quarta-feira, 28 de julho de 2010

Análise política de um Monárquico: 100 anos depois


No blogue «Albergue Espanhol», Luis Naves tem publicado interessantes notícias de jornal, dos últimos meses de Monarquia.

Tenho-as comentado, sob o título: «Análise política de um Monárquico: 100 anos depois

Notícias de 2 de Julho. Normalidade. Sua Majestade o Rei D. Manuel II participa em banquete protocolar de homenagem ao Presidente da República da Argentina (obviamente eleito!), Saenz Peña, junto ao inenarrável e futuro (se já não o era em Julho 1910!) republicano, Teixeira de Sousa. A referência à Argentina como exemplo de República, não deixa de ter a sua graça. Se compararmos, 100 anos depois, a «brilhante» e «próspera» história da república argentina e de outros países da América Latina, com a que tiveram, no mesmo período de tempo, as «atrasadíssimas» nações europeias, que preferiram manter as suas velhas instituições de séculos – como a Dinamarca ou a Suécia, por exemplo -, percebemos, por fim, a «felicidade imensa», «exuberante» mesmo, que é poder escolher o Chefe de Estado. O que, como se sabe, nem sempre a nossa República permitiu, sequer.

Notícias de 3 de Julho. Normalidade. Os republicanos realizam um comício, que deve ter decorrido com a habitual liberdade democrática, que a Monarquia Constitucional a todos permitia, desde há muito. Se a fotografia que se vê é a do evento em causa, tenho as maiores reservas, que o comício tenha sido «gigantesco» como o jornal refere. Ou é de mim, ou ali não vejo «milhares de pessoas». Vejo, tão-só, umas 1000, no máximo. O habitual fraco resultado eleitoral do PRP., não pode espantar, seja quem for: ganhar eleições, nunca foi com os republicanos nacionais… Tem outra vez graça, 100 anos depois, recordar as palavras de Teófilo Braga, ao criticar a instabilidade política na Monarquia…! A I.ª República foi de uma «Estabilidade Alucinante»: 46 governos; 21 golpes de Estado; duas guerras (a mundial e a civil); 8 presidentes da república; bancarrota. Tudo isto, em apenas 16 anos de grande «Estabilidade…»

Notícias de 4 de Julho. Tragédias. Muitos crimes, de facto, ocorriam por esta altura. Suponho que os chefes do PRP. não tenham comprado o jornal neste dia. Se o tivessem feito, perceber-se-ia, de imediato, que a responsabilidade do sucedido, tinha sido, como não podia deixar de ser, da Família Real.

Notícias de 5 de Julho. Más condições de vida do proletariado. Já aqui antes referi a outro propósito, que o Rei D. Manuel II tentava chegar a acordo, com os sindicalistas de Azedo Gneco. Não o conseguiu fazer, infelizmente. Penso, desde sempre, que esteve neste fracasso, uma das causas principais, da queda do regime monárquico, em 5 de Outubro. A Monarquia precisava de criar, na órbita do poder, um verdadeiro «Partido Trabalhista», que substituísse um dos tradicionais e desgastados Partidos de governo e combatesse a demagogia republicana! As péssimas condições dos trabalhadores, apenas pioraram com a República.

Notícias de 6 de Julho. Crise na Agricultura. Fome e penúria no interior. Também não foi aqui, que a República resolveu alguma coisa. Pobres éramos em Monarquia; mais pobres ficámos com os republicanos no poder.

António Lemos Soares

Fonte: PeAn e os "Cágados de pernas 'pró' ar"

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