terça-feira, 14 de novembro de 2023

Alfred Naquet e o divórcio em França

Não há nada que possa escapar aos princípios dissolventes da Maçonaria. A família é uma das que mais tem sofrido, sofre e sofrerá, enquanto os mações não deixarem de infestar a sociedade. O divórcio é o mais poderoso veneno que pode afligir a família; pois é isso que a Maçonaria deseja introduzir em França. O deputado judeu e franco-maçom, Naquet, tem trabalhado, coadjuvado pelos Ir∴, para tornar obrigatório em França o divórcio no fim de três anos, no caso que requeira isto algum dos contraentes. Ai da mulher, se a lei do divórcio vingasse! Seria um instrumento, uma escrava; voltaria àqueles tempos tristíssimos, em que Jesus Cristo a veio reabilitar. É necessário combater a Maçonaria por todos os lados, principalmente pedindo a Deus que tire da Terra esta seita nefasta. A oração, recorramos à oração, e trabalhemos para a combater em tudo; Deus é por nós; a causa que defendemos é santíssima.

«Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 13, Janeiro de 1896


Fonte: Veritatis

domingo, 12 de novembro de 2023

Conjurados 2023 - Celebração da Independência

 

A Casa Real Portuguesa, através da Associação Infanta Maria Francisca em colaboração com a Causa Real e as Reais Associações de todos o país, este ano chamou a si a organização do Jantar dos Conjurados num formato diferente. 

A nossa festa da independência realizar-se-á no Museu Nacional de História Natural ao Príncipe Real, em Lisboa, como sempre no dia 30 de Novembro, e será precedido às 19:30hs pela comunicação de S.A.R. o Senhor Dom Duarte de Bragança.

Mais informações e inscrições poderão feitas através deste sítio criado para o efeito aqui https://conjurados.pt/ ou em alternativa através do email: conjurados1640@gmail.com.

Para mais esclarecimentos pedimos um contacto para o secretariado da Real Associação de Lisboa de segunda a sexta-feira entre as 11:00hs e 14:00hs presencialmente ou pelo telefone 213 428 115.

Contamos com a sua presença!


Fonte: Real Associação de Lisboa

sábado, 11 de novembro de 2023

São Martinho de Tours: Militar, monge e Bispo

São Martinho de Tours nasceu na Panónia (Hungria), por volta de 316 ou 317 d.C., e faleceu em Candes, França, em 397 d.C. É um dos maiores santos da Igreja e a sua imagem com o cavalo encontra-se em inumeráveis templos católicos. O santo aparece a dividir a sua capa de oficial romano com um pobre, miserável, nu. Na noite seguinte Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu-lhe vestido com o pedaço de capa que o oficial havia doado.

O facto foi decisivo para a sua conversão e São Martinho acabou por tornar-se bispo de Tours, atraindo para a Igreja uma quantidade prodigiosa de pagãos e fazendo incontáveis milagres. Ele é chamado o “Pai das Gálias” visto que depois da conversão retirou-se para uma gruta. Mas lá ficou pouco tempo, porque foi chamado a ser bispo da região central da província romana que depois foi baptizada como França. 

À sua volta reuniram-se muitos convertidos ao catolicismo que imitavam a sua vida exemplar. Ele instituiu a primeira escola e transformou o local – que hoje é a cidade de Tours – no grande centro de irradiação do cristianismo na actual França. 

O seu túmulo e a capa do milagre (ainda hoje guardada) foram visitados pelo rei pagão Clóvis. O rei estava agoniado pela perspectiva da batalha de Tolbiac contra a temível horda também pagã dos alamanes (496 d.C.). Sobre o túmulo do santo, Clóvis prometeu converter-se ao “Deus de (Santa) Clotilde”, a sua mulher católica, se obtivesse a vitória. 

Clóvis venceu miraculosamente e foi baptizado, juntamente com 3000 dos seus soldados, no Natal do mesmo ano por São Remígio, em Reims. Foi o nascimento de França, a primeira nação cristã da Europa. São Martinho de Tours recebeu tal culto, que o templo onde se venerava a sua capa recebeu o nome de “capela”, palavra hoje largamente generalizada. 

A família real francesa recebeu o nome de “Capeto” por ter recebido, há mais de um milénio, um pedaço dessa célebre relíquia, outorgada pelo capítulo de religiosos da cidade. Essa doação pesou decisivamente no facto da família ser escolhida para reinar em França. Reinado esse que durou até Luís XVI, e com intermitências até à queda de Luís Felipe, em 1848. 

O santuário ficou tão famoso, rico e importante, que para os bárbaros invasores saqueá-lo era o máximo objetivo no território francês. Por isso mesmo, a cidade se encheu de muros e torres militares defensivas. Daí provém o nome da cidade “Tours”, ou seja, Torres. 

São Martinho de Tours é padroeiro de cidades tão diversas como Buenos Aires, Mainz, Utrecht, Rivière-au-Renard e Lucca. Quatro mil igrejas, no mundo, lhe estão dedicadas. Ele é também padroeiro dos alfaiates, peleiros, soldados, cavaleiros, restauradores (hotéis, pensões, restaurantes), produtores de vinho, e, obviamente, dos mendigos. 

O seu santuário principal, onde se encontra o seu túmulo fica na cidade de Tours, na região do Loire. No século XIX, um piedoso levantamento de fundos permitiu construir uma bela basílica inteiramente nova. A basílica primitiva foi devastada pelos protestantes que também arrasaram muros e torres. 

Posteriormente, em continuidade com o espírito protestante, a Revolução Francesa demoliu a basílica restaurada e fez passar uma rua por cima do túmulo do padroeiro nacional, a fim de garantir que ele seria definitivamente esquecido. 

No século XIX, Leão Papin-Dupont (1797-1876), aristocrata francês conhecido como “o santo homem de Tours”, promoveu em França cruzadas de reparação pelas blasfémias. Entre elas figura a construção da actual basílica que guarda o túmulo de São Martinho de Tours. 

A tradição oral dos habitantes de Tours e dos devotos do grande santo sempre afirmou que no braço da grande estátua que abençoa a França do alto da cúpula da basílica havia guardadas relíquias de São Martinho. Porém, as tendências decadentes e dessacralizantes dos tempos modernos aprazem-se em contestar ou fingir ignorar tudo o que diga respeito ao sobrenatural, aos santos, aos seus milagres e às suas veneráveis relíquias. 

Essa tendência, presente em certo clero e fiéis modernizados, também dizia não saber nada do que todos sabiam sobre as relíquias do santo. A confusão acabou por ser dissipada ao se confirmar que a tradição oral tinha razão: os ossos estavam ali a abençoar o mundo. 

No dia 17 de Fevereiro de 2014, um impressionante dispositivo de guindastes foi instalado em volta da basílica para descer a grande estátua. A obra visava restaurar o seu pedestal, que precisava de manutenção e reparos. Na ocasião, aconteceu o gaudioso achado: os ossos do primeiro bispo de Tours estavam ali. Após a descida da estátua de bronze – de quatro metros de altura e de mais de duas toneladas de peso – os funcionários descobriram uma caixa de madeira no seu braço direito, o mesmo que abençoa. Dentro dessa caixa havia ainda outra, feita de chumbo e fechada com um selo de cera vermelha e o sigilo de um bispo que autentificava a relíquia. 

Tendo sido aberto, encontrou-se um fragmento de osso. A multidão acompanhou os trabalhos que duraram algumas horas, e não ocultou a sua emoção. A relíquia de São Martinho encontrava-se entre flores – obviamente já secas – e vinha acompanhada de mais três relicários com ossos de três outros bispos santos de Tours: São Gregório, São Brice e São Perpétuo, sucessores do santo. A autenticidade das relíquias foi confirmada por Jean-Luc Porhel, conservador-chefe do património histórico de Tours.

in Ciência Confirma a Igreja


quinta-feira, 9 de novembro de 2023

DESPERTE!


Nesta altura do “campeonato”, infelizmente, quase todos conhecemos alguém que teve, tem ou morreu com problemas da toma do líquido experimental. Nas conversas, um pouco por toda a parte, fala-se ainda a medo sobre este fenómeno das mortes súbitas nas crianças, jovens e menos jovens, sem quaisquer problemas de saúde; das inúmeras pessoas afectadas pela experiência a que chamaram “vacina”. É o começo do despertar à custa da desgraça confirmada.

Porém, a narrativa da “teoria da conspiração” permanece ainda na cabeça de alguns. Para esses, é impossível ter sido posto em prática tamanha agenda macabra porque a ser verdade, todos os inoculados teriam de colapsar, o que não se verificou. Este raciocínio é correcto mas só em parte. Jamais uma agenda desta natureza poderia tocar a todos porque se assim fosse chamar-se-ia “genocídio” e a agenda ficava totalmente exposta. Quando distribuíram o líquido, colocaram ampolas com placebo. Os que resistiram ilesos são exactamente os felizardos que foram contemplados com os lotes da sorte. Porque os outros, seja no imediato, seja nos anos seguintes, terão a saúde comprometida, como se veio a demonstrar com inúmeros casos clínicos comprovados e que não param de ser expostos. Ah! e os políticos que vos mandaram ir tomar a “eficaz e segura pica” nem sequer a tomaram. Fingiram. Há provas disso. Nenhum “crime” é perfeito.

Com uma gestão do medo muito eficaz, usando como aliado principal os mass media, a população aterrorizada que consumia apenas a informação filtrada do “mainstream”, viu-se encurralada e correu para as filas do líquido milagroso que os iria salvar. Só não lhe disseram que era experimental. Que não tinha ainda as fases todas de testagem concluídas (por isso não era AINDA uma vacina); que os ratos usados para os testes clínicos tinham sucumbido e que a doença era tão perigosa quanto uma gripe (e com terapêutica idêntica). Nem que o teste usado para amedrontar esses infelizes, não fora concebido para esse fim. Não houve informação consentida, propositadamente.

Agora, já olham para nós, “os chalupas negacionistas” (como nos conotaram), com olhos diferentes e a revolta começa a germinar. Sabemos isso. Muitos não o dizem. Mas sentimos numa palavra ou outra que sai como um desabafo que não conseguem mais conter. É a mentira a chocar de frente com a realidade e que provoca frustração em quem foi enganado. E são muitos.

Pipoca que fez uma propaganda massiva ao líquido, reforços, máscaras e afins, já se revoltou. Já percebeu que estão a preparar uma nova temporada e não quer fazer parte dela. Ora, se assim é, o que a fez mudar de ideias sobre a perigosidade do bicho e urgência, dever cívico em tomar o líquido? Pois. Não o dizem explicitamente mas subentende-se muito bem! Após tantas incoerências sobre esta nova virose, ninguém fica indiferente à descoberta da mentira. Falta saber se estes “influencers” vão sucumbir à pressão dos patrocinadores ou vão fazer frente à agenda das farmacêuticas.

Nós avisámos que Bill Gates, filho de pai eugenista, depois de vender a Microsoft apostou no filão das vacinas e desde então, as polémicas à volta dos efeitos adversos das suas inoculações experimentais, não param até hoje. Quando é o próprio a falar abertamente sobre os objectivos de depopulação mundial, onde está a dúvida? (veja aqui)

Avisámos que a “palermia” tinha sido planeada no Evento 201, meses antes de soltarem a virose na população e que um dos objectivos (além da depopulação) era usá-la como meio de controlo, e disseram-no às claras. Onde está a dúvida? (veja aqui)

Avisámos que além disto, a nova virose era um pretexto para “great reset”. Criar o caos, propagar o medo e no final, aparecerem como salvadores do mundo com uma governança mundial não eleita. Se são eles que o afirmam, onde está a dúvida? (veja aqui e aqui)

Avisámos que os media do mainstream, serviriam esta agenda manipulando a opinião pública através de informação seleccionada, filtrada e, inventada. Ver para crer. Onde está a dúvida? (veja aqui)

Avisámos que a pandemia já andava a ser planeada pela Rockerfeller Foundation em 2010 no seu site oficial. Onde está a dúvida? (veja aqui)

Avisámos que os enfermeiros, fartos de serem cúmplices forçados, resolveram denunciar esta perversa agenda. Se são eles que se revoltam, porque ainda duvida? (veja aqui)

Avisámos sobre a total ausência de informação nas inoculações (veja aqui), sobre as falsa crise pandémica (veja aqui) e as falsas injecções nos famosos (veja aqui). Ainda com dúvidas?

Avisámos que vem aí nova temporada, de nova crise, com nova virose, anunciada descaradamente por Klaus Schwab (veja aqui). Dúvidas? Só as tem se continuar a negar os factos.

Vou apenas lembrar que os mesmos que lhe mentiram sobre estes 3 anos de suposta crise pandémica, são os mesmos que faltam à verdade quando se fala do fatídico dia da queda das torres (veja aqui); da democracia e eleições (veja aqui); da agenda falhada das alterações climáticas (veja aqui) e com previsões falhadas sobre o clima (veja aqui); da pedofilia, pornografia e tráfico infantil (veja aqui) entre tantas, tantas outras coisas. Nada é o que parece.

Desperte! Está tudo à sua frente num simples “click”. Aprenda que, se lhe escondem informação nos telejornais; se vedam o acesso LIVRE a conteúdos nas plataformas digitais; se os jornalistas só repetem o guião globalista de “lápis azul” na mão, alegando lutarem pela desinformação, tratando-o a si como uma criança, sem direito a fazer as suas próprias escolhas, é apenas porque temem o contraditório (as agendas dos seus “donos” não podem ser contrariadas). É a ditadura do pensamento único. É a História a repetir-se na terrível perseguição à liberdade de expressão.

Se está em concordância com eles, mas diz-se defensor da democracia, então tem de rever os seus valores. Porque na verdade está a defender a supressão da liberdade de expressão que começam precisamente na imposição da censura com vista à manipulação do pensamento até ao controlo e escravidão total.

Vale a pena reflectir seriamente sobre isto antes que seja tarde demais. DESPERTE!



Fonte: Blasfémias

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Recital pelo Coro Vox Aetherea no Coro Alto da Igreja da Rainha Santa Isabel - 11 de Novembro,18 horas em Coimbra


No próximo Sábado, dia 11 de Novembro, a Confraria da Rainha Santa Isabel acolhe no Coro Alto da Igreja da Rainha Santa Isabel, Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, o Coro Vox Aetherea, para o recital FEMINAE CANTUS, englobado na 5.ª edição do ciclo de música da ORPHIKA,  da Universidade de Coimbra.

A entrada é livre mas, dada a limitação de lugares e de modo a preparar o melhor acolhimento de todos, recomenda-se a pré-reserva de lugares pelos telefones 239441674 e 918048310 ou para o e-mail <secretario@rainhasantaisabel.org>, até às 13horas do próprio dia 11 de Novembro.


Confraria da Rainha Santa Isabel e a Liga dos Amigos da Confraria da Rainha Santa Isabel contam com a participação atenta de todos!


Pela Mesa Administrativa da Confraria da Rainha Santa Isabel e

Pela Direcção da Liga dos Amigos da Confraria da Rainha Santa Isabel,

Joaquim Leandro Costa e Nora

terça-feira, 7 de novembro de 2023

II Prémio Marquês de Rio Maior para a Agricultura


Projecto Tejo vence Prémio Marquês de Rio Maior para a Agricultura


O júri do Prémio Marquês de Rio Maior para a Agricultura anunciou hoje em Santarém a atribuição do vencedor da edição deste ano ao Projecto Tejo pela sua proposta relevante e inovadora no aproveitamento dos recursos hidráulicos para fins múltiplos, nomeadamente na rega do Vale do Tejo, Oeste e Setúbal e com uma forte componente a nível ambiental e de combate à poluição hídrica.

Desenvolvido pela + Tejo, Associação para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável do Tejo, o Projecto prevê também a navegabilidade do Rio Tejo, a produção de electricidade verde em açudes e barragens e a potenciação da pesca e da aquacultura.

O Prémio tem o nome do Eng. Agrónomo João Saldanha Oliveira e Sousa, Marquês de Rio Maior,  técnico agrícola e agricultor no Ribatejo que desempenhou brilhantemente funções como Professor, Director da Estação Nacional de Fruticultura, Autarca e dirigente monárquico.

O Júri desta iniciativa promovida pela Real Associação do Ribatejo é presidido por João Coimbra e tem como vogais, Gonçalo Martins da Silva, Fernando Mouzinho, Nuno Geraldes Barba, Francisco Gomes da Silva, José Cortez de Lobão, Eduardo Oliveira e Sousa e António Saldanha.

A entrega do Prémio está marcada para dia 24 de Novembro às 19h na Quinta do Casal Branco em Almeirim e será presidida pela Infanta D.Maria Francisca de Bragança.


segunda-feira, 6 de novembro de 2023

São Nuno de Santa Maria: exemplo de Amor à Pátria e Santidade

A pátria não se discute, nem se condiciona a acordos e juramentos; está acima dos direitos dos homens. Se for necessário mudam-se as constituições, alteram-se os tratados, mas salva-se a pátria. A pátria não se discute porque não se escolhe, como não se escolhe a família em que nascemos; ama-se, defende-se e engrandece-se, à custa da própria vida, se for preciso.

Tinha então apenas dois séculos a Pátria portuguesa. Mas já possuía um património bem definido. Estava estabelecido o seu território continental. Já possuía língua própria e rica literatura. Tinha a sua Universidade como expressão da sua cultura. Tinha os seus santos, e tinha sobretudo uma grande vontade de viver. E viveu pela espada do Condestável, porque este a amou com o mesmo amor que amava a Deus.

Eu creio que se pode amar a pátria sem ser santo, mas também que só os santos encontram a medida exacta do amor da pátria no amor de Deus. Seria um erro pensar que os santos se esquecem da sua pátria. Seria erro pensar que o Cristianismo, por ser religião universal e chamar o homem constantemente à Pátria do Céu, o desintegra da Pátria da Terra. O próprio Cristo, exemplo máximo da santidade, amou a sua pátria e chorou por ela quando a viu encaminhar-se para a ruína.

O amor da pátria é uma das mais belas virtudes ensinadas pelo Cristianismo.

Santidade e patriotismo são coisas tão unidas que eu tive o atrevimento de procurar os exemplos de santidade de Nuno Álvares, não nos claustros do Carmo, mas nos campos de batalha. É mais eloquente a santidade vestida de guerreiro do que vestida de frade carmelita.

Eu tenho receio de que haja quem imagine a santidade em formas tão exóticas que só se vejam noutro mundo. Quando afinal é uma coisa muito simples. A santidade começa no fiel cumprimento dos nosso deveres cristãos e acaba numa intensa união com Deus. Talvez esteja nesta definição a essência da santidade. O santo começa onde começa o cristão; nem pensemos que se possa separar um do outro.

Eu já disse que escolhia apenas dois testemunhos da santidade de Nuno Álvares, e que os escolhia nas batalhas de Aljubarrota e Valverde. Na primeira eu fixo-me no pormenor que se repete em todas as histórias. O Exército Português confessou-se, comungou e jejuou. O jejum era preceito da Igreja, a confissão e a comunhão foram por devoção.

Não faltaria decerto quem tranquilizasse a consciência de Nuno Álvares dizendo-lhe que em campo de batalha não estaria obrigado ao preceito do jejum. Mas ele não precisava de tal conselho, não queria tal dispensa. Jejuou, sem receio de ver enfraquecidas as forças para manejar a espada. Jejuou e comungou, porque sabia por experiência, costumava dizer, que da comunhão "lhe resultava todo o esforço e fortaleza com que vencia e desbaratava seus contrários". E naquele dia não se enganou, porque com 7.000 portugueses em jejum venceu 30.000 castelhanos que talvez não fossem tão cuidadosos em respeitar o preceito da Igreja.

Da batalha de Valverde destacarei apenas o pormenor, sempre apregoado, do chefe que se ausenta no momento mais crítico da peleja, para ajoelhar e rezar.

Dizem que é gesto de cavaleiro medieval. Talvez hoje nenhum general assim fizesse. Até mesmo porque já se afirmou que o homem quando ajoelha perde um terço da sua altura. É assim que o orgulho mede o homem.

Mas alguém respondeu que nunca o homem é tão grande como quando ajoelha diante de Deus. É doutrina do Evangelho perder para ganhar; perder altura física pode ser a condição para ganhar a altura moral.

Por isso, os séculos admiram a figura do Condestável ajoelhado entre os penedos de Valverde, em íntima união com Deus. O gesto não é medieval, é do Evangelho, é expressivo da autêntica santidade do herói de Portugal.

Eu disse, a principiar, que subordinaria as minhas palavras ao tema Nuno Álvares Pereira, Sempre. Se há valores na vida humana, que transcendem os escassos limites do tempo, são precisamente o amor da pátria e o amor de Deus.

A Pátria Portuguesa tem oito séculos de história. Nasceu em Guimarães e tomou o nome desta gloriosa cidade do Porto; estendeu-se a Coimbra, Santarém, Lisboa, Évora e Algarve. Passou à África, estabeleceu-se na Guiné, em Angola, em Moçambique. Chegou à Índia, à China, à Oceânia.

Criou-a a espada do Fundador, que desceu até aos campos de Ourique, e consolidou-a a espada do Condestável, que tornou possível a era do Infante das Caravelas.

Quando olhamos, ainda que de relance, a história da nossa pátria, sentimos nobre orgulho de sermos Portugueses. Não é orgulho, é amor. E a herança mais preciosa que nos deixaram os nossos antepassados, mais do que os feitos gloriosos das batalhas e das descobertas, foi precisamente a lição do seu amor a Portugal. Os feitos têm o carácter do tempo em que se realizam. Nem sempre é preciso pegar em armas para defender a pátria, como nem sempre há ocasião de desbravar terrenos incultos; mas de uma forma ou de outra é sempre necessário que vibre nos corações um intenso amor à Pátria.

E quando eu penso na idade que tinha Nuno Álvares Pereira quando assumiu a defesa nacional, quando penso que o Condestável do Reino, o braço direito do Mestre de Avis, a lutar contra o poderio ambicioso de Castela, era um jovem de 24 anos; quando penso que a batalha de Aljubarrota marcou o apogeu do génio militar, numa estratégia que ainda hoje causa a admiração dos generais de todo o mundo, e quando penso que ele tinha então 25 anos, convenço-me de que não foi apenas um herói, foi um génio. E direi até que foi um autêntico dom de Deus à Pátria Portuguesa.

Em muitas outras ocasiões Portugal sentiu que tinha Deus por si, a marcar-lhe um destino e a ajudá-lo na sua realização.

Atrevo-me até a dizer que Portugal tem Deus por si a fazer milagres quando é preciso.

A Idade Média viu um milagre em Ourique. Eu creio realmente que Ourique foi um milagre, se não no sentido em que o viu a Idade Média, no sentido não menos admirável de uma ajuda extraordinária da Providência a uma nação que nascia naquela hora.

E não será milagre o génio de Nuno Álvares, o valor desse jovem de 25 anos que salva a pátria numa das horas mais graves da sua história? Terá realmente explicação natural a série de triunfos que se chama Atoleiros, Aljubarrota, Valverde, com exércitos inimigos quatro e cinco vezes superiores?

Não será milagre a história dos nossos descobrimentos, da nossa civilização, da nossa evangelização?

Milagre não é só aquilo que se apresenta com o cenário deslumbrante do acontecimento que excede as leis comuns. Num sentido talvez mais modesto, mas não menos verdadeiro, a mão de Deus através da História portuguesa é um verdadeiro milagre da Providência.

Nuno Álvares, Hoje, foi o tema que me pediram. Pensei que deveria limitar-me a meditar os gestos rasgados do seu heroísmo e da sua virtude. Fazer a aplicação desses gestos à época conturbada em que vivemos, VV.Ex.as a farão com facilidade.

Tenho para mim que a actualidade de Nuno Álvares está no apelo que o seu heroísmo e a sua santidade fazem constantemente. A cada um de nós. Já no seu tempo ele soube galvanizar a alma da melhor juventude portuguesa. Esses moços da sua idade ouviram um dia a exposição do seu ideal, mas ouviram ao mesmo tempo a exposição das dificuldades que os esperavam. E todos à uma dispuseram-se a segui-lo para formar a invencível Ala dos Namorados.

A mensagem de Nuno Álvares é hoje exactamente a mesma, e os bons portugueses serão dignos dele na medida em que se dispuserem a tudo sacrificar pela Pátria. Mas a mensagem do Condestável é ao mesmo tempo apelo ao amor de Deus.

Do acampamento de Nuno Álvares foram banidos os jogos de perdição e os elementos de corrupção dos costumes. Rezavam em comum, jejuavam, ouviam missa e comungavam. O cronista diz que me mais parecia uma comunidade de religiosos de que um acampamento de soldados. Era um santo que arrastava os outros, se não para o heroísmo da santidade, ao menos para a integridade do dever cristão.

Havemos de reconhecer que o Condestável ainda não teve a consagração que merece. As grandes praças, as grandes avenidas, têm outros nomes, não o dele. Há estátuas de figuras bem secundárias; ele não tem estátua. Até nas nossas igrejas é raro encontrar a imagem do santo herói de Portugal. Parece que ainda não o compreendemos.

Muito se enganam ao apelidar de medieval a sua vida cristã. O Evangelho não é medieval, é de sempre; e o Condestável, porque é santo, dá testemunho do Evangelho, numa actualidade impressionante.

Saiba Portugal meditar o exemplo dos seus heróis e dos seus santos; saiba meditar e seguir o exemplo deste que é dos maiores da nossa História, e Deus mais uma vez nos salvará.

D. Francisco Rendeiro, O.P., (Bispo do Algarve, 1961) in 'S. Nuno de Santa Maria, Nuno Álvares Pereira, Antologia de Documentos e Estudos sobre a sua Espiritualidade' (selecção e apresentação de J. Pinharanda Gomes, Lisboa, Zéfiro, 2009, páginas 120 a 124)


Feira Nacional do Cavalo - Golegã - Espectáculo Equestre "O Cavalo e o S.Martinho"

 

domingo, 5 de novembro de 2023

As Cruzadas não foram agressivas, mas defensivas

O crítico das Cruzadas fala como se elas tivessem atacado uma tribo inofensiva ou um templo no interior do Tibete, que desconhecia antes de a invadir. Parecem esquecer que antes de os cruzados sonharem em ir a Jerusalém, os muçulmanos quase chegaram a Paris. Parecem esquecer que se os cruzados quase conquistaram a Palestina, isso apenas foi uma reacção aos muçulmanos que quase conquistaram a Europa.

G. K. Chesterton in «The New Jerusalem», 1920


Fonte: Veritatis

sábado, 4 de novembro de 2023

A saudade

“A Saudade não é um tema português, mas o tema português por excelência. Se algum outro pode ser situado ao lado é a ‘Descoberta’. Ambos polarizam a realidade histórica que é Portugal. E resulta que são uma contraposição: a ‘Descoberta’ é a ânsia de ir, a ‘Saudade’ a ânsia de voltar. A ex-patriação (uma vez) e a re-patriação permanente: antes e depois da Descoberta. Portugal é o ‘filho pródigo’ de si mesmo. O que nele é o mais autêntico, o ir ou o voltar? Aquele o fez uma só vez: este o fez e está a fazer sempre. A cada dia, cada hora o português volta.

Note-se o que há de grave nisto. A Descoberta é um romper o horizonte e um buscar o imprevisto para além, é ‘mares nunca d’antes navegados’, a abertura radical. Saudade é solidificação de todo horizonte dado: um ficar no velho, no costume. Uma hermetização e o maior não à aventura”.

– José Ortega y Gasset (Saudade. Notas de Trabalho)