quarta-feira, 12 de junho de 2019

525 Anos do Tratado de Tordesilhas – Portugal Torna-se Dono De Metade Do Mundo



A 7 de Junho de 1494 foi celebrado entre o Reino de Portugal e o recente Reino de Espanha o Tratado de Tordesilhas, para dividir as terras ‘descobertas e por descobrir’ por ambas as Coroas fora do Continente Europeu. O Tratado ocorreu no seguimento da contestação portuguesa às aspirações da Coroa espanhola que reclamara oficialmente o Continente Americano para a Rainha Espanhola Isabel, a Católica, resultantes da viagem empreendida por Colombo, que um ano e meio antes chegara ao Novo Mundo.

O Tratado de Tordesilhas, assim chamado embora fosse assinado na povoação castelhana de Arévalo, foi assinado por El-Rei Dom João II de Portugal e pelo Rei-consorte Espanhol D. Fernando II de Aragão, marido da Rainha Soberana Dona Isabel I de Castela, a Católica e que juntos ficaram para a História como os Reis Católicos.

O tratado definia como linha de demarcação o meridiano 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde. Esta linha estava situada a meio caminho entre estas ilhas – já portuguesas – e as ilhas das Caraíbas descobertas por Cristóvão Colombo, no tratado referidas como Cipango e Antilha. Os territórios a leste deste meridiano pertenceriam a Portugal e os territórios a oeste, à Espanha. O tratado foi ratificado pela Espanha a 2 de Julho e por Portugal a 5 de Setembro de 1494. Portugal tornava-se assim uma Nação de Descobridores e Espanha um Reino de Conquistadores.

Mas mais importante que a História do Tratado de Tordesilhas é a lenda, pois este tratado encerra muitos mistérios.
El-Rei Dom João II de Portugal ganhou o cognome de ‘O Príncipe Perfeito’, pois em tudo o que fazia ou deliberava punha um cunho de perfeição, e para o sucesso das suas decisões em termos de política externa e geoestratégia contava sem dúvida as decisões que tomava em função da informação privilegiada que os seus serviços secretos recolhiam e que o tornavam no mais esclarecido dos monarcas europeus da época. Prova disso, e expoente máximo da sua política, é o Tratado de Tordesilhas. É muitas vezes apontada a tese de que a Descoberta do Brasil, apesar de ter ocorrido oficialmente em 1500, por Pedro Álvares Cabral ao serviço d’El-Rei Dom Manuel I de Portugal, já havia sido achado nas misteriosas viagens do capitão Duarte Pacheco Pereira para oeste de Cabo Verde e que um lançado – Lançados eram agentes desembarcados na costa ocidental de África e depois seguiam para o interior recolhendo informação que facilitasse a expansão portuguesa no continente que se começava a explorar, e sobretudo sobre o então lendário Reino de Preste João.
 Eram homens de uma enorme coragem lançados no desconhecido e que por isso lhes deram o nome indígena de Tangomaos, sendo que tangomao significa: ‘aquele que morre ausente ou desterrado da pátria’ – de nome João Fernandes ‘Lavrador’ terá mesmo feito uma pequeníssima exploração do território. Então, sabendo disso, Dom João II nas negociações do Tratado de Tordesilhas tudo fez para que o acordo fosse gizado daquela forma, incluindo a ainda por descobrir Terra de Vera Cruz.
Miguel Villas-Boas

terça-feira, 11 de junho de 2019

Já abriu a caça aos padres?

E agora?! Quem repara os danos causados ao padre difamado? Quem responsabiliza os culpados? Ninguém, porque, quando a culpa não é dos padres, morre solteira.

Há que reconhecer o mérito da imprensa quando denunciou os casos de pedofilia na Igreja católica. Embora essa sua iniciativa tenha sido muito humilhante e terrivelmente dolorosa para todos os fiéis, a acção dos meios de comunicação social, nomeadamente nos Estados Unidos da América, foi providencial para pôr termo ao escândalo do abuso de menores por membros do clero. Sem a revelação desses crimes, talvez não tivesse havido a coragem de cortar o mal pela raiz, porque também alguns membros da hierarquia foram cúmplices desses comportamentos, quer negligenciando a protecção devida às vítimas, quer encobrindo e favorecendo a impunidade dos abusadores. Se o caso não tivesse ganho, por via da sua mediatização, dimensão mundial, talvez não se tivessem posto todos os meios necessários para ultrapassar esta crise. Graças a Deus, bem como a São João Paulo II, Bento XVI e ao Papa Francisco, este escândalo está agora em vias de extinção, devido às normas entretanto emanadas da Santa Sé e em vigor em todas as dioceses e instituições católicas do mundo. Por virtude dessas medidas, a Igreja é, decerto, a instituição religiosa que mais protege os menores.
Se é verdade que aquela vergonhosa situação já está, felizmente, praticamente superada, ainda persiste, em alguns órgãos da comunicação social, uma preconceituosa desconfiança em relação à Igreja católica e aos seus ministros. É salutar que a imprensa se mantenha atenta em relação ao Cristianismo, bem como às outras religiões, mas não que promova uma inquisitorial perseguição do clero católico: uma nova ‘caça às bruxas’ em que, desta feita, as bruxas são os padres.
Um sacerdote infame não faz infames todos os membros do clero, como um político corrupto não faz corruptos todos os políticos. No caso Casa Pia foram condenados, entre outros, um conhecido jornalista, um provedor dessa instituição, um médico e um diplomata – nenhum sacerdote, por sinal! – mas não seria razoável considerar como suspeitos de pedofilia todos os jornalistas, provedores, médicos ou diplomatas.
No princípio de 2019, foi aqui noticiada, bem como por mais alguma comunicação social portuguesa, uma injuriosa suspeita relativa ao pároco de Cacilhas, na diocese de Setúbal. Mas a mesma imprensa, que foi tão rápida em publicitar o infundado rumor, não teve a mesma diligência na divulgação do recente comunicado do Departamento de Investigação Criminal da Polícia Judiciária, que iliba, absolutamente, o referido padre.
Como noticiou Filipe d’Avillez, a 30 de Maio último, no site da Rádio Renascença, “o caso remonta a Janeiro, altura em que uma mãe apresentou queixa contra o sacerdote responsável pela paróquia que gere o centro paroquial de que a creche depende. Na altura o padre acusado pela mãe alegou inocência, dizendo que, no dia indicado, nem tinha estado na creche. A diocese comprometeu-se a colaborar por inteiro com as autoridades”.
A acusação era, como é óbvio, gravíssima e, por isso, era exigível alguma prudência por parte da imprensa, até porque o caso já era do conhecimento das competentes autoridades. O seu conhecimento pela comunicação social indicia fuga de informação, com violação do segredo de justiça. Por outro lado, o processo fora motivado por uma única queixa, por sinal inverosímil, porque o dito presbítero, como publicamente declarou, nem sequer se encontrava na creche no dia em que teriam ocorrido os alegados crimes. A propósito, não faz qualquer sentido dizer que a denunciante não foi ouvida, como pretendeu o seu advogado, porque foram, precisamente, as suas declarações que provocaram a posterior investigação policial.
A identificação do presumível criminoso, como sendo o padre “que gere o centro paroquial de que a creche depende” equivale, na prática, à divulgação do seu nome, porque é pública e notória a identidade do pároco de Cacilhas, a quem uma tal notícia causou, necessariamente, um gravíssimo dano moral. Em vez de se supor a inocência, até prova em contrário, pressupôs-se o crime em relação ao padre “que gere o centro paroquial de que a creche depende” e, de certo modo, a todos os sacerdotes diocesanos porque, quem não soubesse de quem se tratava, podia julgar suspeito desses abusos qualquer outro padre da mesma diocese.
Sei que, graças a Deus, ante esta impiedosa perseguição de que foi alvo o seu pastor, a respectiva comunidade eclesial e outras paróquias da mesma diocese reagiram com caridade cristã. Estou certo de que a este presbítero, em tão dura prova, não lhe faltou o consolo de Deus, que nunca deixa de assistir aos bem-aventurados “que sofrem perseguição por amor da justiça” (Mt 5, 10), nem a ternura de Nossa Senhora que, quando todos abandonaram o seu divino filho, permaneceu fielmente junto à sua Cruz (Jo 19, 25). Sei que, para além do apoio dos seus paroquianos, não lhe faltou a solidariedade dos seus irmãos no presbitério diocesano, nem a paternal solicitude do seu bispo. Este, como é aliás seu dever, pôs-se de imediato à disposição das autoridades policiais e judiciais, em ordem ao total apuramento dos factos, porque a tanto está obrigado pela recente normativa da Santa Sé sobre esta matéria.
Este caso teve agora o seu desfecho. No passado dia 29 de Maio, a Polícia Judiciária emitiu um comunicado que não deixa margem para dúvidas: “A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal de Setúbal, concluiu uma investigação com origem numa denúncia apresentada pela progenitora de uma criança de 5 anos de idade, por suspeita da prática de um crime de natureza sexual, numa creche de um Centro Paroquial. A investigação efetuada permitiu concluir, de forma absolutamente inequívoca, tratar-se de uma suspeita infundada, não se verificando a prática de qualquer crime.” Repito: “A investigação efetuada permitiu concluir, de forma absolutamente inequívoca, tratar-se de uma suspeita infundada, não se verificando a prática de qualquer crime.” Ponto final, parágrafo.
E agora?! Quem repara os danos causados ao bom nome e fama do pároco de Cacilhas, injustamente difamado? Quem desagrava a calúnia de que foi alvo? Quem repõe a idoneidade moral da creche em questão e providencia o ressarcimento dos danos morais e económicos entretanto sofridos? Quem restitui a credibilidade roubada ao referido centro paroquial? Quem responsabiliza os meios de comunicação social que veicularam a infamante mentira? Quem investiga a fuga de uma informação que era suposto estar em segredo de justiça? Quem indemniza a diocese injuriada? Provavelmente ninguém porque, quando a culpa não é dos padres, está condenada a morrer solteira.
Fonte: Observador

domingo, 9 de junho de 2019

O 10 de Junho dos Combatentes

A cerimónia transcende ideologias e não pretende rever o que a História decidiu, antes não retirar aos mortos dos 14 anos de guerra, e a todos que na defesa da pátria tombaram, o seu lugar na História

As comunidades vivem de mitos e ritos. Isto é verdade quer para uma comunidade histórico-cultural, como a nação, quer para uma comunidade desportiva, como um clube de futebol.
A celebração dos mitos e a continuidade dos ritos é o que, numa demonstração externa, pública e estética, corporiza o espírito, a memória e a História. A nação portuguesa, com quase mil anos de história independente e com fronteiras centenárias na Europa, é uma construção de longa duração: obra da vontade de autonomia dos barões de Entre Douro e Minho e da vontade política do seu fundador, Afonso Henriques, obra da vontade nacional colectiva, agarrada pelo refundador, Nun’Álvares, obra da vontade e da necessidade de projecção marítima e imperial de navegadores, conquistadores, aventureiros.
Luís de Camões deu-lhe expressão narrativa, precisamente no tempo em que a Nação entrava numa espécie de Cativeiro da Babilónia, um cativeiro legal e dinástico mas um cativeiro, e sempre assim visto e sentido.
A independência foi restaurada 60 anos depois, resistindo em quase trinta anos de guerra da Restauração à tentativa anexionista da Casa da Áustria. E nos princípios do século XIX, por um levantamento popular e patriótico, voltou a resistir ao poder de Napoleão. Nos finais do século XIX aguentou a corrida a África das grandes potências europeias. E depois, contra as vagas e forças da História, resistiu a 14 anos de guerra.
Os que passámos por esta guerra, ao lembrá-la e celebrá-la, não o fazemos animados por nostalgias imperiais e muito menos imperialistas. Respeitamos os que nos combateram de armas na mão em nome dos seus Estados nascentes; e, sabendo que os que então nos combateram nos respeitam, queremos ser também ser aqui respeitados e não tratados como marionetas de regimes ou serventuários de causas suspeitas.
Por isso, há 25 anos, um núcleo de antigos combatentes lançou a ideia do Monumento aos Combatentes do Ultramar. E, a partir daí, todos os anos, junto ao monumento de Belém, onde estão inscritos os nomes de todos os militares que morreram nessas últimas campanhas de África e da Índia – bem como os que depois morreram ao serviço de Portugal em missões internacionais – alguns milhares de nós lembramos os nossos camaradas mortos ou desaparecidos em combate, cujos nomes ficaram gravados nos muros do monumento.
A cerimónia transcende ideologias – sobretudo ideologias partidárias de que o povo português está cada vez mais distante – e não pretende rever o que a História decidiu. Pretende sim não retirar aos mortos desses 14 anos de guerra, e aos outros que na defesa da pátria foram mortos, o seu lugar na História.
E lembrar que a Pátria, a terra da pátria e os mortos pela pátria, são o património agregador da comunidade e a verdadeira garantia da Liberdade dos portugueses. Uma liberdade que não vem de Bruxelas nem das Nações Unidas, que nunca poderá ser alienada a organismos supranacionais, a federalismos utópicos, a mecanismos de submissão discreta de povos e culturas, ao abrigo de facilidades financeiras e simpatias baratas.
O 10 de Junho dos Combatentes é, e continuará a ser, uma afirmação do patriotismo português, um rito celebrativo da nossa identidade e unidade, numa Europa que hoje também parece despertar para a sua verdadeira natureza e sentido, uma Europa das Pátrias, de Estados Nacionais, soberanos, que voltam a lembrar um passado histórico que tem de ser integrado, tal como também o Cristianismo incorporou as heranças da Grécia e de Roma e criou uma civilização onde a identidade e a independência são condição da Liberdade e das liberdades.
Foi isto que Camões entendeu e registou e que outro poeta maior de Portugal, Fernando Pessoa, veio lembrar e reintegrar no século passado. E os grandes poetas são os melhores intérpretes do espírito do povo, aqueles que, como os antigos arúspices, sabem ler nas entranhas do passado e nos ventos do presente a memória do futuro.
Fonte: Observador

Pentecostes

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sexta-feira, 7 de junho de 2019

Em defesa da verdade


Actualmente gostam de dizer que a verdade faz o seu caminho somente com a sua força intrínseca, e que para ela triunfar não necessita da protecção intempestiva e molesta do Estado e das suas leis. Se o Estado favorece a verdade, grita-se logo à injustiça, como se a justiça consistisse em manter equilibrada a balança entre o verdadeiro e o falso, entre a virtude e o vício... Errado! A justiça primeira consiste em favorecer o acesso das inteligências à verdade e preservá-las do erro. É também a caridade primeira: veritatem facientes in caritate. Na caridade façamos a verdade. O equilíbrio entre todas as opiniões, a tolerância de todos os comportamentos, o pluralismo moral ou religioso, são as características de uma sociedade em decomposição, que é a sociedade liberal pretendida pela maçonaria. Ora, foi contra o estabelecimento de uma tal sociedade que os Papas que citamos reagiram sem cessar, afirmando o contrário, que o Estado, o Estado católico em primeiro lugar, não tem o direito de dar tais liberdades, como a liberdade religiosa, a liberdade de imprensa ou a liberdade de ensino.


Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987


Fonte: Veritatis

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Festa de Aniversário da Real Associação de Lisboa na Lourinhã


Mais de meia centena de associados deslocaram-se no passado sábado 1 de Junho ao Concelho da Lourinhã para uma jornada de festejo dos 30 anos da Real Associação de Lisboa (RAL), que após uma visita ao Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro de que foi anfitriã a Dra. Ana Bento, culminou num almoço convívio presidido pelos Duques de Bragança na Associação Cultural e Recreativa de Moita dos Ferreiros, onde foram recebidos pela presidente da Junta de Freguesia Rosário Bento e Rui Perdigão da Associação Cultural. Juntaram-se a este memorável almoço mais de 150 pessoas, que entre os associados da RAL, entidades oficiais, personalidades e gente anónima da região, não quiseram deixar de manifestar a sua simpatia para com Suas Altezas Reais Dom Duarte e Dona Isabel de Bragança e festejar esta efeméride. Precedendo o almoço, os Duques de Bragança, fizeram uma visita à feira da Lourinhã que terminou à porta da Junta de Freguesia, onde foram recebidos pelo Presidente da Junta de Freguesia Pedro Margarido e pelo Vereador da C-M. da Lourinhã José António da Costa Tomé, que com a nossa associada e grande dinamizadora desta jornada Conceição Moniz, agradeceram a presença de tão ilustres visitantes. Nessa ocasião houve ainda tempo para uma actuação dum Grupo de Cantares da Zambujeira e Serra do Calvo. Antes de seguirem para o almoço em Moita de Ferreiros, os Duques de Bragança foram recebidos no Museu da Lourinhã, pela directora Dra. Lubélia Gonçalves.

Durante o almoço em que o Presidente da RAL João Távora teve a oportunidade de agradecer a todos aqueles que ajudaram a realizar o evento e nele participaram, fez-se a apresentação do selo dos CTT comemorativo dos 30 anos da Real Associação de Lisboa, cujos interessados tiveram o privilégio de poder adquirir.

O já tradicional passeio de aniversário não terminou sem uma visita ao Santuário de Nossa Senhora da Misericórdia e uma paragem final o Dinoparque.

Gratos ficámos todos com todos os voluntários envolvidos para a realização desta festa que permanecerá para sempre na nossa memória. Obrigado, Lourinhã, obrigado a Moita de Ferreiros.

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