quinta-feira, 19 de julho de 2018

Leiria reclama o nascimento da Casa de Bragança e faz quatro dias de festa

O nascimento da Casa de Bragança é celebrado em mais uma edição de Leiria Medieval, que recorda um casamento histórico que terá tido lugar na cidade e que é festejado com quatro dias de festa, entre os dias 19 e 22.

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1401: Aqui nasceu a Casa de Bragança" é o título da recriação em 2018, que envolve centenas de figurantes em diversas ruas de Leiria. Pela primeira vez, realiza-se fora do Castelo de Leiria, que está a ser preparado para entrar em obras. Nesta edição, a animação desce à zona histórica da cidade.

O casamento entre D. Afonso de Portugal, filho de D. João I, e D. Beatriz Pereira de Alvim, filha de D. Nuno Álvares Pereira, é o tema escolhido, recordando a união que deu origem à Casa de Bragança, de que faz parte o actual herdeiro do trono de Portugal, D. Duarte Pio de Bragança.

O vereador da Cultura da Câmara de Leiria sublinha a oportunidade de recordar "um dos casamentos mais simbólicos de sempre, que deu origem à 'fundação' da Casa de Bragança, ocorrido precisamente aqui, em Leiria".

Para Gonçalo Lopes, as sucessivas edições da recriação têm "contribuído para afirmar a importância de Leiria na construção da nacionalidade portuguesa".

"Além de uma importância lúdica inegável - este é um dos eventos que mais atrai visitantes a Leiria - e de uma excelente oportunidade para o comércio realizar receitas adicionais beneficiando do forte afluxo de visitantes, há também uma vertente pedagógica que não deve ser ignorada", sublinha o vereador.

Leiria Medieval, garante Gonçalo Lopes, dá a conhecer "factos que poderão ser desconhecidos de muitos visitantes" através do trabalho de "uma equipa que investiga e prepara com grande antecedência cada edição, no sentido de lhe conferir o maior rigor histórico possível".

Por isso, o vereador da Cultura admite que a recriação em Leiria é "diferenciadora em relação a eventos do género realizados noutras regiões do país".

"Esse é um aspecto de que não abdicamos. Queremos que o Leiria Medieval seja assumido como um momento em que celebramos a nossa história e o contributo das gerações que nos antecederam para a edificação da nossa pátria".

A mudança de toda a organização para a zona histórica de Leiria, por impedimento do castelo, é encarada sem preocupação.

"Obviamente que a sua monumentalidade é sempre uma mais-valia para a concretização de eventos desta natureza. No entanto, não é utilizado nesta edição precisamente para que possa no futuro acolher este e outros eventos com melhores condições de conforto para os participantes e visitantes".

Gonçalo Lopes acredita que a mudança para o centro da cidade vai fazer desta edição "uma das mais participadas de sempre".

A festa da boda de D. Afonso e D. Beatriz explora novos cenários e terá entrada gratuita em 2018, o que "permitirá maior comunhão com a população" do que nas edições anteriores.

Ao longo dos quatro dias, Leiria Medieval contará com acampamentos militar e civil, animação deambulante, artesãos, gastronomia, danças medievais, místicos, música, dramatizações, e outras iniciativas.

No dia 21 à noite tem lugar o momento alto da festa, com a "celebração"do casamento de D. Afonso de Portugal com D. Beatriz Pereira de Alvim.

Fonte: DN

terça-feira, 17 de julho de 2018

Um povo valente que entregou os seus filhos ao mar profundo

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Já a investigar para um novo trabalho que sairá em 2020, haja tempo, saúde e condições, desta vez sobre as sociedades nascidas dos descobrimentos e da expansão, detenho-me no manuscrito do diário de bordo de um navio da frota portuguesa da segunda metade do século XVIII, a nau Nossa Senhora da Viagem. Contrariando os lugares-comuns do suposto improviso, “aventura” e atitude a-científica dos portugueses, ali está condensado e aplicado um saber profundo, meticulosamente anotado e exprimindo o grande conhecimento náutico acumulado ao longo de séculos de navegação: as latitudes e longitudes, os fenómenos meteorológicos e o regime dos ventos, as correntes, o avistamento de animais marinhos e aves, a identificação de outras embarcações, respectivos pavilhões e nomes, as condições sanitárias da tripulação, a gestão da água e alimentos, a descrição dos portos de aguada; tudo anotado de hora a hora pelo redactor do diário. Neste imenso e infatigável trabalho de notação, detenho-me no registo de acidentes ocorridos na longa viagem de quarenta e três dias, de Lisboa à São Salvador, realizada em meados de 1762.

“Domingo, 29 de Agosto de 1762. Ontem, pelas três horas da tarde morreu o marinheiro Manuel Moreira. É o quarto que tem morrido depois de sairmos de Lisboa (…)”.

Folheio o diário desde o dia da partida e, depois, o diário de torna-viagem, de Fevereiro de 1763 e verifico que numa mera viagem de rotina e policiamento da rota do Brasil morreram oito tripulantes. Multipliquemos por cem, duzentos, trezentos e por mil estes números e ali está, sem rodriguinhos piegas, o custo humano dessa grandiosa, temerária e teimosa empresa portuguesa ultramarina que se prolongou por séculos e tocou todos os cantos do planeta. Quanto sacrifício verteu este povo nos caminhos do mar que foi palco da nossa grandeza e sepulcro de tantos Manuéis Moreira, quanta coragem silenciosa de homens simples e esquecidos teve esta nação de acumular para que hoje 300 milhões, do Brasil a Timor, se exprimam na nossa língua. É evidente que para muitos, tudo aquilo foi em vão, que prefeririam que aqui neste canto escalvado do sudoeste europeu tivéssemos ficado, europeus de terceira, transidos de medo entre a meseta hispânica e o oceano tenebroso. Esses, sim, não compreendem, não respeitam nem amam Portugal.

Miguel Castelo-Branco

segunda-feira, 16 de julho de 2018

UM EQUIVOCO CHAMADO MARCELO R.S.



“O Povo gosta, o povo quer, o povo tem!”
                                                  Carlos Félix

 Nas últimas eleições presidenciais ocorreu um fenómeno nunca visto: a população portuguesa foi votar para escolher entre os 10 candidatos que se apresentaram a sufrágio, aquele que seria, nos prazos constitucionais, o próximo Presidente da República, função também ela definida constitucionalmente.

    Deste modo os eleitores elegeram um doutorado em Direito, que passeou pelo jornalismo e pela política partidária, tendo assentado arraiais como comentador, onde preparou – nas barbas de toda a gente – a própria candidatura ao cargo de mais alto magistrado da Nação (pelo menos antigamente era assim que se dizia), para quando a oportunidade surgisse. E surgiu.[1]

    E a maioria dos eleitores (52%) que se dignaram ir votar, lá depositaram a sua cruzinha no actual inquilino do Palácio de Belém.

    Esqueceram-se que o homem é um hiperactivo, ligado à corrente em permanência e que quer ir a tudo e a todos, numa paráfrase mal engendrada da célebre frase dos Lusíadas “ e se mais mundo houvera, lá chegara”…

    Como se isto já não fosse problema suficiente, o senhor também quer comentar tudo e todos!

    Daqui resulta o equívoco de que, afinal, a população portuguesa julgando que tem um ser de carne e osso a exercer as “altas” funções de Chefe do Estado, na sua forma republicana – o que já de si não é grande coisa – passou a ter um comentador (se é que tal pode ser considerado uma profissão), em vez de.

    A questão que fica é esta: será que para as próximas eleições se irá mudar a Constituição, para que se deixe de eleger um Chefe de Estado e se eleja um “Comentador-Mor”?

    Cruel dilema.

    O que se passa assemelha-se a termos, por ex., eleito um carpinteiro para PR, que em vez de exercer a função (a tal que é “alta”), continuasse a fazer prateleiras, cadeiras e outro mobiliário e assentasse, quiçá, uma marcenaria em Belém…

     O senhor Presidente comenta tudo, o que se passa ou deixa de passar, inclusive os jogos da bola – esse mundo absolutamente desqualificado e pouco recomendável – e pelo meio viaja sofregamente (aproveitando para ler livros e tudo), como se não houvesse amanhã.

    Também para ir assistir a jogos da selecção (uma selecção que perdeu sobretudo por falta de atitude), aproveitando pelo meio, para dizer olá ao Presidente Putin – que deve ter ficado impressionado com esta nova maneira de fazer diplomacia – numa espiral de gastos e desconcertos em que nunca mais houve tino desde que o General Eanes abandonou o cargo.

    Desatinos que ninguém escrutina, nem estão interessados em escrutinar – deste modo o PR também não levanta objecções aos gastos perdulários dos deputados, dos membros do Governo e dos gabinetes dos senhores ministros, etc..
É um fartote!

    Foi ainda tirar uma foto com o Trump, apesar do Yankee gostar mais do “Twiter” do que de “selfies” e a melhor coisa que conseguimos saber (além da propaganda ao vinho da Madeira) foi que “fez criticas gestuais” quando o anfitrião da casa pintada de branco falava!

    O nosso comentador, perdão, Presidente, numa ânsia de consolar tudo e todos; “integrar”; aumentar a coesão (vá-se lá saber de quê); ser inclusivo, etc., anda numa fona participando em todas as manifestações religiosas (porque não as “seitas”?) – mesmo as que são insignificantes, não têm nada a ver com a nossa matriz cultural, ou até são suas inimigas; pendura roupa no Casal Ventoso (se quiser um dia passar lá por casa, não se acanhe, ok?); embarca numa cruzada estúpida, demagógica e perigosa, em querer trazer toda a casta de “migrantes” para dentro do país (não se esqueça de arranjar umas tendas para montar nos jardins do Palácio de Belém); condecora todo o bicho careta que lhe aparece pela frente, incluindo gente de mau porte que conspirou contra o país e permite-se participar numa “homenagem” a um cantor rock, cujo único mérito pessoal conhecido, foi ter conseguido recuperar-se do vício da droga, num espectáculo circense pimba, pífio e de muito mau gosto, para onde conseguiu arrastar (ou foram eles que se juntaram?) o Presidente da AR e o Chefe do Governo.

    Só faltou o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça…

    Será que o ilustre varão não se enxerga correndo o risco de, qualquer dia, ninguém o suportar e querer ouvir ou ver?

    Será que toda esta gente não tem a menor noção que a Dignidade dos cargos (permanentes) que ocupam (transitoriamente), necessita ser preservada e que eles não têm o direito, pela sua má conduta, de a pôr em causa?

    Será que não têm o menor escrúpulo sobre a “Gravitas” da antiga sociedade romana?

    Não há, entretanto, um único problema importante (um único) do País que seja devidamente equacionado, decidido e tratado.

    Tudo é desatino, desarticulação, corrupção, relativismo moral, negociatas.

    O resto é circo para empatar e entreter tolos, que é aquilo por que nos querem fazer passar.

    O pão, esse, continua a ser pago com o aumento da dívida (que é impagável…).

    Mas como o povo gosta, o povo quer, o povo tem…

    Que bela Democracia que temos.

    Para imbecis.


João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador


[1] Sem embargo nesta “democratíssima” sociedade em que vivemos deve referir-se que na contagem dos votos apuraram-se 51,17% de abstenções; 1,24% de votos nulos e 0,92% de votos brancos. Ora manda o mais elementar bom senso que qualquer eleição para valer, deveria contar com pelo menos 51% de votantes, entre a massa dos eleitores recenseados.


Fonte: O Adamastor

domingo, 15 de julho de 2018

A Igreja Católica e os sectarismos

Seria lamentável que, por um excesso de nacionalismo, ou por sectarismo, a Igreja esquecesse que, desde a sua fundação, é católica, ou seja, universal.

Quatro notas definem a Igreja: é una, santa, católica e apostólica. É una porque foi só uma a Igreja fundada por Jesus Cristo, instituída na pessoa de Pedro e dos seus sucessores na primazia da caridade. É santa, porque santo é o seu divino Fundador, bem como santos são o fim e os meios que oferece aos seus fiéis que, chamados pelo baptismo à santidade, são, no entanto, pecadores. É católica, porque é universal na comunhão dos seus fiéis, sem ser de nenhuma nação, cultura ou raça, porque a todas abarca na confissão da única fé. E, por último, é apostólica, porque os seus bispos são sucessores daqueles doze primeiros discípulos de Cristo aos quais foi confiada a plenitude do sacerdócio.
Sendo católica, ou seja universal, a Igreja nunca se identificou com uma pátria, ao contrário do judaísmo, que é essencialmente nacionalista, nem com nenhuma cultura, como o islamismo, que tem uma especial relação com a língua árabe, pelo facto de o seu livro sagrado, o Corão, estar redigido nesse idioma, em que deverá preferencialmente ser lido e meditado, sem que deva ser traduzido.
Mas, apesar de ser universal, a Igreja católica tende a se inculturar, ou seja a adaptar-se às tradições legítimas do país ou região onde realiza a sua acção espiritual, sendo, portanto, portuguesa em Portugal; italiana em Itália, chinesa na China e angolana em Angola. Ao princípio não foi assim, porque os primeiros evangelizadores eram, por regra, missionários estrangeiros, como Paulo o foi em toda a Ásia menor, na Grécia e em Roma. Só num segundo momento foi possível estabelecer uma hierarquia e clero indígenas que, paulatinamente, substituíram a primeira geração de evangelizadores.
Mesmo depois de cristianizados, muitos países continuaram a receber missionários estrangeiros. Por exemplo, na segunda metade do século XX, vários padres holandeses – entre os quais o saudoso Padre Dâmaso – e irlandeses vieram para Portugal e cá se estabeleceram. Mais recentemente, sacerdotes africanos e até indianos têm suprido as carências do clero diocesano, insuficiente para as necessidades pastorais das dioceses portuguesas, nomeadamente do patriarcado de Lisboa. A realidade dos seminários Redemptoris Mater, da responsabilidade das comunidades neo-catecumenais, também veio enriquecer os presbitérios diocesanos com seminaristas oriundos de outros países e culturas que, depois de ordenados presbíteros, permanecem no país onde receberam a sua formação sacerdotal.
Assim sendo, será razoável que alguns desses padres, embora oriundos de outros países, venham a desempenhar funções de responsabilidade na diocese em que trabalham. Por exemplo, o actual reitor da universidade católica de Angola esteve, durante vários anos, à frente da paróquia lisboeta de São Mamede. Com o passar do tempo e a internacionalização do clero diocesano, não será de estranhar que algum padre de origem estrangeira venha a ser nomeado bispo em Portugal. Mas, estarão as nossas comunidades cristãs preparadas para aceitar uma tal eventualidade?
A verdade é que, se acontecer, um tal caso não seria inédito: segundo narram as antigas crónicas, Lisboa já teve um bispo inglês, quando os cruzados anglo-saxónicos ajudaram D. Afonso Henriques a reconquistar a cidade aos mouros. Mas também é certo que, sobretudo em regiões onde o sentimento nacionalista, ou regionalista, é mais forte, a possível nomeação de um bispo que não seja natural dessa terra não seria facilmente aceite. Pense-se, por exemplo, em Estados plurinacionais, como é a vizinha Espanha, onde seria impensável que fosse indigitado para bispo de uma diocese na Biscaia, ou na Catalunha, quem não fosse, respectivamente, basco ou catalão. Em Portugal, muito embora também existam regionalismos, nunca foi imprescindível que o bispo do Porto fosse tripeiro, nem que o arcebispo de Lisboa fosse alfacinha: os cardeais D. Manuel Gonçalves Cerejeira e D. António Ribeiro eram minhotos, sem que essa sua origem tivesse minimamente prejudicado o seu ministério patriarcal.
Contudo, é conveniente que o bispo, que deve conhecer bem as suas ovelhas, proceda, por regra, do clero nacional. Mas convém não esquecer que a Igreja, também a diocesana, é católica, ou seja universal. Quer isto dizer que não é uma Igreja nacional, nem muito menos regional ou provincial. Se, em geral, será razoável que o bispo proceda de um presbitério análogo ao que vai presidir, outras vezes será preferível que tenha outra origem, até porque, como se costuma dizer, santos de casa não fazem milagres. Aliás, era esta a razão por que os chamados ‘juízes de fora’ não eram, como o seu nome indica, da terra onde administravam justiça, porque alguém que fosse natural do lugar não ofereceria as garantias de isenção que se esperava e exigia do magistrado judicial.
Seria lamentável que, por um excesso de nacionalismo, ou um exagerado provincianismo, a Igreja esquecesse que, desde a sua fundação, é católica: o primeiro bispo de Roma era judeu, originário da Terra Santa, e o presente papa é argentino. Sendo o primeiro asiático e sul-americano o actual, nem sequer são europeus e, contudo, ninguém considerou que a sua longínqua origem fosse óbice para o desempenho do seu episcopado romano, ao qual corresponde, por inerência, a jurisdição sobre a Igreja universal.
Também é de saudar que a Igreja seja católica quanto aos seus carismas, desde que aprovados pela suprema autoridade eclesiástica, à qual compete garantir que as diversidades litúrgicas e pastorais não ofendem a comunhão eclesial. Neste sentido, a recente ordenação sacerdotal de um português, membro de um instituto religioso católico ligado à tradição e em perfeita união com a Santa Sé, deve ser vista como um sinal de abertura a outras legítimas sensibilidades litúrgicas e um enriquecimento do presbitério nacional. Não em vão o Papa Francisco é o primeiro jesuíta que é bispo de Roma e, neste sentido, é expressão da universalidade ecuménica da própria Igreja católica, que é una na multiplicidade orgânica dos seus dons.
Nesta aldeia global que é o mundo, a Igreja católica foi, certamente, a primeira experiência de comunhão. Há ainda algumas resistências à catolicidade eclesial, sobretudo onde predomina o clericalismo das ‘capelinhas’, sejam elas conservadoras ou progressistas, ou se olha com desconfiança para os ‘de fora’ do próprio grupo eclesial e se diabolizam outras formas válidas de viver a fé.
A reforma da Igreja em curso deve ser sobretudo uma reforma das mentalidades, para que as igrejas, paroquiais e diocesanas, sejam cada vez mais universais, ou seja católicas, na vivência de uma comunhão eclesial mais inclusiva e fraterna.
Fonte: Observador

sábado, 14 de julho de 2018

D. Afonso de Bragança visitou o Banco Alimentar



D. Afonso de Bragança visitou o Banco Alimentar e esteve em contacto directo com aqueles que todos os dias ajudam a alimentar Portugal. 

O Príncipe da Beira teve a oportunidade de aprender como funciona esta instituição tão importante, tendo felicitado todos os intervenientes na organização.


Fonte: Causa Real

sexta-feira, 13 de julho de 2018

PARA QUEM GOSTA DE HISTÓRIA DO BRASIL

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Quando D. Pedro II do Brasil subiu ao trono, em 1840, 92% da população brasileira era analfabeta.
Em seu último ano de reinado, em 1889, essa porcentagem era de 56%, devido ao seu grande incentivo a educação, a construção de faculdades e, principalmente, de inúmeras escolas que tinham como modelo o excelente Colégio Pedro II.

    • A Imperatriz Teresa Cristina cozinhava as próprias refeições diárias da família imperial apenas com a ajuda de uma empregada (paga com o salário de D. Pedro II).

• (1880) O Brasil era a 4º economia do Mundo e o 9º maior Império da história.

• (1860-1889) A média do crescimento econômico foi de 8,81% ao ano.

• (1880) Eram 14 impostos, actualmente são 98.

• (1850-1889) A média da inflação foi de 1,08% ao ano.

• (1880) A moeda brasileira tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina.

• (1880) O Brasil tinha a segunda maior e melhor marinha do Mundo, perdendo apenas para a da Inglaterra.

• (1860-1889) O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

• (1880) O Brasil foi o maior construtor de estradas de ferro do Mundo, com mais de 26 mil km.

• A imprensa era livre tanto para pregar o ideal republicano quanto para falar mal do nosso Imperador.
       "Diplomatas europeus e outros observadores estranhavam a liberdade dos jornais brasileiros" conta o historiador José Murilo de Carvalho.
        Mesmo diante desses ataques, D. Pedro II se colocava contra a censura.  "Imprensa se combate com imprensa", dizia.

• O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de “O Guarani” foi sustentado por D. Pedro II até atingir grande sucesso mundial.

• D. Pedro II mandou acabar com a guarda chamada Dragões da Independência por achar desperdício de dinheiro público. Com a república a guarda voltou a existir.

• Em 1887, D. Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge.

• D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que 17 era fluente.

• A primeira tradução do clássico árabe “Mil e uma noites” foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.

• D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes.

• D. Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.

• A mídia ridicularizava a figura de D. Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. D. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total
liberdade de expressão e nenhuma censura.

• D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exílio sempre com um saco de veludo ao bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele.


Fonte: Biblioteca Nacional RJ, IMS RJ, Diário de Pedro II, Acervo Museu Imperial de Petrópolis RJ, IHGB, FGV, Museu Nacional RJ, Bibliografia de José Murilo de Carvalho


Agradecimento especial ao Dr. Rui Coelho por nos ter enviado por mail este texto.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Touradas...



O partido dos animais e os seus peões de brega, Bloco e Verdes, querem proibir as touradas em Portugal. E chegam a invocar textos eclesiásticos, incluindo excomunhões papais, em defesa da sua tese! Embora tudo leve a crer que este súbito apego à religião seja coisa passageira. Na base da proibição está o sofrimento dos animais para além de alguns direitos que possam estar a ser violados. Por exemplo o direito a pastarem livremente na lezíria sem serem incomodados.

Não ocorreu ao partido dos animais (e plantas) que a lezíria, o pasto, a selecção natural, a bravura de um touro, e no vértice, o espectáculo taurino, tudo isso faz parte de um todo em que faltando uma das partes, deixa de existir. Deixa de existir na natureza. Ou seja, acabar com as touradas é acabar com os touros tal como existem hoje. Poderá talvez arranjar-se um jardim zoológico ou um museu para guardar a memória de uma espécie animal entretanto desaparecida. Mas não mais do que isso.

Mas há ainda um aspecto desta tentativa de proibição que não podemos deixar passar em claro. Refiro-me à própria proibição em si mesma, uma arrogância fascizante digna de nota! E começamos a resvalar para um país desconhecido onde meia dúzia de idiotas sediados nos partidos põem e dispõem das nossas vidas (ou dos nossos costumes) consoante lhes dá na gana. É preciso dizer basta a estes animais.




Fonte: Interregno

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Um servo de Deus nascido para o céu na Madeira

A história da vida do Imperador Carlos da Áustria contada aos mais jovens


Um servo de Deus nascido para o céu na Madeira

Conhecer de forma sucinta a vida do último Imperador da Áustria e Rei da Hungria, Carlos de Habsburgo (1887-1922). Este é o pressuposto do livro infanto-juvenil ‘O Santo Rei’, escrito pelo Padre João Vergamota (actualmente pároco da Encarnação, em Mafra), ilustrado por Mercês Gil e publicado pela PAULUS Editora.
A sua infância e adolescência vividas no Castelo de Persenbeug, na Áustria, foram pautadas por uma educação expressamente católica. Bem cedo cresceu em Carlos uma grande devoção pela Santa Eucaristia, e até aos seus últimos dias todas as decisões importantes que tomou, tanto do foro pessoal, social ou político, foram tidas com o auxílio de oração.
Alistou-se aos 16 anos no Exército, onde “todos o olhavam com muita estima, pois era muito amigo dos soldados (...) A todos falava de Jesus (...) também gostava de visitar os doentes e feridos de guerra.”
Em 1911 casou com Zita de Bourbon, uma princesa italiana, de quem veio a ter oito descendentes. Foi proclamado imperador da Áustria em 1916 e coroado rei da Hungria e da Boémia em plena Primeira Guerra Mundial. Nesses tempos conturbados ele lutou por uma paz justa e duradoura e promoveu a justiça. Logo após o fim da guerra, na sequência do desmoronamento do império austro-húngaro, a família real é obrigada a sair do seu país, exilados.
Após uma curta estada na Suíça, em 1921 a ilha da Madeira acolhe o Imperador e a sua família. Primeiramente alojados, durante quatro meses, numa dependência do Reid’s Hotel, será contudo pela generosidade de um rico banqueiro, Luís Rocha Machado, que Carlos, Zita e os filhos mudam-se para a Quinta do Monte (actualmente denominada por Quinta dos Jardins do Imperador), e a primeira coisa que Carlos manda construir é uma capela. Será nesse compartimento privilegiado da Quinta, na Igreja de Nossa Senhora do Monte (onde os seus restos mortais encontram-se sepultados), na Sé Catedral do Funchal ou na Capela da Penha de França, que este homem notável e altruísta irá engrandecer ainda mais a sua fé. “Por tudo isto começaram a chamar-lhe, com carinho, o ‘Santo Rei’”.
Estamos em Fevereiro de 1922. Carlos adoece repentinamente, de pneumonia, e acabar por falecer no primeiro dia de Abril desse ano, enquanto invocava o nome de Jesus. Como escreve Dom Duarte de Bragança no prefácio deste livro: “embora fosse Austríaco e Húngaro, nasceu para o Céu na Madeira.”
‘O Santo Rei’ é uma obra que exceptuando duas personagens — Simão e Marta —, é totalmente baseada em factos. Enquanto que as ilustrações de Mercês Gil fazem a história ser mais apelativa aos mais pequenos, as fotografias de época também contidas ao longo do livro, fazem os adultos viajar no tempo e estimulam o seu interesse em conhecer com mais exactidão a história completa de Dom Carlos I. Aos interessados, encontram-se publicados os livros ‘O Beato Carlos da Áustria’ (DRAC, 2011) e ‘Imperador Carlos da Áustria’ (Alêtheia, 2013), ambos da autoria de D. Teodoro de Faria. Realçar que o processo de canonização de Carlos da Áustria começou em 1949. Em 2004, foi beatificado pelo Papa João Paulo II.

Fonte: dnoticias

terça-feira, 10 de julho de 2018

ALEXANDRE SOARES DOS SANTOS: "ISTO É UMA TERRA DE PRIMOS E OS PRIMOS PASSARAM A VIDA A FAZER JEITOS UNS AOS OUTROS. DEPOIS ESTOURARAM-SE TODOS"

A família Soares dos Santos vai ter uma nova fundação e Nuno Crato, ex-ministro da Educação, será o seu presidente. Por trás da instituição há um grupo e uma visão, aqui explicada por Alexandre Soares dos Santos.

Alexandre Soares dos Santos:


É um dos maiores empregadores e não se limita a Portugal. No início eram cerca de 2300 pessoas, hoje são mais de 110 mil só na distribuição. Uma vez ouviu comentários menos bons sobre os frescos em algumas lojas do país e fez uma visita surpresa ao armazém, à meia-noite. Descobriu um "forrobodó" e que se jogava à bola com couves. Quando pensavam que não voltava, regressou às 7 horas da manhã. Despediu todos, incluindo o director.
No grupo Jerónimo Martins foi sucedido pelo filho Pedro e gosta de pensar que está reformado, mas é o patriarca da família e, por consequência, o trabalho na Sociedade Francisco Manuel dos Santos não pára. Actualmente os projectos vão muito para além dos negócios e estendem-se à área social. Agora há a ideia de criar uma nova fundação, desta feita para a a área da educação, liderada pelo ex-ministro Nuno Crato.
Sempre falou sem receios e chegou a dizer que só contrataria José Sócrates para trainee, provavelmente para o despedir depois (seria dos tais apanhados a jogar com a couve). É um homem livre, que fala com desassombro e talvez por isso nunca um político lhe tenha pedido opinião, apesar de ter construído um grupo que está prestes a atingir os 20 mil milhões em vendas.
Numa conversa que não era para ser uma entrevista, Alexandre Soares dos Santos, democrata cristão convicto – e que não se revê em nenhum partido político português - revela um pouco mais sobre como são feitas as escolhas do grupo e fala sobre as suas esperanças e receios.
O grupo tem hoje, além dos seus negócios, uma quantidade de projectos, que vão da Fundação Francisco Manuel dos Santos à Ocean Blue, passando pela Arco Maior. Quem vai pensando nestas organizações?
Em princípio é a empresa gerida por mim e pelos meus filhos, a Sociedade Francisco Manuel dos Santos. Ainda agora acabámos uma reunião por causa da nova fundação para a educação, que será presidida por Nuno Crato e que tem como elementos de fora, entre outros, o professor Miguel Poiares Maduro. Estamos a decidir quem vamos convidar e aquilo que entendemos exactamente por educação; se é ensinar a ler, se é ensinar o direito à cidadania, como exercer a cidadania... É um programa muito vasto, que tem como objectivo alterar a forma de pensar da sociedade portuguesa. No fundo, é a continuação do trabalho que, de certa maneira, temos vindo a fazer com a Fundação Francisco Manuel dos Santos. Pensamos que chegou a altura de olhar para as coisas em termos profissionais, por pessoas que sabem e não apenas por ter uma ideia e, por isso, chutar para a frente. O mais difícil é encontrar pessoas que compreendam a missão, o que queremos fazer.
E o que querem fazer?
Estamos num mundo em mudança, transformações muito importantes e muito rápidas em que as pessoas não têm sequer tempo para reflectir. Quando começam a pensar sobre as coisas elas já aconteceram. Isto pode ser dramático, quer em termos pessoais, quer em termos familiares, quer em termos de business. E é isso que a família tem como grande preocupação e é sobre isso que estamos a trabalhar muito.
A família tem sido criticada pelos baixos salários que o grupo paga, por levar a sede da empresa para a Holanda, por enriquecer à conta dos outros. Como responde?
Sabe, a inveja é comum à sociedade portuguesa. E a esquerda portuguesa tem por hábito criticar-nos. Quando dizem que pagamos salários muito baixos, é mentira. Porque existe um salário em Portugal, um salário na Polónia e um salário na Colômbia. Estes salários são pagos em moeda local face ao mercado onde actuamos e quando se transforma tudo em euro é evidente que a média cai.
Qual é a média de salários praticada em Portugal?
A média dos salários em Portugal, para mim, não existe. Porque temos os quadros que fazem parte do Jerónimo Martins, os quadros que fazem parte do Pingo doce, os quadros que fazem parte do Recheio. O quadro do Jerónimo Martins é um quadro especial, com a responsabilidade dos países, e que viaja muito – o quadro de topo, a começar pelo presidente, está cerca de duas semanas fora. E temos de tomar em consideração que 70% a 75% do movimento do Jerónimo Martins é feito lá fora, como temos de tomar em consideração que em Portugal deixou de haver crescimento. Isto afecta, logicamente, a evolução dos salários. Mas posso dizer que o salário médio mais baixo, daqueles mais baixos, no Jerónimo Martins, é 800 euros, fora os prémios. E isto é gente não qualificada, mas tenho directores com salários altíssimos e de uma forma geral o quadro médio ganha no mínimo um ordenado que ronda os 3 mil euros, mais carro, mais uma série de regalias.
O que é têm na Holanda que não têm em Portugal?
Quem está lá fora é a Sociedade Francisco Manuel dos Santos, não é nenhumas das outras. E a razão principal é que era preciso acompanhar o crescimento do Jerónimo Martins, no qual a empresa tem uma posição maioritária. A Holanda dá-nos uma garantia de protecção do investimento no estrangeiro que Portugal não dá. Em segundo lugar, a burocracia na Holanda é muito menor. Para ter uma ideia, aqui há tempos escrevemos uma carta ao primeiro-ministro a perguntar como é que se explica que numa construção de um centro de logística em Valongo, onde estão 75 milhões de euros, ou de uma fábrica de leite que estamos a construir em Portalegre haja atrasos provocados pelas entidades oficiais que levam mais de dois anos. Porque não despacham.
Qual foi a resposta?
O Ministério do Ambiente não tem prazos para aprovar. Ora isto custa-nos dinheiro. Se avançarmos com a fundação da educação, também será feita na Holanda. Porque lá é assim, apresentamos um projecto e ele vai para a frente, ponto final. Aqui não, permitem-se discutir. O que eles não dizem é que entre a família e o Jerónimo Martins gastamos 35 milhões de euros por ano em responsabilidade social. O bispo do Porto, D. António [Francisco dos Santos], costumava dizer, quando era bispo de Aveiro, que não havia pobreza nem fome em Aveiro graças ao Pingo Doce. Também não houve um jornal que dissesse que distribuímos 25 mil refeições ao bombeiros nos incêndios de Pedrógão e só uma câmara escreveu a agradecer. Ainda outro dia o presidente da República foi a uma dessas localidades afectadas pelos incêndios visitar uma exploração com ovelhas que produzem o leite para fazer queijo da serra e as pessoas que lá estavam disseram: tudo quanto está aqui foi o Jerónimo Martins que ofereceu. Fomos comprar ovelhas a Espanha, construímos os estábulos, etc. Mas isto ninguém diz. Também não estamos interessados em ser conhecidos por isso, o que nos interessa é cumprir as directrizes que a família impõe. E a família impõe negócio e responsabilidade social. Gostava que me dissessem qual é a empresa que gasta 35 milhões de euros em responsabilidade social.
Fala em Nuno Crato para presidir a nova fundação, um homem muito criticado enquanto ministro da educação.
Eu discordo dessa opinião. Penso que o problema não é ele ter feito ou ter deixado de fazer, o problema são os obstáculos que o próprio Ministério da Educação coloca. Mas que ele era um homem que tinha uma visão, era. Contudo, existe uma Fenprof para deitar abaixo, a quem não se ouve dizer o que está mal e qual a solução. Querem manter todas as regalias e ninguém se pergunta que ensino precisamos para o futuro, seja ensino secundário, seja ensino universitário. Fui presidente do conselho geral da Universidade de Aveiro e gostava que me dissessem, se fizerem o favor, quais os projectos que as universidades apresentaram até hoje sobre o ensino de amanhã. Fala-se de quê? De propinas. Somos incapazes de, em conjunto, discutir um projecto para o país. Gostamos muito de dizer mal, mais nada. E vim-me embora porque as pessoas não estão interessadas, não estão interessadas num projecto sério.
Como se muda esta cultura?
Através da educação. Demora anos, mas tem de começar. Tem de começar. Os estudos que a Fundação Francisco Manuel dos Santos faz têm esse objectivo, o debate que fazemos na RTP3 tem esse objectivo. Mas, claro, estamos sozinhos.
Há pouco falou da esquerda enquanto principal crítico da família. Jaime Nogueira Pinto, por outro lado, afirmou que não há direita em Portugal. Concorda?
Nunca houve. Em Portugal existe individualismo, mais nada. Cada um quer tratar da sua saúde. Já tentei variadíssimas vezes criar associações empresariais a sério, com dinheiro para fazer estudos, nunca deu em nada. Lá fora é completamente diferente. E os sindicatos são um braço político dos partidos, não fazem nada. Aliás, nem percebem e nem se perguntam porque é que estão a perder tantos aderentes, mas por alguma razão as pessoas estão a deixar os sindicatos. Eu sou francamente favorável às comissões de trabalhadores, que, regra geral, têm interesse em defender a companhia onde trabalham, em defender o seu trabalho. Veja que a Intersindical vai meter-se na Autoeuropa e cria logo problemas. É o que é.
O conselho de administração da Jerónimo Martins é constituído na sua larga maioria por gente de fora, tem apenas duas pessoas da família. Como é feita a escolha das pessoas?
Não sou eu que escolho. Reunimos e, com seis meses de antecedência, pedimos às pessoas responsáveis pelas empresas que sugiram nomes. Concreto: em Março do ano que vem vai haver eleições para a administração da Jerónimo Martins e está na altura de o presidente do conselho apresentar a lista. Essa lista é levada à Sociedade Francisco Manuel dos Santos, que tem um comité de nomeação, examina os candidatos e propõe sim ou não. A mesma coisa em relação à Polónia. Fora isso, são os próprios conselhos que nomeiam. Normalmente – e isto é muito importante - procuramos que sejam pessoas que percebam o mundo, de preferência que vivam lá fora. Porque a Jerónimo Martins é hoje uma empresa multinacional, de maneira que tem de ter pessoas que percebam o que está a acontecer  - e mesmo assim já nós não percebemos, agora imagine os outros.
Que mais fazem para compreender o mundo e para passar isso aos quadros do grupo?
Para nos ajudar a compreender o mundo fazemos duas conferências anuais, uma da fundação, que este ano tem como tema o trabalho, e outra para os quadros do grupo, a que chamamos changers: convidamos grandes nomes internacionais da economia, da sociologia, da política e de outras áreas para nos apresentar um problema e a sua visão para o futuro. São conferências de dois dias em que se discute abertamente os problemas e retiram-se as conclusões necessárias. Quem escolhe os oradores é a comissão executiva da Fundação Francisco Manuel dos Santos, depois de um briefing com a família. Outra coisa: é tradição dos conselhos do grupo Jerónimo Martins, que são rigorosamente independentes, dizer o que se pensa e não aquilo que se espera que seja agradável ouvir, que é uma mania muito portuguesa: tomamos tudo como uma crítica pessoal.
Qual é a visão da família para o grupo?
A família tem determinados princípios de que não abdica. Primeiro: não vamos vender seja o que for, fazemos parcerias se forem de interesse para o grupo. Segundo: a empresa é para ser gerida por competentes. Terceiro: membros da família só podem entrar se apresentarem currículo; ou feito internamente, e para isso têm de ter experiência internacional, ou feito lá fora, com uma experiência adquirida que justifique serem convidados. E nós temos acordos com professores e acordos com institutos para assumirem a responsabilidade da formação em management. Isto independentemente de outros cursos que vamos organizando.
Em Portugal sempre houve a tradição, chamemos-lhe assim, de os bancos terem participações em empresas não financeiras. Uma boa política?
Viu-se o resultado. Isto é uma terra de primos e os primos passaram a vida a fazer jeitos uns aos outros. Depois estouraram-se todos, estouraram os bancos e os primos. Isto acabou com a banca em Portugal, hoje não há dinheiro no país para ter um banco.
Faliram vários. Vamos continuar a injectar dinheiro na CGD, no Novo Banco e noutros ou aprendemos alguma coisa?
Em Portugal não se aprende nada. Veja o défice, é sistematicamente a mesma coisa. E são sempre os mesmos. Este é um país que se dá ao luxo de ter os melhores lá fora, porque se algum vier para cá para presidir um banco, uma empresa, começam logo por insultá-lo pelo ordenado. Quer dizer, querem bons à borla. Não há disso. Temos lá fora uma série de gente competentíssima para gerir bancos e que não trabalha em Portugal porque Portugal não dá condições. A seguir vem o Estado, e também quer interferir. Isto não vai lá, não vai. Depois fica este clube fechado, que deu cabo, por exemplo, do BCP, e um Banco Espírito Santo que quer ser dono de tudo, um BPI praticamente para amigos, e o resultado vê-se. Como é possível uma Caixa Geral de Depósitos comprar coisas que não têm nada a ver com ela? Quando a Compal foi posta à venda, tínhamos uma parceria com a Heineken, concorremos e concorreram três ou quatro empresas, quase todas com os mesmos preços, embora não tivesse havido conversa nenhuma. Quem ganhou? A CGD. O que é que o banco tem a ver com a Compal, com refrigerantes? Mas isto é assim mesmo.
Qual o papel do Banco de Portugal enquanto regulador, enquanto supervisor, em tudo isto?
Devia ser controlar, estar ciente das circuntâncias em que os bancos estavam e actuar. Mas nunca actuou e quando actuou era tarde. E tudo porque o senhor do banco xis vai falar com o primeiro-ministro, dá-se uma instrução para ali e acabamos sempre nesta panelinha. Não há coragem. Em Inglaterra nacionalizaram os bancos que estavam mal e à medida que foram recuperando foram voltando ao mercado. Veja-se o Lloyd's, como está e como estava. Aqui o BPI já é espanhol, o BCP é chinês e angolano...
É assim tão importante a proveniência do capital?
A diferença é a seguinte: a banca estrangeira é boa, ninguém discute isso, o problema é que se eu precisar de um empréstimo, o empréstimo é discutido noutro país. Quando falhei no Brasil, estrondosamente, quem me deitou a mão a sério foi um banco português chefiado pelo Eng. Jardim Gonçalves, que eu nem conhecia. E o Eng. Jardim Gonçalves foi verdadeiramente impecável, percebeu qual tinha sido o problema no Brasil, percebeu o projecto e nós recuperámo-nos. Uma banca nacionalizada ou uma banca de amigos não fazia isto. Eu cheguei a ser convidado para almoços no BES em que do outro lado da mesa estavam empresas estrangeiras que me pretendiam comprar. Beneficiando de quê? Não sei. Simplesmente enganaram-se com quem encontraram pela frente. Isto é um jogo complicado, por isso é que não nos metemos em nada, não participamos em nada. Temos as nossas empresas e hoje até já somos accionistas de uma empresa na Alemanha, começámos a entrar lá fora a comprar percentagens em algumas empresas, como investimento da sociedade Francisco Manuel dos Santos.
Como gostaria de ser lembrado?
Está a fazer-me uma pergunta que, creio, nunca me fiz [pausa]. A melhor resposta é que peguei no Jerónimo Martins, então com 300 pessoas no comércio e duas mil na indústria, e hoje tem na distribuição 110 mil pessoas e está a caminhar para os 20 mil milhões em vendas. Penso que é uma herança bonita. E gosto muito, por exemplo, da obra social. Só na Arco Maior, no Porto, dirigida pelo professor Joaquim Azevedo, da Universidade Católica, são 170 crianças que tirámos da rua, que ensinamos e ajudamos a tirar o 12.º ano. Há tempos o presidente Marcelo Rebelo de Sousa quis conhecer a obra e foi lá almoçar – um almoço feito por eles. Depois alguns miúdos contaram-lhe as suas experiências, como uma rapariga de 16 anos que a mãe pôs na rua aos sete. Conheci um rapaz que me disse: "Não me pergunte quem sou nem o que fiz, porque já fiz tudo quanto há de errado". Arranjou-se um emprego no Pingo Doce e o rapaz ia tão bem, tão bem... Outro dia veio ver-nos dizendo que ia para o Luxemburgo. Porquê? "Porque a malta da droga não me larga". E foi isso que me levou a ter uma conversa com o padre Tolentino de Mendoça: saber como passar valores. Criamos rapazes a quem ensinamos a ler, a ter um lugar, mas há o problema da transferência de valores. Um dia marquei uma reunião plenária com eles – avisaram-me logo para não me espantar, que eram capazes de se levantar a meio e sair – e comecei a conversa a dizer quem era, que tinha sete filhos e agora estava ali para conversar. Não houve um que saísse, um que fosse malcriado e ainda ficámos a falar na rua. Parece-me que são bons motivos para se ser lembrado.
Fonte: Sapo 24

segunda-feira, 9 de julho de 2018

A Portugalidade é a liberdade

Foto de Nova Portugalidade.


Um povo de marinheiros e pescadores que dominou os mares e as rotas do comércio, erigiu feitorias, fortalezas, catedrais e cidades pelas sete partidas do mundo, juntou povos e pescou almas, produzindo um novo tipo de sociedade fundada na indistinção da raça, da cor e da etnia. Tão grande foi o sulco de tal empresa colectiva, que essa presença histórica não só deixou fortes testemunhos monumentais - marca indelével que a nação portuguesa soube espalhar no mundo - como produziu sociedades profundamente arreigadas a valores de fraternidade e destino comum que importa resgatar e promover num tempo em que a uniformidade, o desprezo pela riqueza e diversidade das culturas e das civilizações ameaçam a liberdade dos povos.

MCB