domingo, 19 de julho de 2015

Ceuta 1415 - 1. Morte da Rainha Dona Filipa

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Foram longos meses de permanência no Porto, a liderar os trabalhos de construção de uma frota naval, a arregimentar os chefes militares do norte, a adestrar homens para combate e a recolher víveres de toda a espécie. O jovem infante D. Henrique regressava a Lisboa com a missão cumprida, ao comando da armada com 70 embarcações que el-Rei seu pai o incumbira de preparar. O infante D. Pedro partiu ao seu encontro fora da barra e os dois irmãos entraram juntos no estuário do Tejo, indo desembarcar no lugar do Restelo, numa praia onde mais tarde D. Henrique mandaria construir a igreja de Santa Maria de Belém. Reunia-se assim finalmente a grande armada com dimensão nunca vista nestes Reinos e festejava-se com alegria a iminente partida para a empresa tão grandiosa quanto desconhecida de quase todos. Surge então a triste notícia da súbita doença da Rainha D. Filipa que padecia no mosteiro de Odivelas. Para lá se dirigiram imediatamente el-Rei e os três filhos mais velhos, D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, enquanto os mais novos, D. Isabel, D. João e D. Fernando ficavam ao cuidado do Mestre de Avis.

Philippa of Lancaster nasceu em Inglaterra a 31 de Março de 1360. Era a filha mais velha de John of Gaunt, duque de Lancaster e de Blanche of Lancaster. Foi educada na corte plantageneta, em pleno ambiente da Guerra dos Cem Anos que opunha o reino de Inglaterra ao de França. Terá sido muito influenciada pelo ideal cavaleiresco recuperado pelo seu avô, o rei Edward III, instituidor da famosa ordem de cavalaria da Jarreteira. As mortes, primeiro do herdeiro do trono – o Príncipe Negro, seguida do rei Edward III tornaram o pai de Philippa a pessoa mais poderosa em Inglaterra durante a menoridade do novo rei Richard II. Mais tarde, o duque de Lancaster, casado em segundas núpcias com Constança de Castela, filha de Pedro I o Cruel, quis reclamar a coroa de Castela por direito de sua mulher. Estabeleceu então uma aliança com Portugal para juntos fazerem frente aos reinos inimigos de França e de Castela. A aliança foi selada pelo casamento entre Philippa (já com 26 anos) e el-Rei D. João I, no Porto, em 1387, ano e meio após a grande vitória de Aljubarrota. 

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A Rainha Dona Filipa destacou-se sobretudo como esposa muito dedicada e pela influência que teve na extraordinária educação da sua prole, imortalizada por Camões no verso de Os Lusíadas “ínclita geração, altos infantes”. Mas o cronista Zurara, que contava 5 anos à data da morte da Rainha, descreve-a como modelo de virtudes cardeais – justiça, prudência, temperança e fortaleza – e teologais – fé, esperança, e caridade. Foi aliás na prática obstinada da caridade junto dos mais pobres e dos doentes que D. Filipa se deixou infectar irreversivelmente pela terrível peste que naquela altura fustigava Lisboa. Já no leito de morte, em Odivelas, mandou chamar os três filhos mais velhos e deu a cada um deles um pedaço do santo lenho da vera cruz para que lhes servisse de protecção. Entregou-lhes também as espadas que mandara fazer propositadamente para os ver armar cavaleiros, após a batalha pela expansão da fé em Jesus Cristo. Depois, a D. Duarte, herdeiro dos Reinos, encomendou a defesa dos povos com justiça, incumbiu D. Pedro da protecção das donas e donzelas e a D. Henrique rogou que zelasse por todos os senhores, cavaleiros, fidalgos e escudeiros.

A insigne Rainha Dona Filipa deixou este mundo a 18 de Julho de 1415, faz hoje precisamente 600 anos. Iriam o luto e o mau agouro fazer suspender a partida da armada para a importante expedição, preparada com tanto afinco e minúcia nos anos anteriores?

João Ferreira do Amaral, em 18.07.15

Fonte: 31 da Armada

sábado, 18 de julho de 2015

SAR, o Senhor Dom Duarte esteve presente, em Vigo, na celebração do 90º aniversário do Senhor Adriano Marques de Magallanes

Familiares, amigos y personalidades arropan a Adriano Marques de Magallanes en la celebración de su aniversario en Cesantes


Aspecto de la finca en la que se festejó el aniversario. // A.I.

En compañía de su extensa familia y decenas de allegados, Adriano Marques de Magallanes celebró ayer su 90 cumpleaños con dos actos en Cesantes. Una misa en el templo de San Pedro dio paso a una fiesta en la finca de los Regojo, para disfrute del paisaje y la amistad.
Una agradable tarde de verano con la ría de Vigo abrillantada por el sol fue el marco perfecto para la celebración del 90 cumpleaños de Adriano Marques de Magallanes ayer en Cesantes. Un aniversario que suscitó comentarios curiosos entre los vecinos de la parroquia por la asistencia de numerosas personalidades del mundo empresarial, cultural y político, relacionados con la trayectoria profesional del homenajeado. Primero la iglesia de San Pedro y después la finca de los Regojo acogieron una celebración preparada "entre sus familiares y amigos", según explicó su hijo Alejandro Marques.
Elegante y siempre amable, don Adriano saludó uno a uno a todos los invitados, tomándoles el brazo en gesto de afecto y cercanía. El empresario, fundador de la textil Partenón en 1958, recibió entre otras las felicitaciones del duque de Bragança, don Duarte Pío, heredero al trono de Portugal; el duque de Segorbe, Ignacio Medina; o el senador Patiño de Ecuador, país del que don Adriano es cónsul.
Como exdiputado y exsenador por el PP, recibió la visita del exministro José Manuel Otero Novas; la presidenta del Consejo Económico y Social de Galicia, Corina Porro; la delegada de la Xunta, María José Bravo Bosch; o el parlamentario Miguel Santalices, además del alcalde de Redondela, Javier Bas, y el anterior regidor Xaime Rei. Del entorno empresarial se acercaron, entre otros, la presidenta del ICO Irene Garrido; o el propietario de Remolcanosa, Elcano y Povisa, José Silveira.
De entre los familiares, estaban presentes su cuñado Pedro Regojo o su sobrino Manuel Márquez. En el recuerdo y el corazón de todos, Rita Regojo, la fundadora de Aldeas Infantiles fallecida hace cuatro años, y esposa de don Adriano durante más de medio siglo.
Vestidos con sus mejores galas, los invitados abarrotaron la iglesia de San Pedro de Cesantes, presidida por la imagen de la Virgen del Carmen y donde se ofició una emotiva misa con música de órgano y canto en directo. Después, en la finca y el pazo junto a la playa, pudieron degustar un delicioso catering. Fue el momento de la entrega de regalos, entre ellos obras de arte, que don Adriano aprecia especialmente. Fue una celebración digna de un hombre de categoría.
Fonte: Faro de Vigo

sexta-feira, 17 de julho de 2015

D. Carlos I – Discurso da Coroa de Junho de 1906



Em Junho de 1906, por ocasião da Sessão Solene de Abertura das Cortes, El-Rei Dom Carlos I de Portugal profere o seu 17.º Discurso da Coroa, tão mais importante quanto havia um novo Governo de aliança parlamentar entre o pequeno partido Regenerador-Liberal doChefe do Ministério João Franco e o Partido Progressista e que tomara posse a 19 de Maio.
Depois do aparato do Cortejo Real no Coche da Coroa, os Reis de Portugal acompanhados do Infante Dom Afonso – irmão do Rei – chegam ao Palácio de São Bento e entram nas Cortes com toda a pompa e circunstância. SS.MM.FF. o Rei Dom Carlos I e a Rainha Dona Amélia ocupam o seu lugar protocolar nos Tronos colocados sob um estrado na tribuna do hemiciclo.
As Palavras do Rei tinham um papel fundamental pois Sua Majestade, como escreveu Raul Brandão:  ’Se o deixam viver, tinha sido um dos maiores reis da sua dinastia. Só ele fala (e sonha) num Portugal Maior, e num Portugal esplêndido. O resto é visão de pequenos estadistas de trazer por casa.’
Perspicaz e com visão de Estadista tinha uma capacidade enorme para fazer discursos, e ao contrário do que se, maldosamente, fazia crer não se limitava a articular as palavras escritas do Chefe do Ministério, conforme acontece hoje nas Monarquias Constitucionais. Embora, numa Monarquia Constitucional ‘o Rei reina e não governa’, Dom Carlos era, o oposto de uma figura de retórica cerimonial, mas como dizia Eça de Queiroz ‘é El-Rei a única força que no País ainda vive e opera’, ou, como haveria de escrever Homem Cristo in “Monarchicos e Republicanos”, 1928: ‘foi o político mais inteligente do seu tempo e o único, de todos, que tinha carácter’.
Sempre disposto a sacrificar o seu bem-estar em prol da Nação, cumpria escrupulosamente o seu dever: era um Rei que, claro está, relativamente aos Antigos Reis perdera poderes, mas que sem dúvida mantivera papel fundamental e responsabilidades que nenhum outro homem estava habilitado a desenvolver. O mandato para governar derivava do Rei, pois com o seu Poder Moderador era aceite como juiz-árbitro entre os partidos, poder esse que na 1.ª república seria atribuído não a uma figura de cera como era o presidente, mas à violência – sem dúvida por defeito do cargo. O artigo 71.º da Carta Constitucional de 1826 estatuía: ‘O Poder Moderador é a chave de toda a organização política e compete privativamente ao Rei, como Chefe supremo da Nação, para que incessantemente vele sobre a manutenção da independência, equilíbrio e harmonia dos mais Poderes Políticos’.
Com Dom Carlos I, na Chefatura do Estado estava Alguém, que por prerrogativa de nascimento ocupava esse cargo, mas que estava preparado desde cedo para a função de realizar o bem comum e o desígnio nacional e funcionar como uma figura supra-partidária. Apoiado na Constituição o Monarca era a chave de toda a estrutura política, como Chefe de Estado e Chefe Supremo da Nação, e incansavelmente guardava a manutenção da independência e estabilidade dos mais Poderes Políticos. A suprema magistratura do Estado recebeu-a por via hereditária da Sua Dinastia reinante, mas o Seu papel Real conciliava-se com a subsistência de uma Constituição que lhe conferia legitimidade democrática. O Monarca era um de diferentes órgãos do Estado e que exercia os poderes que lhe estavam consagrados na Lei Fundamental do País: direito de nomear o chefe do governo e exercer controlo sobre a composição do gabinete – afastando nomes indesejáveis -, dissolver a Câmara dos Deputados, nomear os Pares do Reino – membros da Segunda Câmara, a Câmara dos Pares -, acompanhar a governação no que dizia respeito às relações externas, representar a Nação no estrangeiro, outorgar honrarias e, além disso, o monarca era o comandante-em-chefe das Forças Armadas – era prerrogativa do soberano declarar guerra, fazer a paz e orientar as acções dos militares – pelo que nenhum ditador podia tomar para si o controlo do exército e usá-lo em proveito próprio.
Na sua fala do trono, o famoso Discurso da Coroa, Dom Carlos I de Portugal, Pela Graça de Deus e Vontade dos Homens, Rei de Portugal e dos Algarves, d’Aquém e d’Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc., com uma natural facilidade para discursar, brilhava. Os deputados e os Pares do Reino ouviam embevecidos o Seu Rei que lia de forma perfeita, com voz colocada e comunicativa, eloquente, que, como escreveu João Franco Castello-Branco, ‘batendo as palavras, recortando as frases, acentuando-lhes numa simples inflexão de voz o alcance e o sentido, muita vez trouxeram movimento e vida à prosa mortiça e frouxa de mais de um discurso da coroa’.
No Discurso da Coroa El-Rei disserta sobre o programa do Seu Governo, pois apesar de o Presidente do Ministério deter o poder executivo, é-o porque o monarca adjudica o poder e permanece apenas com a posição de titular e portanto o Governo era sempre o Dele. Este governo de concentração-liberal chefiado por João Franco governaria à inglesa, isto é, com firmeza mas equitativamente, cimentando a democracia: dedicando-se à implantação de reformas na liberdade de imprensa – ‘tolerância e liberdade para o país compreender a monarquia’ –, na contabilidade pública, na responsabilidade ministerial, e na repressão anarquista por intermédio da Polícia Preventiva, ou seja, um governo convictamente defensor das instituições representativas e das liberdades. Pretendia a concretização do sempre frustrado programa de Vida Nova, com um regime de correcção dentro de um quadro liberal.
Escreveria, mais tarde El-Rei: ‘Até ao momento, tenho tido sucesso, e tudo vai bem, até melhor do que eu julgava possível. Mas para isso, preciso de estar constantemente na passerelle e não posso abandonar o comando um minuto que seja, porque conheço o meu mundo e se o espírito de sequência se perdesse por falta de direcção, tudo viria imediatamente para trás, e então seria pior do que ao princípio.’
Mas, naturalmente que, as favoráveis intenções do Monarca e do Seu novo governo, não foram bem recebidas pelos que delas não beneficiariam…
Miguel Villas-Boas 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Reconstituição histórica do desembarque do Rei D. João I vindo de Alhos Vedros para Lisboa


A Bandeira da Marinha do Tejo simboliza a Descoberta dos Portugueses: só há um Oceano e é possível ligar toda a Humanidade pelas estradas do Mar que os Portugueses desenharam
A Descoberta iniciou-se com um Conselho, em Alhos Vedros, de D. João com os Filhos em 1415.
Veio, tomada a decisão, com Embarcações  até Lisboa e partiu de seguida para Ceuta.
Estava iniciada a Descoberta que levou em Século e meio a fazer pelos Portugueses.
Com a Câmara da Moita, a Câmara de Lisboa, a Associação Alius Vetus, Cultura e Património, com organização do Centro Náutico Moitense, apoiada pela Marinha Portuguesa, no dia 19 de Julho de 2015 vai haver a Celebração no Mar desse começo Português.
Em embarcações tais como as de há Seiscentos Anos farão a Travessia de D. João I, que antecedeu a ida até Ceuta e depois até à Descoberta.
A Descoberta levou aos Portugueses Século e meio e trouxe-lhes a Imortalidade.
Uma das divisas da Marinha do Tejo é: Alcança quem não cansa

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O Fascínio dos Nossos Reis



Não se pense que o fascínio que os nossos Reis provocavam era apenas interno, pois as Suas viagens oficiais ao estrangeiro eram sempre acompanhadas pelos locais e pelas mais prestigiadas publicações da Nação visitada.
A Monarquia é uma instituição que comporta uma carga simbólica sem paralelo; com admiração, o Povo reconhece o valor que ele julga o melhor e o mais poderoso da Nação: o Rei. O Rei personifica a Nação e como tal tem o precioso dom único de encarnar a sua História. Essa é a qualidade original e exclusiva da Realeza: garantir a continuidade da realização do projecto nacional.
A mística real é fruto da relação instantânea e afinidade natural que se estabelece entre o Rei e o seu Povo, Elo inquebrantável desde a fundação das nacionalidades.
Um Rei encanta com a Sua sociabilidade que facilmente atende e se interessa pelas reivindicações do seu Povo, mas também pela Sua dignidade familiar, pois um Rei já nasceu para ser Rei, não é Rei porque ficou rico e/ou poderoso ao cavalgar o galarim da política. O Rei é a verdadeira e única Promessa de Bondade e, também, de Justiça imparcial! Realmente, nenhuma outra instituição granjeia mais reputação de isenção, de supra-partidarismo e contribui para a estabilidade, do que a Instituição Real, porque um Rei independente de calendários eleitorais, sem filiação partidária, sem políticos ou ideologias favoritos e estranho a qualquer mudança na política partidária, funciona como um símbolo de união e isenção.
Como escreveu Fernando Pessoa, em 1935, já saudoso da figura real que havia sido afastada – não pela vontade popular, mas pelo escol republicano e carbonário – há 25 anos:
O rei reside em segredo
No governar da Nação,
Que é um realismo com medo
Chama-se nação ao Rei
E tudo isto é Rei-Nação.
A Coroa visará a consecução do interesse público, pois o Rei gozará sempre da plena liberdade de meios para garantir o bem público, o bem da coisa comum, o bem da res publica! Um Rei era privado de egoísmos, atento somente ao bem geral; o seu bem será sempre o bem alheio, o bem comum e, esquecido de si, põe-se sobretudo ao serviço dos outros, da Nação.
Os episódios da História do Reino são capítulos genuínos de tempos fabulosamente animados pelo amor à Pátria e ao Povo, de símbolos vivos de glória, não de simples consumo interno, mas que provocavam a admiração além-fronteiras, pois a Coroa Portuguesa foi a Instituição nacional mais admirada e ousada nas mais remotas partes do Globo. A Nação Portuguesa foi, na maior parte da sua História quase milenar, essencialmente Monárquica e o Reino de Portugal foi todo ele uma história de vitórias, pois as Quinas portuguesas faziam tremular qualquer estrangeiro mal-intencionado. Quando o ‘Pelo Rei!’, era o grito nacional do Povo fiel às instituições e à independência da Monarquia Portuguesa, que jamais se submetia ao jugo estrangeiro, os nossos maiores recebiam penhor da gentileza e respeito dos estrangeiros!
O princípio do fim verificou-se quando “a antiga fascinação exercida nos espíritos pelo poder dos reis e poder dos exércitos tem sido igualmente atenuada pelo poder superior que modernamente se reconhece ter essa coisa impessoal chamada dinheiro”, escreveu Ramalho Ortigão, e os Reis foram substituídos pelas oligarquias republicanas, que não têm nem provocam fascínio, que tem popularidade negativa, que não são nem provocam apontamento de nota e que fazem as parangonas nacionais e internacionais pelos mais vis motivos, que são chacota e motivo de reprovação.
Mas, ao contrário, a Memória dos Reis vive e só ela vive… nas páginas da história e na nossa recordação e prontas a renascer… no Rei a Ser!
Miguel Villas-Boas 

domingo, 12 de julho de 2015

O Rei Salvaguarda A Democracia

REI E PÁTRIA


Em defesa do regímen da Monarquia Constitucional Parlamentar importa apontar um benefício tão evidente quanto fundamental: o Monarca é a ressalva capital contra determinações políticas autoritárias.
Um Rei conserva e eleva a democracia e suprime qualquer tentativa negativa de poder. Não raras vezes, lembrou o Imperador Austro-Húngaro Francisco José I, ‘a função do Monarca é defender o Povo dos maus políticos.’ Deposto o Imperador que se seguiu?! Sir Winston Churchill respondeu de forma assertiva: ‘Se os Aliados no Tratado de Versalhes tivessem permitido que um Hohenzollern na Alemanha, um Habsburgo no Império Austro-Húngaro e um Wittlesbach na Baviera retornassem aos seus tronos, não haveria um Hitler. A base democrática da sociedade teria sido preservada por uma Weimer coroada em contacto com os Aliados vitoriosos’. De facto, com um Rei na Prússia – poderoso oriente alemão – que continuou Estado Livre até 1933, esta nunca seria transformada em distrito e com a poderosa Baviera Coroada o sul alemão nunca seria submetida ao capricho ditatorial; se mesmo assim, se desse a Unificação germânica, com a Monarquia Dual do Império Austro-Húngaro, nunca se verificaria o anchluss que assegurou a Adolf Hitler o sul da fronteira alemã, e, com a Áustria fora da equação bélica não haveria Führer porque não haveria III Império, e, como tal, não se lançaria poderosamente na terrível Guerra. Sim, a experiência confirmou o valor da Monarquia como uma fonte de travões e uma matriz de contrapesos contra políticos eleitos que poderiam procurar obter poderes maiores aos atribuídos pela Constituição e, assim, em último caso, como uma ressalva contra a ditadura.
De facto, uma coisa só é superada quando se actua de modo a que tal coisa forme com o seu contrário uma unidade: é a tese e a antítese hegeliana. Para haver uma anulação de uma força negativa política tem que haver uma força positiva capaz de a contrabalançar. Num regime político só um Rei tem essa energia e consegue de forma perfeita acentuar essa determinação positiva evitando a ascensão de tiranos.
Tal não acontece com outro Chefe de Estado que não seja um Monarca, uma vez que há a grande vantagem do Rei enquanto entidade real independente, não eleito, não representar qualquer partido político e seus sectários e com tal não segurar nenhuma agenda política, podendo assim com o seu Poder Moderador proteger a estabilidade dentro da multiplicidade politico-social do país, inibindo desta forma a perturbação política e, previsivelmente, a efervescência social. Acima de tramas partidárias, independente de um calendário político, de promessas eleitorais, sem relações suspeitas com oligarquias, sem solidariedade activa com políticos – pois não são seus pares -, sem diligências a favor de clientelas eleitorais e financiadores de campanhas que esperam obter benefícios e dividendos do seu ‘investimento’, o Rei terá a tranquilidade e a legitimidade para actuar como moderador entre as várias facções políticas ou demais grupos da sociedade civil e interpor-se perante os governos como cautela da democracia.
Perante este exemplo moral e suprapartidário todos os políticos são pálidos ‘adversários’ de comparação com uma Figura como a Real. Um Monarca não se reduzirá jamais a um desajeitado padrinho de uma legislatura, em que há medida que o tempo do mandato passa a sua posição se torna cada vez mais vulnerável e ineficaz, nem estará sujeito a pressões, tendo a energia para contrapeso e moral para evitar críticas agrestes, para granjear admiração e distinguir-se pela lição rigorosa e edificante. O Rei será um marinheiro experiente que exerce como tal quando a ocasião requer: o Homem do Leme!
Atente-se ao caso da Monarquia Britânica.
A Rainha
O Parlamento britânico é composto por três entidades: o Soberano, a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns.
É prerrogativa do Monarca convocar, suspender a sessão e dissolver o Parlamento. Cada sessão parlamentar começa com a convocação do Soberano.
Assim ao ocupar o mais alto cargo da Nação, o Monarca evita que qualquer tirano arrepanhe o governo. O sistema parlamentar de governo é de interdependência por integração, pois Governo e Parlamento estão indissoluvelmente unidos, não podendo exercer as suas funções sem harmonia recíproca.
Uma Proposta do legislador no Parlamento é apresentada na Câmara dos comuns, depois debatida na comissão parlamentar, que depois a remete novamente à Câmara que a envia para a Câmara dos Lordes, que a debate em comissão, a recebe a aprova e envia à Rainha que dá o seu Assentimento Real e todas as leis são aprovadas em nome do Monarca. As palavras “SEJA PROMULGADO pela mais excelente Majestade da Rainha (ou Rei), por e com o conselho e consentimento dos Lordes Espirituais e Temporais, e Comuns, presentes neste Parlamento reunido, e pela autoridade do mesmo, como se segue“, conhecido como cláusula de promulgação, fazem parte de cada uma das leis do Parlamento. O Soberano pode, em teoria, “conceder” o Consentimento Real (fazer o projecto de lei tornar-se lei) ou “recusar” o Consentimento Real (vetar o projecto de lei). Na prática, o Assentimento Real serve de travão impedindo leis injustas.
Ora é essa prerrogativa real o maior garante da democracia plena, ou seja méritocracia, pois no que diz respeito aos assuntos internos é ampla. A Coroa é responsável pela nomeação e demissão dos ministros, conselheiros privados, membros de várias agências executivas e de outros funcionários. Dessa forma pode ser evitado o acesso a cargos públicos de pessoas sem escrúpulos, criminosos – ainda que sirvam de exemplo para alguns políticos, nunca o servirão para um Monarca.
Além disso, o monarca é o comandante-em-chefe das Forças Armadas – é prerrogativa do soberano declarar guerra, fazer a paz e orientar as acções dos militares – pelo que nenhum ditador pode tomar para si o controlo do exército e usá-lo em proveito próprio.
A prerrogativa real estende-se a assuntos externos. O soberano pode negociar e ratificar tratados, alianças e acordos internacionais; não é necessária uma aprovação parlamentar. Um tratado assim não pode alterar a legislação nacional.
O Soberano é considerado a fonte de justiça, e é responsável pela prestação de justiça a todos os súbditos e as funções judiciais são desempenhadas em Seu nome. Por exemplo, os processos penais são julgados em nome do Soberano, e os tribunais derivam sua autoridade da Coroa. O direito comum sustenta que o soberano “não pode fazer mal” e assim nenhum político pode instrumentalizar os tribunais para seu proveito e conduzir o julgador a aplicar as leis por encomenda.
A Prerrogativa real é a autoridade executiva do governo e investida no Soberano e como a monarquia é constitucional, o monarca actua dentro dos limites da convenção e precedentes (Constituição), exercendo a prerrogativa real com os conselhos dos ministros. A aprovação parlamentar não é exigida para o exercício da prerrogativa real; o consentimento da Coroa deve ser obtido antes mesmo que a Câmara possa debater um Projecto de Lei que atinja as prerrogativas ou interesses do Soberano. Embora a prerrogativa real seja ampla, ela não é ilimitada, mas é a chave e garante da democracia.
Assim o principal poder do Monarca é negar poder a quem dele pudesse abusar!
Diga-se mais, é na Monarquia que a Democracia se realiza mais intensa e profundamente. De resto, sete dos dez Países com maior índice de democracia são Monarquias Constitucionais, com a Noruega em 1.º lugar, seguida da Suécia em 2.º, a Nova Zelândia em 4.º e da Dinamarca em 5.º – só para citar alguns exemplos.
No caso concreto português, o artigo 71.º da Carta Constitucional de 1826 estatuía: “O Poder Moderador é a chave de toda a organização política e compete privativamente ao Rei, como Chefe supremo da Nação, para que incessantemente vele sobre a manutenção da independência, equilíbrio e harmonia dos mais Poderes Políticos”. É o mérito de completar, que nenhum político pode jamais arrojar-se de possuir.
Ora vivem-se tempos em que a política interna é caracterizada pela deliquescência e desagregação do sistema do rotativismo partidocrata, o que em último grau comprova a dissolução do regímen republicano desprestigiado e enfraquecido por incompetência e impreparação técnica e política, escândalos de corrupção, nepotismo, favorecimento, privilégio, despesismo, sem que se assumam as responsabilidades pelos próprios erros. Perante estas rupturas sem perdão, perante antinomias inconciliáveis, urge o homem do rigor, do desatar e não da contractura, que abra os debates e os feche quando a situação o exigir, que instantaneamente suspenda as atitudes hostis que periguem a Nação e a Comunidade.
É necessário que o actual regímen reconheça a sua ligeireza, os seus limites e passe o testemunho; faça-se uma síntese da Monarquia Portuguesa que durou oito séculos e compare-se a riqueza de antanho com o presente reduzido e deixe-se que projecte sobre este breu republicano a claridade sem par da Monarquia. É necessário firmar o ceptro português sobre os escombros de um regímen esclerosado, exaurido e a exalar os últimos suspiros sobre os braços da anarquia que se tornou. É preciso salvar a Nação!
Basta de um regime de Imperium paternale, que vê os cidadãos como crianças menores que não podem discernir o que lhes é realmente vantajoso ou nocivo, submetendo-os a comportar-se de modo paciente, aguardando da classe dirigente um alvitre sobre a melhor maneira de que devem ser felizes, e no grau que essa classe o queira.
Somente uma lógica como a revolucionária dos golpistas do 5 de Outubro de 1910 podia achar argumentos contra a clareza deste raciocínio, pois apropriaram-se dos meios de coacção e alçaram-se no poder e nas benesses, enquanto a jovial mentira fazia as delícias de um século…
Miguel Villas-Boas 

sábado, 11 de julho de 2015

EU FUI CAPA DA CARAS!: SAR, D. ISABEL DE BRAGANÇA


Personalidades recordam a primeira capa que fizeram para a CARAS, no nosso primeiro ano de vida.




Em Outubro de 1995, D. Isabel de Bragança estava grávida do seu primeiro filho, Afonso, que nasceria em Março. Ao lado do marido, D. Duarte de Bragança, a futura mãe posou para a CARAS na sua casa em São Pedro de Sintra e contou como se estava a preparar para a chegada do herdeiro. Há 20 anos, a maior preocupação da futura mãe prendia-se com a exigência e a qualidade da educação que queria dar ao filho que esperava e aos que viriam a seguir. Passadas duas décadas, a duquesa de Bragança continua a ter como missão de vida a formação dos filhos, ensinando-os a ter “confiança e segurança neles próprios e em Deus. Queremos que sejam pessoas válidas para o seu país.”






Fonte: Caras


sexta-feira, 10 de julho de 2015

5 de Julho de 1911, Falecia D. Maria Pia



Um ano depois da revolução que implantou a república em Portugal, morria no exílio a 5 de Julho de 1911, no seu Piemonte natal, a penúltima Rainha de Portugal: Dona Maria Pia. No leito, instantes antes do suspiro final, pediu que a voltassem na direcção de Portugal, país onde foi Rainha durante quarenta e oito anos, primeiro como consorte do Rei Dom Luís I, depois como Rainha-mãe do grande Rei Dom Carlos I.
O Anjo da Caridade e A Mãe dos Pobres, foram alguns dos epítetos por que ficou conhecida a Rainha Dona Maria Pia consequência da sua compaixão pelos mais necessitados e pela sua entrega às mais diversas causas sociais. Nascida, em Turim, a 16 de Outubro de 1847, Maria Pia de Sabóia, era filha do Rei Vittorio Emmanuel II da Sardenha e do Piemonte, que viria a ser o Primeiro Rei da Itália unificada.
Contra as expectativas, mas talvez por aconselhamento do Marquês de Sá da Bandeira, Presidente do Conselho de Ministros que considerou importante uma aliança com Itália, o Rei Dom Luís I de Portugal casou então primeiro por procuração e depois ratificado, já presencialmente, em Lisboa, a 6 de Outubro de 1862, com a Princesa D. Maria Pia, segunda filha do recente Rei de Itália, e com ela teve dois filhos: Carlos – Príncipe Real, Duque de Bragança e futuro Rei – e o Infante Dom Afonso – Duque do Porto e último Condestável do Reino.
Dona Maria Pia gastava avultadas somas de dinheiro na ajuda dos mais carenciados, quantias que injustamente eram atribuídas para próprio fausto. ‘A Verdade é apenas umas perspectiva’: célebre pensamento do Imperador Marco Aurélio!
Miguel Villas-Boas