quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Consagração de Príncipe Afonso de Bragança a Nossa Senhora da Lapa



O Concelho de Sernancelhe vai receber, nos dias 5 e 6 de Setembro, os Duques de Bragança. O motivo da visita é a consagração de Príncipe Afonso de Bragança a Nossa Senhora da Lapa, no Santuário da Lapa, cumprindo-se assim uma tradição de séculos e que dá continuidade ao acto praticado pelos príncipes e princesas da beira ao atingirem a maior idade. No dia 5, pelas 19:00 horas, Dom Duarte de Bragança e o Príncipe Afonso serão recebidos pelo Presidente da Câmara Municipal de Sernancelhe no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

Dezassete anos depois da última visita ao Concelho, D. Duarte de Bragança regressa a Sernancelhe para consagrar o seu filho Afonso à Senhora da Lapa, escolha justificada com a ligação secular com este santuário mariano, e que é um símbolo do culto religioso no nosso país.

A Lapa, Aldeia de Portugal, é a criação dos Jesuítas que ali se instalaram em 1576, mas cujas bases foram lançadas em 1493 aquando do aparecimento da imagem de Nossa Senhora da Lapa. Confiada à Companhia de Jesus a gestão do culto, a Lapa ganhou preponderância, correu mundo, velou pelos portugueses que embarcaram nas caravelas dos descobrimentos e, em 1740, foi elevada à categoria de Vila, estatuto que manteria durante 145 anos. A mítica "cidade" que os jesuítas criaram há mais de cinco séculos ainda perdura no tempo. Três grandes romarias ocorrem nesta localidade, sendo a maior a de 15 de Agosto. Contudo, a data da cerimónia de Consagração coincide com a terceira grande romaria da Lapa, a peregrinação do Minho, sendo esperados milhares de visitantes a este Santuário.

A cerimónia oficial de consagração decorrerá na Lapa, no dia 6 de Setembro, a partir das 10:00 horas. Porém, no dia 5, pelas 19:00 horas, na sede do Concelho, o D. Duarte de Bragança e o Príncipe Afonso serão recebidos no Salão Nobre dos Paços do Concelho, deslocando-se depois para o Centro Histórico de Sernancelhe, com visita guiada ao Museu Paroquial Padre Cândido, Igreja Românica e Biblioteca Municipal Abade Vasco Moreira. Um momento musical no coreto do Centro Histórico encerrará a visita à sede do Concelho.


Fonte: Viseu Mais


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Em 1913, Casava El-Rei D. Manuel II



No dia 4 de Setembro, mas de 1913, após um curto noivado de 4 meses, Sua Majestade Fidelíssima El-Rei D. Manuel II de Portugal casava-se com a Princesa Augusta Victória von Hohenzollern-Sigmaringen, na capela do Castelo de Sigmaringen. A Princesa germânica era filha do Príncipe Guilherme de Hohenzollern-Sigmaringen (ramo católico e não reinante dos Hohenzollern) e da Princesa Maria Teresa de Bourbon-Duas Sicílias. Com este matrimónio era cimentado meio século de aliança entre a Sereníssima Casa de Bragança e a Casa de Hohenzollern.
À cerimónia religiosa assistiram cerca de 200 convidados, entre os quais a convalescente Rainha Dona Amélia, David, Príncipe de Gales e futuro Eduard VIII (Duque de Windsor após abdicação), a Duquesa de Aosta, os Príncipes Franz Joseph e Frederik Victor, irmãos da noiva, o Marquês de Soveral e várias senhoras da aristocracia e damas portuguesas e oficiais ingleses que faziam a guarda a El-Rei – por especial deferência do primo e Rei britânico, George V.
Dom Manuel II fez questão de casar permanecendo de pé sobre um caixote carregado de terra portuguesa, e trajou casaca, complementada com o calção da Ordem da Jarreteira de que era simultaneamente o mais jovem cavaleiro de sempre e o último português a ser agraciado com a mais distinta das Ordens Honoríficas britânica e mundiais. No calção distinguia-se a liga azul-escuro com rebordo e letras a dourado colocada no joelho esquerdo com a divisa da Ordem, ‘Honni soit qui mal y pense’. Da mesma Ordem usava a Estrela, presa ao peito esquerdo, com uma representação colorida esmaltada do escudo heráldico da Cruz de São Jorge, rodeado da Ordem da Jarreteira, cercada por um emblema de prata de oito pontos. Ao pescoço, El-Rei usava a Ordem do Tosão de Ouro, e para além de mais Ordens usava a Banda com a Placa das Três Ordens Militares Portuguesas, colocada debaixo da casaca, para o lado da anca esquerda. Já Dona Augusta Victória usou um vestido de noiva matizado a azul e branco, prestigiando as cores da Bandeira do Reino de Portugal e da Monarquia Portuguesa. Na cabeça segurando o véu que fora usado pela sua avó a Infanta Dona Antónia de Bragança quando casara com o Príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen, um diadema com motivos de flor-de-lis.
Dona Augusta Vitória tornava-se Rainha consorte, mas não Rainha de Portugal, pois o Rei já se encontrava exilado. O casamento feliz durou até à trágica morte de Sua Majestade o Rei, em 1932.
Miguel Villas-Boas

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Rainha por acaso, Isabel II aceitou "um trabalho para toda a vida"

Rainha por acaso, Isabel II aceitou "um trabalho para toda a vida"

Aos 89 anos, a rainha vai bater o recorde da tetravó Vitória do reinado mais longo. Abdicar não estará nos seus planos.

Prestes a bater, já na quarta-feira dia 9, o recorde da tetravó, a rainha Vitória, do reinado mais longo no Reino Unido - uns impressionantes 63 anos e 217 dias -, Isabel II parece disposta a provar que tinha razão quando afirmou que ser rainha de Inglaterra é "um trabalho como outro qualquer, um trabalho para a vida". Talvez por isso poucos acreditem que esteja a pensar seguir o exemplo de outros monarcas europeus e abdicar a favor do filho.
Nesse dia, nada de festejos. Na agenda de Isabel II, de 89 anos, está prevista uma deslocação a Edimburgo, na Escócia, onde vai inaugurar uma linha de caminho-de-ferro com o marido, o príncipe Filipe. E se admite, segundo fontes próximas citadas pelo Daily Mail, fazer um brinde durante um jantar em família no Castelo de Balmoral, a rainha prefere concentrar-se nas celebrações dos seus 90 anos, que, essas sim, prometem mobilizar todos os britânicos, em Junho de 2016.
É assim a mulher que subiu ao trono a 6 de Fevereiro de 1952, por morte do pai, Jorge VI, mesmo se a coroação só teve lugar a 2 de Junho do ano seguinte. "Isabel II é consistente. É honesta. É tímida e não gosta de confrontos. Tem a personalidade perfeita para uma monarca constitucional", explicou ao DN o biógrafo real Paul Lacey. O autor de livros como Majesty ou Monarch, Life and Reign of Elizabeth II está convencido de que Isabel II "nunca vai abdicar enquanto o marido for vivo". Mas admite que "uma vez viúva, e se se sentir incapacitada de alguma forma, pode concluir que o seu dever é entregar o poder ao filho".

Com o marido, o príncipe Filipe, na Grande Muralha da China, em 1986

Com o marido, o príncipe Filipe, na Grande Muralha da China, em 1986

A verdade é que Isabel chegou ao trono por acaso. Quando nasceu, a 21 de Abril de 1926 em Londres, era a terceira na linha de sucessão, depois do tio e do pai. Mas nada indicava que um dia viesse a reinar. Depois de uma infância tranquila, tudo mudou em 1936 quando o avô, o rei Jorge VI, morreu e o filho mais velho subiu ao trono como Eduardo VIII. Mas o ano ainda não chegara ao fim quando este abdicou para se casar com a divorciada americana Wallis Simpson. Foi assim que, num dia de maio de 1937, Isabel, de 10 anos, e a irmã Margarida, de 6, assistiram à coroação dos pais na Abadia de Westminster.

Mecânica durante a guerra

Para a pequena Isabel acabou-se a tranquilidade. Como herdeira do trono teve aulas - em casa, como a irmã - de História Constitucional e de Direito. Com as governantas francesas aprendeu a língua que ainda hoje domina, ao contrário do alemão, que não fala apesar de ser falada por parte de uma família real que em 1917 trocou o demasiado germânico Saxe-Coburgo Gotha pelo apelido Windsor. Nadadora premiada e música exímia, Isabel tinha 13 anos quando começou a II Guerra Mundial. No ano seguinte, os pais, preocupados com a segurança das filhas, enviaram-nas para o Castelo de Windsor, enquanto eles insistiam em ficar em Londres, dando apoio às populações vítimas dos bombardeamentos da Alemanha nazi.
Mas mal fez 18 anos alistou-se no Auxiliary Territorial Service, o ramo feminino do exército britânico. Aí aprendeu a mudar pneus, concertar motores e conduzir ambulâncias. E foi de uniforme que apareceu, ao lado dos pais e do primeiro-ministro Winston Churchill, na varanda do Palácio de Buckingham para celebrar o fim da guerra. Naquele 8 de Maio de 1945, Isabel e a irmã conseguiram autorização do rei para se juntarem à festa do povo - mesmo vigiadas de longe por alguns guardas do palácio.

Quando fez 18 anos, Isabel alistou-se no exército e recebeu treino como mecânica
Quando fez 18 anos, Isabel alistou-se no exército e recebeu treino como mecânica

Este "sentimento de dever e serviço" para com o Reino Unido são um dos traços de carácter que Gilberto Ferraz destaca em Isabel II. A viver em Londres há mais de meio século, o antigo jornalista português na BBC lembra como a rainha herdou "a têmpera" da mãe, Isabel Bowes-Lyon, a eterna rainha mãe, que morreu em 2002, pouco antes de completar 102 anos. Longevidade que Isabel II também terá herdado.

Ganhar a coroa, perder o império

A princesa Isabel estava de visita ao Quénia com o marido a 6 de Fevereiro de 1952, quando recebeu a notícia da morte do pai. Aos 25 anos tornava-se rainha. A coroação teria lugar no ano seguinte numa cerimónia que foi a primeira transmissão em directo na televisão britânica. A imagem da jovem e bela Isabel II a receber a coroa na Abadia de Westminster entrou pela casa de centenas de milhares de britânicos, lançando uma relação de proximidade entre monarca e súbditos.

Rainha por acaso, Isabel II aceitou "um trabalho para toda a vida"

Sempre evitando comentar questões políticas - mesmo se é ela que todos os anos lê o programa do governo escrito pelo primeiro-ministro (e já conheceu 12!) no Discurso do Trono -, Isabel II soube tornar-se figura de referência para os britânicos. De jovem mãe de quatro filhos a avó de oito netos e bisavó de cinco, a monarca criou uma família sempre ao lado de Filipe Mountbatten, filho de um príncipe grego e ele também descendente da rainha Vitória. Dado a gafes, o príncipe consorte mantém-se há quase sete décadas como o pilar de Isabel II.
Foi juntos que fizeram muitas das 265 visitas oficiais (a 116 países, entre eles Portugal, onde esteve pela primeira vez em 1957) que a rainha realizou no seu longo reinado. E nem precisou de passaporte, afinal todos os passaportes britânicos são emitidos em nome de Sua Majestade, logo, a própria não precisa do documento de identificação quando se desloca ao estrangeiro. Apesar de o Reino Unido já ter perdido a Índia, jóia da coroa do império, quando subiu ao trono, e de hoje pouco mais restarem do que migalhas desse domínio colonial britânico, Isabel II é ainda rainha de 16 dos 53 países da Commonwealth, como, por exemplo, Canadá ou Austrália.
"A rainha tem sido toda a sua vida um exemplo de perenidade das virtudes da monarquia. Tem conseguido servir o povo inglês e os povos das numerosas nações da Commonwealth, colaborando com os governos de todas as tendências políticas com total isenção e apoio. Para além da missão política, é o símbolo da continuidade e unidade entre estes povos e, muito particularmente, entre os povos do Reino Unido", afirmou D. Duarte Pio ao DN. O duque de Bragança, herdeiro do trono português, garantiu ainda que "a imagem da monarquia tem sido reforçada ao longo dos anos do seu reinado, mesmo com alguns problemas de natureza familiar".

Annus horribilis

Com a sua opinião sobre os grandes assuntos que marcaram o seu reinado a manter-se um mistério - nunca deu uma entrevista e muito do que se sabe sobre as suas opiniões é através dos comentários de terceiros -, é talvez cedo para se saber se haverá uma era isabelina como houve uma era vitoriana.
Mas certo é que será impossível recordar o reinado da 40.ª monarca de Inglaterra sem falar do ano 1992. No annus horribilis, como a própria Isabel II o definiu, a rainha teve de lidar com o fim dos casamentos de três dos quatro filhos - Ana, André e Carlos. E com os detalhes escandalosos que os tablóides britânicos não se cansaram de publicar sobre o assunto. E até o Castelo de Windsor foi parcialmente destruído por um incêndio, gerando-se depois uma controvérsia sobre o recurso a fundos públicos para as obras de recuperação.

A Rainha após o incêndio que destruiu parte do Castelo de Windsor
A Rainha após o incêndio que destruiu parte do Castelo de Windsor

A morte da princesa Diana, a 31 de Agosto de 1997 num acidente de automóvel em Paris quando era perseguida por paparazzi, foi talvez o culminar deste período negro do reinado de Isabel II. Perante uma nação em choque com a morte da Princesa do Povo, como era conhecida a ex-mulher do príncipe Carlos, a rainha teve de regressar da Escócia, onde estava de férias, para se dirigir aos súbditos.
Nos anos seguintes, a monarquia britânica desenvolveu uma sofisticada operação de sedução junto dos media para recuperar a sua imagem. Mas foi a nova geração - sobretudo os príncipes Harry e William, filhos de Diana e de Carlos - que conseguiu devolver a popularidade à família real. "O casamento de William e da plebeia Kate Middleton constituiu uma mais-valia para o prestígio da monarquia", garante Gilberto Ferraz. E o entusiasmo em torno do nascimento dos filhos de ambos, George e Charlotte, parece provar que a monarquia nunca foi tão popular. Um milhão de pessoas juntaram-se nas ruas de Londres no dia do casamento dos duques de Cambridge. E, se a Forbes estimava em 2011 que a fortuna pessoal de Isabel II ronde os 450 milhões de euros, a monarquia rende anualmente 680 milhões só em turismo.
A popularidade de William é tal que muitos o vêem já rei. Mas a verdade é que cabe a Carlos suceder à mãe. Um papel para o qual se preparou toda a vida, tendo-se tornado, já em 2011, o herdeiro do trono há mais tempo à espera da sua hora de reinar. No ano seguinte, o príncipe de Gales, hoje com 66 anos, admitia: "Estou a ficar sem tempo." E, se aos 89 anos Isabel II continua a mostrar uma vitalidade inegável - mesmo tendo passado algumas responsabilidades para o filho -, quando (se?) chegar a sua hora de reinar Carlos será sem dúvida "um rei mais interventivo do que a mãe. Vai defender as causas não políticas em que acredita", afirma Robert Lacey.

Fonte: DN

domingo, 6 de setembro de 2015

Faleceu o Dr. Pignatelli Queiroz, antigo presidente do PPM

Morreu antigo presidente do PPM


O antigo presidente do Partido Popular Monárquico (PPM) e cabeça de lista desta força política pelo círculo de Coimbra nas eleições de 04 de Outubro, Miguel Pignatelli Queiroz, morreu hoje em Coimbra, anunciou o PPM.

Professor de história e, depois, assessor do Ministério da Educação (aposentado), Miguel Jorge Pignatelli de Ataíde Queiroz, que liderou o PPM entre 1996 e 2005, morreu, aos 81 anos de idade, numa unidade de saúde de Coimbra, cidade onde residia.
Além de presidente do Directório Nacional do PPM, Miguel Pignatelli Queiroz também foi deputado na Assembleia da República (2005-2009), e exercia, actualmente, as funções de presidente do Senado do PPM e de membro da Assembleia Municipal de Coimbra, refere uma nota do partido.
"Embora doente [há cerca de dois anos], Miguel Pignatelli Queiroz liderava, com grande sacrifício pessoal, a lista do Partido Popular Monárquico, pelo círculo eleitoral de Coimbra, no âmbito das eleições do próximo dia 04 de Outubro de 2015", sublinha o comunicado.
Miguel Pignatelli Queiroz foi "um dos mais destacados dirigentes da história do PPM e do movimento monárquico português, tendo integrado, ao longo de quatro décadas, os órgãos do partido", acrescenta a mesma 'nota de pesar', subscrita pelo actual presidente da Comissão Política Nacional dos monárquicos, Paulo Estêvão.
"Homem extraordinário", Miguel Pignatelli Queiroz foi "um exemplo de humanidade e de dedicação solidária aos outros", um "patriota inquebrantável" e "um homem de grande honestidade e integridade", tendo exercido "os cargos profissionais, cívicos e políticos que desempenhou com grande entrega, eficácia e brilhantismo", salienta o PPM.
O funeral de Miguel Jorge Pignatelli de Ataíde Queiroz decorrerá esta segunda-feira, a partir das 11 horas, da Igreja de Santo António dos Olivais, em Coimbra, de onde sairá para o cemitério que lhe fica contíguo.

Fonte: JN

Por quem dobram os sinos?

Portugal tem uma honrosa tradição humanitária. Os nossos emigrantes foram bem recebidos em todo o mundo. Não podemos dar menos aos que hoje precisam da nossa hospitalidade.

No dia 15 de Agosto passado, ao meio-dia, repicaram os sinos de todas as igrejas católicas francesas, em memória dos cristãos martirizados no Oriente, sobretudo pelas milícias islâmicas. A matança dos cristãos é tão frequente que já deixou de ser notícia. As organizações internacionais e os partidos políticos parecem mais interessados em questões ambientais e de política económica, do que no drama dos cristãos obrigados a abandonar os seus países.
Esta tragédia é parte de outra, de análogas proporções: a fuga de milhares de refugiados que, diariamente, chegam às portas da Europa, evitando uma morte certa nos seus países de origem. O Papa Francisco, em Lampedusa, numa das suas primeiras deslocações, quis chamar a atenção mundial para a ‘globalização da indiferença’, denunciando um flagelo de que muitos políticos parecem desinteressados ou, o que é pior, pretendem controlar com medidas repressivas. Há quem queira mais barcos a vigiar as praias europeias, muros que interditem a entrada dos clandestinos, controlos nas fronteiras, campos de refugiados, etc.
A nível administrativo, os funcionários comunitários falam em quotas de imigração a atribuir aos diversos países da União Europeia, com a descontracção de quem distribui contingentes de sardinhas pelas frotas pesqueiras. Alguns burocratas mais zelosos acham que os desgraçados que dão à costa devem ter o pudor de se apresentarem, pelo menos, com uma certidão de nascimento, um passaporte válido, cópia autenticada do registo criminal, certificado de habilitações, boletim de vacinas,  curriculum vitae e duas fotografias. Na sua douta opinião, é o mínimo que se pode exigir a quem fez milhares de quilómetros a pé, ou em improvisados meios de transporte, que foi obrigado a abandonar a sua terra e, por vezes, a família, fez uma viagem nas piores condições de segurança e de higiene e que, por fim, chega à Europa, certamente desidratado, desnutrido, talvez até agonizante, moribundo. E também há os que não chegam, como o pequeno Aylan, porque morrem pelo caminho.
Talvez alguém entenda que este discurso é muito bonito mas utópico, porque nenhum país europeu, nem o continente, têm condições para receber todos os migrantes que aqui se pretendem instalar. Também pode parecer perigoso, porque nem todos os que emigram o fazem com as melhores intenções. Há que ser, sem dúvida, prudente, mas a culpa de alguns não pode servir de pretexto para a exclusão dos inocentes. Essa velha desculpa fechou as portas a muitos refugiados de outros tempos, como os judeus em fuga da Alemanha nazi.
Uma menina de seis anos, a última de sete irmãos, chegou um dia a casa e perguntou porque é que, naquela família, eram tantos. A mãe percebeu que, cada vez que a filha dizia quantos irmãos tinha, as pessoas exclamavam: Tantos! Com sabedoria e profundo sentido cristão, respondeu-lhe que não eram assim tantos porque, se viesse mais um irmão, também teria onde dormir, o que vestir e um lugar à mesa. A pequenita compreendeu que, onde há caridade, nunca há gente a mais. O problema da Europa não é o de excesso de população, mas de falta de solidariedade cristã.
Ao afirmar que o seu país está aberto a todos os migrantes que nele se desejem estabelecer e que não admite qualquer manifestação de xenofobia, a chanceler alemã teve a coragem de proferir um discurso politicamente incorrecto sobre esta matéria que, na realidade, é uma tragédia em muitos actos. Angela Merkel talvez tenha que discutir quotas de emigração e burocracias alfandegárias. Contudo sabe que não se trata de um assunto político, mas de uma questão humanitária. Ponto final parágrafo.
Somos um povo de migrantes. Desde que, em 1415, há precisamente seiscentos anos, partiram as primeiras naus em demanda de novas paragens, nunca mais cessou este fluxo de gentes, em busca de uma nova vida longe da pátria. Uns foram por motivos económicos, alguns por razões políticas, outros ainda por espírito de aventura. Todos partiram com saudades e levaram um bocadinho de Portugal ao mundo. Surgiram assim, um pouco por todo o lado, comunidades lusíadas: no Brasil e na América do Norte, na África do Sul e na Venezuela, em França, na Suíça, no Luxemburgo e na Alemanha. Muitos sofreram as passas do Algarve até conseguirem o que pretendiam, mas todos, de uma forma ou outra, beneficiaram do acolhimento que lhes foi dispensado nesses países, que agora são também seus, de seus filhos e netos.
Portugal tem uma honrosa tradição humanitária, patente na forma como, no século passado, acolheu os judeus e muitas crianças austríacas ou, mais tarde, recebeu os milhares de retornados do ultramar, quando também no continente se viviam tempos difíceis. Fazendo jus à sua história, Portugal deveria agora protagonizar um gesto de boas-vindas para todos os refugiados, proporcionando a esses cidadãos condições análogas às que foram dispensadas aos nossos emigrantes, em tantos países europeus. Se estes foram e são, também agora, bem recebidos, não podemos ser menos acolhedores dos que hoje, em circunstâncias tão dramáticas, precisam da nossa hospitalidade.

Fonte: Observador

sábado, 5 de setembro de 2015

Quanto Custa Um Presidente da República?

Palácio de Belém em 1903


Orçamento de Funcionamento da Presidência da República Portuguesa para 2015 é de 14,7 milhões de euros, subindo ligeiramente dos anteriores 14.683.500 euros de 2014. Em 2015, o Orçamento de Funcionamento da Casa do Rei de Espanha foi congelado no mesmo valor do ano de 2014: 7,78 milhões de euros.
O território português tem uma área territorial de 92.090 km2 com uma população de 10.487.289 de habitantes. Já o Reino de Espanha tem uma área de 504.030 km2 e possui uma população de 47.265.321 habitantes. Mensurando essas variáveis com o custo da Casa Real Espanhola e o Orçamento de Funcionamento da Presidência da República Portuguesa, conclui-se:
– A presidência da república Portuguesa terá em 2015 um custo para cada Português de 1,40 euros, enquanto a Casa Real espanhola terá a mesma incidência de 2014 sobre cada Espanhol, ou seja, de 0,16 euros.
Assim, a primeira custa quase o dobro da segunda. Se mesmo assim se quiser acarear esse custo da presidência da república portuguesa com o da Casa Real Britânica, é fazer as contas:
– O Reino Unido possui uma população de 63.181.775 habitantes para um Orçamento real de 42,5 milhões de euros, pelo que a Monarquia Inglesa tem um custo para cada súbdito de Sua Majestade de apenas 0,67 euros, ou seja, menos 0,73 € que o PRP.
Além disso, é inaceitável que os ex-presidentes da república custem ao Erário Público cerca de 1 milhão de euros por ano. Não se justifica que conservem as pensões, ditas subvenções vitalícias, que perfazem mais de 220 mil euros/ano por cada um dos três – verba afectada pelo Orçamento de Funcionamento da presidência da república – ao que acresce ajudas de custo, despesas com a manutenção dos gabinetes e pagamento dos recursos humanos afectos aos ex-presidentes como secretária, segurança e automóveis com motoristas – despesas que não estão descritas no dito Orçamento, mas são custeadas pela secretaria-geral da presidência da república. Relativamente, aos gabinetes dos ex-presidentes, é um ultraje que o futuro escritório no Convento em Alcântara, do actual presidente quando o deixar de ser, em Março de 2016, vá ter um custo de obras de reabilitação de 475 mil euros. Recorde-se ainda que, há 10 anos, o restauro da Casa do Regalo para servir de gabinete ao anterior presidente custou 746 mil euros, e mais 486 mil em 2005 e 260 mil em 2006 – um escândalo! O ex-presidente que tem uma Fundação com o seu nome recebe uma verba não especificada para as despesas do seu gabinete.
Quando em 1903, outra Bandeira estava hasteada naquela Palácio as coisas eram bem diferentes, isto é,  bem menos dispendiosas!
Miguel Villas-Boas

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

ExCertos



«Estou de acordo que Portugal deveria, em tese, ter como Chefe de Estado um Rei. A tradição do país, que tem muito mais do que os últimos cento e cinco anos, assim o ditaria. (...) A Instituição Monárquica é a única que, longe das divisões partidárias, pode fazer a ligação entre o povo, o território e a identidade nacional (...)»

Fernando Carvalho

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Aptidões D’El-Rei



Recorde-se, por exemplo, o Reinado D’El-Rei Dom Luís I, o Popular, nas palavras do insuspeito Eça de Queiroz:
‘Começa este reinado no momento em que, pela dispersa hesitação das inteligências, pelo incurável enfraquecimento das vontades, pela desorganização dos partidos, pela inércia das classes – o rei surge como a única força que no País ainda vive e opera. E por isso mesmo que a autoridade vital, que desde 1820 se escoara do trono e se espalhara pelas instituições democráticas e pelos corpos que as encarnam, parece refluir ao trono para nele se condensar de novo – o reinado abre entre dificuldades que lhe impõem responsabilidades. Os deveres de El-Rei, nestas condições, encontrarão certamente no seu patriotismo a inspiração mais segura e pura. (…) Acompanhado de uma princesa adoravelmente preparada para colaborar na obra da Coroa…’
De facto, quando falhavam os políticos, havia sempre o Rei! Tempos bons esses em que perante as limitações impostas pelo partidarismo dos interesses, com conveniências alheias ao bem da comunidade, se podia contar sempre com a virtude do Rei e a sua nativa aptidão para dirigir de forma recta a Pátria Portucalense. Pela profundeza do pensar e pelo incomparável saber de quem reunia ilustração nas mais diversas áreas do conhecimento, superiormente preparado para a série de trabalhos que advêm com o ofício de Reinar, El-Rei era não só o primeiro recurso moral, mas, também, o derradeiro expediente executivo, pois diligente e bom obreiro, com qualidades de espírito, mas, também, apetrechos científicos era na maioria das vezes a solução para resolver os diferendos que empenavam a administração executiva. O Rei podia até já não governar, mas podia orientar o governo, o mesmo é dizer que perante a limitação dos políticos o Monarca emerge como a peça chave da engrenagem política para resolver impasses e dirimir conflitos. O Rei era árbitro e moderador do funcionamento regular das instituições, e, por isso, cabia a Sua Majestade ser informado sobre os assuntos do Estado e, por esse motivo, presidir a encontros do Conselho de Ministros, embora a autoridade executiva máxima sobre o governo fosse realizada pela prerrogativa real do monarca, isto é, na prática, esses poderes só eram utilizados de acordo com leis aprovadas no parlamento e/ou dentro dos limites da Constituição, pelo que não havia qualquer absolutismo ou despotismo.
Miguel Villas-Boas

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

SS.AA.RR., Os Senhores Duques de Bragança presentes no casamento do Príncipe Franz Clemens d’Altenburg com a Condessa Eleonore de Toerring-Jettenbach

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Mariage à Andechs en Bavière de la comtesse Eleonore de Toerring-Jettenbach, fille du comte Hans Caspar de Toering-Jettenbach et de la comtesse Elisabeth de Walburg-Zeil-Trauchburg avec le prince Franz Clemens d’Altenburg. Parmi les nombreux invités, le duc et la duchesse de Bragance ou encore le prince François d’Orléans. (merci à Belle – Copyright photos : schneiderpress)

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Le duc et la duchesse de Bragance avec leurs enfants le prince de Beira et la princesse Maria Francisca