domingo, 19 de julho de 2020

Não temos o direito de fingir não saber quem são os cúmplices morais disto

A imagem pode conter: céu e ar livre

A construção da catedral de Nantes começou já no século XV. Durou 457 anos. Incendiada hoje - é o que tudo indica -, salvou-a de maior destruição o empenho dos bombeiros. O que se perdeu é relevante. Podia ter sido pior.


A confirmar-se ter sido fogo posto, o fácil seria ignorar que este tem sido o ano da apologia aberta, franca, sem limite e sem vergonha do vandalismo e da destruição patrimonial. Mas não podemos nós fazê-lo, pois o silêncio aqui seria cumplicidade e deserção. Os destruidores de estátuas - também os que, ainda há semanas, injuriavam a do Padre António Vieira em Lisboa - são a todos os títulos justificadores e cúmplices morais da mais violenta campanha de erradicação da cultura e da herança histórica desde o nazismo na Alemanha e do comunismo na Rússia e em Espanha de 1936 a 1939. Alguns preferirão fingir não perceber o que se passa ou apontar culpados. Não o faremos nós, cientes de que isso seria estender a carpete aos bárbaros.


Fonte: Nova Portugalidade

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