I e de Dona Filipa de Lencastre, foi uma mulher muito lúcida, inteligente e refinada. Foi uma Mecenas das artes que se fez rodear de artistas e poetas, na corte de seu marido na Borgonha. Também na política exerceu a sua influência sobre o filho Carlos, O Temerário e, em especial, sobre o marido Filipe III, O Bom, Duque de Borgonha, que representou em várias missões de carácter diplomático.
Continuando na Dinastia de Avis, Dom Duarte I que sempre acompanhou o seu pai nos assuntos do reino, sendo portanto um herdeiro preparado para reinar, foi cognominado o Eloquente ou o Rei-Filósofo pelo seu interesse pela cultura e pelas obras que escreveu como o “Leal Conselheiro” um ensaio sobre variados temas onde a moral e religião têm especial enfoque e o “Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela”, manual para Cavaleiros.
Falecido Dom Duarte I, e na menoridade de D. Afonso V, primeiro sua mãe e depois o tio D. Pedro, Duque de Coimbra assumem a regência. Como regente, D. Pedro procurou limitar o desenvolvimento de grandes casas aristocráticas e concentrar o poder na pessoa do Rei. Por sua ordem, cerca de 1448, foram revistas e concluídas as chamadas Ordenações Afonsinas, a primeira compilação oficial de leis do século XV, resultado de um pedido das Cortes a D. João I para a organização de uma colectânea em que se coordenasse e actualizasse o direito vigente, para a boa litigância e fácil administração na justiça.
O país floresceu sob a sua regência, mas o ambiente político não era o mais saudável uma vez que D. Pedro interpunha-se na ambição da nobreza. D. Afonso (filho natural de Dom João I com Inês Pires), Conde de Barcelos, converteu-se no tio predilecto de D. Afonso V e é feito Duque de Bragança em 1442, tornando-se assim no homem mais poderoso de Portugal e num dos mais ricos da Europa. O 1.º Duque de Bragança, casado com a filha de Dom Nuno Álvares Pereira, é inimigo pessoal de D. Pedro, embora meios-irmãos, e assim começou uma luta pelo poder entre duas facções – conjuntura que relatamos sem fazer considerações de que lado se encontrava a justeza de pretensões -, e que terminou com a morte de D. Pedro na Batalha de Alfarrobeira.
Com a estabilidade política retoma-se a afeição pelas artes, tão ao gosto da Dinastia da Boa-Memória. Assim, no século XV, no reinado de Dom Afonso V a pintura portuguesa atinge o seu auge. É de Nuno Gonçalves a autoria do esplendoroso tríptico “Painéis de S. Vicente”.
Também, realizado sob encomenda de D. Afonso V em 1457 e concluído a 24 de Abril 1459, temos o “mapa-múndi de Fra Mauro”, que reúne o conhecimento geográfico da época.
Em 1477, D. João II de Portugal sucedeu ao seu pai após a sua abdicação, mas só subiu ao trono após a sua morte, em 1481, e retirou o poder à aristocracia, concentrando-o em si.
Por o seu reinado corresponder à época de ouro de Portugal, foi-lhe atribuído o cognome “o Príncipe Perfeito”: é do seu reinado o Tratado de Tordesilhas que dividiu o Mundo a conquistar entre Portugal e Espanha. Embora fosse o último quartel do século XV, havia em Portugal, há mais de oitenta anos, uma escola de matemática, cartografia e navegação onde os mais geniais cientistas se dedicavam à pesquisa e esquadrinhamento.
O Afortunado D. Manuel I ascendeu inesperadamente ao trono em circunstâncias excepcionais, sucedendo ao seu primo direito Dom João II. Prosseguiu as descobertas iniciadas pelos seus antecessores, o que levou à descoberta do caminho marítimo para a Índia e do Brasil, assim como das ambicionadas Molucas, as”ilhas das especiarias”. Começou o Império Português, e Portugal torna-se um dos países mais ricos e poderosos da Europa.
A total consagração europeia do rei Dom Manuel I ocorreu com a grandiosa embaixada a Roma chefiada por Tristão da Cunha, em 1514, destacando-se, na magnificência dos presentes enviados ao Papa Leão X, pedras preciosas, tecidos do oriente e inúmeras jóias. Dos animais raros, sobressaíram um cavalo persa e o elefante Hanno, que executava várias habilidades e que doravante seria a mascote do papa. Mas uma das inúmeras novidades que encantaram os espíritos curiosos das Cortes europeias da época terá sido sem dúvida o rinoceronte, proveniente das Índias, que assumiu, então, um papel dominante como motivo na arte italiana.
Em 1521, el-Rei promoveu uma revisão da legislação, as Ordenações Manuelinas que divulgou com ajuda da recente descoberta da Imprensa. Com a prosperidade resultante do comércio, em particular do das especiarias, realizou numerosas obras como o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, cujo estilo arquitectónico ficou conhecido como “Manuelino”. Dom Manuel I ordenou ainda a reforma dos Estudos Gerais, criando novos planos educativos e bolsas de estudo.
Na sua Corte surge Gil Vicente e o geógrafo Duarte Pacheco Pereira, célebre autor do “Esmeraldo de Situ Orbis”. É, também, do seu reinado o “Livro Três Místicos”, que encanta com a riqueza das suas iluminuras.
Foi na câmara da parturiente, Rainha Dona Maria de Aragão, Infanta de Espanha, filha dos Reis Católicos, que em trajes de vaqueiro Gil Vicente, representou sua primeira peça, o “Auto da Visitação ou Monólogo do Vaqueiro”, o que demonstra claramente que o bardo era um poeta cortesão, o dramaturgo oficial. Sob protecção real explicam-se as liberdades, ao estilo do histrião, tomadas na sua obra.
Como de resto declarou o Imperador Marco Aurélio num dos seus célebres “Pensamentos”: «Que os poetas cómicos tenham dito coisas sérias é sabido».
Se por um lado temos um Gil Vicente, comummente declarado o Pai do Teatro português, que através do seu enorme espírito crítico e da sátira deliciosa enuncia as origens populares da nação e representa a sociedade do seu tempo de forma irónica, mas moralista; temos do outro a prosa de um Bernardim Ribeiro e o seu requintado romance de cavalaria.
Esse lugar de dramaturgo da Corte, ocupou Gil Vicente quer no reinado de Dom Manuel I como no do seu filho e sucessor, Dom João III, que foi educado no Latim e nos clássicos por D. Diogo Ortiz de Villegas, Bispo de Viseu, no Direito Civil por Luís Teixeira, na Matemática, geografia e astronomia por Tomás de Torres.
Com o Reino herdou as elevadíssimas despesas ordinárias da Coroa que incluíam tenças, benesses pias, ordenados, obras públicas, universidade, obras em Belém e em Tomar, típicas de Reis do Renascimento que protegiam os artistas e incentivavam a edificação de monumentos.
Da realeza destaca-se no seu reinado, o seu filho natural, o Infante Duarte de Portugal, arcebispo de Braga, homem extremamente culto, que traduziu para o latim a maior parte da Crónica de Dom Afonso Henriques de Duarte Galvão.
Quanto a Gil Vicente marca indelevelmente a cultura do primeiro terço do século XVI português, pois com os seus Autos fixa os tipos sociais da época, os seus traços e maneirismos, assim como os seus vícios, criando uma obra verdadeiramente nacional, sem influências de outras amplitudes.
Quanto a Bernardim Ribeiro cabe-lhe o papel de introduzir, com as suas Éclogas, o Bucolismo em Portugal. Também, o seu estilo acompanha a evolução da moral e as suas exigências e introduz a novela cavaleiresca sentimental integrada num ambiente feminino em que a donzela passa a dominar como figura moral e principal, mas em que a acção se exprime na tragédia amorosa, como em “Menina e Moça”.
Frequentador dos Serões do Paço, Sá de Miranda começou por colaborar no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, mas o seu génio aparece um pouco mais tarde, depois de uma estadia em Itália patrocinada em parte pela Coroa. Após o seu regresso a Portugal publica, em 1527, os “Estrangeiros”, uma comédia que o distingue como inovador na literatura da época: é a primeira comédia em prosa. Sendo-lhe concedida uma comenda perto de Ponte de Lima, aí torna-se à maneira do grande Horácio, mentor de um grupo intelectual composto por Francisco de Sá Menezes, D. Manuel Portugal, entre outros, que se apelidam de “Italianizantes” e cujo anelo supremo é a produção de um poema que eternizasse o glorioso Portugal quinhentista. Esse desiderato de imortalizar o heróico Portugal viria a ser cumprido mais tarde, mas por outro poeta, o maior da Língua portuguesa, Luís Vaz de Camões in “Os Lusíadas”. Mas antes disso, de facto, Sá de Miranda provocou uma profunda renovação estética sintetizando a totalidade dos perfis da vida lusitana ao paradigma do rigor clássicos. Profundo defensor dos valores morais, na sua obra reflecte-se esse padrão de seriedade de doutrinação moral, mas elevado ao nível da sublimação profética.
«Virgem do sol vestida, e nos teus raios
Claros envolta toda, e das estrelas
Coroada, e debaix’os pés a lua,
São vindas minhas culpas e querelas
Sobre mim, tantas! Valei-me aos desmaios;
De muitas, que possa ir chorando alguma.»
Nota-se também a sua ligação à Coroa uma vez que coloca o seu talento a cumprir a função de defesa do ideal da Monarquia como defesa do bem comum:
A el-rei D. João
«Rei de muitos reis, se um dia,
Se uma hora só, mal me atrevo
Ocupar-vos, mal faria,
E ao bem comum não teria
O respeito que ter devo;
…
Porque, Senhor, eles sós
(justo e poderoso rei!),
Desdão ou lhe cortam nós,
Como também entre nós,
Que sois nossa viva lei.»
E eis que surge o primeiro génio da literatura portuguesa a escrever só na língua mãe: António Ferreira. Principal teórico do Clássico Português, Ferreira teve uma importância notória na afirmação da língua nacional, uma vez que antes dele o Latim era a língua usada pelos eruditos e o castelhano a língua falada na Corte, pelo que o podemos elogiar e classificar como sendo um “grande patriota”. Toda a sua obra reflecte esse desígnio de estabelecer a língua portuguesa como instrumento de arte, embora não se dedique ao poema épico, mas à temática amorosa. De facto a elevação da sua arte ostenta-a na “Castro”, que dentro dos cânones da tragédia clássica é adaptada a um tema bem português: a “Tragédia de Inês de Castro” – como de resto primeiramente se chamou. Destilando todas as influências do teatro greco-romano dá à obra uma densidade poética e uma qualidade dramática próprias e nacionais.
Eis, Camões!
Não nos vamos debruçar no edifício que é a sua biografia até porque Camões é igualmente Mito, mas sobre o que a sua obra significou para a Lusitanidade.
A sua avó paterna era parente de Vasco da Gama, e daí se compreenderá a emoção com que o poeta narra os feitos do seu antepassado como se fizesse de alguma forma parte deles.
A sua vida e a dos reis da altura estão ligados por um fio condutor. Camões numa contenda do Dia de Corpo de Deus participou numa rixa na qual feriu um criado d’el-rei Dom João III. Condenado ao cárcere, Camões só conseguiu o real perdão depois de se alistar como soldado para cumprir 3 anos de serviço militar na Índia, onde acabou por permanecer durante 16 anos. Aí serviu sob o comando de oito vice-reis que funcionaram também como seus patronos. De regresso a Lisboa, em 24 de Setembro de 1571 a Real Mesa Censória concedeu-lhe licença para publicar “Os Lusíadas”. Logo a publicação causou tremendo alvoroço e Luís Vaz foi aclamado como o maior poeta da Lusitanidade. Convocado à Presença do jovem Rei Dom Sebastião, Camões lê a obra maior da Portugalidade e cativa a profunda admiração do monarca deixando o rei adolescente ainda mais cheio de ideias de grandiosidade: a empresa de Alcácer Quibir aproximava-se.
Antes de partir para não mais voltar, Dom Sebastião por Alvará régio de 27 de Julho de 1572 concede a Luís Vaz de Camões a Tença de 15 mil réis pelo Poema e pelos serviços prestados à Coroa.
É desta época, também, o começo da literatura de viagens, sendo que o maior exemplo deste género é a prosa aventureira da “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto, que relata as suas aventuras pelo Extremo Oriente. Não é de somenos importância a presença do aventureiro lusitano por essas longínquas paragens, pois lembremo-nos que Fernão Mendes teve um grande papel na afirmação da força e do poder portugueses no Oriente. Apesar de muitas vezes ter actuado como corsário, morreu pobre, facto a que também não será alheia a sua enorme generosidade: recorde-se que ofertou uma enorme quantia em dinheiro para a construção da primeira igreja cristã no Japão.
No Reinado de D. Sebastião, outra realização cultural importante foi o estabelecimento de uma nova Universidade em Évora, pelo Cardeal-Infante D. Henrique, seu tio, que a entregou aos Jesuítas.
O Cardeal-Rei D. Henrique, que aquando arcebispo de Évora fundou a primeira Universidade de Évora, transformou a cidade alentejana num importantíssimo pólo cultural, acolhendo alguns vultos da cultura da altura, como Pedro Nunes, André de Resende, Nicolau Clenardo, entre outros. Não pelas suas mãos, mas com sua autorização dada ao dominicano Frei Luís de Granada que editou em português uma obra sua, intitulada “Meditações e homilias sobre alguns mysterios da vida de nosso Redemptor, e sobre alguns logares do Santo Evangelho, que fez o Serenissimo e Reverendissimo Cardeal Infante D. Henrique por sua particular devoção”, Lisboa 1574. Redigida em português, esta obra visava substituir a palavra oral pela escrita, num esforço de chegar às recuadas aldeias onde dificilmente chegava, pela escassez de religiosos conhecedores do Latim.
E veio a perda da independência, mas não para sempre!
(Contínua em “Reis, Mecenas e Ilustrados – II Parte”)
Miguel Villas-Boas

quarta-feira, 11 de junho de 2014

SAR, A Senhora D. Isabel de Bragança na comemoração dos 180 anos da passagem de D. Miguel I por Alvalade


Decorreu no dia 31 de Maio na Casa do Povo de Alvalade a comemoração da passagem de D.Miguel I por Alvalade, onde pernoitou, com a sua comitiva, a caminho de Sines, donde partiu para Genova (Itália) para o exílio. Na sessão solene no Salão de Festas estiveram presentes a Duquesa D. Isabel de Bragança, esposa de D.Duarte Pio, ausente no estrangeiro, o Duque de Viseu, o Embaixador do Luxemburgo e outros membros da Casa de Bragança, representante da família Lança Parreira,que recebeu o Rei em sua casa e muitos outros convidados. A Mesa era composta pelos Orgãos Directivos da Casa do Povo, pelos oradores da comemoração Prof. Universitário Dr. Braga da Cruz, ex-reitor da Universidade Católica e Arqtº Lobo de Vasconcelos, um santiaguense ilustre que colaborou com a Casa do Povo na organização do evento. Presentes também o Vereador da Cultura da Câmara Municipal e o Presidente da Junta de Freguesia. Entre os vários convidados destacamos o Dr. Augusto Deodato Guerreiro e Dr. Luís Pedro Ramos, administrador do Alvalade.info.
Abriu a sessão o Sr. Luís Silva,Presidente da Direcção da Casa do Povo que informou os ilustres visitantes das importantes actividades culturais e valências sociais da instituição, seguiu-se o Presidente da Junta de Freguesia, Sr. Rui Madeira que saudou os ilustres visitantes e elogiou a iniciativa,em seguida o Sr. Arqtº Lobo da Vasconcelos descreveu com minúcia e objectividade os acontecimentos históricos da época que levou ao exílio de D.Miguel após a convenção de  Evoramonte e o trajecto que o levou a Sines e a passagem por Alvalade. A seguir falou o Prof. Dr. Braga da Cruz que referiu o apoio amigável da população do Alentejo a D.Miguel e sobretudo em Alvalade, onde, além da família Lança Parreira, muitos populares cederam suas casas para alojar toda a comitiva e suas montadas, desta atitude de bom acolhimento, resultou a extinção do concelho de Alvalade, dois anos depois, em 1836. Em seguida o Presidente da Casa do Povo fez ofertas de produtos regionais à Duquesa D. Isabel de Bragança e outras lembranças aos ilustres convidados. Terminada a sessão,foi descerrada uma placa em azulejos instalada no local da Casa Lança Parreira, demolida há 50 anos, alusiva ao acontecimento histórico. Os visitantes foram convidados a visitar o  Lar para Idosos da Casa do Povo,a inaugurar em breve,e o Centro de Dia onde foi servida uma merenda com produtos regionais. Foi bem visível a satisfação de todos os visitantes pela forma como foram recebidos. Os Alentejanos são mesmo assim.Na recepção á ilustre comitiva e durante a merenda de despedida, atuou o GRUPO CORAL DO CENTRO DE DIA que mereceu elogios dos visitantes, em especial da Duquesa D.Isabel de Bragança que se deixou fotografar junto do Grupo, representante do verdadeiro folclore Alentejano.


Auditório do Museu de Penafiel encheu para assistir à tertúlia com D. Duarte de Bragança

Chefe da Casa Real Portuguesa assistiu ao lançamento do livro “Estórias com História”, da Rota do Românico e do jornal VERDADEIRO OLHAR e falou sobre património

Os lugares do Auditório do Museu Municipal de Penafiel não foram suficientes para todos os que quiseram assistir à tertúlia com D. Duarte de Bragança, no passado dia 29 de Maio. Mesmo de pé, foram muitos os que não desmobilizaram e quiseram ouvir o chefe da Casa Real Portuguesa falar de património e da importância do turismo para o país, mas também da democracia, da república e da monarquia. Numa conversa onde houve tempo para momentos de diversão e algumas risadas, o duque de Bragança elogiou o projecto da Rota do Românico e a preservação do centro histórico de Penafiel.


O chefe da Casa Real Portuguesa assistiu ainda à apresentação do livro "Estórias com História", uma compilação de 24 reportagens publicadas pelo jornal VERDADEIRO OLHAR, que levaram personalidades da região a visitar monumentos da Rota do Românico. 


"A nossa memória colectiva, a nossa alma, está em grande parte nos monumentos"

Nesta passagem por Penafiel, D. Duarte de Bragança teve a oportunidade de visitar um dos monumentos integrados na Rota do Românico – o Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, onde conheceu o túmulo de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques –, o Museu Municipal de Penafiel e também de passear pelo centro histórico da cidade.
Durante a tertúlia, moderada pelo director do jornal VERDADEIRO OLHAR, Francisco Coelho da Rocha, e onde marcaram presença o presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Antonino e Sousa; a directora da Rota do Românico, Rosário Machado; diversos autarcas da região e personalidades que integraram o livro "Estórias com História"; o chefe da Casa Real Portuguesa elogiou o projecto da Rota do Românico, considerando esta uma iniciativa "interessante". "Fico feliz por ver que os monumentos estão enquadrados na paisagem. Temos belíssimos monumentos em Portugal que estão cercados de edifícios feios. Não se tem tomado cuidado", referiu. Falando do potencial económico que o turismo representa para o país, D. Duarte criticou a acção de alguns políticos que "por ignorância ou falta de interesse" desprezam a herança cultural portuguesa. "As câmaras que têm centros históricos deviam dizer ao Ministério da Cultura e ao IPPAR o que acham que deve ser feito. O Estado tem feito coisas boas mas também se têm feito coisas chocantes. O país está a ser desfigurado", alertou, reprovando a intervenção de alguns arquitectos. O duque de Bragança elogiou ainda o centro histórico de Penafiel, que dá mostras de ter sido preservado: "havia algumas coisas a melhorar, mas o essencial foi salvo e isso é raríssimo em Portugal". 


Para o presidente da Fundação Dom Manuel II, as verbas destinadas à recuperação do património não devem ser consideradas como despesas, mas sim como um investimento. "A cultura de um povo é uma riqueza fundamental. E esse investimento tem resultados. Aqui, por exemplo, temos turismo, já vi alguns turistas hoje, mas ninguém vai fazer turismo a Almada ou aos arrabaldes do Porto", deu como exemplo. O herdeiro do trono de Portugal defende a promoção turística por sectores, como acontece na região. "Há pessoas que querem apanhar cogumelos ou ver pássaros e há quem queira ver património. É preciso que sejam encaminhados", disse. D. Duarte defende a importância do património e acredita que "a nossa memória colectiva, a nossa alma, está em grande parte nos monumentos".


Regime monárquico é o que fica mais próximo do povo, defende

Durante a conversa houve tempo para contar histórias que arrancaram gargalhadas da plateia e também para falar sobre como é ser "um rei" num país que vive numa República há mais de cem anos. "Achamos que um rei serve melhor a República. Pode ser mais livre, mais independente e mais responsável que um político", defendeu D. Duarte de Bragança, que lembrou que tem estado sempre disponível para ajudar o Governo e que mantém-se em contacto permanente com os países de língua portuguesa. "Sinto-me tão em casa em Angola como em Timor ou no Brasil", afirmou.
Perante uma Constituição que diz não ser democrática, já que em Portugal não se pode mudar a forma republicana de governo, o chefe da Casa Real Portuguesa acredita que o "regime monárquico é o que fica mais próximo do povo". "Em Portugal quem não tem o apoio de uma máquina partidária ou muito dinheiro dos hipermercados não consegue ganhar eleições", frisou.


O duque criticou ainda a "ignorância" de quem governa e que tem feito do país um lugar onde ainda se vive muito mal e onde se continua a gastar dinheiro com obras de luxo. "Os políticos estão a vender o futuro dos nossos netos. Temos mais auto-estradas por metro quadrado do que qualquer país da Europa. E durante vários anos gastamos mais 5 ou 10 % do que tínhamos, por ano, e isso conduziu-nos a esta bancarrota fraudulenta", sustentou.
Este evento foi organizado pelo jornal VERDADEIRO OLHAR, em colaboração com a Rota do Românico e contou com o apoio da Câmara Municipal de Penafiel.





Livro "Estórias com História" apresentado
O evento teve como mote a apresentação do livro "Estórias com História", uma compilação de 24 reportagens elaboradas pelo jornal VERDADEIRO OLHAR, e publicadas entre Setembro de 2012 e Abril de 2013. O livro conta estórias de várias personalidades relacionadas com os monumentos da Rota do Românico situados nos seis concelhos do Vale do Sousa. Abi Feijó, Alberto Santos, António Guedes, António Rocha, António Sousa Pinto, Armando Pinto Lopes, Cândido Barbosa, Celso Ferreira, Eduardo Teixeira Lopes, Gonçalo Rocha, Guilherme Lickfold, Inácio Ribeiro, Jorge Magalhães, Jorge Neto, Jorge Sousa, José Augusto, José Neto, Luiz Oliveira, Mário Magalhães, Melanie Santos, Miguel Leal, Óscar Meireles, Pedro Pinto e Rui Barros foram as personalidades que aceitaram o desafio de visitar um monumento românico da região.



Quem é Dom Duarte de Bragança?

Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança nasceu na Suíça, na Embaixada de Berna, a 15 de Maio de 1945, durante o período de exílio da família real. O chefe da Casa Real Portuguesa é filho de Dom Duarte Nuno (neto de D. Miguel I, Rei de Portugal) e de Dona Maria Francisca de Orleans e Bragança (princesa do Brasil, trineta do Imperador D. Pedro I do Brasil).
Veio com a família para Portugal nos anos 50 e desenvolveu cá os seus estudos, passando pelo Colégio Nuno Álvares, pelo Colégio Militar e pelo Instituto Superior de Agronomia. Estudou ainda no Instituto para o Desenvolvimento na Universidade de Genebra, cumprindo o serviço militar em Angola, como tenente piloto aviador da Força Aérea, entre 1968 e 1971.



Em Maio de 1995, Dom Duarte de Bragança casou com Dona Isabel de Herédia. Deste casamento nasceram três filhos: Dom Afonso de Santa Maria, Dona Maria Francisca e Dom Dinis.
O chefe da Casa Real preside ainda à Fundação Dom Manuel II, que ajuda a concretizar projectos nos domínios da educação, cultura e promoção do desenvolvimento humano em Timor e noutros países lusófonos. É também presidente honorário e membro de diversas instituições, sendo actualmente membro do Conselho Supremo dos Antigos Alunos do Colégio Militar e presidente honorário do Prémio Infante D. Henrique.












SAR, O Senhor D. Duarte de Bragança na apresentação do livro “Eu Vivi A Queda Do Império”

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Fernando Amaro Monteiro, e a Editora Livros Itinerantes publicam “Eu Vivi A Queda Do Império”.
O lançamento terá lugar no próximo dia 19 de Junho, na Biblioteca do Palácio Galveias, ao Campo Pequeno, pelas 19 horas na presença de Dom Duarte de Bragança, Presidente de Honra do IDP.

Fonte: IDP

terça-feira, 10 de junho de 2014

Credibilidade e Popularidade das Monarquias

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Muitas e demasiadas vezes perante projectos políticos cegos face às reais necessidades do Povo, este não teria como se afirmar sem uma figura que encarna a consciência colectiva da Nação: o Rei.
O Povo sabe que sempre poderá contar com seu Rei, não só para agir como seu Defensor, mas para chamar a razão ao governo do Estado. Por isso com admiração, o Povo reconhece o dom que ele julga o melhor e o mais poderoso da Nação, o Rei.
O Rei personifica a virtude e como tal o precioso dom da verdade. O monarca por estatuto é o garante da harmonia da ordem, mas também o afiançador da justiça onde poderia apenas haver rigidez pragmática, tão querida aos políticos.
Um Rei encanta com a Sua sociabilidade que facilmente atende e se interessa pelas reivindicações do seu Povo, mas também pela Sua dignidade familiar, pois um Rei já nasceu para ser Rei, não é Rei porque ficou rico e/ou poderoso e assim cavalgou o galarim da política. Se nasceu para ser Rei, então é educado para o ser, sendo-lhe ministrados pelos melhores dos mestres os conhecimentos para melhor usar as ferramentas que terá ao seu dispor na altura própria. O Rei é a verdadeira Promessa!
Essa é a qualidade original da realeza que garante a continuidade da realização do projecto nacional.
«O testemunho da história demonstra-nos que a solução das questões sociais, a reforma das instituições, a abolição dos abusos tradicionais, realizam-se com mais facilidade e segurança num governo monárquico do que numa república», concluiu o historiador alemão Von Döllinger.
De facto, o Rei é a trave mestra da Nação e é a sua influência, reputação e credibilidade que permitem o aperfeiçoamento das instituições e a ausência de arbitrariedades para que melhor seja realizada a obra da Pátria.
É por isso que o Povo reconhecido dedica alta estima aos seus Monarcas como se poderá verificar pela enorme reputação que o sistema de governo monárquico granjeia junto dos cidadãos das diversas Monarquias democráticas.
A Monarquia Constitucional Parlamentar é um arquétipo do apuro democrático e tão operante nos Países Europeus e Japão que regista um Alto Índice de Popularidade, tendo-se inclusive verificado uma subida percentual na Noruega e uma recuperação de 8 pontos percentuais no Reino de Espanha.
Assim, actualizado o gráfico, os índices são os seguintes:
. Reino Unido: 78%
. Holanda: 75%
. Dinamarca: 77%
. Espanha: 62%
. Bélgica: 70%
. Luxemburgo: 70%
. Mónaco: 70%
. Noruega: 82%
. Liechtenstein: 70%
. Suécia: 70%
. Japão: 82%
Os supra-apresentados índices são dos países mais desenvolvidos do Mundo a que não pode ser alheio o facto de serem Monarquias plurais e contemporâneas. É justo que se tenha em conta que os povos destes países têm uma relação de exigência relativamente aos seus sistemas de governo de Monarquia Constitucional Parlamentar, seja ela menos ou mais executiva, pelo que mostra a credibilidade dos mesmos.
Da análise deste gráfico conclui-se ainda que, sem qualquer margem para dúvida, as Monarquias estão para ficar e durar e que anúncios de alegados descrédito e desafeição não passam de propaganda mal-intencionada. De resto verifica-se que a popularidade deste sistema de governo não só não está em queda como em crescimento.
Realmente, nenhuma outra instituição granjeia mais reputação de isenção, de supra-partidarismo e contribui para a estabilidade do que a Instituição Real, porque um Rei independente de calendários eleitorais, sem filiação partidária, sem políticos ou ideologias favoritos e estranho a qualquer mudança na política partidária, funciona como um símbolo de união. Isso repercute-se no progresso das instituições, que, auxiliadas pelo Poder Moderador do Rei, se tornam insuspeitas e verdadeiramente conformes à legalidade.
Uma Monarquia Constitucional Parlamentar contribui para que não existam parlamentos e governos que defraudam os eleitores e os cidadãos, porque na generalidade das repúblicas, não existe um sistema verdadeiramente representativo, pois que nenhum deputado eleito por círculos plurinominais representa o corpo eleitoral. Na generalidade das Monarquias acima referidas – salvo as que pela sua exiguidade territorial não o justificam – existe uma lei eleitoral que garante a possibilidade de representação de todas as vontades e interesses gerais ou locais, sem atender às clientelas partidárias. E a essa genuidade democrática não é alheio o facto de serem Monarquias.
É essa autenticidade e verdade dos actos eleitorais que se consegue através da eleição com círculos uninominais e/ou com uma lei de pequenas circunscrições eleitorais e também dotando os Municípios de mais poderes para que haja uma verdadeira democracia directa, pois em caso diverso cai-se no que já Eça de Queiroz in “Distrito de Évora” dissera mas que até se pode dizer que previra:
«O povo simples e bom, não confia nos homens que hoje espectaculosamente, estão meneando a púrpura de ministros; os ministros não confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores não confiam nos seus mandatários, porque lhes bradam em vão: «Sede honrados», e vêem-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposição não confiam uns nos outros e vão para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpétua leva à confusão e à indiferença. O estado de expectativa e de demora cansa os espíritos. Não se pressentem soluções nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discussões aparatosas e sonoras; o País vendo os mesmos homens pisarem o solo político, os mesmos ameaços de fisco, a mesma gradativa decadência. A política, sem actos, sem factos, sem resultados, é estéril e adormecedora.»
Parece pois que, por cá, perante o modelo esgotado é tempo de… ACORDAR PARA A REALIDADE DO REI!

Miguel Villas-Boas

S. Anjo da Guarda de Portugal


O primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques, notabilizou-se não só pelo valor guerreiro e nobre, mas principalmente por uma grande santidade. É assim que o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo lhe aparece para manifestar ao mesmo o desejo de fundar um grande reino através de seus descendentes e pedindo que coloque os símbolos da Paixão no brasão de Portugal.
Dom Afonso Henriques tinha uma grande e entranhada devoção ao Arcanjo São Miguel. Antes do rei haver tido a visão de Nosso Senhor, apareceu-lhe um Embaixador angélico, dizendo-lhe: “Sois amado do Senhor, porque sem dúvida pôs sobre vós, e sobre vossa geração depois de vossos dias, os olhos de sua misericórdia, até a décima sexta descendência, na qual se diminuirá a sucessão, mas nela assim diminuída, Ele tornará a pôr os olhos e verá”. Em seguida, declara o próprio rei: “Obedeci, e prostrado em terra, com muita reverência, venerei o embaixador e Quem o mandava. E como posto em oração, aguardava o som, na segunda vela da noite ouvi a campainha, e armado de espada e rodela saí fora dos reais, e subitamente vi à parte direita, contra o nascente, um raio resplandecente indo-se pouco a pouco clareando, cada hora se fazia maior. E pondo de propósito os olhos para aquela parte, vi de repente, no próprio raio, o sinal da Cruz, mais resplandecente que o sol, e um grupo grande de mancebos resplandecentes, os quais creio que seriam os santos anjos..” O santo rei, chorando maravilhado com a visão, vê finalmente Nosso Senhor, que lhe diz: “Não te apareci deste modo para acrescentar tua fé, mas para fortalecer teu coração neste conflito, e fundar os princípios do teu reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha mas todas as outras em que pelejares contra os inimigos da minha cruz. Acharás tua gente alegre e esforçada para a peleja, e te pedirá que entre na batalha com o título de rei. Não ponhas dúvida, mas tudo quanto te pedirem lhes concede facilmente. Eu sou o fundador e destruidor dos reinos e impérios, e quero em ti e em teus descendentes fundar para Mim um império, por cujo meio seja Meu nome publicado entre nações mais estranhas. E para que teus descendentes conheçam Quem lhes dá o reino, comporás o escudo de tuas armas do preço com que Eu remi o género humano, e daquele por que Fui comprado pelos judeus, e ser-Me-á reino santificado, puro na fé e amado da minha piedade”. Até os dias de hoje permanecem os estigmas da Paixão no escudo da grande nação portuguesa.
Um episódio demonstra quanto os homens que cercavam o rei Dom Afonso Henriques eram também de grande valor. O rei de Leão, Afonso VII, estava cercando as tropas de Afonso Henriques e a derrota deste parecia iminente. Egas Moniz, que fora educador de Afonso Henriques, vai até Afonso VII e empenha sua palavra de que seu antigo pupilo lhe prestaria obediência. Confiando na promessa do nobre português, o rei de Leão levanta o cerco. Como Dom Afonso Henriques não cumpriu a palavra, que aliás não dera, Egas Moniz vai até junto do rei de Leão, acompanhado da mulher e filhos, em traje de penitente, pedindo que o mesmo lhe castigue por não se ter cumprido o que prometera. E o castigo, Egas Moniz o sabia, poderia ser a pena de morte. Admirado com tal grandeza de alma, o rei manda de volta e em paz o fidalgo português.
Dom Afonso Henriques continua suas conquistas, principalmente contra os mouros. Em 1147 domina Santarém, que era um grande baluarte islâmico. Algum tempo depois, sob o comando pessoal de Al-Baraque, rei de Sevilha, Santarém é sitiada. O santo rei vê-se impotente para liderar a defesa dos cristãos pois estava ferido numa perna e sem poder montar a cavalo. Mesmo assim, arrisca-se e vai lutar pela defesa de seus homens em Santarém. Quando se encontrava no meio dos combates, Dom Afonso Henriques vê, junto de si, um braço levantado brandindo uma espada. Percebe claramente que um Anjo do Senhor estava a seu lado para protegê-lo.
Quando os combates estavam em sua fase mais renhida e sangrenta, o braço angélico começou a desferir mortais golpes contra os mouros, os quais fugiam aterrorizados e deixavam o campo de batalha à mercê dos soldados cristãos. Os próprios soldados agarenos, presos durante a batalha, confessaram ter visto o braço angélico armado com a espada a lhes deferir mortais golpes.
Como prova de gratidão por tão insigne favor divino, Dom Afonso Henriques fundou a Ordem militar com o nome de “São Miguel da Ala” (a palavra “ala” é aplicada no sentido de “levantada” ou “alada”), em honra daquela intervenção angélica. Seus descendentes estabeleceram o costume de colocar nos seus filhos os nomes dos três Arcanjos, São Miguel, São Gabriel e São Rafael, também em honra desta batalha.
Cresce a devoção ao Anjo de Portugal ao longo dos anos
A pedido do rei Dom Manuel e dos bispos portugueses, o Papa Leão X instituiu em 1504 a festa do «Anjo Custódio do Reino» cujo culto já era antigo em Portugal.
Oficializada a celebração tradicional, Dom Manuel expediu alvarás às Câmaras Municipais a determinar que essas festas em honra do Anjo da Guarda de Portugal fossem celebradas com a maior solenidade. Na referida festa deveriam participar as autoridades e instituições das cidades e vilas, além de todo o povo. Por determinação das Ordenações Manuelinas a festa do Anjo de Portugal era equiparada à festa do Corpo de Deus, já então a maior festa religiosa de Portugal, em que toda a nação afirma a sua Fé na presença real de Cristo na eucaristia.
Esta celebração manteve o seu esplendor durante os séculos XVI, XVII e XVIII, período em que Portugal mantinha grande poder e muita religiosidade, e decaiu no século XIX quando o país já estava em decadência.
De acordo com o testemunho dos Pastorinhos de Fátima, em 1915 e 1916 o Anjo de Portugal apareceu por diversas vezes a anunciar as aparições de Nossa Senhora nesta sua Terra de Santa Maria e deu aos Pastorinhos a comunhão com o «preciosíssimo corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo» como ele próprio declarou.
O culto do Anjo de Portugal teve o seu maior brilho nas cidades de Braga, Coimbra e Évora, especialmente na diocese de Braga, Sé primaz de Portugal, onde se celebrava a 9 de Julho.
No tempo de Pio XII a festa do Anjo de Portugal foi restaurada para todo o País e transladada para o dia 10 de Junho a fim de que o Dia de Portugal fosse também o Dia do Anjo de Portugal.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Azar o nosso


No final dos anos noventa do século passado tive a oportunidade de testemunhar em Caracas e na Ilha Margarita, onde se desenrolava uma Cimeira Ibero Americana, um dos principais argumentos a favor da chefia de Estado Real: o impacto da visita do rei de Espanha à Venezuela, ex-colónia espanhola, foi arrasador e o furor emanava das ruas engalanadas pelo povo exultante. O facto é que a instituição monárquica espanhola, através do seu prestígio, teve um papel preponderante na afirmação da grandiosa Espanha moderna no Mundo e constitui por estes dias o elemento unificador do frágil puzzle de nacionalidades que a compõe. Sorte a deles.  
Se é verdade que nos últimos anos tudo vinha correndo mal no reinado de João Carlos o facto é que todas as sondagens hoje apontam para o apoio de larga maioria dos espanhóis ao regime que foi sufragado em 1978. Nesse sentido, segundo o jornal El País, e salvo algum imprevisto, o príncipe Filipe será proclamado rei pelo parlamento espanhol com cerca de 91% votos dos deputados eleitos democraticamente. Sorte a deles.
Ora acontece que a imprensa regimental tem dificuldade em lidar com este panorama, que é uma afronta aos preconceitos que sustentam o nosso disfuncional regime semipresidencialista e o tão perorado inquilino do Palácio de Belém eleito por pouco mais de 21% dos portugueses. E é porque sou português e vivo numa triste e falida república, com as suas instituições desacreditadas e em decadência acelerada, que este ponto me incomoda de sobremaneira: a debilidade do nosso regime contrasta com a grandiloquência da instituição real dos nossos vizinhos. E isso, por oposição, torna-nos mais pequenos e mais irrelevantes na cena internacional. É esta realidade que a generalidade dos media portugueses tem medo de encarar, preferindo salientar a marginal, posto que legítima, contestação dos republicanos em Espanha, ignorando, de um só passo, duas cruas realidades:  a de que foi a monarquia que permitiu consolidar a democracia em Espanha e de que a república se instaurou em Portugal por meios violentos e antidemocráticos. De resto, como referia há dias um amigo meu, esperemos que o novo Chefe de Estado espanhol não escolha Lisboa como sua emblemática primeira visita. Seria muito azar, o nosso.

A ler mais, sobre este tema aqui

João Távora

Fonte: Causa Real

Por Portugal, sejamos rumo

"Por Portugal, sejamos rumo:

À luz dos infundados ódios, a Monarquia é o papão no imaginário contemporâneo. Aquela que s’escondendo debaixo da cama do comodismo e calidez corrupta, vai atemorizando os olhos dos que s’embalam pelos cantos da demagogia; aquela que oprime os povos do mundo e não oprime nada; aquela que não se compromete com a democracia nem com nada entre outras acusações que são mito… E, parafraseando Fernando Pessoa, o mito é o nada que é quase tudo.

Deduz-se facilmente, por consequência, que o republicanismo mais não é que um laivo da infantilidade das gentes. Isto, porque preferem a versão do nada à verdade do quase tudo.
Assumamo-nos, todavia, como papão, que incomoda e se assim o faz, é porque cumprimos a nossa missão de formação político-cívica e de construção do progresso social. É, sobretudo, sinal de que somos uma causa viva! É tempo de deixarmos de sermos a condição fantasmagórica de um fantasiado espectro político apagado pelo pó dos anos! É tempo, sim, de abraçarmos orgulhosamente a ameaça dinâmica que somos a este estatismo perverso, a este martírio de sonhos, mantido e fomentado pelos polutos interesses das elites republicanas que tão contrárias são à liberdade e às virtudes seculares desta grei! Afinal, é, pois, mais do que um desígnio histórico, um imperativo moral que nos deverá mover nesta batalha.

Não olvidemos os filhos que foram sacrificados pela república com a fome, a sevícia das guerras e o subdesenvolvimento e precariedade das vidas em prol de um tão cínico e falso patriotismo, de uma bandeira que não exprime a nossa História nem os nossos costumes mais ancestrais. Esses sejam os ecos, os motes de nosso alento refundador do que se deseje para Portugal! Esses, sim, sejam a expressão máxima da lusitanidade e seus valores mais intrínsecos! É bastante de vermos partir o que nos fazem falta em favor do decadentismo, sustentado pela manipulação dos legítimos receios do Homem, dessa classe de necrófagos, de traidores inqualificáveis da pátria e abjuradores confessos do luzente humanismo! É bastante de constatar tristemente que as nossas crianças chegam famigeradas às nossas escolas e, como se não fosse suficiente, ainda são privadas do verdadeiro conhecimento dos factos, sendo vendadas com os cantos de uma medusa pérfida!

Ergamo-nos, então, sem temor do que se nos afronte, que há muito que deixou de ser um mero combate político! A nossa inacção poderá ser tragicamente uma das balas que craveja o flagelado corpo da nação portuguesa, assim se permanecermos num silêncio que consente ou numa resistência que se não experimente. Povoemos os decrépitos muros de nossa revigorante voz. Guiemos a cegueira dos iludidos humildes à revelação derradeira de um próspero caminho. Sejamos a flor que brota nos aprilinos campos de esperança, a torrencial fonte que irrompe do áspero granito e sacia a sede da Terra. Não sejamos tão-somente saudade, sejamos futuro!

Pinte-se um novo e idílico quadro, porquanto é já assaz de negativismos que coagem sobre os portugueses, forçando-os a abdicar de seus mais elevados e nobres objectivos, como o da dignidade humana, em função da ganância dos politicastros que nos vão desnorteando. Sejamos serviço, jamais clientelismo! Sejamos soberania e independência, jamais subordinação! Sejamos ordem em liberdade, jamais desordem sob a anarquia e anomia! Sejamos tolerância, jamais rancor! Sejamos a paz, como fruto da maturidade, da estabilidade, da concórdia e da boa vontade! Sejamos democracia, tal como esta veio ao orbe, sob a generosidade e fidelidade dos mantos que protegem os povos em detrimento, por vezes, da própria vida.

Por Portugal e pela virtude da lusofonia no globo, sejamos monárquicos convictos!"

Bernardo Marinho da Mata


Fonte: Juventude Monárquica Portuguesa

domingo, 8 de junho de 2014

VISITA DE S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA A PENAFIEL

O Senhor Dom Duarte de Bragança à chegada a Penafiel.


No Museu Municipal de Penafiel.


A assinar o livro de honra do Museu Municipal de Penafiel.


À chegada ao Mosteiro de Paço de Sousa.




O Senhor Dom Duarte junto do túmulo de Egas Moniz.






A Elsa foi a nossa guia nesta visita ao Mosteiro de Paço de Sousa.
















Com a equipa da Rota do Românico.

Fonte: PPM Braga