segunda-feira, 15 de abril de 2024

Cardeal Sarah elogia Bispos africanos por resistirem à propaganda homossexual


O Cardeal Robert Sarah, um dos principais cardeais em termos de inteligência e integridade, elogiou os bispos dos Camarões pela sua declaração "corajosa e profética" de 21 de Dezembro contra as pseudo-bênçãos homossexuais.

"Fizeram uma obra de caridade pastoral ao apontar a verdade", afirmou. É "errado e ridículo" que "algumas pessoas no Ocidente" afirmem que os bispos dos Camarões agiram em nome de um "particularismo cultural", esclareceu Sarah. Afirmaram, "numa lógica de neo-colonialismo intelectual", que os africanos "ainda" não estão prontos para "abençoar" o pecado "por razões culturais", disse: "Como se o Ocidente tivesse uma vantagem sobre os africanos, mais atrasados".

Na realidade, os bispos em África estão a agir "em nome do único Senhor, da única Fé da Igreja", explicou Sarah: "Desde quando é que a verdade da Fé, o ensino do Evangelho, está sujeito a culturas particulares?"

Sarah adverte contra a ideia destrutiva de que a Fé deve ser interpretada "diferentemente" em diferentes lugares, culturas e povos. Ele identificou esta ideologia como "apenas um disfarce para a ditadura do relativismo". O seu objectivo é introduzir deficiências na doutrina e na moral em certos lugares, sob o pretexto de "adaptação cultural". Assim, "querem permitir um diaconato feminino na Alemanha, padres casados na Bélgica, a confusão entre o sacerdócio ordenado e o sacerdócio comum na Amazónia".

O Cardeal Sarah espera que os bispos africanos se tornem defensores da Fé, mas observa que as suas vozes no último Sínodo foram desprezadas por aqueles cuja única obsessão é "agradar aos lobbies ocidentais".

in gloria.tv


domingo, 14 de abril de 2024

D. Pedro V - O Rei Exemplar

‘Rei de paz, subiu os degraus do trono com a espada na bainha. Rei de amor, o ceptro em suas mãos foi sempre um símbolo da brandura e mansidão. Modesta na aparência, gloriosíssima nos resultados, a sua obra consistiu em unir a coroa e o país pelos vínculos mais estreitos, em consolidar as bases do sistema representativo pelo consórcio do poder com a liberdade.’

Luís Augusto REBELO DA SILVA (Lisboa, 2 de Abril de 1822 — Lisboa, 19 de Setembro de 1871) | Jornalista, historiador, romancista e político português, colaborador activo de múltiplos periódicos e membro das tertúlias intelectuais e políticas lisboetas da última metade do século XIX sobre El-Rei Dom Pedro V

Imagem: Representação de D. Pedro V Rei de Portugal. Óleo sobre tela da autoria de José Rodrigues, Circa 1862

sábado, 13 de abril de 2024

Família

Família. Foi fundada por Deus quando deu Eva por companheira a Adão, abençoando-os e dizendo-lhes que se multiplicassem. Sempre que uma mulher aceita unir-se a um homem, com a bênção de Deus dada à face da Igreja, com o fim de terem filhos [Matrimónio], fica constituída legitimamente uma família cristã.
Os membros de uma família, que formam o lar doméstico, devem propor-se os seguintes fins: a) o bem-estar, pelo trabalho de todos; b) a paz, suportando-se mutuamente; c) a alegria, dedicando-se ainda que com incómodo próprio; d) a vida virtuosa, sendo fiéis à lei de Deus e à lei da Igreja; e) o auxílio mútuo, sobretudo nas dificuldades e nas doenças.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945

Fonte: Veritatis

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Ribeiro Telles de volta a S. Bento no 50º aniversário do 25 de Abril


No âmbito das celebrações do 50º aniversário do 25 de Abril, a Real Associação de Lisboa realizará no próximo dia 23 pelas 18:30, simbolicamente no Palácio de São Bento, no Auditório Almeida Santos, o lançamento duma reedição da antologia do Arq. Gonçalo Ribeiro Telles, Porque sou Monárquico (2017).

Com mais esta homenagem ao saudoso arquitecto paisagista, ecologista e político pretende-se também realçar o papel dos monárquicos na transição do Estado Novo para a Democracia.

Convidamos os nossos associados e simpatizantes a divulgar e participar neste importante evento, que contará com a honrosa presença dos Duques de Bragança e com a participação especial dos Drs. Augusto Ferreira do Amaral e João Barroso Soares, assim como o historiador José Miguel Sardica.

A nova edição, com um texto inédito, estará disponível para venda no local e brevemente na nossa loja online.


 Fonte: Real Associação de Lisboa

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Divulgue A Monarquia!


Numa Monarquia existem níveis mais exigentes de igualdade entre as pessoas e maior transparência democrática das instituições e dos políticos. Ao observar-se as diversas realidades das Monarquias, tem-se constatado isso.


Não são reformas de almanaque que evitarão o colapso do modelo teórico republicano do século passado sem um sistema de valores, sem ética, de poder pessoal e com instituições escleróticas. Este ainda novo e eruptivo século, com precisão de maior escrutínio, clama pelo regímen que durante 771 anos tão bem serviu os Portugueses: a Monarquia.


A ideia de que numa Monarquia o Povo se teria de desfazer em obséquios perante o Rei e diante de uma nobreza a pairar sobre os demais, é completamente errada e mesmo absurda, e só pode resultar de 113 anos em que os escribas do regime republicano, com camada sobre camada de ‘entulho’, reescreveram a História, formatando a opinião e orientando-a para o erro de percepção.


Os Reis de Portugal sempre tiveram uma visão voluntarista de Reinar, de dever perante o Povo; Reinar em prol do Bem Comum, até porque a Monarquia Portuguesa era uma verdadeira Monarquia Popular, em que a Coroa, o Poder Real, a Graça de Reinar era transmitida por intermédio da Comunidade, sendo a Aclamação Popular o passo jurídico que verdadeiramente fazia o novo Rei, um Rei Eleito pela Comunidade dos Portugueses reunida em Cortes e para reinar para o bem do Povo, para o bem da Comunidade, da Grei, da Res Publica. O Rei traduzia a vontade nacional, sentindo com o Seu Povo, fazendo seus os problemas deste e transmitindo as suas ânsias aos políticos. O Rei tinha de pôr em primeiríssimo lugar os interesses do próprio Povo e da Nação tendo por dever fundamental reinar ’em prol do comum e aproveitança da terra’.


Por essa razão, sempre que puder, DIVULGUE A MONARQUIA!


Miguel Villas-Boas

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

terça-feira, 9 de abril de 2024

«Na cabeça de Ventura» ou tratado sobre o aparelho repressivo do regime

Li de fio a pavio «Na cabeça de Ventura», livro de Vítor Matos, jornalista do Expresso com aparições na SIC, publicado poucas semanas antes das eleições legislativas de 10 de Março passado. Logo na capa o jornalista-autor avisa o leitor dos perigos do «discurso xenófobo», questão melhor elucidada na contracapa: André Ventura é um «fura-vidas» e «fundamentalista religioso (…) que descobriu que havia um mercado eleitoral populista e xenófobo à espera de alguém que viesse representá-lo em voz alta».

Este artigo também parte de um alerta aos leitores: Vítor Matos é um polícia mental que, por via da sua profissão de jornalista, trabalha para um regime repressivo promotor social de uma ignorância que causa dano à sanidade mental colectiva dos portugueses. Serei ainda mais transparente: não me refiro apenas ao que escreve, mas à pessoa do autor, Vítor Matos, de modo a colocá-lo no mesmíssimo plano em que coloca André Ventura no seu livro, porém sem a decência de o assumir.

Em Fevereiro de 2024, também publiquei um livro. Este o contrafogo destinado a ser o maior teste moral e intelectual ou, numa palavra, civilizacional a jornalistas e comentadores como Vítor Matos e demais casta dona do regime (académicos, políticos, artistas politizados, entre outros), missão que só não será cumprida se o regime conseguir silenciar o livro. Espoletado pelo pensamento de Jordan Peterson, fiz a transição do sujeito individual (Peterson) para o sujeito colectivo (a minha preparação académica) de modo a garantir a cada cidadão, em formato de leitura simples e objetiva, o acesso a doze regras fundamentais para que passe a proteger a sua inteligência e sanidade mental da avassaladora patologia sociomental esquerdista que, em Portugal, celebra meio século. Destaco a Regra 6: «Defenda-se da guerra psicológica da comunicação social contra si tratando-a como é, o tumor maligno da democracia.»

Vítor Matos finalmente coloca a céu aberto os métodos da casta letrada dona do regime cujo ponto de partida é a negação premeditada da construção social honesta de conhecimentos, atitude que define os inimigos da eterna busca da verdade. Como as academias ou os meios culturais e artísticos, o jornalismo deixou-se afundar na propagação massificada de infecções psíquicas, como escreveu Freud. Televisões, rádios, jornais, universidades ou agentes da cultura difundem pandemias mentais equipáveis à do Covid-19 com a particularidade de a imunidade de grupo ser alcançada quando todos atingirmos o estado de insanidade mental. É tempo de cada cidadão consciente reagir em favor da reprodução social cada vez mais intensa de anticorpos de lucidez.

1Auto-de-fé, fuzilamento ou linchamento: o processo de condenação de Ventura

Destaco três pressupostos da construção social de conhecimentos que servem de guia de leitura do livro de Vítor Matos e demais atitudes e comportamentos da mesma tipologia.

Um primeiro pressuposto: o dever de sustentar o conhecimento em evidências empíricas. Nada existe na cabeça do jornalista-autor que evidencie rigor mínimo na recolha, elaboração e tratamento de dados empíricos que validem o que escreve. Sempre que Vítor Matos cita uma frase de André Ventura em sua própria defesa, o jornalista-autor transforma-a em mero expediente para encaminhar a mente do leitor para a sua conclusão dogmática determinada à partida: desmentir André Ventura.

Tal génese de construção social de conhecimentos nunca poderá contribuir para exercícios analíticos ou diálogos de senso comum orientados pela compreensão, como determina a honestidade intelectual. Pelo contrário, o livro de Vítor Matos demonstra como se aprisiona mentalmente as sociedades no nível rasteiro dos julgamentos apriorísticos considerando que o autonomeado juiz (Vítor Matos) ensina a quem o lê a condenar o réu (André Ventura) sem direito a defesa ou advogado de defesa. O que resulta do livro é a promoção social de hábitos patologicamente selectivos na relação com o meio envolvente: o mau de André Ventura é para ser sempre mau e o bom de André Ventura também é para ser sempre mau.

Acrescentem-se dois detalhes: um, a instigação social da pulsão inquisitorial de julgar o réu por antecipação anunciando ou insinuando supostas provas futuras de um crime que ninguém sabe se irá ocorrer, e basta viver habitualmente fora da bolha mediática para saber que não existem quaisquer consequências tenebrosas resultantes do impacto da figura pública André Ventura; o outro detalhe, o jornalista-autor promove um hábito social de tradição inquisitorial ou totalitária de transformar o inevitável lado subjectivo da condição humana em evidências objectivas de sentido único que sirvam um fim último obsessivo: a condenação daqueles que nos rodeiam  dos quais não gostamos ou discordamos. A barbárie mental e social em roda-livre.

Para evitar a socialização deste tipo ameaçador de patologia mental, Freud explicou que o instinto primário da espécie (id) – que animou os autos-de-fé dos tempos da inquisição, os fuzilamentos da era dos regimes totalitários ou os linchamentos populares ainda existentes, entre outras barbaridades colectivas – nunca deixa de estar latente no ser humano e está sempre à espreita da primeira oportunidade para regressar à superfície e causar danos sociais. Logo, não se pode dissociar esse risco do poder social que os Vítores Matos & Associados conquistaram na comunicação social, universidades ou meios intelectuais e artísticos.

O enviesamento mental persecutório anti-Ventura talvez tivesse um certo grau de legitimidade se Vítor Matos se apresentasse no seu livro como é, um político de esquerda em guerra ostensiva contra um inimigo político, André Ventura, o que seria uma atitude frontal e honesta na relação entre campos políticos opostos. Todavia, Vítor Matos esconde-se noutra máscara, na pele de jornalista ou investigador para se furtar às regras do jogo político, estratégia cobarde e fraudulenta para se furtar à crítica. Essa é a essência identitária da sua casta que a torna socialmente patológica: desviarem sempre e sempre as críticas de si mesmos e concentrá-las em alvos de linchamentos públicos que eles mesmos fabricam.

Tal tipo de investida é fruto da guerra psicológica permanente criada pela tradição soviética que, confundindo identidades, foi destruindo os pressupostos morais e intelectuais que tornavam a vida social, política ou cultural mentalmente saudável, fértil, regulada no mundo civilizado. O impacto dos Vítor Matos & Associados no pensamento social tem sido equivalente à invenção da guerrilha, também pelos soviéticos, que retirou a guerra dos quartéis e campos de batalha para que a violência se disseminasse a cada esquina de modo a permitir à esquerda gritar Viva a justiça! quando um civil dos seus dispara sobre um militar (paralelo ao que fazem a André Ventura) e berrar Violência! quando um militar é forçado ao oposto para sobreviver (assim sequestraram e amordaçaram tudo e todos até ao desgosto de verem surgir no mundo ocidental Andrés Venturas).

Os Vítores Matos & Associados são o retrato das doenças sociomentais legadas ao mundo pela gloriosa URSS. Daí eu convocar outra das doze regras do meu livro, a Regra 4: «Combata sem contemplações a nova vaga de violação mental de seres humanos». A condição humana tem a obrigação de fazer bem mais pela sua protecção contra pulsões genocidas: jamais tolerar mentes totalitárias que atribuem a si mesmas a unção sagrada de decidirem aquilo que os outros são.

A patologia de Vítor Matos é tal que atribui à sua sagrada pessoa o direito de determinar autocraticamente o que é «A cabeça de Ventura», sem concessões a subjectividades ou nuances, sem tolerar que o outro ser humano (mas poderia ser um grupo, como o Chega) se possa autodefinir. Diga o que disser André Ventura sobre si mesmo, isso não conta para os Vítores Matos desta vida.

Esse é justamente o mesmo mapa mental dos comunistas genocidas soviéticos na construção social da imagem dos burgueses e dos camponeses abastados que assassinaram ou dos nazis para legitimarem o genocídio dos judeus. Espero que os portugueses finalmente percebam: proteger André Ventura de um livro destes, dos Vítores Matos & Associados, não é apenas proteger selectivamente um indivíduo, é muitíssimo mais. É o dever que cada um tem de assumir de proteger a sociedade inteira de pulsões genocidas na presente e nas gerações vindouras.

Um segundo pressuposto da construção social do conhecimento é o da neutralidade axiológica no sentido weberiano do termo. Na substância, significa modelar as sociedades para que não descartem a hipótese inversa à que cada um defende se aquela for plausível. Tudo o que Vítor Matos escreve sobre André Ventura é possível defender o contrário com a mesmíssima legitimidade e quem procede desse modo são pessoas que não podem ser descartadas na sua dignidade sem, no mínimo, antes serem aprofundadamente compreendidas e não condenadas à partida. Ao descartar essa hipótese, o jornalista-autor está a modelar o pensamento social para que descarte o mais básico do humanismo, da democracia ou da vida civilizada. Pior é impossível.

Um terceiro e último pressuposto da construção social do conhecimento (poderiam ser bem mais e mais detalhados dada a seriedade do caso) é o dever do rigor mínimo na orientação do discurso publicável num estudo ou investigação sobre uma figura pública, para mais contemporânea, o que obriga a um diálogo construtivo, equilibrado e mutuamente crítico entre o autor e o seu objecto de estudo. É sintomático que Vítor Matos escreva isto: «(…) um candidato [André Ventura] pode dizer coisas racistas ou xenófobas, mas depois, se garantir que não é racista nem xenófobo, não é racista nem xenófobo» (p.14). O clássico argumento reversível: um jornalista pode ser patologicamente totalitário [Vítor Matos], mas depois, se escrever um livro a acusar os outros de serem patologicamente totalitários, não é patologicamente totalitário.

O autor-jornalista gasta o resto do tempo a provar o erro grosseiro da asserção tolerante que envolve o líder do Chega, o que significa que só ele e os seus possuem o direito sagrado de determinarem para todo o sempre os significados de se ser racista ou xenófobo. Sendo dolorosamente ignorante em tais matérias, Vítor Matos usa a frase citada para incitar socialmente a lançar na fogueira pessoas ou instituições que tenham interpretações subjectivas ou distintas sobre os discursos e atitudes de André Ventura.

Na interacção entre o construtor do conhecimento (Vítor Matos) e o objecto humano de conhecimento (André Ventura) a honestidade intelectual impõe uma de duas lógicas. A da maiêutica socrática que significa que o autor conduz o discurso do interlocutor ao que quer, porém pressupondo uma genuína busca da verdade (não é o que move o jornalista-autor). Ou, em sentido contrário, a lógica freudiana bem mais genuína do discurso em associação livre, isto é, quem constrói o conhecimento respeita a lógica discursiva do interlocutor clarificando-a pontualmente através da atenção flutuante. Em qualquer dos casos, o critério da validade e honestidade do conhecimento é a compreensão, nunca o julgamento, a não ser que se pressuponha que se está a lidar com um criminoso para o qual existam provas materiais e não histericamente imaginadas.

Depois há a terceira via, a lógica patológica Vítor Matos & Associados: eu, autor, coloco na boca do interlocutor o que quero e no sentido que quero na minha escrita e, depois, vocês povo que apliquem a sentença. Se recuarmos meio século, esta última lógica de construção social do conhecimento formal, entretanto massificada, seria impensável. Nunca na história se publicou, como hoje, tão elevada percentagem de teses académicas e livros tão nocivos para a sanidade mental coletiva. Página atrás de página, o livro de Vítor Matos facilita a anatomia mental de um estrangulador que entra «Na cabeça de Ventura» para o decepar e ostentar a dita ensanguentada numa bandeja em cerimónia pública solene a que o jornalista-autor chama livro.

2Ventura força o aparelho repressivo a expor-se

Não estamos perante um livro de mero ódio visceral a um indivíduo, mas acima de tudo perante um tratado sobre a natureza do aparelho repressivo do regime. Caracteriza-se pelo policiamento mental dos cidadãos imposto por instituições estratégicas que os Vítores Matos & Associados pressupõem ser, ou passar a ser, propriedade exclusiva da esquerda: igrejacomunicação social e universidades. Da lista, o jornalista-autor só se esqueceu no seu livro dos meios culturais e artísticos porque aí não existe pluralismo, o pensamento único de esquerda manda e ponto!

Na ânsia de jogar André Ventura nas chamas de um auto-de-fé, Vítor Matos cometeu o erro de palmatória de deixar, a céu aberto em forma de livro para a eternidade, o mapeamento incisivo das instituições estratégicas criadas para tratar da regulação do pensamento das sociedades, mas que os Vítores Matos & Associados tomaram de assalto para as transformarem em instituições que lhes garantem o policiamento mental dos seres humanos a favor do pensamento único esquerdista. Acrescente-se o detalhe: havendo falhas nesse policiamento institucional, o jornalista-autor explica onde estão e como ultrapassá-las. Tudo tão desbragado num livro que é o rosto trágico do regime.

Este é, por isso, o momento de as sociedades compreenderem que vivem tempos de ditadura mental de esquerda, a nova tipologia repressiva solidamente implantada no interior das democracias. É por isso que às pessoas conscientes é exigível o seu envolvimento na luta civilizacional em defesa da dignidade da condição humana, da sanidade mental colectiva, liberdade e democracia com um propósito objectivo e cristalino: libertar do controlo repressivo imposto pela esquerda à igreja cristã, mas sobretudo à comunicação social, às universidades (que determinam o rumo do ensino básico e secundário, o que tem imposto o policiamento mental sem escrúpulos desde a mais tenra infância) e, ainda que não referidos no livro, aos meios culturais e artísticos. Nada mais simples e o mundo será muitíssimo melhor.

Igreja: castelo de Ventura e pior inimigo da polícia mental

A incontornável fé católica de André Ventura faz com que o ataque comece por aí. À medida que a leitura do livro avança, fica claro que está em causa o território institucional de conforto mental da espécie humana mais desesperante para os Vítores Matos desta vida. Extasiado pel’«A visão humanista do papa [Francisco]» (p.44), o que aterroriza o jornalista-autor é o silêncio da hierarquia católica portuguesa no suposto dever da condenação uníssona de André Ventura, por arrasto do seu então director espiritual, padre Mário Rui Pedras, ou do padre Hugo Santos tidos como rostos do «ultraconservadorismo» perigosíssimo.

Lamenta-se Vítor Matos: «Em Portugal, as reacções da Igreja oficial a André Ventura e ao crescimento do populismo de direita têm sido raras» (p.41), pelo que só consegue encontrar entre os católicos bondosas «excepções» condenatórias (p.45). O rol vai sendo citado: Tânia Alves, designer companheira dos tempos da fé inicial adolescente de André Ventura, mas cuja simpatia política é convenientemente omitida no livro para convencer o leitor a atribuir crédito a esta declaração: «Quando comecei a vê-lo aparecer nem quis acreditar que aquele miúdo dócil e meigo se tornara ‘nisto’: rude, frio e feio» (p.37); D. António Marto; D. José Ornelas; padre António Teixeira; jornalista religioso António Marujo; Pedro Vaz Patto.

O leitor é confrontado com a instigação grosseira de controlo político totalitário da igreja católica, para mais modelada pelo recurso ao método inquisitorial de isolar o réu pré-condenado no interior da comunidade cristã, só que a cobardia do jornalista-autor não lhe permite colocar o devido rótulo aos seus desígnios: a excomunhão de André Ventura! Para infortúnio dos bons católicos progressistas-esquerdistas citados no livro, o fogo-amigo de Vítor Matos colocou-os para a eternidade na lista pública dos que confundem a fé em Cristo com a fé esquerdista inquisitorial. Espero que isso lhes pese na vida terrena cada vez mais para, depois, poderem ser perdoados na vida celeste quando assumirem os danos que causaram e causam à igreja católica e à sanidade mental colectiva.

Escassos, selectivos e manipulados testemunhos bastam, no entanto, para o jornalista-autor encontrar suporte para instigar a perseguição religiosa e social a André Ventura fabricando um suposto retrato mental da sua adolescência de modo a sugerir a comparação entre um alegado ponto inicial da sua boa fé católica (quando Deus era Deus para Ventura) com o estado presente de má fé após o réu se transformar num adulto político (quando Deus passou ao Diabo da Direita «Na cabeça de Ventura»). O que move Vítor Matos é fabricar a ilusão social de um suposto desvio mental ao longo da vida do líder do Chega. O problema é que quem elabora uma maquinação dessas sobre um convicto crente suficientemente conhecido no meio católico faz-se a si mesmo um caso público ridículo de psiquiatria.

Na substância, o que o livro comprova é a instigação social de um desprezo visceral pela religião cristã, pois só isso explica a insistência de Vítor Matos em manter sempre latente no seu livro que a Igreja Católica Portuguesa compactua com o que o jornalista-autor toma por racismo e xenofobia. Tal atitude, correspondente a uma machada valente no dever de respeito pelo universalismo cristão por parte de um alegado admirador do Papa Francisco, tem como sintoma o fortíssimo incómodo de Vítor Matos & Associados com a imperdoável falta de reacção planetária uníssona dos católicos contra André Ventura.

Assassinos como Lenine, Estaline, Mao Tsé-Tung, Kim Il-sung, Samora Machel e outros tantos de igual cepa antirreligiosa cristã ficariam comovidos até às lágrimas com a tenacidade do distinto herdeiro, o jornalista português Vítor Matos, na missão social da submissão da fé cristã à luz divina suprema do marxismo-leninismo-maoísmo-esquerdismo. Mas nem tudo é mau. O leitor sai do livro feliz por ter a certeza de que, por força da Divina Providência, a Igreja Católica Portuguesa continua bem longe de se ter transformado numa manada de asnos submissa às hierarquias de turno comprometidas com as distopias dos Vítores Matos desta vida.

Comunicação social: o nirvana dos novos ditadores

Vítor Matos sente-se peixe na água quando a instituição onde busca promover a condenação social inapelável do réu, André Ventura, é a sua comunicação social. Aí, o jornalista-autor está no nirvana por poder recorrer, sem mãos a medir, a um batalhão arregimentado de jornalistas e especialistas-comentadores em defesa da sua bravata. Para facilitar a evidência, basta o leitor consultar as «Notas» no final do livro para se confrontar com o cuidado do jornalista-autor em identificar, por suposto rigor científico, um a um os autores que o apoiam, os suportes e datas das suas excelsas sentenças em prol do linchamento público de André Ventura (pp.185-188).

Tão volumosa condenação visa, na prática, intimidar uma sociedade inteira para não ousar transformar a postura do desalinhado líder do Chega em moda social, embora pareça demasiado tarde face aos resultados eleitorais de 10 de Março último. O que sobra, na verdade, é a mais grosseira pulsão persecutória que se passeia nas páginas do Expresso ou nos estúdios da SIC, entre outros órgãos de comunicação social.

A ironia do destino é que os desejos dos Vítores Matos & Associados chocam com a eterna teimosia paradoxal da realidade. O livro não deixará para a posteridade um rol de bons cidadãos conscientes e responsáveis que condenaram inapelavelmente André Ventura, mas tão-só uma lista miserável de membros distintos da actual polícia de controlo mental dos concidadãos que tomou de assalto televisões, rádios e jornais para perseguir e condenar os desalinhados. Nada de novo. Mao Tsé-Tung instituiu dos mais tenebrosos regimes genocidas sem polícia política formal, posto que as pessoas comuns encarregavam de se martirizar umas às outras.

Se a comunicação social está a afundar-se numa crise sem-fim não é por razões financeiras, mas apenas por se ter deixado transformar em ponto agregador do mesmo tipo de pulsão persecutória maoísta, porém numa sociedade que André Ventura ajudou como ninguém a despertar para a defesa da sua sanidade mental permitindo que descobrisse, por si mesma, onde estão, quem são e como actuam os inimigos dessa mesma sociedade.

Universidades: controleiras esquerdistas eficazes que cobram os serviços

O terceiro território institucional ao qual Vítor Matos recorre como garante do policiamento mental da espécie são os meios universitários, marca de excelência da sua casta que passa a vida a exigir estudos e mais estudos académicos que sabem vir ao gosto do freguês. Descontada a dificuldade em controlar o que dizem sobre André Ventura, líder do Chega, Jorge Castela (antigo parceiro académico escolhido a dedo por ter rompido com aquele, mas da pérfida direita) ou o investigador Riccardo Marchi (exemplo raríssimo de lucidez na academia), o jornalista-autor tudo faz para omitir a douta ignorância que graça nas universidades e demais instituições do ensino superior para puxar o brilho da sua suposta sapiência politizada.

Página a página, para seduzir as massas para a sua verdade com lustro científico o livro vai arrolando iluminados estudiosos académicos anti-Ventura (anoto a ausência do excelso Professor Doutor Boaventura de Sousa Santos porque, em Fevereiro de 2024 aquando da publicação do livro, já andava a braços por certas indecências académicas): Gonçalo Almeida Ribeiro, a catedrática Teresa Pizarro Beleza, o jurista catedrático Jorge Bacelar Gouveia, o historiador catedrático António Manuel Hespanha, a investigadora universitária Cristina Nogueira da Silva ou a jurista e constitucionalista Teresa Violante para quem, note-se, o líder do Chega prejudica a sua própria credibilidade académica e política por causa das ideias que defende (p.93).

Destacam-se ainda os testemunhos dos colegas da Universidade de Cork que conheceram André Ventura quando realizou o doutoramento, na Irlanda: Conor O’Mahony; Pablo Cortés, galego que «confessou o seu espanto» com a transformação do doutorando naquele político (p.92); ou Onder Bakircioglu, sumidade que muito e muito estudou para atingir a excelsa ciência: «Ele [André Ventura] costumava ser uma pessoa normal e progressista; parece que já não é o tipo que conhecemos. Deus perdoe por se ter tornado num idiota fascista» (pp.92-93).

A graça do livro de Vítor Matos repete-se neste caso: em vez de instigar o pior do instinto popular, em quem o saiba ler dissipará antes as dúvidas sobre um mundo académico que trocou a liberdade intelectual e o amor à eterna busca genuína da verdade pelo dever supremo de policiar os cidadãos em nome do pensamento único de esquerda.

A tal universo mental barricado nas universidades dá muito jeito convencer as pessoas comuns do alegado suporte científico do desvio da cabeça de André Ventura para reforçarem os ataques à sanidade mental da nossa espécie e, no intervalo, agravarem o vício predatório do esquerdismo: sugarem a quem trabalha avultados montantes de impostos e demais subsídios em nome das suas distopias de cátedra. A esses, é tempo de clarificar que o seu dever em defesa da nobreza e validade do conhecimento científico, académico ou técnico jamais será compatível com a mistura da razão (universidade) com a política (partidos e ideologias), prática tornada bem pior do que misturar a razão (universidades) com a  (religião cristã) que, muito justamente, as sociedades ocidentais não toleram nas universidades desde o século XVIII.

Em tudo isto, a perseguição social a André Ventura academicamente instigada acabará por servir para que as sociedades exijam que se coloquem os pontos nos is no desnorte dos meios universitários imposto pelo assalto esquerdista.

A terminar, bem mais poderia ser escrito, mas o artigo já vai muito longo. Uma sociedade que tolera as patologias dos Vítores Matos & Associados não se importa de se olhar ao espelho para se ver a si mesma como um caso colectivo de psiquiatria. Espero, por isso, transformações civilizacionais substantivas de agora em diante.

[Adenda pessoal

Ao avançar na leitura do livro descobri ser parte interessada, uma vez que Vítor Matos também aplica a sua receita persecutória à minha pessoa (pp.145 e seguintes). Deixo dois exemplos para não ser exaustivo.

Começo por um detalhe ao qual estou e sou associado. Como tantos, o jornalista-activista-progressista-esquerdista nunca compreendeu haver, no programa partidário do Chega, um Programa Político que desde que foi elaborado (Julho de 2021) nunca foi alterado e dificilmente será (explicita aquilo que somos, a identidade do Chega). Depois existem programas eleitorais sucessivos articulados com o anterior que são justamente para serem renovados a cada eleição (aquilo vamos fazer, a prática). Quem não quer compreender esta renovação substantiva que o Chega introduziu na ideia de programa partidário em Portugal são os que vivem interessados em pôr a circular no espaço público, por via da comunicação social, duas ideias: o Chega não tem coerência doutrinária e o Chega vive da instabilidade programática. Duas mentiras. Ponto.

Na parte substantiva, Vítor Matos usa-me como detrito humano para fazer André Ventura arder num auto-de-fé com muitas chamas. A fixação de Vítor Matos é despejar no seu livro umas frases soltas colhidas aqui e ali para fabricar e difundir socialmente conclusões abjectas como esta: «[Gabriel Mithá Ribeiro] foi integrado na cúpula do partido exactamente para dar uma cobertura de verniz doutrinário» às posições do Chega, em particular sobre o racismo (p.154). O jornalista-autor deveria saber que, além da tese de doutoramento, publiquei nove livros em matérias directamente relacionadas com o pensamento social sobre política – o que inclui África, questão racial ou violência social –, conjunto de questões cuja dignidade do seu tratamento está protegida no Chega como em nenhum outro partido político e, para desgosto do sujeito, com a cobertura inequívoca de André Ventura.

Como bom esquerdista, Vítor Matos limita-se a joguinhos de palavras que mal compreende para instigar a propagação social da mentira, ignorância e insanidade em matéria racial. Acusa-me de me ter queixado de «discriminação racial» a propósito de não ter sido eleito vice-presidente da Assembleia da República, em 2022. Além de mil páginas que escrevi e vídeos que fiz sobre o fenómeno racial que não permitem quaisquer interpretações dúbias sobre o que penso do assunto, basta o leitor comparar o início e o fim do segundo parágrafo da página 155 para se compreender como o dito coloca numa mesma ideia teses inconciliáveis confundindo-as como se fossem o mesmo, fraude intelectual de que se serve para esconder o que foi objectivamente transmitido na entrevista que dei no Parlamento a seguir à recusa da minha eleição. Nesse parágrafo, o jornalista-autor começa por sublinhar a «discriminação racial» que insinua que me queixei para concluir, linhas abaixo, citando uma das passagens da minha entrevista: «não acredito que devia ser eleito por ser negro».

Se não fosse um violador patológico da busca da verdade e do respeito pela dignidade alheia, Vítor Matos poderia e deveria ter escrito que, pelas mais variadas explicações que o entrevistado deu no Parlamento, esteve sempre presente a sua crítica à hipocrisia racial da esquerda que protege os seus negros (os bonzinhos obedientes à esquerda das quotas) e trata os demais como pretos (os que não lhe obedecem e são interditados dos espaços institucionais de que a esquerda é dona, como a então Assembleia da República). Mas isso o jornalista-autor omite, assim como esconde que, por alguma razão, naquela ocasião recusei liminarmente utilizar a palavra vítima ou racismo na caracterização da situação que me envolvia e expliquei detalhadamente as razões, só que isso foi cirurgicamente banido pelos jornalistas de todos os órgãos de comunicação social presentes para comporem a narrativa anti-Chega que melhor serve a promoção da insanidade mental colectiva e, neste caso, a humilhação de membros da minorias insubmissos como negros que criticam negros, ciganos que criticam ciganos ou, não sendo uma minoria, mulheres que criticam feministas paranoicas, entre outros.

Para os Vítores Matos & Associados desta vida, a sua supremacia racial impõe que só os brancos possam criticar os brancos. O racismo acabou enquanto fenómeno social, é apenas história, mas se sobra alguma coisa abjecta ou perversa está inteirinha do lado patológico da esquerda. Basta ler o livro de Vítor Matos e, já agora, o livro que publiquei no mesmo mês (Fevereiro de 2024).

Na vida e formação académica aprendi o dogma de transmitir não apenas aquilo que a fonte (interlocutor, entrevistado, fonte histórica ou outra) disse, mas também cumprir o dever de transmitir aquilo que a fonte quis dizer. A escola do jornalismo dos Vítores Matos & Associados normalizou o activismo contrário, prática que não merece a condescendência de nenhuma sociedade com respeito por si mesma.

Para terminar esta adenda, registo a cobardia do jornalista-autor que, interessado em cortar a minha cabeça, por arrasto ao corte da cabeça de André Ventura, para também exibi-la como troféu público em forma de livro e no acesso privilegiado que tem a jornais e televisões, não revelou escrúpulos mínimos em não me ter entrevistado sobre matérias que me dizem directamente respeito. Felizmente o polícia mental Vítor Matos deixou gravado o seu nome numa formidável porcaria a que chama livro.]

Gabriel Mithá Ribeiro, professor, investigador e ensaísta, doutorado em Estudos Africanos. Deputado do Chega.

Fonte: Observador

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Ajoelhar-se é estranho para a cultura moderna


Ajoelhar-se é um acto estranho para a cultura moderna – enquanto cultura que se afastou da Fé, e já não conhece Aquele diante do qual o estar de joelhos é a postura justa e necessária. 


Quem aprende a crer aprende também a ajoelhar-se. Uma Fé ou uma Liturgia que já não conhece o ajoelhar-se tem o seu núcleo (o seu coração) doente. Nos lugares onde se perdeu, o acto de se ajoelhar deve ser recuperado

Cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI) in 'Introdução ao Espírito da Liturgia'


domingo, 7 de abril de 2024

640 anos da Batalha dos Atoleiros


A 6 de Abril, comemoraram-se os 640 anos da vitória portuguesa na Batalha dos Atoleiros.

A Batalha dos Atoleiros insere-se num período da História de Portugal conhecido como Interregno, época de transição entre o final da I Dinastia e o início da II, caracterizado pela crise de sucessão aberta com a morte de D. Fernando, cuja única filha legítima, D. Beatriz, ainda criança, se encontrava casada com D. João de Castela.

Quando D. Fernando morre, a 22 de Outubro de 1383, deixa um tesouro público depauperado, devido aos sucessivos combates em que se envolvera nas Guerras Fernandinas. D. Leonor Teles assume a regência, enviando instruções aos concelhos do país para que se fizesse a aclamação de D. Beatriz como rainha da Portugal de acordo com uma das cláusulas do Tratado de Salvaterra de Magos que tinha sido assinado nesse mesmo ano, entre as coroas portuguesa e castelhana. Durante as cerimónias de aclamação, eclodiram revoltas populares em várias cidades e vilas, que se recusaram a aceitar D. Beatriz como rainha.

A 6 de Dezembro, um grupo de homens armados liderados por D. João Mestre de Avis, filho natural do rei D. Pedro, entrou no Paço da rainha em Lisboa e assassinou o Conde João Fernandes Andeiro, principal conselheiro de D. Leonor Teles. A população de Lisboa acorreu ao Paço em apoio do Mestre e posteriormente, no Mosteiro de São Domingos, proclamou-o como “Regedor e Defensor do Reino”.

Nessa altura, um jovem nobre, Nuno Álvares Pereira, foi recebido pelo Mestre de Avis, a quem transmitiu o seu apoio, tornando-se, desde então, o “braço armado” do partido do Mestre. Com pouco mais de vinte anos, foi nomeado Fronteiro do Alentejo “Entre Tejo e Guadiana”, com plenos poderes em termos de recrutamento de tropas e de mobilização de recursos para o seu abastecimento. O futuro Condestável tornava-se, assim, uma espécie de comissário régio.

No princípio de 1384, a situação político-militar começa a desenhar-se claramente: há uma bipolarização muito rápida entre o partido do Mestre de Avis, o partido português, o da independência de Portugal, e o partido de D. João de Castela, o partido castelhano, o da submissão de reino lusitano ao vizinho.

A situação agudiza-se quando o rei de Castela, invade Portugal, chamado por D. Leonor Teles com o pretexto de defender o direito ao trono de sua mulher D. Beatriz, mas com o propósito inconfessado de anexar o reino.

Seguem-se, as batalhas da Guerra da Independência, a primeira das quais foi a dos Atoleiros em 6 de Abril de 1384.

D. Nuno Álvares Pereira ao aproximar-se de Fronteira (local da Batalha), pouco antes de avistar o inimigo, encontra um terreno favorável de natureza argilosa para o combate, junto a uma linha de água. Chefiando um pequeno exército de 1.400 homens, enfrentará uma força consideravelmente superior de 4.000 homens, entre os quais se encontravam as melhores lanças de Castela. Para um exército inferior em número de homens, o local escolhido para o combate era um elemento essencial. Este foi certamente um dos ensinamentos que D. Nuno Álvares Pereira recolheu dos ingleses, durante a 3ª Guerra Fernandina com quem conviveu durante vários meses. Ao mesmo tempo, soube motivar os seus combatentes, organizando a vanguarda de forma coesa, distribuindo da melhor forma os seus homens e atiradores em locais desimpedidos e favoráveis aos disparos de tal forma que estes puderam atingir, certeira e intensamente, a carga da cavalaria pesada castelhana.

Surgem aqui os primeiros sinais do extraordinário estratega militar que, mais tarde, se viria a revelar na sua plenitude. Da genialidade da táctica militar e da coragem dos soldados portugueses, alicerçada na confiança depositada em D. Nuno Álvares Pereira, seguro e tranquilo, resultou a vitória dos portugueses.

No dia seguinte à batalha, o Condestável foi em romagem, descalço e a pé, à Igreja de Nossa Senhora dos Milagres, em Assumar, para agradecer a vitória.

Esta batalha, representou no Reino de Portugal uma verdadeira luta pela sobrevivência nacional face à constante ameaça de Castela. A vitória em Atoleiros contribuiu também para a reconstrução de uma ideologia de caracter nacional entre os portugueses, onde o Mestre de Avis e D. Nuno Álvares Pereira ganharam uma dimensão política de forma irreversível em todo o Reino.

O êxito alcançado nesta Batalha, marcou o tipo de estratégia que o exército português viria a adoptar nos 27 anos seguintes, na Guerra da Independência com Castela. De acordo com o tipo de actuação preferido de D. Nuno Álvares Pereira, o seu exército deixou de se limitar a defender os seus castelos, passando a ter uma movimentação constante, tanto em Portugal como em Castela, onde o Condestável realizará nesse período seis incursões distintas.

A Batalha dos Atoleiros preparou o caminho para Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), que concluiu este ciclo de batalhas, pondo termo às pretensões expansionistas de Castela e consolidando a independência de Portugal.

Junto à vila de Fronteira (perto de Estremoz), temos o Centro de Interpretação da Batalha dos Atoleiros, construído em 2012, tendo na altura tido uma enorme colaboração de Alexandre Patrício Gouveia que veio a ser também Presidente da Fundação Batalha de Aljubarrota até à sua morte em 2023. Prestamos-lhe aqui a nossa justa homenagem.

Bernardo Cabral Meneses

Fonte: Observador

sábado, 6 de abril de 2024

Dos papagaios de serviço

Hoje em dia, para singrar na política, tudo o que é preciso dizer às pessoas é aquilo que elas esperam ouvir, isto é, aquilo para que foram condicionadas e consideram como bom, certo e justo, mercê de uma propaganda agressiva nos meios de comunicação dominantes.

Já houve tempo em que o considerado bom, certo e justo era a luta de classes, o “abaixo o capitalismo”, o “viva a classe operária”, etc., ou seja, a cassete marxista-leninista que contaminou o discurso de quase todos os partidos, com algumas nuances. Mas essa cassete ficou gasta, deixou de surtir efeito nas massas porque “os amanhãs que cantam” nunca chegaram e poucos são os que acreditam que cheguem.

A cassete estava velha e precisava de uma versão moderna que voltasse a inflamar as multidões e levá-las a ter uma causa por que alegadamente valesse a pena lutar. A estratégia adoptada é velha mas eficaz, sendo a mesma das seitas religiosas para ganhar seguidores: ameaçar as pessoas com um fim do mundo próximo se não forem adoptadas medidas para evitar a tragédia, levá-las a assumir os seus “pecados”, a mudar de vida e sobretudo a pagar o dízimo sob a forma de imposto.

Vejamos como falam em geral os actuais políticos para os eleitores, já formatados com a nova cassete que já não promete “os amanhãs que cantam” mas ameaça com “os amanhãs sombrios se nada for feito”! Discurso hipotético de um hipotético presidente de câmara, inspirado em entrevistas ouvidas na rádio e televisão, ou lidas nos jornais:

Caros munícipes!

Peço a vossa participação total no sentido de uma maior coesão social e de uma consciência ecológica reforçada. Estamos a trabalhar no nosso município para garantir um crescimento sustentável, gerador de riqueza e de bem-estar social. Temos empreendedores ousados e inovadores, uma eco-cidadania colectiva e responsável. Precisamos de mais criatividade, de uma sociedade mais aberta e sem solipsismos, uma postura consentânea com as novas tecnologias que garantam uma maior resiliência às populações.

O homem é um ser relacional e, como tal, a nossa sociedade tem de ser mais inclusiva, proporcionar bem-estar aos cidadãos e a reinserção social dos excluídos, num ambiente sustentável e de maior liberdade.

A nossa cidade caminha para a neutralidade climática, na medida em que estamos a cumprir as metas de 2030 para salvar o planeta, seguindo a ciência; uma cidade inteligente, um urbanismo ecológico e humanizado, com um desenho que privilegie a vizinhança, a resposta de proximidade, com núcleos de desenvolvimento competitivos e integrados, habitação acessível, uma aceitação firme da diversidade, um reforço da coesão e unidade de todo o território do concelho.

Temos de afirmar a centralidade das nossas vilas e qualificar as nossas freguesias, a mobilidade urbana sustentável, a convergência sem fragmentação, o transporte descarbonizado, a interconectividade, o compromisso colectivo para a sustentabilidade ambiental, a cidade Carbono Zero, a estratégia de Especialização Inteligente, Transformação Digital, Inteligência Artificial e machine learning, o cometimento emergente e fundamental em espaços vivos de integração.

Temos que dar resposta às alterações climáticas, às assimetrias de desenvolvimento regional, à eficiência energética, à digitalização da economia, adoptando um modelo territorial coerente que se alimente sinergicamente através de redes de cooperação intermunicipal, valores de partilha e solidariedade com vista à redução da nossa pegada ecológica e de carbono.

Etc., etc., etc..

Assim, a câmara a que presido decidiu introduzir uma taxa que permita financiar os projectos para cumprir as metas de 2030 e salvar o planeta!

Henrique Sousa

Fonte: Inconveniente

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Maçonaria promove o Islão em França

Passo a citar um registo histórico bem significativo de como o Islamismo anda há muito tempo a ser usado como arma de arremesso contra a Europa pelos inimigos da Cristandade:

O governo franco-mação que dirige os destinos da República francesa, deu local e dinheiro para se edificar em Paris uma mesquita. (Sem comentários).
«Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 15, Março de 1896


Fonte: Veritatis