terça-feira, 16 de junho de 2015

Eu Te Saúdo, Bandeira de Portugal



«Eu te saúdo, BANDEIRA DE PORTUGAL, fanal augusto das glórias da minha Pátria, eu te saúdo. Sou jovem, mas já sinto no coração a alegria de ter nascido à tua sombra e o orgulho de ser teu filho; e por isso eu te adoro e te saúdo, Bandeira da Minha Pátria. Por ti estudo; por ti desejo ser sábio, para te dar a minha inteligência, e forte, para te dedicar o meu braço; e eu te juro, Bandeira da minha Pátria, que só quero ser grande da tua grandeza, bom da tua bondade, herói do teu heroísmo, e que até à hora da minha morte pedirei a Deus pela tua glória e de todo o coração lhe rogarei que sejas tu a minha mortalha.»
– ‘Bandeira de Portugal’ de Trindade Coelho.
Escreveu Duarte Nunes de Leão, na ‘Crónica Brandão na Monarquia’ (3.part.lib.10.cap.17): “as cores com que era pintado o escudo de D. Afonso Henriques eram branco assentando nele uma cruz azul daquele feitio que se chama potentea, por ter a haste mais comprida que os braços.” Depois, El-Rei Dom João IV de Portugal, por decreto de 25 de Março de 1646, declara Padroeira do Reino Nossa Senhora da Conceição, pelo que nessa altura agregou à bandeira nacional uma orla azul. Também teria usado uma bandeira com o campo totalmente azul.
Depois, azul e o branco foram adoptados como cores nacionais por decreto das Cortes Gerais da Nação de 22 de Agosto de 1821, pois segundo o Decreto de D. João VI, “o azul e branco foram escolhidas por serem aquelas que formaram a divisa da Nação Portuguesa desde o princípio da monarquia em mui gloriosas épocas da sua história. (…) a escolha resultou do desejo de glorificação do espírito católico e profundamente mariano do povo português, referenciando-se o azul à cor do manto da Padroeira do Reino.”
A última Bandeira do Reino de Portugal entrou em vigor pelo decreto de 18 de Outubro de 1830 que determinava que a Bandeira Nacional passasse a ser verticalmente bipartida de branco e azul, ficando o azul à tralha; sobre o conjunto, ao centro, deveria assentar as Armas Nacionais, metade sobre cada cor. Hoje ainda é um símbolo nacional gozando de protecção legal.
Miguel Villas-Boas

segunda-feira, 15 de junho de 2015

XXVI Aniversário da Real Associação de Lisboa

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A Real Associação de Lisboa vai celebrar o seu XXVI Aniversário no próximo dia 20 de Junho, com o habitual passeio que promove o convívio entre os associados e simultaneamente dá a conhecer o património menos conhecido da nossa Pátria. Nesse sentido este ano um programa a decorrer na Costa do Estoril, área geográfica que não visitamos há cerca de uma década, ocasião que aproveitaremos para dar posse à nova direcção do seu núcleo local.

O programa será o seguinte: 
9:30 – Partida de Lisboa, em autocarro, da Praça de Espanha, junto ao parque de estacionamento na esquina com Avenida de Berna (parqueamento gratuito); 
10:00 – Chegada a Caxias, seguindo-se visita à Real Quinta de Caxias e a outros monumentos; 
13:00- Almoço no Clube de Ténis do Estoril, com tomada de posse da nova Comissão Directiva do Núcleo da Costa do Estoril; 15:00 – Deposição de coroa de flores na estátua de El Rei D.Carlos I e visita ao Palácio da Cidadela de Cascais; 
19:00 – Regresso a Lisboa (Praça de Espanha).

Preço por pessoa (transporte, entradas nos monumentos e almoço) – € 30,00 Preço para jovens até 25 anos – € 25,00 Aconselhamos o uso de calçado prático.

As inscrições decorrem até dia 17 de Junho , presencialmente na nossa sede, através do endereço electrónico secretariado@reallisboa.pt ou pelo telefone 21 342 8115.

 Esperamos e contamos com a sua presença!

domingo, 14 de junho de 2015

Ainda a jihad republicana e os suicidas

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No dia da inauguração do Museu dos Coches, a TVI transmitiu o telejornal a partir do tal museu. Problema? O final deste telejornal especial funcionou como uma legitimação do assassínio enquanto arma política. Depois de mostrar os orifícios que as balas de Buíça deixaram no coche do Rei D. Carlos, o pivot José Alberto Carvalho considerou que o regicídio (1908) é apenas “uma data considerada funesta pelos monárquicos”. Ficámos assim a saber que o assassínio de D. Carlos e de D. Luís Filipe não deve inquietar mais ninguém a não ser os monárquicos, esse bando de reaças inconsequente; ficámos assim a saber que os outros, os bons, os justos, os não monárquicos, não devem sentir culpa ou horror pelo assassínio do rei e pela instauração de um clima de medo e violência que durou até 1926, ou melhor, que durou até 1974. Como se isto não fosse suficiente, José Alberto Carvalho prosseguiu com a canonização de Manuel Buíça, o assassínio elevado a sonhador e, coitadinho, pai extremoso. O responsável pela informação da TVI leu a carta-testamento de Buíça; nessa missiva, o assassino pedia a familiares e amigos que educassem os seus filhos órfãos segundo os princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Não satisfeito este altar carbonário e maçónico, José Alberto Carvalho estabeleceu ainda uma ligação entre o sonho de Buíça e o sonho de hoje: “E ainda hoje curiosamente mais de um século depois, estes princípios republicanos e humanitários são ainda objecto de debate. O que queremos e o que estamos dispostos a fazer pelos nossos jovens é o tema de um debate na TVI 24 (...) Está sempre tudo por dizer em relação ao sonho e à mudança”.
Vou deixar de lado a hipótese do incentivo directo à violência política.  Vou apenas falar de uma curiosa tendência: os defensores da Liberdade e Igualdade em abstracto têm o estranho hábito de matar a liberdade e a igualdade concreta de pessoas concretas. Em 1908, a monarquia constitucional portuguesa era semelhante às suas congéneres europeias. Vivíamos em liberdade. Buíça e demais jagunços do PRP podiam escrever e dizer o que bem quisessem, podiam concorrer a eleições, até podiam conspirar abertamente nos cafés de Lisboa. O sonho de Buíça podia e devia ter sido canalizado através das armas da liberdade, jornais e parlamento. Buíça recorreu à violência porque os nossos republicanos, como se viu entre 1910 e 1926, não toleravam o jogo parlamentar, não toleravam opiniões contrárias, queriam um regime que fosse propriedade privada da sua ideologia radical. E assim foi.  D. Carlos e D. Luís Filipe foram apenas as primeiras vítimas mortais da jagunçada republicana: seguiram-se padres em Lisboa e anarquistas no Alentejo, entre outros. Tal como os salazaristas, os buíças recorreram ao assassínio, ao espancamento, à purga violenta de jornais, à repressão de greves e cortaram para metade o número de pessoas com direito a voto. Não, a I República não foi republicana no sentido correcto e kantiano do termo. A I República foi a primeira experiência autoritária e violenta do nosso século XX, irmanando com a II República (Estado Novo) e não com a nossa III República.
No fundo, José Alberto Carvalho procurou idealizar uma monarquia ditatorial que encaixasse neste conto de fadas revolucionário: a monarquia, ora essa, não passava de um simulacro de Estado Novo, um salazarismo sem Salazar, portanto, o golpe de 1910 foi uma espécie de primeiro 25 de Abril e o assassínio de D. Carlos correspondeu à legítima eliminação do Salazar monárquico. Das duas, uma: ou José Alberto Carvalho não sabe ou José Alberto Carvalho é um radical com carinha de anjo. Ou não sabe que a I República foi uma experiência política violenta e inimiga das liberdades e, por isso, deixou-se levar por uma cantilena que tem tanto de ignorância como de boa vontade pronto-a-vestir; ou conhece a história e de forma consciente defendeu um bando radical que não hesitava em recorrer ao assassínio enquanto forma de acção política. Ou seja, aquele telejornal foi um momento de ignorância confrangedora ou um momento de radicalismo inaceitável. 

 "J. A. Carvalho, ignorância ou radicalismo" - Henrique Raposo Expresso Diário, terça feira

Fonte: Causa Real

sábado, 13 de junho de 2015

VIVA O SANTO ANTÓNIO!



Vida de Santo António

Desde 1140 que D. Afonso Henriques, o nosso primeiro rei, tentava a conquista de Lisboa aos Mouros, feito que só teve êxito sete anos depois, em 1147, depois de prolongado cerco imposto aos aguerridos Almóadas e com o oportuno apoio dos Cruzados, em número treze mil (grande exército de homens cristãos que vieram do Norte da Europa, rumo à Terra Santa, para expulsarem os Muçulmanos. Usavam uma cruz de pano como insígnia, daí o seu nome. Houve oito Cruzadas desde 1096 a 1270).

Lisboa era pois uma cidade recém-cristã, quando na sua catedral foi a baptizar o menino Fernando Martins de Bulhões – Santo António, filho da fidalga D. Teresa Tavera, descendente de Fruela, rei das Astúrias e de seu marido Martinho ou Martins de Bulhões. Há dúvidas quanto ao apelido do pai, bem como se era ou não descendentes de cavaleiros celtas. Sabe-se sim que D. Teresa nascera em Castelo de Paiva e o marido numa terra próxima. Viviam em casa própria no bairro da Sé quando o recém-nascido veio a este mundo, no ano de 1195, embora alguns apontem como data de nascimento 1190 ou 1191.

Fernando frequentou a escola da Sé e até aos 15 anos viveu com os pais e com uma irmã de nome Maria. Aos 20 anos professou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho em Lisboa, no Mosteiro de São Vicente de Fora. Nesta ordem monástica prosseguirá os seus estudos teológicos.

Rumou a Coimbra ao mosteiro de Santa Cruz, onde tinha à sua disposição a melhor biblioteca monacal do País. Nesse tempo era a abadia de Cluny, em França, que possuía uma das maiores bibliotecas da Europa, com um total de 570 volumes manuscritos, porque ainda não tinha sido inventada a imprensa. Aqui em Coimbra, sendo já sacerdote toma o hábito de franciscano, em 1220. Segundo os seus biógrafos, Santo António terá lido muito, e não foi por acaso que se tornaria pregador.

O mundo cristão vivia intensamente a época das Cruzadas. A chamada «guerra santa» desencadeada contra o Islão. E da parte dos Muçulmanos dava-se a inversa, luta contra os cristãos. Ambos acreditavam que a fé os levaria à vitória. De Oriente a Ocidente os exércitos batalham, e neste turbilhão surgem novas formas de espiritualidade. Em 1209 Francisco de Assis (S. Francisco) abandona o conforto e luxo da casa paterna, para, com outros companheiros, se recolher numa pequena comunidade, dando origem a uma nova reflexão sobre a vivência do Evangelho. É a aproximação à Natureza, à vida simples e à redescoberta da dignidade da pobreza preconizada pelos primeiros cristãos. Em poucos anos, homens e mulheres, alguns ainda bem jovens e filhos de famílias abastadas e poderosas sentem-se atraídos por esta vida de despojamento e sacrifício, com os olhos postos no exemplo de Cristo. A Portugal também chegaram ecos deste novo misticismo.

Em Janeiro de 1220 são degolados em Marrocos, pelos muçulmanos, cindo frades menores (franciscanos) e todo o mundo cristão sofre um enorme abalado. A própria Clara de Assis (Santa Clara), praticamente da mesma idade que Santo António (nasceu em 1193 ou 1194) vai querer partir para Marrocos para converter os sarracenos, mas Francisco de Assis seu amigo de infância e seu orientador espiritual não lho permite.

Por cá o nosso futuro Santo António, já ordenado padre, decide mudar de Ordem religiosa e também ele passa a envergar o hábito dos franciscanos. È nesta ocasião que muda o nome de baptismo de Fernando para António e vai viver com outros frades no ermitério de Santo Antão (ou António) dos Olivais, na altura um pouco afastado de Coimbra, nuns terrenos doados por D. Urraca, mulher do rei D. Afonso II.

Em meados de 1220 chegam, com grande pompa religiosa, ao convento de Santa Cruz de Coimbra, as relíquias dos mártires de Marrocos e esse acontecimento vai ser decisivo no rumo da vida de Santo António. Parte para Marrocos, sentindo também ele que é chamado a participar na conversão dos chamados infiéis. Porém adoece gravemente e não podendo cumprir aquilo a que se propunha, teve de embarcar de regresso a Lisboa. Só que o barco é apanhado numa tempestade e o Santo vê o seu itinerário alterado ao sabor de uma vontade superior. Acaba por aportar à Sicília num período de grandes conflitos armados entre o Papa Gregório IX e o rei da Sicília, Frederico II. Relembra-se que várias regiões do que é hoje a Itália unificada eram reinos independentes e este ambiente de guerras geradoras de insegurança e perigos.

Em Maio de 1221 os franciscanos vão reunir-se no chamado Capítulo Geral da Ordem, onde Santo António está presente. No final os frades regressam às suas comunidades de Montepaolo, perto de Bolonha, onde, a par da vida contemplativa e de oração, cabe também tratarem das tarefas domésticas do convento. Aqui os outros frades reparam na grande modéstia daquele estrangeiro (Santo António) e jamais suspeitaram dos seus profundos conhecimentos teológicos. Findo aquele período de reflexão, como que um noviciado, os frades franciscanos são chamados à cidade de Forlì para serem ordenados e Santo António é escolhido para fazer a conferência espiritual. E começa a falar. Ninguém até ali percebera até que ponto ele era conhecedor das Escrituras e como a sua fé e os seus dotes oratórios eram invulgares.

Pelo que se sabe quando começou a falar imediatamente cativou os outros frades e a sua vida seria a partir daquele dia de pregador da palavra de Cristo. Percorrerá diversas regiões da actual Itália, entre 1223 e 1225. Por sugestão do próprio São Francisco vai ser mestre de Teologia em Bolonha, Montpelier e Toulouse.

Quando S. Francisco morre, em 1226, Santo António vai viver para Pádua. Aqui vai começar por fazer sermões dominicais, mas as suas palavras tão cheias de alegorias eram de tal modo acessíveis ao povo mais ou menos crente, que passam palavra e casa vez mais se junta gente nas igrejas para o ouvir. Da igreja passa para os adros para conter as multidões que não param de engrossar. Dos adros passa a falar em campo aberto e é escutado por mais de 30 mil pessoas. É um caso raro de popularidade. A multidão segue-o e começa a fama de que faz milagres. Os rapazes de Pádua têm mesmo que fazer de guarda-costas do Santo português tal a multidão à sua volta. As mulheres tentam aproximar-se dele para cortarem uma pontinha do seu hábito de frade como uma relíquia.

O bispo de Óstia, mais tarde papa com o nome de Alexandre IV, pede-lhe que escreva sermões para os dias das principais festas religiosas que eram já muitas na época. Mais tarde seria este papa a canonizá-lo. Santo António assim faz. São hoje importantíssimos esses documentos escritos, porque Santo António com pregador escreveu pouco. Apenas lhe são atribuídos Sermones per Annum Dominicales (1227-1228) e In Festivitatibus Sanctorum Sermones (1230) .

Sentindo-se doente, o santo pediu que o levassem para Pádua onde queria morrer, mas foi na trajectória, num pequeno convento de Clarissas, em Arcela, que Santo António «emigrou felizmente para as mansões dos espíritos celestes». Era o dia 13 de Junho de 1231.

Depois, como é sabido, foi canonizado, em 1232, ainda se não completara um ano sobre a sua morte. Caso único na história da Igreja Católica. Já que nem São Francisco de Assis teve tal privilégio.

Os santos como Santo António, há muito que desceram dos altares para conviverem connosco, os simples mortais, que tomamos como nosso protector e amigo. O seu sumptuoso sepulcro, em mármore verde em Pádua, na igreja de Santo António é o tributo do povo que o amou e é muito mais do que um lugar de peregrinação e de oração. Através dos séculos, a sua fama espalhou-se por todos os continentes. No dia 13 de Junho de cada ano, Lisboa e Pádua comemoram igualmente a passagem por este mundo de um português que pregou a fé e morreu em Pádua. Como todos os santos é universal.


Fonte: Santo António de Lisboa

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Jovens monárquicos impedidos de participar nas cerimónias do Dia de Portugal

COMUNICADO DA DIRECÇÃO NACIONAL DA JMP




1. Ontem, em Lamego, a PSP impediu um grupo de jovens monárquicos de assistir às cerimónias oficias do dia 10 de Junho, com o argumento de que não podiam lá estar com bandeiras nacionais anteriores a 1910;

2. Estes jovens tinham como única intenção celebrar Portugal, juntamente com a restante população, assistindo às cerimónias oficiais do Estado Português, num clima de absoluta tranquilidade e sem se manifestarem.
A prova inequívoca disso mesmo está no facto de que não levavam qualquer cartaz, ou outro tipo de propaganda, limitando-se a transportar a bandeira anterior a 1910;

3. O Comandante do Policiamento de Viseu informou que “só podem avançar se guardarem as bandeiras” e quando questionado se poderiam avançar caso levassem a bandeira da república, respondeu “sim”;

4. A JMP lamenta o sucedido e vai fazer uma exposição ao Comandante do Policiamento de Viseu, exigindo que sejam explicadas as razões legais que impediram os jovens monárquicos de assistir às cerimónias;

5. Até aqui a república respeitava os símbolos nacionais existentes em Portugal desde 1143. A JMP quer saber se 767 anos da História de Portugal foram apagados pelos 105 de ocupação republicana, para além de exigir que se explique aos portugueses quais os símbolos “permitidos” e quais os símbolos considerados de “facção”.

A Direcção Nacional da JMP
Lisboa, 11 de Junho de 2015







Fonte: JMP

quinta-feira, 11 de junho de 2015

SS. AA. RR., OS DUQUES DE BRAGANÇA NA MISSA DE HOMENAGEM AO PRÍNCIPE KARDAM DA BULGÁRIA


O príncipe morreu no passado mês de Abril, em Madrid, devido às sequelas do grave acidente de viação que sofreu com a mulher nos arredores de Madrid, a 15 de Agosto de 2008.

A cerimónia, teve lugar no antigo mosteiro San Jerónimo El Real, contou com a presença dos Reis Filipe VI e D. Letícia, os Reis João Carlos e Sofia e as infantas Elena e Cristina de Espanha, bem como Irene da Grécia, irmã da rainha Sofia, e os soberanos Guilherme e Máxima e a princesa Beatriz da Holanda. 

Estiveram também presentes muitas as personalidades do mundo político, social e empresarial espanhol que se juntaram neste momento de dor, aos familiares do príncipe Kardam: os seus pais, o Rei Simeão II e Margarita Gómez-Acebo, a mulher, Miriam Ungría, e os filhos, Boris e Beltrán.




Hommage au prince héritier Kardam de Bulgarie


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En l’église royale de los Jeronimos à Madrid a été célébré un hommage au prince héritier Kardam de Bulgarie, prince de Tirnovo en présence bien entendu de son épouse la princesse Miriam et de leurs fils les princes Boris et Beltran, des souverains bulgares et de tous les membres de la famille royale mais aussi de nombreux amis proches du Gotha.

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L’infante Cristina et son cousin le prince Paul de Grèce. A droite, la duchesse de Bragance. A gauche, l’infante Pilar et l’infante Elena

Fonte: Noblesse & Royautés

quarta-feira, 10 de junho de 2015

S. Anjo da Guarda de Portugal


Ode ao Anjo de Portugal

Altas, altas asas, recolhidas,
um dúbio sorriso, uma expressão
de alegria serena, talvez de ironia,
talvez ainda de êxtase ou paixão,
não sei,
a própria face do enigma, como a esfinge,
não sei, que o tempo,
corruptor do símbolo e da pedra
altera ou finge
a palavra dita e silenciada.

Diogo-Pires-o-Moço te esculpiu,
o povo te esqueceu,
fecharam-te em Coimbra num museu,
porque esse que teu ser mediu
não do português uma clara existência quis fixar,
mas a perturbante essência libertar.

Escândalo o teu olhar de paz,
escândalo ontem e hoje a tua beleza intemporal,
escândalo o não pareceres Portugal
na aparência angélica que nos dás.
Olhamos-te, nós, os impacientes
olhamos-te, os saudosos, os furiosos,
porque tarda a hora de o sonho se cumprir,
porque em nossa volta, descontentes,
só vemos sonhos frustrados,
seres dilacerados,
o campo de Alcácer Quibir
ainda e sempre,
orgulho e corrupção,
coragem e miséria,
as guitarras, a traição,
a pátria dividida,
a pressa, a inteligência transviada,
El-Rei Dom Sebastião,
o seu fracasso, a sua ilusão,
a morrer ainda, devagar,
por esse país fora,
nas cidades, nas aldeias, nas montanhas,
a morrer de luxo e de pobreza,
de vaidade, de tristeza,
de curtas ambições,
de poder desregrado,
de habitual monotonia,
a morrer em almas indigentes,
em espíritos carecentes
de alegria criadora,
de entusiasmo, de amor,
Dom Sebastião a morrer dentro de mim
dentro de mim que somos todos,
nas nossas cruéis batalhas interiores
entre a visão radiante do futuro
e a realidade pesada e envolvente
do presente.

Mas altas, altas asas recolhidas,
a própria face do enigma, como a esfinge,
assim Diogo Pires te viu
e para o amanhã que é hoje te esculpiu…
Apostou na esperança, contra dúvida!
Apostou na confiança de que em breve
as grandes asas vão abrir-se porventura
e de que o corpo da pátria, leve, leve,
é ser das alturas que perdura,
apostou que o povo da aventura,
filho do mar,
pai da descoberta,
apostou que a nau fracta do ocidente
no tempo encontraria
a sonhada harmonia
dos seus poetas,
dos seus profetas,
e com clara certeza realizaria,
cedo ou tarde,
depois de quedas e infernos,
depois de abjecções e cobardias,
depois de se ter cindido
e consumido
na inveja, no ódio, na baixeza,
na sujeição, na descrença, na incerteza,
no culto dos eventos positivos,
na negação da própria alma futurante,
cedo ou tarde criaria
o quinto império do amor,
o quinto império do espírito universal,
senhor
da fraternidade enfim,
da justiça e liberdade
fundadas na verdade
que a razão inquieta demanda,
como nau de descoberta rumando ao horizonte
na aliança do leme e do mistério.
Ninguém morre na saudade e na memória,
o tempo que flui não é um grande cemitério
onde jaz sepultada toda a história.
A beleza do Anjo de Coimbra
é o que resta
da gesta.
A sua paz, o seu sorriso,
é o ser português, inteiro e puro
voltado para o futuro.

Ó Portugal,
teu ser no mundo é divisão,
teu ser em Deus é união,
mas o enigma do teu mito em acto
descobre-se no anjo que é o teu retrato.


António Quadros.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Dom Manuel II, O Bibliógrafo



‘Quisemos mostrar, ou antes tornar conhecidos, os nossos livros. 0 nosso intuito é simples; tentando dar vida a esses livros, procuramos deixar ver a obra Portuguesa, especialmente nos séculos XV e XVI, através dos «livros de forma» que foram impressos em Portugal, acompanhando-os de alguns «de penna», e de outros escritos em linguagem, mas publicados fora do país. Os livros são amigos silenciosos e fiéis junto dos quais se aprende a lição da vida. São o ensinamento, e em muitos casos a prova, da época que se deseja descrever; aqueles que são coevos desses tempos, podemos, certamente, considerá-los como a melhor documentação — exceptuando os manuscritos originais — para essas pesquisas. A meta do nosso esforço é erguer bem alto o nome do nosso país, demonstrar os feitos dos Portugueses e, servindo a nossa Pátria, «levantar a bandeira dos triunfos dela». É um trabalho sem pretensões, que nada vem dizer de novo, e que nada julga ensinar, mas que, esperamos, provará o nosso amor pela Pátria querida. E se alcançarmos esse fim ambicionado, teremos a consolação suprema de um dever cumprido.’, El-Rei Dom Manuel II de Portugal, in ‘Introdução do Volume I da obra de D. Manuel II, «Livros Antigos Portugueses 1489-1600».
O gosto pelos livros sempre fora um deleite para D. Manuel II, mas os afazeres primeiro de príncipe ‘suplente’ e, em consequência do terrível regicídio, de Rei, impossibilitavam-no de se dedicar como desejaria a esta paixão. Ora, com o golpe republicano que, contra a vontade geral, derrubou a Monarquia, nos seus anos de exílio, Dom Manuel II dedicou-se aos livros e aplicou-se nos estudos literários.
‘Primorosamente educado, nunca fazia sentir aos que d’Ele se acercavam que era o Rei. Prudente, grave, reflexivo. Era dominadora a sua paixão pelos livros. O estudo e as investigações históricas, por vezes o levavam ao esgotamento, com grave prejuízo da sua precária saúde. Comedido, moderado, adorando a paz, a tranquilidade, a aplicação. Trabalhava sempre, sem descanso, quase freneticamente’, retratou, a el-Rei Dom Manuel II, Costa Cabral in ‘Memórias II’.
De facto, SM El-Rei Dom Manuel II de Portugal era Senhor de um temperamento calmo e conciliador, sem deixar de evidenciar espírito crítico, pelo que foi um modelo de monarca constitucional, respeitador zeloso da separação de poderes e das liberdades políticas e públicas que proporcionou um período de Acalmaçãopolítica. Acarinhado pelo Povo, era amiúde alvo de demonstrações que o confirmavam, mas o Seu Reinado não resistiu à sedição dos batalhões infiltrados pela carbonária, às bombas dos anarquistas, aos interesses dos pedreiros-livres da Maçonaria e do seu braço armado, juntamente com a inépcia dos políticos e das chefias militares e com a complacência do “olhar convenientemente para o lado” de alguns áulicos e políticos monárquicos, que por acção ou omissão ‘ajudaram’ o coup de 5 de Outubro a implantar o novo regime republicano.
No exílio, em Inglaterra, foi então tempo de, sem deixar de se interessar pela política, aprimorar os seus dotes culturais. Elevou a sua perícia como organista à perfeição e, mais importante, tornou-se um erudito de mérito reconhecido.
Dom Manuel II escreveu então um tratado sobre literatura medieval e do Renascimento em Portugal ao mesmo tempo que, mesmo no exílio, não se eximiu das funções para as quais tinha sido preparado. Assim, com o dealbar da 1.ª Grande Guerra, o Monarca exilado, em Inglaterra, colocou-se à disposição dos aliados para servir como melhor pudesse. Inicialmente, tomou-o o desapontamento quando o colocaram como oficial da Cruz Vermelha Britânica, mas o empenho que mostrou no decorrer da guerra, cooperando em conferências e na recolha de fundos, visitando hospitais e mesmo os feridos na frente, acabou por ser-Lhe muito gratificante. Porém, o seu zelo nem sempre foi penhorado, e certa vez lamentou-se disso: “A sala de operações do Hospital Português, em Paris, durante a guerra, foi montada por mim. Sabe o que puseram na placa da fundação? ‘De um português de Londres’.” El-Rei criou, ainda, o departamento ortopédico do hospital de Sheperds Bush, que por perseverança do Monarca continuou a funcionar até 1925, dando assistência aos mutilados de guerra. Uma prova de reconhecimento dos ingleses para D. Manuel II de Portugal foi quando o Rei britânico Jorge V – primo do Monarca português pelos laços da Casa de Saxe-Coburgo e Gotha – tê-Lo convidado e à Rainha Augusta Vitória a ficar a seu lado na tribuna de honra durante o Desfile da Vitória, em 1919.
Nos tempos que se seguiram, à I.ª Grande Guerra, e com mais tempo livre, embora sem negligenciar a proximidade com as estruturas monárquicas, El-Rei passou a dedicar-se mais aos estudos, seguindo assim a tradição que já vinha de seu pai, de seu avô e de seu bisavô.
Primitivamente projectou elaborar uma biografia sobre D. Manuel I, que pensava ter sido injustamente examinado pelos historiógrafos da época. Foi aí que começou a Sua senda: primeiro, em 1919, agenciou os labores do bibliófilo Maurice Ettinghausen, que se encarregou de lhe encontrar os livros antigos de que precisava, tarefa facilitada pelo desmembramento de incontáveis bibliotecas privadas que ocorrera em Portugal depois do estabelecimento da república. Mas antes de começar a biografia do Primeiro dos Reis com nome homónimo, Ettinghausen aconselha Sua Majestade a anteceder a obra com a catalogação de todos os livros antigos que possuía na sua biblioteca. O último Rei de Portugal faz a elaboração da lista, mas também um prévio estudo das mesmas e acometesse-lhe também o ensejo de ampliar essa biblioteca. Começa então a compra arrebatada de grandes e raras obras da literatura portuguesa.
Em 1926, já o real objectivo havia sido redireccionado. O real pesquisador tornou-se um investigador, renunciando à ideia da biografia para se concentrar na enumeração, definição e explicação dos clássicos e livros raros e antigos da sua biblioteca. Não era já um rol elementar dos livros de um coleccionador, mas uma obra erudita, pois o autor tratou de escrever e descrever as pretéritas glórias do Portugal dos antigos Reis, narrando cada volume não só bibliograficamente, mas documentando-o com um ensaio sobre cada autor e cada tema do livro, inscrevendo-o no seu âmbito histórico. A explicação e interpretação de cada obra pelo Rei era estribada com fontes, provas e documentos conferindo-lhe rigor e carácter científico.
Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Manuel II de Portugal, o derradeiro dos Reis da Nação valente e imortal, torna-se então um ilustre Erudito, pois produz a mais admirável e brilhante obra de bibliografia portuguesa de sempre.
Em três densos volumes (o terceiro inacabado) Livros Antigos Portugueses, ao resultado final, só pode ser apontado, não a crítica, mas o elogio de ser ferido pela dilecção e amor pátrios, bem notórios no encómio da História de 771 anos da Monarquia Portuguesa e do Reino de Portugal.
El-Rei publica os dois primeiros volumes, que, naturalmente, sendo uma obra de objecto específico, tinha uma edição e tiragem limitada e era adquirida por subscrição. Cada volume encontrava-se ricamente ilustrado por fac-similis das obras analisadas e dissertadas e eram edição bilingue pois a obra era redigida em português e em inglês (recorde-se que Dom Manuel II foi instruído desde muito cedo nas línguas clássicas e modernas, falando e escrevendo fluentemente também em inglês, francês, alemão, latim e grego antigo).
O primeiro volume da obra “Livros Antigos Portuguezes 1489-1600, da Bibliotheca de Sua Magestade Fidelíssima Descriptos por S. M. El-Rey D. Manuel em Três volumes” foi publicado em 1929. Como havia sido o primeiro subscritor da obra, o primeiro exemplar foi entregue em mão ao primo, o Rei britânico George V, tendo-se D. Manuel II deslocado ao Castelo de Windsor para esse efeito. O Volume aborda dois manuscritos, cinco incunábulos e trinta e três livros impressos em Portugal até 1539.
A obra colheu óptimas críticas dos especialistas o que estimulou El-Rei a empenhar-se prontamente na elaboração do segundo Volume, que abrangeu o período de 1540 a 1569.
Foi uma tarefa estafante: o trabalho de redigir o Volume II tornou-se o mote de vida do incansável Rei, com as necessárias e correspondentes consequências para a Sua saúde. Todavia, excepcionando as sobrecapas, o segundo Volume estava pronto em 1932.
El-Rei despede-se de Sua Augusta Mãe a Rainha Dona Amélia – que regressa a França -, sorridente, mas cansado. Assiste ao Torneio de ténis de Wimbledon, desporto que pratica com mestria e que segue atentamente. Consulta um médico que lhe diagnostica nada de grave. Recolhe-se para Fulwell Park, a casa em Twickenham, nos arredores de Londres, que serve de residência durante cerca de 20 anos ao Rei no exílio. Escusa-se a assistir ao casamento da filha do seu imediato António Pereira que decorre nos jardins do monarca. O Rei sente-se muito mal e falece, sozinho no seu quarto, inesperadamente, asfixiado por um edema da glote. Pouco depois, é descoberto por Dona Augusta Victoria que chama o médico, mas nada havia a fazer, pois El-Rei já partira para a Casa do Senhor.
O terceiro Volume que Dom Manuel II deixara incompleto foi acabado pela sua assistente bibliotecária, Margery Withers e foi publicado postumamente, sob sua supervisão. Já não se trata de uma obra erudita, pois o derradeiro volume é apenas uma listagem de obras, sem os ensaios e espírito crítico que engrandeceram os precedentes, e que outorgaram a El-Rei Dom Manuel II, a justa fama de historiador e para muitos – como o Professor José Hermano Saraiva num episódio ‘A Alma e a Gente’ – um dos mais eruditos dos Reis portugueses, e sem dúvida o mais ilustrado dos monarcas da época.
Foi um Rei Patriota que dedicou a Sua vida à exaltação de Portugal, primeiro como príncipe, depois como Rei e, finalmente, após a golpada republicana, como Rei no exílio dedicando-Se à codificação e estudo da literatura portuguesa, que lhe granjeou a maior das Famas, um Rei que já não cingia a Coroa de Portugal, mas que foi, com a Sua obra, coroado com o Laurel enramado de folhas de carvalho – próprio dos Príncipes das Artes.
Miguel Villas-Boas 

domingo, 7 de junho de 2015

Obreiros da Justiça e da paz

Uma questão provocadora e desafiante: Jesus Cristo é de esquerda ou de direita?

Muitos já o quiseram rotular de perigoso revolucionário, mas a verdade é que não mexeu uma palha contra a dominação romana do seu país, nem nunca deixou que os seus seguidores promovessem, em seu nome, uma mudança política. Também não se opôs a que Pedro pagasse o imposto a que ambos estavam obrigados, o que não condiz com o perfil que alguns lhe querem afivelar: o de um Che Guevara de há dois mil anos.

Também não faltam os que pretendem ver em Jesus de Nazaré o arquétipo da tradição mais ultramontana. Esquecem estes, porque assim lhes convém, os gestos proféticos do amigo de publicanos e pecadores, bem como as suas enérgicas diatribes contra os fariseus e os doutores da Lei, máximos representantes do poder religioso. É também crítica a atitude de Cristo em relação ao poder temporal, seja ele exercido por Herodes, a quem chamou raposa, ou por Pôncio Pilatos, a quem se apresentou como rei. O ímpeto com que expulsou, a golpes de azorrague, os vendilhões do templo, também não coincide com o figurino de pacato conservador que uma certa direita, ao arrepio da história sagrada, lhe quer colar.

O mesmo se diga dos santos. À imagem e semelhança do seu Mestre, foram também, politicamente falando, desconcertantes. A beata Teresa de Calcutá é um ícone da luta contra a pobreza mais miserável. Mas a fundadora das missionárias da caridade foi igualmente uma das pessoas que mais se bateu pelo direito à vida dos não-nascidos. Uma certa esquerda abomina esta faceta de Teresa de Calcutá, mas elogia o seu serviço aos mais pobres dos pobres; enquanto alguma direita louva a sua luta contra o aborto, mas sente algum incómodo em relação à sua corajosa denúncia da exploração humana e das causas sociais e políticas da miséria.

É neste entendimento que se deve procurar compreender a vida exemplar e a morte santa do novo beato da Igreja católica: o arcebispo salvadorenho D. Óscar Romero, que foi beatificado no passado dia 23 de Maio de 2015, em San Salvador. O novo mártir foi assassinado a 24 de Março de 1980, quando celebrava a Eucaristia, pouco depois de ter participado, na manhã desse mesmo dia, num encontro de oração promovido pelo Opus Dei, instituição católica que frequentava regularmente.

Dadas as circunstâncias dramáticas da sua morte, Romero foi visto por alguns como um representante de uma teologia da libertação marxista, enquanto outros, que sabiam da sua proximidade com o Opus Dei, julgaram-no defensor dos valores tradicionais com que alguns conotam esta instituição eclesial. Na realidade, nem uma coisa, nem a outra: a sua teologia da libertação não era mais do que a doutrina social que promana do Evangelho de Jesus Cristo e a sua cordial relação com o Opus Dei insere-se no normal relacionamento de um pastor – primeiro como padre e depois como bispo – com um organismo católico que, como tantas outras instituições eclesiais, se insere na pastoral diocesana. Assim o reconheceu, expressamente, o novo mártir centro-americano, numa dedicatória de uma sua fotografia: “Abençoo com carinho de pastor e amigo ao Opus Dei na nossa arquidiocese. Afectuosíssimo, Óscar Romero, arcebispo”. É verdade também que conheceu pessoalmente S. Josemaria Escrivá e que foi um dos primeiros bispos a solicitar a abertura do processo de canonização do fundador do Opus Dei, mas um terço do episcopado mundial fê-lo também, pelo que esse seu gesto nada tem de muito extraordinário.

Ao contrário do discurso político, que é sempre partidário e, portanto, de esquerda ou de direita, a doutrina da Igreja é universal, porque a todos convida à conversão. O bem-aventurado Óscar Romero pregava aos ricos e aos pobres a libertação do pecado pessoal e social, sem excluir ninguém. Três anos antes de ser assassinado, o então arcebispo de San Salvador tinha dito: “Há muitas injustiças agora e muitos atropelos à dignidade humana e há muitas injustiças contra os pobres e injustiças também dos pobres contra os ricos, há muitas situações de pecado (…) e é necessário que os cristãos trabalhem para transformar esta situação de pecado. O cristão não deve tolerar que o inimigo de Deus, o pecado, reine no mundo. O cristão tem que trabalhar para que o pecado seja irradiado e o reino de Deus se realize. Lutar por isto não é comunismo. Lutar por isto não é meter-se em política” (16-7-1977).

Alguns entenderam este forte compromisso com a justiça social como uma atitude política, quando o mártir Óscar Romero mais não fazia do que recordar princípios elementares da doutrina social da Igreja. Com essa mesma enviesada lógica, também os primeiros cristãos teriam sido comunistas, uma vez que, então, “todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um” (Act 2, 44-45).

Jesus Cristo não é de esquerda nem de direita, porque o seu reino não é deste mundo. Ele é do alto e é desse reino que é também o beato Óscar Romero, entre muitos outros obreiros da justiça e da paz.