quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A monarquia e a estabilidade política, um exemplo prático

transferir.jpg


O Presidente da República na Grécia é eleito pelo Parlamento e não através de sufrágio direto. Os nomes dos candidatos são propostos pelos partidos e o candidato tem de recolher a aprovação de pelo menos dois terços dos 300 deputados que compõem o plenário grego. Caso não consigam eleger um Presidente, há uma segunda volta em que um dos nomes tem de conseguir mais uma vez um mínimo de 200 votos. No entanto, se nem à segunda ronda for possível aprovar um dos nomes, há lugar a uma terceira ronda em que o número de votos exigidos baixa para 180.
Foi precisamente a falta de um consenso em torno do homem que iria sentar-se no Palácio Presidencial que deu origem à crise política e às eleições antecipadas que conduziram a coligação de esquerda radical ao poder.
Daqui

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

3º CONGRESSO DA JUVENTUDE MONÁRQUICA PORTUGUESA



Cascais, cidade de mar, foi o local escolhido para o 3º Congresso da JMP. 

Sempre com o olhar em direcção ao futuro, alicerçamos a nossa coragem no exemplo dos navegadores portugueses que desbravaram os oceanos, mas também nos ensinamentos de todos os que trabalham com o mar e pelo mar, principalmente os pescadores.

Cascais é isto mesmo; pesca, mar, bravura, mas também terra de reis. Recordamos, por exemplo, o gosto que o Rei dom Carlos tinha por este local. 

O país vive numa tribulação permanente, necessitando, urgentemente, de uma alternativa política.

A JMP acredita que essa alternativa reside na Instituição Real, como farol de todos os portugueses. 

O 3º Congresso da JMP é aberto a todos os jovens portugueses, associados ou não.

Inscreve-te e traz os teus amigos! 

Em tempos de urgência nacional, queremos uma juventude patriótica ao serviço de Portugal! Junta-te a nós! Inscreve-te!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Mar Vermelho

O genocídio dos cristãos no Médio Oriente requer uma resposta internacional.

Sim, há um mar vermelho, mas este não é o que, com este nome, separa o Egipto da Arábia e que, segundo a Bíblia, o povo judeu atravessou a pé enxuto, fugindo do faraó e do seu exército, a caminho da terra prometida. Este 'mar vermelho' não o é em sentido figurado, como aquele, mas real, porque foi tingido pelo sangue dos 21 mártires coptas que os jihadistas, ou guerrilheiros do auto-proclamado Estado islâmico, que os árabes preferem designar por Daash, assassinaram numa praia da Líbia. O Mediterrâneo é agora vermelho, à conta do sangue inocente que nele foi derramado. É também, como diziam os romanos, o 'mare nostrum'. É hora de que a Europa e o mundo acordem para esta dramática realidade: é o nosso mar que é vermelho e é o sangue dos nossos irmãos que o mancha.

A Igreja cristã copta é antiquíssima, porque nasce de uma cisão primitiva da Igreja católica, por razões doutrinárias que se prendem com o concílio de Calcedónia, no ano 451, e tem, curiosamente, um papa a presidi-la. Apesar de alguma expressão no médio Oriente, não tem dimensão, nem influência política capaz de fazer frente às pretensões hegemónicas dos grupos islamistas radicais, de que o Daash, no seguimento da Al Quaeda é, na actualidade, o mais temível expoente. Mas foi o alvo escolhido por aquela milícia fundamentalista que, aproveitando-se da guerra civil na Líbia e da existência, em simultâneo, de dois governos nacionais, já domina grandes zonas desse país. Não terá sido em vão que as imagens da decapitação, numa praia mediterrânea, dos 21 cristãos egípcios, foram filmadas na Líbia, precisamente para provar que a sua implantação neste país não é fictícia.

É verdade que esta guerra não é um enfrentamento entre religiões, mas é inegável o propósito do Daash em criar uma região internacional interdita a todos os crentes que o não sejam da sua fé islâmica, mesmo que se afirmem também devotos de Alá e do seu profeta. Os 21 egípcios, imolados no altar da intolerância religiosa e do fundamentalismo bárbaro dos seus assassinos, eram cristãos. Na declaração que acompanha as horríveis imagens desse múltiplo homicídio, percebem-se referências a Alá, mas também ameaças contra os cristãos em geral e, mais em particular, os católicos. Com efeito, o cabecilha dessa funesta expedição punitiva afirma o seu propósito de "conquistar Roma, com a bênção de Alá". Se são eles que o dizem, quem se atreveria a negá-lo?!

De facto, foi a fé cristã das vítimas desta chacina, em terras líbias, a razão principal da sua morte. Se morreram por ódio à religião cristã, como de facto consta, nada obsta que a igreja copta os considere como mártires da fé. Segundo o Avvenire, são perceptíveis, nas terríveis imagens que registaram o seu sacrifício, palavras de fé pronunciadas pelas vítimas, na iminência da sua morte violenta.

De algum modo, não só o Daash mas todas as forças políticas que apostam na expulsão dos cristãos radicados no Médio Oriente, são, talvez de forma encapotada, cúmplices do fundamentalismo islamita na sua cruzada contra a liberdade religiosa e os direitos humanos. Há que reconhecer, a todos os cidadãos e comunidades religiosas naturais da Ásia menor, o indeclinável direito à terra que é a sua pátria e à prática da religião, seja ela qual for, que professam. Esta tem sido a reiterada posição da Igreja católica que, sobretudo através do patriarcado latino de Jerusalém e da Ordem pontifícia do Santo Sepulcro, luta desesperadamente por defender a presença cristã e de outras minorias na Terra Santa, não obstante a hostilidade de sectores israelitas mais radicais e dos extremistas muçulmanos.

Portugal e a comunidade europeia, que felizmente reagiu com tanta determinação frente aos ataques em Paris, não podem cruzar os braços ante esta tragédia humanitária, que está a ocorrer às suas portas, no seu próprio mar. São as costas espanholas, francesas, italianas e gregas que as águas do Mediterrâneo banham, agora tingidas pelo sangue destes 21 mártires. É o nosso sangue que está a ser derramado e, por isso, é também nossa a dor deste terrível luto. Por desgraça, volta a ser verdade o triste vaticínio do poeta: "Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!"

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

Fonte: Povo

sábado, 21 de fevereiro de 2015

O REI DO POVO



«Rei sem Povo não é Rei, Povo sem Rei não é Povo», declarou atiladamente Dom Luís Álvares de Castro, 2.º Marquês de Cascais, tendo como interlocutor El-Rei Dom João V.

O Rei está ao serviço da Nação e não reclama da dificuldade de ler o Povo, pois, dispõe-se a tal. O Monarca indaga cada camada da população, aprende na sua verdade, e através de uma atitude racional chega ao que acredita será o reflexo da vontade do Povo. Essa é uma tarefa infinda e a preparação começa com a educação do herdeiro presuntivo da Coroa, não é uma realidade que se pode apreender de um momento para o outro.

Para conhecer o Povo é necessária presença, dirigir-se à própria matéria, face a face, acompanhá-la, permitir a espontaneidade, sair da confortável área da preguiça espiritual, para conhecer a «substância», e ouvindo as pretensões mais exageradas e os anelos mais essenciais, filtrar, chocar esses anseios e formar em consciência o que será o corpo do bem comum.

Na nossa sociedade contemporânea, tão igualada, já não existe possibilidade para Chefes de Estado de trato enfatuado, e em Portugal monarcas assim não houve: os nossos reis mantinham uma relação directa com o povo, e sentiam prazer em estar entre gente comum e quando abordados por qualquer pessoa do povo, entabulavam familiarmente uma conversa, até porquê os príncipes eram educados pelos seus doutos preceptores precisamente para isso. D. Aleixo de Menezes acautelava El-Rei Dom Sebastião: “o excesso de afabilidade, senhor, não compromete a autoridade do príncipe…».

Como escreveu o colossal Eça de Queiroz no panegírico “A Rainha”: «No tempo dos nossos velhos reis, ao contrário, todos os educadores de príncipes lhes ensinavam o alto dever real de comunicar docemente com o povo.»

Miguel Villas-Boas

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

SS.AA.RR., Os Senhores Duques de Bragança presentes na primeira missa celebrada em Lisboa pelo Cardeal-Patriarca D.Manuel Clemente


O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, sublinhou na homilia da missa de Quarta-Feira de Cinzas, que alguns sinais de recuperação económica demoram a chegar às famílias, e apelou à misericórdia para com os mais desfavorecidos. 

«Mesmo alguns sinais de recuperação económica demoram em repercutir-se na vida e no estado de espírito de muitas pessoas e famílias, que por excessivos encargos e falta de trabalho e perspectivas não conseguem satisfazer necessidades básicas, nem olhar com optimismo o futuro, especialmente os mais jovens», afirmou D. Manuel Clemente, que presidiu, na Sé de Lisboa, à missa de cinzas, que marca o início da Quaresma, naquele que é o seu primeiro acto público em Portugal desde que foi criado cardeal pelo Papa Francisco, no passado sábado. 

«Os crentes participam com os seus concidadãos ‘nas alegrias e esperanças, nas tristezas e angústias’ da sociedade que integram. Mas, exactamente por serem crentes, em tudo hão-de estar com os sentimentos de Deus revelados em Cristo, isto é, com a misericórdia que os aproxime de toda a pobreza e fragilidade, em comprovada presença e concreto apoio, correspondendo às multiplicadas carências dos outros», continuou o prelado. 

D. Manuel Clemente, que falava para um templo sem lugares vagos, disse que «pode haver, como legitimamente acontece mesmo entre os discípulos de Cristo, diferenças na análise dos problemas e perspectivas distintas para a respectiva resolução», mas que «o que não pode haver é desistência ou atraso quanto ao essencial, que é responder com empenho às carências pontuais ou persistentes da sociedade que integram». 

Colocando a tónica da homilia na «misericórdia», D. Manuel Clemente afirmou: «A Quaresma que iniciamos tem este conteúdo vivo, de nos rendermos à misericórdia de Deus e de a reproduzirmos em nós, para que chegue a todos; e o mundo passe com Cristo para o Pai, repassado por fim dum amor definido, absolutamente próximo e inteiramente solidário. Tanta coisa depende disso, que nenhum de nós tardará decerto. Jejuemos do mais, pois só assim bastaremos; partilhemos os bens, que só em comum serão nossos; perseveremos na oração, para prosseguirmos com Deus». 

A homilia lida hoje pelo Cardeal Patriarca é a mensagem da Quaresma da Diocese de Lisboa, explicou à Lusa fonte do patriarcado. 

Na mensagem é afirmado que «entrar em Quaresma é aceitar um desafio imenso, como é entrar no próprio coração divino. É um modo poético e, assim mesmo, verdadeiro, de corresponder à revelação bíblica do que Deus foi revelando de Si próprio, ao longo daquela história exemplar para todos os povos, tempos e lugares. Coração divino, que em Jesus demonstrou a correspondência absoluta com o coração humano, faminto e sedento de tantas fomes e sedes». 

Cerca de 400 pessoas, entre elas o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, e os Duques de Bragança, D. Duarte Pio e D. Isabel, assistiram à eucaristia, na qual participam cerca de 20 sacerdotes e os bispos auxiliares da diocese. 

Numa parede lateral da Sé está já posto o pano de arma do Cardeal-Patriarca com a respectiva divisa: «In lumine tuo». 

A cerimónia contou ainda com a presença das ordens do Santo Sepulcro, de Malta e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, bem como com a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Sé. 

















Fonte: TVI24 e Patriarcado de Lisboa

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

D. CATARINA DE BRAGANÇA E O CHÁ DAS CINCO



Em 1661, a Rainha regente D. Luísa de Gusmão, digníssima viúva d’El Rei Dom João IV, o Restaurador, declarou em cortes o contrato nupcial, aprovado pelo Conselho de Estado, do casamento da Infanta Dona Catarina Henriqueta de Portugal com o Rei Carlos II de Inglaterra. Seguiu-se um contrato de paz, com artigos muito curiosos, publicado no Gabinete histórico, de Frei Cláudio da Conceição, onde vem a descrição do real consórcio: «0 nosso augusto Soberano Lorde Carlos II, pela Graça de Deus, rei da Grã-Bretanha, França e Irlanda, Defensor da Fé e a Ilustríssima Princesa D. Catarina, Infanta de Portugal, filha do falecido D. João IV, e irmã de D. Afonso, presente rei de Portugal, foram casados em Portsmouth na quinta-feira, vigésimo segundo dia de Maio, do ano do N. Sr. de 1662, 14.º do reinado de SM, pelo R. R. F. in G. Gilbert, Bispo Lorde de Londres, Deão da Real Capela de Sua Majestade na presença de grande parte da nobreza dos domínios de Sua Majestade e da de Portugal.» Dona Catarina não foi uma rainha popular em Inglaterra por não ter descendência e por ser católica - o que a impediu de ser coroada -, mas é da sua responsabilidade a introdução do chá em Inglaterra.

Natural da China, o chá foi introduzido na Europa pelos portugueses no século XVI.
Assim, Dona Catarina de Bragança deixou pelo menos a Inglaterra o hábito de beber chá que se tornou um dos hábitos tipicamente britânicos, mas que não foi o único: deixou o costume do consumo da geleia de laranja, para além de lá ter introduzido o uso dos talheres – pois antes disso os ingleses comiam com as mãos, mesmo a aristocracia mais fina que levava os alimentos à boca com três dedos (polegar, indicador e médio) da mão direita e do tabaco, legando dessa forma uma importante herança cultural.

O hábito de beber chá já existiria, num período em que a Companhia das Índias Orientais o estava a vender abaixo do preço comercializado pelos Holandeses e o anunciava como uma panaceia para a apoplexia, epilepsia, catarro, cólica, tuberculose, tonturas, pedra, letargia, enxaquecas e vertigem – um verdadeiro cura tudo e mais alguma coisa -, mas foi Dona Catarina de Bragança que o transformou na "instituição" que os ingleses hoje conhecem por “Chá das Cinco”, o tão famoso quanto imprescindível "five o'clock tea". Bravo, Dona Catarina, pela herança que deixou!

Acresce que, o consumo deste produto era apanágio das esferas mais altas da sociedade. Em consequência, também, surgiu a expressão: “Ter falta de chá!”, dirigida a alguém que não tem educação ou que não tem maneiras, uma vez que o chá era originariamente consumido por famílias nobres, presumidamente mais sofisticadas. Hoje, claro que numa sociedade burguesa e plutocrata, em que o dinheiro é o mote, não está garantido que haja na alta roda muito chá, até porque podem-no não ter tomado em pequeno e uns são ricos, mas outros têm apenas dinheiro!

Com este artigo iniciamos uma rubrica de interesses históricos sobre factos e figuras que muitas vezes são ignorados pela ciência histórica mainstream, com a certeza de continuaremos com os artigos de fundo mais sérios e doutrinários!

Miguel Villas-Boas

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica