domingo, 19 de abril de 2015

Exposição "Colecção Anadia | traje e acessórios"

Imagem de divulgação da exposição Coleção Anadia. traje e acessórios

Exposição temporária no Museu Nacional do Traje
17 abr. -  27 jun.

A 16 de Abril inaugurou-se a exposição temporária Colecção Anadia | Traje e Acessórios, são 117 peças de traje e 96 acessórios, usados entre 1750 e 1910, apresentados em 3 núcleos: traje de corte masculino, ao nível do que melhor existe nas colecções nacionais, num núcleo coeso em termos de moda masculina dos séculos XVIII/XIX, traje feminino do quotidiano e de festa, documentando vários momentos da moda feminina ao longo do século XIX e traje infantil, um núcleo bastante interessante pela sua diversidade – bebé e criança, de festa e cerimonial ao quotidiano, integrando exemplares raros de encontrar dos séculos XIX/XX. 

A completar, um vasto conjunto de acessórios em que predominam as peças de mão – sobretudo bolsas e carteiras – que compunham os looks, como diríamos nos dias de hoje, e são testemunho do acessório, masculino e feminino, na moda do seu tempo.

Guardados em baús e sótãos, foram resgatados ao esquecimento pela actual Condessa de Anadia que os expôs num pequeno espaço do seu palácio de Mangualde, aberto ao público. Numa parceria com o Museu Nacional do Traje, a colecção foi trazida para Lisboa e, neste Museu, foi estudada, fotografada, documentada e tratada.

O resultado desta parceria inicia agora a sua vida pública: uma exposição temporária no Museu Nacional do Traje, em Lisboa, a que se seguirá a reposição da exposição no Palácio Anadia, em Mangualde.

Para apoio ao visitante, seja na exposição de Lisboa, seja na visita ao palácio Anadia, em Mangualde, publica-se um catálogo da exposição. Neste, conta-se resumidamente a história da família proprietária, a do projecto e contextualiza-se brevemente o traje e acessórios agora estudados na moda do seu tempo, apresentando todas as peças que integram esta colecção com uma descrição individual completa (à excepção dos pregos de chapéu) e recorrendo a 67 belíssimas fotografias que ilustram os trajes na totalidade e 61 em que se podem observar outros tantos interessantíssimos pormenores, ainda enriquecido com 22 fotografias tiradas no decurso das intervenções de conservação e restauro.

Apresenta-se assim, pela primeira vez, uma parceria em que se partilharam responsabilidades e competências, em que parceiro público e parceiro privado têm como fim último a valorização, divulgação e partilha do nosso património e da nossa memória.

sábado, 18 de abril de 2015

Ser ou não ser republicano!

Não sou eu que simplifico a questão, são eles, os republicanos, jacobinos ou montanheses de hoje, e o apelo do socialista Manuel Valls não engana ninguém! Diz o actual primeiro-ministro francês depois de mais um revés eleitoral – votem nos republicanos, sejam eles de direita ou de esquerda! Sarkozy obviamente agradece e aproveita para atacar Marine Le Pen que lhe faz sombra à direita!

Mas agora pergunto: - Que raio de confusão é esta?! Será que a extrema direita e a extrema esquerda francesas são afinal monárquicas?! Quem anda a enganar os franceses?!
As respostas são as mesmas de sempre e não me canso de as repetir, especialmente para aqueles que ingenuamente amam ‘la revolution’ e a sua marselhesa! Deixem-se disso. Tenham vergonha. Digam a verdade.

De facto a velha dicotomia existe – monarquia ou república – mas não tem nada a ver com a esquerda jacobina ou a direita montanhesa. Ambas genuinamente republicanas. E que se chegarem ao poder vão continuar a ser republicanas. O resto é conversa.


Saudações monárquicas


Nota básica: Estamos, não temos dúvidas, perante uma campanha publicitária, não só em França, mas noutras repúblicas como Portugal, campanha essa que visa reciclar a expressão e dar-lhe um significado que contraria a realidade! No fundo pretende-se associar a ideia de república ao 'regime ideal', à 'democracia perfeita', e assim, tudo o que não for republicano é mau! Enfim, percebe-se o embaraço de um regime que já provou que não funciona, mas o desespero é mau conselheiro. Com efeito não me parece curial que os herdeiros do terror, da guilhotina, e mais tarde fervorosos adeptos das invasões napoleónicas, queiram agora mistificar a história e confundir as populações. Além do mais, não é bonito. 


Fonte: Interregno

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Um Presidente Custa O Dobro De Um Rei


Expondo apenas factos comprovados, é nosso dever fazer a confrontação dos ‘Orçamentos de Funcionamento 2015’ da presidência da república Portuguesa e da Casa Real espanhola, para que não sobejem dúvidas sobre qual é o Orçamento mais poupado e regrado.
Em 2015, o Orçamento de Funcionamento da Casa do Rei de Espanha foi congelado no mesmo valor do ano de 2014: 7,78 milhões de euros. Em 2014 o orçamento da Casa Real de Espanha foi de 7,78 milhões de euros – menos 2% relativamente ao exercício orçamental de 2013 e o montante mais baixo desde 2007. Com a Abdicação do Rei Don Juan Carlos I e a Proclamação do Rey Don Filipe VI, mantiveram-se os cortes salariais e os novos monarcas passaram a auferir a verba destinada aos anteriores reis: 220 mil euros/ano o Rei e 130 mil (45%/salário Rei) a Rainha Doña Letizia. Porém, pouco tempo depois Sua Majestade Don Felipe VI decidiu diminuir o seu salário em 20%, isto é, menos 56 mil euros/ano; Doña Leonor, a nova Princesa das Astúrias só auferirá o seu salário a partir dos 18 anos e a Infanta Elena perdeu o vencimento.
Por cá, o Orçamento de Funcionamento da Presidência da República Portuguesa para 2015 será de 14,7 milhões de euros, subindo ligeiramente dos anteriores 14.683.500 euros de 2014.  O território português tem uma área territorial de 92.090 km2 com uma população de 10.487.289 de habitantes. Já o Reino de Espanha tem uma área de 504.030 km2 e possui uma população de 47.265.321 habitantes. Mensurando essas variáveis com o custo da Casa Real Espanhola e o Orçamento de Funcionamento da Presidência da República Portuguesa, conclui-se: a presidência da república Portuguesa terá em 2015 um custo por cada Português de 1,40 euros, enquanto a Casa Real espanhola terá a mesma incidência de 2014 sobre cada Espanhol, ou seja, de 0,16 euros. Assim, a primeira custa quase o dobro da segunda. Se mesmo assim se quiser acarear esse custo da presidência da república portuguesa com o da Casa Real Britânica, é fazer as contas: o Reino Unido possui uma população de 63.181.775 habitantes para um Orçamento real de 42,5 milhões de euros, pelo que a Monarquia Inglesa tem um custo para cada súbdito de Sua Majestade de apenas 0,67 euros, ou seja, menos 0,73 € que o PRP. Além disso, é inaceitável que os ex-presidentes da república custem ao Erário Público cerca de 1 milhão de euros por ano. Não se justifica que conservem as pensões, ditas subvenções vitalícias, que perfazem mais de 220 mil euros/ano por cada um dos três – verba afectada pelo Orçamento de Funcionamento da presidência da república – ao que acresce ajudas de custo, despesas com a manutenção dos gabinetes e pagamento dos recursos humanos afectos aos ex-presidentes como secretária, segurança e automóveis com motoristas – despesas que não estão descritas no dito Orçamento, mas são custeadas pela secretaria-geral da presidência da república. Relativamente, aos gabinetes dos ex-presidentes, é um ultraje que o futuro escritório no Convento em Alcântara, do actual presidente quando o deixar de ser, em Março de 2016, vá ter um custo de obras de reabilitação de 475 mil euros. Recorde-se ainda que, há 10 anos, o restauro da Casa do Regalo para servir de gabinete ao anterior presidente custou 746 mil euros, e mais 486 mil em 2005 e 260 mil em 2006 – um escândalo! O ex-presidente que tem uma Fundação com o seu nome recebe uma verba não especificada para as despesas do seu gabinete.
Analisando a evolução do Orçamento de Funcionamento da presidência da república Portuguesa desde que as contas começaram a ser públicas: em 2006 foi de 17.031.800 Euros; em 2007 de 15.824.500 €; em 2008, 16,345 milhões de euros; em 2009 foi de 16,8 milhões de euros; em 2010 foi de 17,464 milhões; em 2011 de 16.188.400 milhões; em 2012 foi de 15.139.100 milhões de euros; o de 2013 foi de 15,3 milhões de euros; e em 2014 de 14.683.500 euros.
A Casa do Rei de Espanha, em 2011, custou 8,43 milhões de euros. A gestão financeira da verba, de acordo com a Constituição do Reino de Espanha, incumbe directamente ao Rei, sendo que esses fundos se destinam à legítima remuneração da Família Real para provir a sua subsistência, mas também pela representação na vida pública oficial, e, tal-qualmente, para financiar o funcionamento da Casa Real e do pessoal. Assim, o orçamento real serve para pagar os únicos salários da Família Real: o do Rei e o da Rainha e as despesas salariais com os 300 funcionários que trabalham directamente com a Coroa e destina-se, também, a custear os gastos quotidianos do Palácio com alimentação, vestuário, as viagens, os carros oficiais que não embarcam em excentricidades. Logo em 2010, a Casa Real não ficou alheia à crise económica, e, no segundo semestre desse ano, determinou um corte no orçamento anual recebendo, em 2010, 8,9 milhões de euros de verba. Ora como o pagamento é trimestral, por iniciativa do Rei, houve uma poupança de 1,7 milhões de euros relativamente ao ano anterior. Em 2010, a Presidência da República Portuguesa teve um custo de 17,464 milhões de euros. Esquadrinhando ao pormenor as contas da Família Real espanhola: em 2006, teve um orçamento de 8 milhões de euros, enquanto o Orçamento da Presidência da República Portuguesa foi de 17,031 milhões de Euros. O valor das atribuições para a Casa Real Espanhola subiu até 2009, alcançando, o tecto máximo de 8,9 milhões. Nesse ano, lembremos, o Orçamento da Presidência da República Portuguesa foi de 16,8 milhões de Euros Com o corte em 2011, a Casa Real espanhola teve um custo total de 8,43 milhões de euros enquanto a Presidência da R.P. custou 16,188 milhões de Euros. Assim, nesse ano, a Monarquia custou a cada espanhol 19 cêntimos, enquanto a presidência da república teve um importo de 1,9 euros para cada cidadão português.
Novamente, em 2012, o orçamento da Casa Real espanhola sofreu um corte de cerca de 5% e os todos os salários uma redução de 15%. A presidência da república portuguesa no mesmo exercício orçamental custou 15.139.110 de euros.
Em 2013, o orçamento da Casa Real Espanhola encolheu 2%, passando para os 8,26 milhões €. Nesse ano, as Infantas Elena e Cristina deixaram de receber gastos de representação. Em 2013, a verba destinada para o Orçamento da PRP foi de 15,13 milhões de Euros, que, tem 500 funcionários ao serviço, mais 200 que a Coroa Espanhola e que a Casa Real Britânica.
Na mesma linha – a da poupança – no Reino da Bélgica, apesar do aumento anual legalmente fixado, o Rei Alberto II anunciou, no inicio de 2012, que renunciava ao incremento do orçamento da Casa Real para os anos vindouros de 2012 e 2013, decisão que resultou numa poupança de cerca de 600 mil euros/ano para o Tesouro belga. Mais ainda: o governo da Bélgica vendeu por 5 milhões de euros alguns terrenos contíguos a um palacete propriedade da família real na província de Oostende e que faziam parte da herança que deveria ser recebida pelo Rei do anterior Rei Leopoldo II, seu irmão. Com a Abdicação do Rei e a entronização do novo Soberano, Filipe, esses cortes mantêm-se.
Contabilizado tudo, a Monarquia belga custa 13,7 milhões de euros ao erário público do país, mas, mesmo assim, o novo Rei já ordenou que houvesse uma significativa redução de despesas da Casa Real, pelo que vai começar a ser feita uma indagação para verem onde pode ser cortada mais verba.
Tanto as Monarquias do Reino da Dinamarca e do Reino da Suécia têm cada uma o mesmo custo anual de 12 milhões de euros e no Luxemburgo a Família Grão-Ducal fica-se pelo custo de 8,7 milhões de euros anuais.
Conclui-se, que, o argumento financeiro é também um forte argumento para uma mudança de modelo de Chefia de Estado em Portugal, uma vez que nas Monarquias há uma maior poupança e parcimónia o que se reflecte, indubitavelmente, no custo da mesma e do modelo de regímen.
Miguel Villas-Boas 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sou monárquico por rigorosa convicção intelectual

António Filipe Pimentel - Gestor Cultural - Museu de Arte Antiga


Observador: (...) No início de 2016 o país vai necessitar de que perfil na Presidência da República? Alguém que assegure pequenas cosméticas ou que proponha uma grande cirurgia ao regime?

António Filipe Pimentel: Neste ponto estou em completo embaraço: sou monárquico, por rigorosa convicção intelectual, pelo que a questão se me afigura de índole rigorosamente sofística (com a devida vénia, claro), partindo do princípio de que a figura do Presidente da República terá algum impacte na reforma da estrutura política, da qual mais ou menos directamente emerge. O pobre senhor, qual ele seja, será sempre vítima das contradições internas do cargo/função: se interventor, contribuirá poderosamente para o aumento do clima de conflitualidade institucional; se colaborante apagar-se-á e será acusado pela oposição de conivência com o Governo e quebra da sua função arbitral (sobram os exemplos de uma e de outra, até com ritmos que configuram uma coreografia pré-determinada: colaborante no 1º mandato; interventivo e conflitual no último, sendo o caso presente atípico por alteração violenta das condições meteorológicas). (...)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Sobre a 1.ª Convenção da Associação dos Autarcas Monárquicos, os Municípios e a Monarquia


A Plataforma de Cidadania Monárquica teve a honra de acompanhar os trabalhos da ‘1.ª Convenção da APAM – Associação dos Autarcas Monárquicos’ que decorreu no último Sábado, dia 11 de Abril de 2015, na ‘Casa do Infante – House of Prince Henry’, no Porto.
Numa sessão com o anfiteatro repleto de monárquicos, que decorreu com a Presença de SAR O Senhor Dom Duarte de Bragança, os autarcas monárquicos e os convidados debateram as vantagens do municipalismo e da mudança de regímen de republicano para uma Monarquia.
Esgotado que está o actual modelo de chefia de Estado, assim como o actual sistema político, o exercício da chefatura do Estado por um Rei traduzir-se-á num enormíssimo conjunto de benefícios para o cidadão que hoje se encontra quase na posição de um elementar número face ao poder central sem que do processo somatório resulte a genuína representação da vontade dos indivíduos. Também, nesse processo de aumento da expressão dos anseios dos cidadãos e da sua vontade o reforço do poder dos municípios aparece como uma solução para a falta de representação actual.
O presente sistema eleitoral para as eleições legislativas, em que os círculos eleitorais correspondem à organização administrativa, não permite aos cidadãos-eleitores elegerem os seus representantes, pois os deputados são escolhidos pelos partidos. Os deputados eleitos pelos actuais 22 Círculos Eleitorais – no continente correspondem actualmente aos distritos, e mais dois círculos nas Regiões Autónomas, e ainda um para os cidadãos portugueses residentes na Europa e outro para os que residentes fora da Europa – representam quem?
O actual sistema proporcional, de círculos plurinominais e do domínio de listas partidárias, é um sistema representativo em que não existe uma relação entre o deputado e o eleitor, e, consequentemente, onde as ânsias verdadeiras das gentes são relegadas para um plano secundário e permutadas pelas conveniências das agendas próprias dos deputados e dos partidos políticos, assim como dos lobbies instalados. É necessário um sistema que permita a escolha dos deputados pelos eleitores, e não exclusivamente pelos partidos, como actualmente. Assim, com o actual sistema proporcional, a maneira de organizar as actuais listas partidárias cria uma espécie de blindagem, fazendo dos deputados meros representantes dos partidos e não dos eleitores e, em último grau, do Povo.
Os municípios encontram-se hoje praticamente esvaziados de poderes e numa dependência gritante face à vontade do poder central. Ora com municípios com maior autonomia e competências, o cidadão pode exercer a sua escolha em função de figuras que reconhece e que pode responsabilizar, se for esse o caso.
Este sistema que vigora actualmente, preserva a primazia do Estado central, distinto é um sistema que amplie o papel democrático dos municípios tornando-o em real representante de toda a comunidade.
Além do mais, haverá muitas mais candidaturas independentes locais, muito relevante para despertar a participação activa de todos os cidadãos na política, livre da partidocracia, e, das conveniências salinadas dos partidos políticos tradicionais.
O Rei será assim o Chefe Supremo do Estado e da Nação, que, acima de tramas partidárias, independente de um calendário político, terá a tranquilidade e a legitimidade para actuar como moderador entre as várias facções políticas ou demais grupos da sociedade civil evitando conflitos e efervescência social e contribuindo para a unidade e traduzindo a vontade nacional. A Monarquia é uma instituição que contém um peso emblemático que faz todos sentirem-se parte de um todo. O Monarca encarna a Nação!
O Monarca nunca seria um bloqueador do funcionamento das instituições democráticas, mas sim o capital contributo para o normal e regular funcionamento das mesmas.
Depois, Municípios fortes que representem a vontade dos cidadãos, que defendam os interesses locais seja a nível cultural, patrimonial, etc., contribuirão para um maior índice de Democracia, pois não podem os interesses do Povo ceder perante as conveniências do Estado Central.
Recordemos ainda Agostinho da Silva através de uma das suas reflexões: ”Continuo firme na ideia de que a Monarquia coordenadora de Municípios Republicanos foi o regime mais certo para Portugal. (…) O regime de que o mundo precisa para sair do atoleiro em que está metido é realmente o da Monarquia Portuguesa anterior a D. João I… Acima disso, o município, clara e inteiramente ‘republicano’. Como ‘coordenador geral’ e ‘inspirador’ o Rei…”
Não se encare o termo republicano como o conceito positivista que foi implantado na revolução do 5 de Outubro de 1910, mas comores publica, isto é, coisa comum. Assim, teremos uma Monarquia em que o Rei será o principal defensor da Coisa Comum e que com o seu exemplo de virtude, honestidade e suprapartidário fará reflectir no Parlamento, nas estruturas do poder local – os Municípios – e na sociedade em geral essa probidade inatacável.
É necessário, uma verdadeira comunicação entre os cidadãos e aqueles que são eleitos para os representarem. Atente-se o exemplo do Sistema Eleitoral na Monarquia Constitucional Parlamentar Britânica no qual para a eleição dos Membros do Parlamento se estabelece um sistema de eleição individual, por método maioritário e por meio de círculos eleitorais uninominais. E, consequentemente, todos os cidadãos britânicos têm o direito tradicional de pedir para serem recebidos pelos seus Membros do Parlamento, encontro que se verifica no ornamentado Salão Central (Central Lobby). Hoje, nenhum cidadão pode requerer o mesmo no nosso País!
Também, nas Monarquias do Norte da Europa, o poder local possui um elenco de competências que lhe permitem uma justa e célere satisfação das necessidades da comunidade local.
A Sociedade é um corpo vivo, e não um agregado de indivíduos, portanto é necessário, também no nosso amado País, tornar a haver representação verdadeira.
Miguel Villas-Boas

terça-feira, 14 de abril de 2015

«MONÁRQUICOS QUEREM MUDAR REGIME QUE ELEGE PR»


O presidente da Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos defendeu hoje a mudança de regime para o monárquico para que o "ciclo vicioso e viciado" do lóbi político e financeiro que elege os Presidentes da República seja substituído.
Em declarações à agência Lusa sobre a primeira Convenção Nacional da Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos (APAM), que hoje decorreu no Porto, Manuel Beninger sublinhou o "contributo muitíssimo importante" que a Monarquia pode dar à sociedade actual, uma vez que é essa a sensibilidade que falta nesta República, em profunda "crise profunda de valores".
Na opinião do presidente da APAM é preciso mudar este "ciclo vicioso e viciado" que é eleição dos Presidentes da República pelo lóbi político e financeiro, defendendo a implementação do regime monárquico, uma vez que o rei é alguém "preparado, isento partidariamente e que pode representar as várias sensibilidades e as transversalidades das vontades políticas".
Enfatizando que a APAM não é um partido político mas sim uma associação pluripartidária que representa os seus associados -- que em nove meses de existência são já mais de 300 - Manuel Beninger afirmou que os autarcas, que estão na base da democracia, podem "contribuir para uma mudança de paradigma", uma vez que é urgente "repensar este tipo de regime".
Cultura, património, turismo, ambiente, família e agricultura são algumas das preocupações que estão na base da acção destes autarcas monárquicos em exercício de diferentes funções nas freguesias, câmaras e assembleias municipais, que representam actualmente cinco sensibilidades políticas distintas.
"Nesta convenção de hoje mais de 120 autarcas conseguiram reflectir sobre a saúde pública da política e contribuir com propostas válidas", disse, acrescentando que a adesão à associação tem sido "francamente crescente".
Do programa da convenção - que contou com a presença de D. Duarte Pio de Bragança, Gonçalo Ribeiro Teles e Francisco Calheiros, entre outros - fez parte "um painel ligado ao Património e Turismo, temáticas diferenciadoras dos agentes de desenvolvimento local e de importância premente no quadro dos futuros investimentos a decorrer nas regiões" e um outro sobre "Ser Autarca e Monárquico nos Dias de Hoje".

Fonte: PPM Braga

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Tomé, o cientista


A incredulidade de Tomé favoreceu a credibilidade científica da ressurreição de Cristo

 Ver para crer – eis a frase que, de certo modo, imortalizou o incrédulo apóstolo São Tomé. Ausente durante a primeira aparição de Cristo ressuscitado aos restantes apóstolos, negou-se depois a crer no que os outros lhe disseram. Mais ainda, impôs, como condição para aceitar a ressurreição do crucificado, tocar, com as suas mãos, nas suas chagas, para ter a certeza de que era o mesmo corpo que tinha morrido na cruz.
A atitude de Tomé revela, é certo, falta de fé. Quem precisa de ver para crer não tem fé, porque a fé é, precisamente, crer sem ver. Para acreditar na ressurreição de Cristo não era preciso, em sentido próprio, que ninguém visse nada, porque bastava que ele tivesse revelado que assim iria acontecer.
Ora Jesus de Nazaré disse que havia de ressuscitar por ocasião da sua transfiguração, sobre a qual impôs um embargo noticioso, até que esse facto se realizasse. Disse-o também quando, por três vezes, anunciou a sua paixão, morte e ressurreição, a ocorrer exactamente ao terceiro dia. Portanto, em teoria, nenhum cristão precisaria de ter visto Cristo vivo depois da sua crucifixão, para acreditar na sua ressurreição. Deveria ter sido suficiente a sua palavra e a ausência do seu corpo, misteriosamente desaparecido do sepulcro, a que os soldados fizeram guarda, durante o tempo decorrido entre a sua deposição no túmulo e as suas primeiras aparições.
Contudo, convinha que o ressuscitado aparecesse e assim aconteceu naquele mesmo dia de Páscoa: primeiro, às mulheres; depois, só a Maria Madalena; a seguir, a Simão Pedro, individualmente; mais tarde, aos discípulos de Emaús; e, já ao fim do dia, ao conjunto dos apóstolos. Portanto, não foi só na palavra de Cristo que Tomé não acreditou, mas também na das santas mulheres, na de Maria Madalena, na de Cléofas e do seu companheiro de viagem para Emaús, na de Simão Pedro e, por último, na dos restantes apóstolos, que também o viram, ao final daquele dia.
Apesar de ser tanta a gente que o viu, em momentos e sítios diferentes, Tomé não acreditou e manteve-se firme na sua incredulidade. Ele que, por não ter estado presente, em teoria não se poderia pronunciar sobre um acontecimento de que não fora testemunha, não cedeu, até ser confrontado com uma prova definitiva da ressurreição de Jesus.
Com efeito, Cristo reapareceu aos apóstolos no domingo seguinte ao da Páscoa. Estando Tomé presente, foi instado a verificar o que, até esse momento, ainda não tinha crido, o que fez exclamando, cheio de admiração e de devoção: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). Tocou-o, ouviu-o e até o viu comer uma posta de peixe assado.  Mas não se livrou da repreensão do Mestre, que lhe censurou a sua falta de fé.
Se é verdade que Tomé mereceu essa censura, também é certo que a sua atitude revela um espírito crítico que é, em termos científicos, muito louvável. Se ele tivesse aceite acriticamente algo tão surpreendente como a ressurreição de um morto, quiçá hoje houvesse quem duvidasse da historicidade desse acontecimento. Talvez alguns pensassem que se tinha tratado de uma sugestão colectiva, de uma interpretação simplista daqueles homens e mulheres, rudes e sem instrução. Quem poderia afirmar que tudo não fora, afinal, mais do que um erro de percepção dos discípulos?! Inadvertidamente, poderiam ter transposto para a realidade o que, de facto, só tinha acontecido na sua imaginação…
Graças a Tomé, essas dúvidas não fazem sentido, não são minimamente sustentáveis, precisamente pela sua falta de fé … e extraordinário espírito científico! Sim, na verdade, ele agiu como um escrupuloso homem de ciência que, em princípio, não aceita uma tese que não tenha sido previamente verificada. Um cientista, por regra, só admite como verdadeiro um axioma comprovado experimentalmente ou, pelo menos, susceptível de verificação empírica. O conhecimento científico, com efeito, requer sempre, pelo menos como ponto de partida da sua própria especulação, essa referência à experiência, que o caracteriza em relação a outros saberes não menos verdadeiros.
Não foi a Igreja que impôs a ressurreição de Cristo, mas foi a ressurreição de Jesus de Nazaré que se impôs à Igreja, com a evidência de um facto ineludível. Poucas verdades de fé têm tão firme fundamento racional. Se a alguém o devemos, é sobretudo a Tomé, o apóstolo inicialmente incrédulo, mas a cuja exigência intelectual e rigorosa análise se ficou a dever, em boa medida, a consistência científica deste mistério cristão.

Fonte: Observador

domingo, 12 de abril de 2015

Um passado que nos acrescenta e consolida, e uma democracia que nos actualiza


Sou monárquico pela razão, pela esperança, pela certeza que acompanha o seu restabelecimento. Razão na decisão, esperança na vontade,  certeza em Portugal. Associo a monarquia à defesa dos valores mais altos, à defesa da liberdade sobre as opressões, à defesa da soberania sobre as ingerências, à defesa da pessoa sobre interesses sem rosto. Associo a monarquia a um sistema político de liberdade democrática, com tanto espaço para a alternativa como para o consenso. Posto o que temos vivido e aprendido, tenho confiança na nossa história. O futuro tem um passado, um passado que nos acrescenta e consolida, e tem uma democracia que nos actualiza.



Domingo da Divina Misericórdia

sábado, 11 de abril de 2015

Heróis Portugueses Em La Lys

O CEP PCM

Completam-se hoje (8 de Abril) 98 anos sobre a Batalha de La Lys. Os bravos soldados portugueses foram empurrados pela República Velha, então em fase embrionária e carecida de afirmação, para morrerem nesta Guerra que, pelo menos na Europa, não era a sua.
O Corpo Expedicionário Português (CEP) é o nome do contingente militar de 105.542 homens enviado pela 1.ª República Portuguesa para combater ao lado dos aliados durante a Iª Grande Guerra como forças expedicionárias para Europa e ilhas atlânticas. Para além disso para África seguiram ainda quase 85 mil homens para defender as colónias portuguesas.
Ao contrário da Divisão do Exército que em África defendia as colónias contra os avanços alemães, a expedição para a Frente Ocidental europeia foi uma opção política isolada do governo republicano do Partido Democrático de Afonso Costa – consecutivamente à implantação da república, Afonso Costa nomeado Ministro da justiça do governo provisório (sem eleições) de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911, anuncia novo programa político do partido republicano em 29 de Agosto de 1911, considerado como o partido único da República -, contra quase todo o resto da sociedade portuguesa dividida entre ‘guerristas’ e ‘antiguerristas’ – a maioria -, com propósitos de afirmação e legitimação do novel regímen republicano. Também, em território nacional, a guerra, provocara um agravamento das condições de vida, com aumento galopante dos preços dos bens essenciais, gerando uma escalada de violência que se traduziu em ataques bombistas, greves e motins quase diários, e como tal para evitar um derrube do regime houve a necessidade de meter o País na Grande Guerra para desta forma afastar os possíveis ‘golpistas’.
Para o Teatro de Operações da Europa seguiram logo 55.165 militares portugueses para combater um inimigo técnica e tacticamente superior.
Desde 1814 que Portugal não actuava operacionalmente naquele território europeu nem num ambiente de guerra intensa. Mas em Março de 1916 a República portuguesa, deliberadamente, requisitou os navios alemães detidos no Tejo, criando o ‘casus belli’ com o qual o Império Alemão declarou guerra a Portugal entrando assim o País na Guerra de duvidosas causas, mas como veremos de perniciosos efeitos.
Assim começou a preparação das forças do Exército Português que combateram em França. Foram instruídas, equipadas e armadas pelos britânicos, porém, o comando do CEP foi português, embora submetido ao caixilho britânico durante a instrução militar, o transporte em navios britânicos e o seu gradual ingresso em sector e, uma vez, instalado na frente, subordinado hierarquicamente ao comando do I Exército Britânico.
A guerra das trincheiras era uma novidade para os militares portugueses habituados que estavam à táctica do quadrado que já vinha desde a de boa-memória Batalha de Aljubarrota. Assim, em La Lys, no dia 9 de Abril, os alemães elegeram propositadamente o sector português sabendo que este seria o ponto mais frágil. Os alemães atacaram justamente no dia em que o contingente português se preparava para ser rendido. Na batalha, embora, existissem extraordinários actos de bravura – como o de Milhões – o saldo de mortandade foi enorme com cerca de seis centenas de mortos e bem mais de seis mil prisioneiros. Ao meio dia, os últimos esforços de resistência terminavam e com eles a Divisão Portuguesa deixava de contar como unidade militar. Os que não tinham sido mortos ou feitos prisioneiros retiravam desorganizadamente para a retaguarda.
Depois disso, o Comando Britânico dispensou da operacionalidade o contingente português remanescente, remetendo-o para trabalhos de organização do terreno, transformando os heróicos militares portugueses em ‘batalhões de trabalhadores’.
A 11 de Novembro de 1918 foi assinado o Armistício entre os Aliados e a Alemanha pondo um terminus àquela que fora até à altura a mais mortífera guerra da humanidade. Depois do Desfile da Vitória, entre Abril e Junho de 1919, o contingente português regressou à Pátria.
200 mil Portugueses foram mobilizados e combateram na Europa e em África, só 55.000 bravos do contingente do Corpo Expedicionário Português na Flandres. 7.500 soldados portugueses perderam a sua vida e 14.062 foram de alguma forma vítimas da Iª Guerra Mundial, seja como mortos, feridos, prisioneiros e mesmo incapacitados por stress pós-traumático. Além destas baixas foram imensuráveis os custos sociais e económicos que tiveram consequências superlativas para a capacidade nacional, e, os objectivos que levaram os responsáveis políticos da 1ª República a empurrar os jovens para a guerra saíram gorados em toda a linha. Ao invés da unidade nacional pretendida pelo novel regime saído do golpe revolucionário do 5 de Outubro gerou-se ainda mais instabilidade política que levaria primeiro ao golpe sidonista e, em 1926, à queda da República Velha.
Como escreveria Fernando Pessoa, em 1919:
“Anda o povo a passar fome
E quem o mandou para França
Não tem barriga para o que come
Nem mãos para o que alcança”
É pois fácil tirar as devidas conclusões, mas não se pode olvidar a HEROICIDADE ESTÓICA DOS JOVENS PORTUGUESES ATIRADOS PELA REPÚBLICA VELHA PARA UMA GUERRA QUE NÃO ERA A SUA, NEM TÃO POUCO DA NAÇÃO.
Miguel Villas-Boas