quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

13 de Fevereiro: Portugal confirmava a liberdade e renascia para a História

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto que diz "13 DE FEVEREIRO DE 1668 A INDEPENDÊNCIA CONFIRMADA. A A LIBERDADE RECONQUISTADA. nova portugalidade"

Há 352 anos, a 13 de Fevereiro de 1668, dava-se um dos menos conhecidos, mas mais importantes, acontecimentos da nossa História de povo: a assinatura do Tratado de Paz de Lisboa entre Portugal e a Monarquia espanhola dos Habsburgos. Terminava assim a Guerra da Restauração (1640-1668). Pela letra do tratado, a Espanha passava a reconhecer a independência portuguesa e a Casa de Bragança como reinante em Portugal.

Portugal determinou-se da Espanha no contexto da Guerra dos Trinta Anos, quando a Espanha, então a principal potência europeia, se desdobrava em esforços para manter a sua hegemonia continental. Portugal, pois, aliou-se aos adversários daquela, incluindo à Inglaterra e à França, assinando ainda a paz com a Holanda na Europa mas mantendo-se na prática em guerra com ela no ultramar. Quando a Espanha encontrou finalmente os recursos necessários para tentar uma invasão, Portugal estava preparado, conseguindo suster as sucessivas tentativas de invasão dos exércitos da monarquia espanhola, e vencê-los nas mais importantes batalhas: Montijo (1644), Arronches (1653), Linhas de Elvas (1659), Ameixial (1663), Castelo Rodrigo (1664) e Montes Claros (1665).

Ao mesmo tempo, entre 1641 e 1654, as tropas portuguesas conseguiram expulsar os holandeses do Brasil, de Angola e de São Tomé e Príncipe, restabelecendo o território ultramarino português e o respectivo poder atlântico anteriormente firmado antes do reino de Portugal estar sob o domínio filipino. O império do Oriente, contudo, havia sofrido perdas terríveis para a Holanda de que não mais recuperaria. O foco imperial de Portugal virar-se-ia de leste para oeste e da Índia para o Brasil.
Foi uma guerra em todas as frentes e em quatro continentes - e, provavelmente, o maior esforço alguma vez empreendido por Portugal.

A liberdade estava reconquistada, e Portugal renascia para a História. Os portugueses de hoje bem devem permitir-se inspirar pelos desta geração, capaz de reerguer o país do desastre e de recolocá-lo no caminho da independência e da vitória.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

LEI DA MORTE A PEDIDO (EUTANÁSIA) Como travar?


1. O Parlamento prepara-se para legalizar a morte a pedido – Eutanásia. Foram apresentados 4 projetos de Lei (BE, PAN, PEV e PS) que, face à composição política daquele, têm condições para ser aprovadas de imediato.

2. É dever de todos nós opormo-nos a tão odiosa lei. Seria uma lei que em vez de remeter para os cuidados médicos, manda matar. Trata-se de uma lei fraturante, que nega a Solidariedade para com os mais vulneráveis e doentes, que nega o Humanismo e a medicina.

3. A vida não se referenda. Mas uma lei que atenta contra a Vida não pode ser aprovada. E só a força do Povo pode fazer travar tal lei.

4. Para travar a lei foi preparada uma Iniciativa Popular de Referendo na qual o Povo pede à Assembleia da República que rejeite tais projetos e continue a proteger a vida humana.

5. Para esta Iniciativa Popular de Referendo, a partir de hoje, estão disponíveis os impressos para recolher assinaturas. Basta descarregar o impresso no site “todaavidatemdignidade.pt” e pedir a amigos e colegas que a subscrevam. Naquele impresso estão todas as informações para o entregar na sede de Campanha. Também a podem subscrever online em (Petição Publica).
São necessárias 60.000 subscrições. Cada um é responsável pela sua, e por todos aqueles que estão à sua volta. O prazo de recolha de assinaturas irá para além do dia 20 e será publicamente anunciado (talvez até final de Março)

6. O Parlamento, agendou para o dia 20 de Fevereiro o debate na generalidade, da Eutanásia. Seria muito relevante que nesse dia pudéssemos contar com milhares de assinaturas.

7. Nesse dia 20 de Fevereiro, sairemos à rua para, em frente ao Parlamento, mostrarmos (das 12h:30min às 14h:30min) a nossa oposição à lei da morte a pedido e a toda esta violência.

8. Queremos uma Sociedade que cuide. Não queremos uma Sociedade que mate. Dizemos Sim à Vida em qualquer circunstância.
Todas as vidas têm Dignidade, todas merecem cuidados de saúde, carinho, respeito e amor. A eliminação de vidas humanas que se diz “a pedido” é uma violência para aquele que a ela se sujeita. É a última violência em vida.
Uma Sociedade com tais práticas, no tempo, gera novas formas de violência e destruição.

9. Dizemos “Sim à Vida” por isso lançamos a Iniciativa Popular contra a Eutanásia. Não pactuamos com a violência e destruição.  Defendemos a nossa vida e a das gerações futuras.  

10. Desafiamos todas as pessoas de valores, a que se empenhem nesta luta de coração aberto à Vida. Trata-se de uma lei que tem efeitos para todos os cidadãos. Precisamos de conhecer bem as suas consequências, todo o mal que a coberto da Eutanásia se tem espalhado em países como a Bélgica e a Holanda.

11. Só um grande debate nacional pode esclarecer estas consequências. E só a Iniciativa Popular será capaz de levantar esse debate.

O Parlamento prepara-se para aprovar a lei silenciosamente. Por isso a voz de cada um é fundamental – para travar a eutanásia!

Salvar o planeta é preciso! Mas para isso é preciso salvar o Homem!

ISILDA PEGADO

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Centenário da morte de Santa Jacinta assinalado em Lisboa

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Santa Jacinta Marto, no centenário da morte

J – JESUS. Jesus começa com a primeira letra de Jacinta. Jesus é o maior amigo da Jacinta. Jacinta quer ser amiga de Jesus até ao fim.
A – ADORAR Deus. O Pai, o Filho e o Espírito Santo. Que alegria ter Deus à mão, trazer Deus no coração.
C – CÉU para todos. “Vão muitas almas para o inferno, por não haver quem reze e se sacrifique por elas”.
I – IGREJA. Família Feliz em Jesus Cristo. Toda a família humana seja Igreja.
N – NOSSA SENHORA: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.
T – TERÇO- Nas 6 aparições, Nossa Senhora pediu: “Rezem o TERÇO todos os dias.”
A – AMAR todos. ALIVIAR o Coração de Deus e o Coração de Nossa Senhora pelos pecados de toda a humanidade. DESAGRAVAR Jesus e Maria pelos pecados da humanidade.

A Jacinta não perdia um, nem uma ocasião, de fazer um sacrifício pela conversão, pela salvação, pelo Céu dos pecadores.

Reflexão do Pe. Lereno

sábado, 15 de fevereiro de 2020

República limita mandatos por “ter medo das próprias instituições”

República limita mandatos por “ter medo das  próprias instituições”

D. Duarte Pio de Bragança defende que em democracia o povo é que deveria escolher, por isso, “não faz sentido” proibir a reeleição. Sobre a União Europeia, D. Duarte é peremptório: “infelizmente é um clube de países que quer unificar tudo”.

De visita ao distrito de Braga, D. Duarte Pio de Bragança falou ao Correio do Minho do país e da União Europeia. Para D. Duarte é “uma contradição”, num Estado democrático, haver limitação de mandatos. Sobre a União Europeia, D. Duarte lamenta que se tenha transformado “num clube de países que quer unificar tudo”.

Correio do Minho (C.M.)- O que tem feito e por onde tem andado?
D. Duarte Pio - Estivemos, ano passado, em Ceilão (actual Sri Lanka) a convite da comunidade portuguesa católica. Ofereci uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, na zona onde vivem mais descendentes portugueses. Uns dias depois, os terroristas islâmicos rebentaram com três igrejas e mataram cerca de 200 descendentes portugueses, apesar da imprensa só falar da morte de um português. Houve um terrorista que tentou explodir essa igreja e a carga explosiva não rebentou, por isso, toda a gente ficou a comentar que tinha sido um milagre de Nossa Senhora de Fátima. Depois fui a Nova Iorque, a convite da Sinagoga Portuguesa de Nova Iorque, para celebrar os 365 anos da construção da primeira sinagoga do Novo Mundo.

C.M. - O baptizado do seu primeiro filho, Afonso, foi em Braga, porquê?
D. Duarte Pio - O casamento tinha sido em Lisboa, depois disso, fizemos o baptizado do Afonso em Braga e a Consagração a Nossa Senhora em Guimarães. Já o baptizado da Maria Francisca foi em Vila Viçosa e o baptizado de Dinis foi no Porto. Simbolicamente corremos o país todo.
C.M.- Já está a preparar a sucessão do seu filho mais velho?
D. Duarte Pio -Todos os meus filhos estão preparados para servir Portugal, desde que isso esteja de acordo com a sua vocação, qualidades e interesses. Fazemos férias em países lusófonos por isso mesmo. Já fomos a Timor, São Tomé e Príncipe e tencionamos ir a Angola. Além disso, vamos visitar a família que está no Luxemburgo, Bélgica Alemanha, Áustria e República Checa. Manter o contacto entre primos é fundamental.

C.M. - A petição que defendia a inclusão de D. Duarte na lei do Protocolo de Estado ficou pelo caminho?
D. Duarte Pio - Estou no protocolo de Estado de Timor, que é importantíssimo para mim. O primeiro-ministro insiste na minha presença e, recentemente, celebramos em Timor os 500 anos do encontro entre Timor e Portugal. As cerimónias solenes festejaram o que foi o começo da actual cultura timorense e da evangelização. Em relação ao protocolo português, as assinaturas da petição são cerca de 10 mil e não foram entregues, porque há receio de certas forças políticas. Por isso, só vale a pena entregar as assinaturas quando houver algum consenso no Parlamento.

C.M. - O papel do Presidente da República é o papel que defende que deveria ser o do rei? Gostaria de ter esse papel?
D. Duarte Pio - Actualmente em Portugal, desde o general Ramalho Eanes, passando por Mário Soares, Cavaco Silva e agora também com Marcelo Rebelo de Sousa, os Presidentes tentam e seguem um modelo real. O povo português gosta de ter o Chefe de Estado independente dos partidos, no papel de juíz. Se nem no futebol se aceita que o árbitro pertença a um dos clubes que está em confronto, como é que na política, quem deveria ser o árbitro, pode pertencer a um dos partidos políticos? É uma contradição. Depois, por outro lado, a lei proíbe que um Presidente seja indefinidamente eleito, enquanto o povo assim o quiser. Os republicanos têm medo, que o Presidente tenha um potencial de ditador. Não faz sentido. Em democracia o povo é que devia escolher, até mesmo os presidentes de câmara. É o receio que a República tem das suas próprias instituições. E ao mesmo tempo, a vontade que o povo tem que as próprias instituições republicanas guardem os valores da monarquia, que é o valor da continuidade da chefia de Estado. Em Portugal, cerca de 30% dos portugueses, segundo a sondagem feita pela Comissão do Centenário da República, dizem que o rei seria melhor que o Presidente da República.

C.M.- Por isso, fazia todo o sentido ter um Partido Monárquico no Parlamento?
D. Duarte Pio - Há um partido que além de monárquico é ecologista. Obviamente, que há muitos deputados monárquicos noutros partidos e, portanto, não se pode nunca confundir ser monárquico ou ser do PPM. Há muitos mais monárquicos espalhados por outros partidos.

C.M. - E sobre a Europa? Como vê o que se está a passar?
D. Duarte Pio - Portugal é um país europeu desde o seu começo e esteve sempre bem representado. Fomos a cara da Europa perante o mundo. Hoje em dia estamos muito dependentes economicamente da União Europeia. Mas não devíamos confundir esta política, às vezes, extremista e abusiva até de certos políticos da União Europeia com o verdadeiro sentido da Europa, que é uma Europa de fraternidade, cooperação, defesa de valores de civilização baseados no cristianismo. O Papa Bento XVI dizia que a Europa é a combinação entre o espírito e moral cristã, a cultura grega e espiritualidade judaica e a organização romana e isso ultrapassa as fronteiras do continente europeu. Por isso, fazia algum sentido, por exemplo, Israel entrar na União Europeia. Há uma visão da Europa como uma cultura e espiritualidade. E hoje em dia, infelizmente, a União Europeia é um clube de países que quer unificar tudo, desde o queijo até à vida moral e sentimentos das pessoas, estando a entrar abusivamente em campos que não devia.

C.M. - Que relação mantém com as casas reais europeias?
D. Duarte Pio - Mantemos uma relação, em primeiro lugar, com os nossos primos próximos, que são nossos descendentes, como são o caso da Casa Real da Bélgica, do Luxemburgo e Liechtenstein e as casas reais europeias como da Áustria, Hungria e Baviera. Depois há as famílias reais que nos damos muito bem e temos relações de amizade próxima como são o caso da inglesa, holandesa, sueca e com o Mónaco.

C. M. - Assiste-se a uma renovação da própria monarquia. Já há príncipes que não casaram com princesas? O caminho é esse?
D. Duarte Pio - Em cada época, os reis tentaram representar os valores da sua época, melhorando-os e encorajando-os. Na Idade Média era a capacidade militar, na Renascença foram a cultura, a ciência e o progresso. Hoje em dia, o valor universal que toda a gente quer impor é a democracia e os reis são muito democráticos nos seus comportamentos. Os príncipes fazem casamentos muito democráticos, mas nem sempre funcionam bem. Os próprios divórcios também são uma inovação desta época e facilitou-se muito. Há uma grande instabilidade familiar, que também se reflecte, por vezes, nas famílias reais.

C.M. - E os seus filhos poderão seguir o exemplo dos príncipes inglês e espanhol?
D. Duarte Pio - Espero que sigam os bons exemplos e não os maus exemplos. O importante é que no casamento haja uma grande identidade de valores espirituais e culturais de preferência. O que aconteceu agora na Inglaterra foi uma grande dificuldade cultural, porque é muito difícil uma mulher americana, com vivência completamente diferente, adaptar-se à cultura inglesa.

C.M. - Imagina os casamentos dos seus filhos? Como acha que vão os portugueses acompanhar as cerimónias?
D. Duarte Pio - Espero que acompanhem como acompanharam o meu casamento. Mas espero que casem mais cedo do que eu.

Herança deixada por D. Catarina de Bragança


D. Catarina de Bragança casou com o rei D. Carlos II de Inglaterra e, apesar de nunca terem tido filhos, sempre se deram “muito bem”. D. Duarte Pio de Bragança aproveitou para revelar algumas curiosidades associadas à rainha.
“Ao princípio, os ingleses estavam bastante hostis, por ela ser católica, mas foi ela que conseguiu a liberdade religiosa para todas as colónias inglesas”, contou D. Duarte Pio, referindo ainda que o chá, a marmelada de laranja e marmelada de marmelo foram introduzidas pelas mãos da rainha portuguesa.
Os ingleses comiam em pratos de barro, madeira e prata. E também foi D. Catarina de Bragança que levou a porcelana para as terras inglesas.
No dote, lembrou ainda D. Duarte Pio, “ficou incluída a cidade de Bombaim, sendo que o aeroporto actual ainda se chama Aeroporto de Santa Cruz e o forte lá existente é português”. Ainda no dote, continuou D. Duarte Pio de Bragança, foi a ilha de Ceilão (actual Sri Lanka), que estava ocupada pelos holandeses e, por isso, foi entregue aos ingleses. “Ainda hoje temos uma grande comunidade descendente de portugueses em Ceilão”, constatou D. Duarte Pio.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Eles lá sabem o que é morte digna, meu coronel

Proibição do foie gras, coma-se antes o inútil ex-criador de gansos paraplégico. Todos baterão palmas, festejando a derrota do obscurantismo religioso, a vitória do novo Iluminismo da “liberdade”.

Não queria escrever este texto. Sinto que ao fazê-lo serei interpretado como tentando agarrar-me a uma quimera, a um tempo que já não existe; e, contudo, ao escrevê-lo, reconheço que apenas manifesto as dores de crescimento de uma infância que acabou passada em terra imaginária congeminada na minha mente. Uma terra povoada de míticas figuras e pensamentos liberais, que, a qualquer custo, rejeitariam heroicamente qualquer legislação que vise permitir o extermínio de pessoas.
Genocídio dos inúteis. Chamam-lhe eutanásia, talvez pela impunidade que o escárnio sobre outros tem, mas é disso que se trata: do extermínio, pelo aval de estado, por agente executor ao serviço deste, de pessoas a quem o próprio estado falha em providenciar meios para que reconheçam a dignidade em vida. Chamam-lhe “morte digna”, como porventura um guarda de campo de concentração também chamaria, naquele jeito jacobino de que a guilhotina purifica. No nosso tempo, pela guilhotina da dita misericórdia de livrar o mundo dos que só dão despesa, dos feios, dos paralíticos, dos malcheirosos, porém, o princípio é o mesmo. Hoje são doentes, amanhã, pela permanente redefinição de liberdade, poderão ser os que padecem da condição incurável de terem pele mais escura. Albinos, aborígenes, esquimós, ciganos. Muçulmanos ou católicos. Tanto faz qual é o ser a cessar de o ser: o estado julga o seu sofrimento e termina-o. E nós aplaudimos. Nunca foi estado eficiente para nada, mas desta é que é, desta é que vai ser infalível a aferir sofrimento e vontade. Nunca confiou nas pessoas para nada, mas desta é que vai ser, se diz que quer morrer, é garantido, não restam dúvidas, confie-se: tiro na nuca, guilhotina ou injecção letal. Injecção letal é melhor, não é preciso limpar nada no fim.
Sem pejo, sem nojo e sem a misericórdia de um esgar dos cínicos, reiteram que é a liberdade. Nenhum usa fralda ou sequer é maneta, mas sabem exactamente em que consiste a tal de liberdade: resume-se à benesse que o estado providencia, um rebuçado atirado à plebe inútil, não esclarecida, uma mole de meros objectos materiais cuja função é pagar impostos e desistir de viver em prol da causa, o próprio estado, quando passam a receptores de pensões de subsistência. Só se existe para servir o senhor feudal da perpétua máquina trituradora de humanidade.
Muito se argumenta sobre rampas descendentes, nomeadamente dos perigos de atribuir ao estado a decisão de aceitar ou rejeitar o que alguém faz com a vida – incluindo abdicar dela – através de acto burocrático e meramente administrativo. São argumentos válidos, mas este país não é para argumentos, nem estes servem para coisa alguma. Não, este é um país onde os humanistas de serviço encontram um Ramón Sampedro em cada esquina, uma massa informe de sofredores ansiosos por terminarem a vida, impedidos de o fazer conquanto a bondade do legislador não lhes proporcionar a absolvição de um pecado laico, o de não servirem mais o país. Não são seres com famílias, com filhos ou com pais, são seres autónomos, isolados do mundo, cuja cessação de existência por via estatal não causa dor a alguém, só júbilo comunitário pela nossa própria arrogância individualista, a que nos permite sermos isoladamente livres, sem responsabilidades, sem obrigação para com outros. Morreu o contribuinte com determinado número e aquilo nem é gente. São drones, objectos fonte de receita e originadores de despesa. Autorização, absolvição, expulsão do demónio da civilização que insistiu, com altos e baixos, progredir para a imoralidade de penas de morte, agora a moralizar como acto de heroísmo o pedido de inexistência. Pedido, não: a exigência. É criar uma população, começando por cada corredor de hospital, que cumpra o sonho húmido de uma população canónica de belos apresentadores de televisão, vegans que não consomem sal, não fumam, não bebem, não vão à tourada e tratam o cão por filho. Ou, quem diz apresentadores de televisão, diz de políticos, de deputados, de jornalistas e de cronistas, de gente educada, bonita, sapatinho fino, pop stars que nunca se peidam. Estado eugénico, como dantes, seja quem for o Abrantes.
Isto vai ser aprovado. Como expliquei, não pretendo parar o inevitável “progresso” que liberais e socialistas desejam. Há-de haver um velho a pedir para que o matem e há-de noticiar-se a vitória da humanidade que foi clinicamente conceder-lhe a ida para o matadouro. E, logo a seguir, notícia sobre o “tratamento humano” para galinhas. Proibição do foie gras, coma-se antes o inútil ex-criador de gansos paraplégico. Todos baterão palmas, festejando a derrota do obscurantismo religioso, a vitória do novo Iluminismo da “liberdade”, o mesmo Iluminismo que enojado de sangue de touro dá vivas ao sangue humano e que finalmente acabou com o interregno da pasmaceira com abolições de pena de morte. Até a Greta deve achar bem, logo está certo. How dare you? How dare you não me executarem?
O novo partido Iniciativa Liberal apoia a barbaridade. Não lhe chamam carrasco, chamam-lhe médico sem saberem em que consiste essa profissão; não lhe chamam execução, chamam-lhe “suicídio assistido”. No entanto, por muito que se pintem de liberais, não conseguem retirar o cheiro a jacobinos. Que lhes faça bom proveito, a eutanásia. No meu mundo imaginário, o que agora abandono, estes jacobinos fazem bem menos falta do que os desgraçados que condenarão à morte. Na velha tradição jacobina, também acabarão na guilhotina. Sempre em frente, soldados! Mas, no mundo real, neste admirável mundo novo, é nesta paragem que saio do autocarro. Não faço qualquer falta às ideologias de guilhotinas. Às ideologias que tornam hospitais em campos de morte. Isto é tempo de voltar para a caverna, senhores, é regressar às catacumbas de onde nunca devia ter saído. Fui ver o mundo à procura de luz e só encontrei o horror da escuridão.
Vítor Cunha
Fonte: Observador

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Conversas Reais


A Real Associação de Lisboa regressa aos Jantares Tertúlia "Conversas Reais" já no próximo dia 20 de Fevereiro, quinta-feira, pelas 20:00hs, no restaurante Parlatório (Rua de São Bento nº 334), tendo como convidado especial o historiador e antigo director do Museu Nacional de Arte Antiga António Filipe Pimentel, para uma conversa informal cujos tópicos serão “Rule, Britannia! O ‘Brexit’, o ‘Megxit’ e a saúde das democracias”.

O preço do jantar é de 20,00€ por pessoa e poderá reservar comodamente o seu lugar através do endereço secretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 21 342 81 15 ou presencialmente na nossa sede, no novo horário de atendimento: de segunda a sexta-feira das 11:00 às 14:00.

Contamos com a sua presença!

Fonte: Real Associação de Lisboa

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Cansados de viver

Abre-se uma porta que, mais cedo ou mais tarde, acabará por se abrir de par em par. Não é um fantasma, é uma realidade que está diante dos nossos olhos quando olhamos para o que se passa na Holanda.

Em Portugal, está agendada para breve a votação na generalidade de projectos de legalização da eutanásia e do suicídio assistido. Leis que quebram um princípio estruturante da ordem jurídica e da civilização como é o da inviolabilidade da vida humana. Apesar da relevância da questão em jogo, a generalidade dos políticos e da comunicação social parece dar mais relevo a questões conjunturais como a eventual descida de impostos.
Entretanto, na Holanda, que foi o primeiro país a legalizar a eutanásia e o suicídio assistido, inicialmente em situações de doença grave e terminal como as que estão previstas nos projectos em discussão no Parlamento português, está em vias de ser aprovado um projecto de legalização da eutanásia de pessoas com mais de setenta anos que não sofram de qualquer doença, mas que sintam que estão «cansadas de viver» e que a sua vida «se completou». Este projecto, que partiu de uma iniciativa designada “Por sua própria vontade”, já vem sendo objecto de discussão há vários anos, vem recolhendo uma significativa adesão e só não foi aprovado na legislatura anterior porque o governo caiu. Os proponentes até já calcularam o número de pessoas que dele poderão supostamente “beneficiar”. Agora, a aprovação deste projecto ameaça o equilíbrio da coligação partidária que apoia o governo, onde se inclui um partido democrata cristão que a ela se opõe (este será um sinal de que a uma lei com tal relevo, e apesar de tudo, é dada aí mais importância do que a eventuais subidas ou descidas de impostos).
Quem se opõe à proposta de legalização da eutanásia em situações de pessoas «cansadas de viver», salienta como a resposta da sociedade e do Estado à angústia dessas pessoas não poderá ser a de confirmar essa angústia, mas, antes, a de tudo fazer para a eliminar e para devolver a essas pessoas o amor à vida (será esta o imperativo de uma sociedade solidária e fraterna, não o de satisfazer qualquer pedido de morte).
Podemos imaginar que mensagem transmitirão o Estado e a sociedade quando legalizarem a eutanásia dessas pessoas: confirmarão que elas teriam razão ao pensar que a sua vida «se completou» e já não teria sentido; e até que teriam razão ao pensar que seriam um peso para a família e para a sociedade. Transmitirão a ideia de que a morte provocada é resposta para a solidão e a angústia dos idosos. Podemos imaginar que efeito terrível terá esta mensagem numa sociedade cada vez mais envelhecida, onde a vida de cada vez mais idosos é marcada pela solidão e onde se multiplicam exponencialmente as despesas com a saúde e cuidado dessa franja da população. Uma tal mensagem não pode senão reforçar a desvalorização e marginalização dos idosos, vítimas da «cultura do descartável».
Dirão que este projecto que se discute na Holanda, de eutanásia de pessoas idosas saudáveis, nada tem a ver com os que estão em discussão no Parlamento português, onde a legalização da eutanásia e do suicídio assistido se restringe a situações de doença grave ou terminal. Mas não é assim. Na Holanda, como noutros países que seguiram a mesma opção, também o âmbito da legalização da eutanásia começou por doenças terminais, depois esse âmbito alargou-se a doenças graves e incuráveis (como já sucede nos projectos em discussão no Parlamento português) e esta será uma terceira etapa. Esta ampliação progressiva (habitualmente caracterizada com a imagem da rampa deslizante) não é fruto do acaso, é uma consequência lógica e previsível.
E é assim a partir do momento em que se quebrou o referido princípio estruturante da ordem jurídica e da civilização: o princípio da inviolabilidade da vida humana. Quando se considera que a autonomia individual prevalece sobre esse princípio, não há motivos para restringir essa prevalência da autonomia individual sobre a inviolabilidade da vida às situações de doença terminal, nem sequer a situações de doença. E, poderemos dizer, nem sequer a pessoas com mais de setenta anos. Justifica-se, em nome dessa prevalência da autonomia individual, a legalização sem restrições do homicídio a pedido e do auxílio ao suicídio, até de jovens.
Este exemplo da Holanda não pode ser esquecido quando se discutir, dentro em breve, no Parlamento português, a legalização da eutanásia e do suicídio assistido. Importa saber até onde nos pode levar a quebra do princípio da inviolabilidade da vida humana. Quando se quebra um princípio estruturante, não basta olhar para consequências imediatas e de curto prazo. Abre-se uma porta que será difícil manter entreaberta e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por se abrir de par em par. Não é um fantasma, é uma realidade que está diante dos nossos olhos quando olhamos para o que se passa na Holanda.
Pedro Vaz Patto
Fonte: Observador

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Ana Catarina Silva vence prémio Príncipe da Beira em Ciências Biomédicas


Ana Catarina Silva venceu o Prémio Príncipe da Beira Ciências Biomédicas no valor de 15 mil euros. A entrega do prémio teve lugar no Salão Nobre da Câmara Municipal de Guimarães, num prémio entregue pelo Duque de Bragança, através da Fundação D. Manuel II, a Universidade do Minho e o Município de Guimarães. 
Depois de analisadas 44 candidaturas, Ana Catarina Macedo foi contemplada pelo seu trabalho de investigação ligado ao cancro do esófago. Para a contempla, este prémio contribui para "novos caminhos", "sobretudo na área de oncologia".
Já Raquel Faria recebeu uma menção honrosa pela seu trabalho de investigação ligado ao Lúpus, uma doença auto-imune.
Este prémio consiste num galardão que visa distinguir um investigador de excelência na área, com menos de 40 anos de idade, pretendendo apoiar o seu plano de pós-graduação a realizar numa instituição de I&D nacional e/ou estrangeira.
A iniciativa tem como objectivo primordial premiar anualmente a excelência da investigação e contribuir para abrir novos caminhos na investigação aplicada e ética no domínio das ciências biomédicas. Pretende também colaborar para o desenvolvimento de terapias avançadas e impulsionar o desenvolvimento de uma nova geração de investigadores com formação focada naquela área científica.
Adelina Pinto, Vice-presidente do Município, afirmou que é um "privilégio" para Guimarães estar na entrega deste prémio. "Guimarães sente-se privilegiada em ter a Universidade do Minho, o Instituto 3B's e ter tanto conhecimento e investigação. Que continue a ser o berço do conhecimento", disse. 
O reitor da Universidade do Minho, Rui Vieira de Castro, falou da importância dos prémios para a investigação científica. "O trabalho dos cientistas de investigação tem nos dias de hoje um papel essencial, que assegura o conhecimento e tem um factor de intervenção". Para Rui Vieira de Castro, este prémio justifica-se pela "visibilização" e "incentivo".
Em representação da Fundação D. Manuel II, o Duque Dom Duarte de Bragança sublinhou que estas investigações mostram que "ainda existe a capacidade de inovar e ser curioso".