quarta-feira, 10 de junho de 2020

S. Anjo da Guarda de Portugal


anjo portugal[1]


Anjo de Portugal, o "Santo Anjo da Guarda de Portugal" ou o "Anjo Custódio de Portugal", também conhecido por Anjo da Paz é uma das designações atribuídas a São Miguel Arcanjo que representa "Portugal"

Terá surgido pela primeira vez na Batalha de Ourique, a mesma deu uma tal vitória às forças de D. Afonso Henriques sobre os invasores muçulmanos que deu a chance de autoproclamar-se Rei de Portugal.

Nas suas Memórias, a Irmã Lúcia contou ainda que, entre Abril e outubro de 1916, nas Aparições de Fátima, teria já aparecido um anjo aos três pastorinhos, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da casa dela, em Fátima (Ourém), convidando-os à oração e penitência, e afirmando ser o "Anjo de Portugal"

Este anjo teria ensinado aos pastorinhos duas orações, conhecidas por Orações do Anjo, que entraram na piedade popular e são utilizadas sobretudo na adoração eucarística.

A pedido do rei D. Manuel I de Portugal, o Papa Júlio II instituiu em 1504 a festa do «Anjo Custódio do Reino» cujo culto já seria antigo em Portugal.

O pedido terá sido feito ao papa Leão X e este autorizou a sua realização no terceiro Domingo de Julho.

A sua devoção quase desapareceu depois do séc. XVII, mas seria restaurada mais tarde, em 1952, quando mandada inserir no Calendário Litúrgico português por Pio XII, para comemorar o dia de Portugal no 10 de Junho.

A devoção ao Anjo da Guarda é muito antiga em Portugal.

Tomou, porém, incremento especial com as Aparições do Anjo, em Fátima, aos Pastorinhos.

Mensageiros de Deus, em momentos decisivos da História da Salvação, os Anjos estão encarregados da guarda dos homens

A fé cristã crê também possuir cada nação em particular um Anjo encarregado de velar por ela.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Não buscamos a verdade, mas o rigor



Se Lisboa tivesse sido construída com a malagueta da Costa da Malagueta ou com a pimenta-de-rabo do Benim, nunca teria passado de uma patética aldeola, pois quer o grão-do-paraíso (malagueta), quer a pimenta do Benim eram sofrívreis e baratos substitutos das especiarias do Oriente. O seu preço era pouco mais do que insignificante.
Se Lisboa tivesse sido construída por escravos, não havia Lisboa, de todo, pois o seu quantitativo era insignificante ao longo dos séculos XVII e XVIII (respectivamente 4,5% e 2,8%). O estudo atento do Rol de Confessados de Santa Justa fez há muito desabar o mito de uma Lisboa abrigando uma imensa população escrava. Para além disso, esses 4,5% ou 2,8% de escravos eram aplicados na sua grande maioria em ocupações caseiras, mas também como remadores, carregadores, vendedores ambulantes, sapateiros, barbeiros, aguadeiros e caiadores. Pedreiros, havia-os poucos e especializados. As corporações, muito ciosas dos seus privilégios, jamais telerariam a concorrência de mão-de-obra gratuita.
Estas meninas devem fazer parte do contingente de novas professoras de História, pelo que se compreende que, encurtadas por Bolonha, não tenham tido tempo para passar além das fantasias, ou antes, delírios.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Sejamos como o bom ladrão


Quanto pior um homem se vai tornando, menos irá compreendendo a sua maldade, exactamente como sucede a um doente, cuja febre vai subindo até o fazer delirar, e que menos e menos compreende que está doente, quanto mais febre tem e mais delira, – a ponto de poder julgar-se tão perfeitamente são, que quer erguer-se do leito para ir trabalhar. Todas as pessoas banalmente más se julgam boas. Só quando acordamos é que sabemos que estivemos a dormir, tal qual só reconhecemos que éramos pecadores, quando libertos do pecado e restituídos à graça de Deus.

Só quando estamos doentes é que pedimos um médico, e só quando nos confessamos pecadores é que imploramos o perdão do Redentor. Assim o disse Nosso Senhor: «Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os que estão doentes» (S. Mateus, IX, 12).

Quando, pois, chegarmos ao ponto de começarmos a sentir-nos e a dizer-nos maus, – então, e só então, estaremos no caminho que levou para o Paraíso o bom ladrão. O reconhecimento da culpa é a condição da conversão, assim como o reconhecimento da doença é a condição do seu tratamento. Enquanto nos julgarmos bons, nunca encontraremos Deus.

Se na nossa petulante vaidade julgamos que sabemos tudo, como poderemos admitir, ou conceber sequer, que Deus nos pode ensinar seja o que for que não saibamos já?

Condescendemos às vezes em reconhecer que temos mau génio, ou que somos um tanto imoderados nos prazeres, sejam da mesa, sejam outros, – mas haverá alguém que leve a condescendência até ao ponto de reconhecer que é vaidoso ou sequer apenas pretensioso? Se não há ninguém que não censure os outros por serem vaidosos, como haverá quem reconheça em si próprio esse pecado? Quanto mais pretensioso cada um for, mais abominará a pretensão dos outros. Quanto mais cada um disser: «Vaidoso é que eu não sou!», mais demonstrará que o é, – como aquele seminarista ingenuamente vaidoso, que depois de ouvir na aula de moral uma lição sobre os males da vaidade e as virtudes da humildade, exclamou entusiasmado para o padre professor: «Eu, senhor padre, a respeito de humildade cristã, estou primeiro que ninguém!»

A vaidade e o orgulho faz com que vejamos toda a restante humanidade lá muito em baixo, – de maneira que nunca poderemos erguer os olhos para ver Deus lá muito em cima. E realmente, se o nosso orgulho não nos deixa reconhecer e admitir outra lei e outra autoridade que não sejam a nossa própria, está claro que é um orgulho essencialmente contrário à lei e à autoridade de Deus.

Todos os mais pecados que possamos cometer, tais como avareza, luxúria, cólera, gula, todos podem provir de nós apenas, – mas o pecado do orgulho, esse provém directamente de Satanás.

Foi esse o pecado que o precipitou, e aos anjos seus sequazes, do alto dos Céus no abismo do Inferno, e é um pecado que elimina até mesmo a possibilidade da conversão.

Se, portanto, formos capazes de nos humilharmos, como se humilhou o ladrão crucificado à direita de Nosso Senhor; se chegarmos como ele a confessar que pecamos, então o nosso brado de arrependimento erguer-se-á até Deus, a implorar-Lhe que Se lembre de nós na desventura em que caímos! No mesmo instante em que deixarmos de nos envaidecer e em que começarmos a ver-nos como realmente somos, então na nossa humildade e penitência seremos erguidos pela graça de Deus até ao Seu perdão.

Façamos, portanto, o nosso exame de consciência: perguntemos a nós próprios, com total e inteira franqueza, não se sabemos muitas coisas, mas sim quais as muitíssimas coisas que não sabemos; não se somos muito bons e virtuosos, mas se somos muito maus e muito pecadores. Julguemo-nos a nós mesmos, não à luz do nosso amor-próprio, mas à luz da nossa recta consciência; não à vista da nossa cultura, mas à vista dos nossos actos; não perante a nossa educação, mas perante o nosso coração. Não tardaremos, se bem verdadeira, leal e profundamente nos examinarmos, em sentir nas nossas almas um grande vácuo, em reconhecer que só estavam cheias da negação que se chama pecado, em experimentar a sede da água límpida da Divina Graça, em bradar como o bom ladrão – e como depois dele, todos os tementes a Deus, quando se vão ajoelhar no Tribunal da Penitência: «Padre, absolva-me, porque pequei e sou agora um pecador arrependido!». É assim que principia para cada um de nós a salvação.

O bom ladrão, com ser bom, foi ladrão até na morte, porque conseguiu com ela ser ladrão do Paraíso, que em vida não merecera e só à hora da morte conquistou.

Pois também cada um de nós, se conquistar o Paraíso, será ladrão como ele foi, porque teremos conquistado o que também em vida não merecemos: o eterno descanso na perpétua luz e na suprema paz do Reino de Deus!

Mons. Fulton Sheen in «As Sete Palavras da Cruz», 1953


Fonte: Veritatis

domingo, 7 de junho de 2020

Corpo de Deus - Lisboa


O Cardeal-Patriarca de Lisboa vai presidir à Missa do Corpo de Deus, no dia 11 de Junho, às 11h00, na Sé de Lisboa. No final da celebração, está previsto um tempo de adoração e a bênção à cidade e à diocese, a partir do Largo da Sé. Este ano, devido à pandemia, não será possível realizar a habitual procissão pelas ruas da cidade.

A celebração terá transmissão online, em directo, através do site e redes sociais do Patriarcado de Lisboa e do MeoKanal (210021).


sábado, 6 de junho de 2020

Os Portugueses do Sri Lanka, sobreviventes de Séculos de Perseguições e Ódio

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Os burghers portugueses são um grupo étnico do Sri Lanka, de ascendência portuguesa e cingalesa. São católicos e falam um crioulo baseado no português.

O povo Luso descendente do Ceilão surgiu com o casamento entre mulheres tamil, cingalesas e homens portugueses, e a conversão dos nativos ao catolicismo por missionários a partir de 1550.

A Perseguição aos Portugueses começou com a invasão holandesa da Ilha em 1638, apoiados pelos caciques Vanni da elite budista e hindu, que viam a conversão e casamento de mulheres da sua nobreza com portugueses como uma ameaça.

Quando a Companhia Holandesa das Índias Orientais assumiu o controle do litoral do Ceilão, os mestiços refugiaram-se nas colinas centrais do Reino de Kandy - ou, em português, Candia.

Todo o tipo de pressão foi exercida para fazê-los abandonar o catolicismo. Casamentos entre portugueses e cingaleses eram proibidos, até falar português passou a ser proibido pelas autoridades holandesas.

Tortura, destruição de igrejas, martírio de homens mulheres e crianças. Os holandeses até tentaram reviver e fortalecer o budismo para impedir a conversão de budistas ao catolicismo.

Nada conseguiu destruir a identidade do Povo Português do Sri Lanka, forçando os holandeses a abandonar a proibição do idioma no Século XVIII. Até mesmo os mestiços de holandeses e cingaleses passaram a usar um idioma crioulo derivado do português e a praticar o catolicismo. A missão calvinista no Ceilão foi em grande parte um fracasso.

Em 1617, a crônica Cingalesa "Rajavaliya" descreveu os portugueses do Ceilão: "Eles tem a pele extremamente clara e bonita. Eles usam botas e chapéus de ferro: não descansam nem um minuto em um lugar: andam aqui e ali. Eles comem pedaços de pedra branca (pão) e bebem sangue (vinho)"

Shihan de Silva Jayasuriya afirma em "A marca cultural portuguesa no Sri Lanka" (2000): "A presença portuguesa na Ásia era geralmente limitada às áreas urbanas, mas o Sri Lanka era uma exceção. As instituições que definiam a matriz de interação social com o local o contexto foi estendido a áreas não urbanas. Os portugueses deixaram sua marca na administração social, sociedade, artes plásticas e linguagem do Sri Lanka ".

Muitos cingaleses adotaram sobrenomes portugueses - embora a maioria tenha sido modificada até certo ponto -, mas essa prática não denota necessariamente a conversão ao catolicismo romano. Esses nomes (e sua forma em português) incluem Corea (Correia), Croos (Cruz), De Abrew (Abreu), De Alwis (Alves), De Mel (Melo), De Saram (Serra), De Silva (Da Silva), De Soysa ou De Zoysa, Dias, De Fonseka ou Fonseka (Fonseca), Fernando (Fernandes), Gomes ou Gomis, Mendis (Mendes), Perera (Pereira), Peiris ou Pieris (Peres), Rodrigo (Rodrigues), Salgado e Vaas (Vaz).

A influência portuguesa no idioma do Sri Lanka é surpreendente, os exemplos incluem: almariya (armário, ou guarda-roupa), annasi (ananás), baldiya (balde), bankuwa (banco), bonikka (boneca), bottama (botão), gova (repolho), kabuk (laterita, material de construção), kalisama (calça) ), kamisaya (camisa), kussiya (cozinha), lensuwa (lenço), masaya (mês), mesaya (mesa), narang (laranja), nona (senhora), paan (pão), pinturaya (foto), rodaya (roda) ), rosa (rosa), saban (sabão), salada (salada), sapattuwa (sapato), simenti (cimento), sumanaya (semana), toppiya (chapéu), tuwaya (toalha), viduruwa (vidro).

Negar a Portugalidade do Sri Lanka seria negar caracter essencial da própria identidade daquele povo.

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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Donald Trump, o Último Democrata

Donald Trump, o Último Democrata


Advertência em tempos de maniqueísmo do “bem”: provavelmente já é quase impossível pensar para além das simplificações e diabolizações bizarras.   
Pensar, ser crítico, analisar e problematizar é diferente de repetir slogans ou ter espírito de claque. É possível pensar sobre Trump de um modo minimamente rigoroso? Quase impossível. Chegaremos ao fim deste texto e nunca falaremos de política, porque ainda não é possível falar do que interessa. Trump é um campo minado, que obriga, enunciado o seu nome, a desculpas, justificações e advertências. Não será um Péricles ou um Licurgo, mas é a pessoa mais diabolizada da história da democracia, por um totalitarismo grotesco que usa o nome da democracia. Sobre o seu pensamento político, o que tem efetivamente feito no campo da política interna e externa, nos domínios económico, social, dos valores ,etc, muitos poucos saberão algo, além do que ouviram dizer e devem repetir. O pensamento hoje é, regra geral, publicitário.
Donald Trump foi eleito democraticamente na democracia mais democrática do mundo por 306 votos de delegados do colégio eleitoral contra 232 recebidos pela sua adversária Hillary Clinton. Na campanha eleitoral, antes da sua tomada de posse e durante o seu mandato, foi sujeito à maior campanha de demonização que há memória. 
Este homem foi e é submetido a uma campanha de ódio por parte dos média e plataformas subservientes do sistema que reproduzem as desqualificações mais ignominiosas da destruição Outro. Imaginemos alguém, por pior que seja, encontrar-se na seguinte situação: é acusado, julgado e condenado para que depois se leve a cabo uma investigação que tem a missão de descobrir quais os seus crimes, onde foram cometidos, quando, sobre o quê e quem. Analisar o “fenómeno Trump” não significa considerar que é o melhor presidente de sempre ou um ideal, aliás estamos perante um efeito e não uma causa, mas compreender a putrefação interna de um sistema que tem destruído o melhor da civilização Ocidental. 
Quem fizer um levantamento, mesmo aleatório, das reações antes e durante a campanha para as eleições presidenciais norte-americanas de 2016, e basta centrar-se nos principais média, com toda a sua corte de especialistas e nas declarações de políticos do sistema, perceberá que há uma estratégia para destruir tudo o que não está previsto no guião estabelecido do que deve ser a realidade. Uma das figuras do partido democrata norte-americano, na noite eleitoral, afirmava em histeria que o homem teria que cair fosse por meios democráticos ou não, legais ou ilegais, éticos ou antiéticos. Trump significa um imprevisto intolerável na liberdade de escolha só com uma opção a que chamamos agora democracia. O impeachement foi agitado logo no dia dos resultados eleitorais, “ele não vai acabar o mandato”, gritavam os histéricos. 
Os meses e dias antes das eleições foram uma avalanche de desdém, amesquinhamento e desqualificações. O idiota, o burro, o imbecil, alguém que não teria hipótese nenhuma, as piadas humilhantes, a sua redução a um menos que zero encheram os média e as redes sociais durante meses. Eleita, na democracia mais evoluída do mundo, a besta apocalíptica do zénite civilizacional, a anedota, o que não tinha hipótese, gerou um colapso num sistema degradado e degradante. E começou então um dos trabalhos mais pérfidos de um sistema ideológico que é uma máquina totalitária de pensamento único e de produção de consenso de uma multidão imbecilizada no seu conforto superficial. Depressa se agitaram os seus serviçais dos média. Trump será doravante o portador de todos os males, émulo da junção dos piores ditadores da história. Trump o porco, o asno, aquele onde se urina na cara, a bosta, a aberração, o ogre, deve sucumbir. Os que nele votaram estão errados e são ignorantes.
A noite das eleições foi dos mais fantásticos espetáculos mediáticos do Ocidente contemporâneo, assistimos ao desenrolar de etapas paradigmáticas de choque, negação e histeria, por parte de uma claque de bem pensantes, de um certo tipo de média, da academia, de uma certa política. Convém não perdermos o foco, em 2016 o Ocidente e o mundo eram o paraíso na terra? Pensemos nos vários domínios: sociais, económicos, no ambiente, no nosso modo de vida, na nossa saúde mental, no plano político.
A sobranceria moral, a suposta superioridade ideológica, o desprezo pelo outro quando não partilha uma determinada visão do mundo e mesmo o plano para a sua aniquilação simbólica e até material, está patente nesse inferno dos salvadores, os detentores do que é o voto certo, o candidato e os partidos e as ideias admissíveis e que têm que ser escolhidas. Nesta estranha forma de democracia, há a opção de escolher apenas um caminho, o indicado, o do bem. Escolher outros caminhos é não ser democrata. “Se votas em mim é democracia, no outro é antidemocracia”. “Eu é que sei o que é a democracia”. O infantilismo, o carácter simplificador dos detentores do “bem” e do “único caminho” deveria ser suficiente para começarmos a pensar de novo contra esse “fascismo do bem” que nos amordaça, infantiliza e manipula.
É espantoso como não nos questionamos sobre uma evidência, o país que na eleição anterior escolhera o messias na terra, Barack Obama, opta num passe de magia, pelo mais vil fascismo. Nem por uma única vez a ditadura progressista que impera no guião da “democracia liberal” considerou que quem não os segue acriticamente também é humano. Esses humanos estão saturados que lhes digam onde devem votar e que se esquecem deles nessa peça de teatro do absurdo em que se transformou o ocidente progressista. Nem por uma única vez se considera que o apodrecimento do funcionamento das instituições e do sistema política não é provocado por forças exteriores que querem destruir o “bem”, mas por aquilo que as suas elites, políticas, mediáticas, têm feito aos países, às comunidades e à vida das pessoas. 
Nesta distopia que vivemos, o enquadramento é claro, “ou te submetes e segues ou serás destruído”. Os sinais são rápidos e estão bem oleados, qualquer dissonância no sistema faz disparar a estratégia: “vem ai o fascismo e o nazismo”, “este é fascista”, “o que diz é falso”, etc. Executadas a manobras de proteção do sistema, o outro não terá qualquer hipótese, especialmente perante o aparelho mediático da produção da realidade e da verdade a consumir pelo individuo programado e embrutecido. Os antissistema são os novos pestíferos que os média aniquilarão. 
Nas peças inquisitoriais progressistas do século XXI, herdeiras dos seus avós Jacobinos e leninistas, Trump é e tem que ser a personificação do diabo com tudo o que de ilógico, infundado e irracional implica.
As suas falhas abrangem os mais diversos campos: morais e éticos, familiares, académicos, culturais, intelectuais, psicológicos, profissionais, etc. O ogre não tem uma única qualidade, só tem defeitos e os piores. Alguém consegue imaginar um ser vivo com mais, ou pelo menos, os mesmos defeitos que o presidente americano? 
A sua inaptidão é praticamente incomparável com qualquer outro ser humano. Nele encontramos a amálgama de todos os defeitos possíveis. Os diabolizadores exageraram. Vejamos uma lista sucinta do inepto eleito democraticamente no país mais atrasado do mundo, com a pior educação, ciência, sistema democrático, etc.
1- Muitos comentadores e doutorados das redes sociais referiam profusamente que o seu filho mais novo tem um ar estranho. (A cartada dos monstros geram monstros).
2- Surgiram vários relatos e testemunhos de comportamentos machistas e sexistas. O modo como inferiorizava e humilhava as mulheres, as mulheres que assediou e provavelmente violou. (cartada feminista).
3- A obrigatoriedade democrática de considerar Trump o inimigo público número um do bem e da democracia. Esta fatwa Ocidental foi decretada por uma espécie de sociedade do bem que junta imprensa, um tipo de intelectuais e uma certa mundividência politica e uma opinião pública para qual pensar é repetir uma série de slogans. Quem no “sistema” não chamar racista, sexista, homofóbico, ignorante, etc., a Trump, é considerado proscrito. Um crítico acérrimo de Trump, Dean Basquet e editor executivo do jornal NYT foi acusado disso por não utilizar esse tipo de adjetivação nas suas críticas. Qualquer intelectual ou figura da cultura que não denigra Trump deixa de fazer parte de quem é lícito admirar (A cartada da proscrição sem alternativa).
4- A ignorância e até instabilidade mental, e mesmo deficit intelectual e cognitivo são dos temas mais trabalhados pelos média para os fazer coincidir com o presidente. No inicio do seu mandato tentou-se demonstrar que a Casa Branca teria agora um ambiente interno que faria de qualquer hospício do século XIX um exemplo de racionalidade e saúde. Tudo começou com uma carta, sempre anónima, onde um funcionário diz que faz parte dos adultos na sala e da resistência. Nessa carta ao NYT a palavra “destituição” já é clara. Os exemplos citados quase diariamente sobre a sua falta de conhecimento e cultural geral colocam-nos ao nível dos indivíduos mais cretinos da história da humanidade e mesmo dos piores retardados mentais do planeta.
Este é um dos homens mais ricos dos Estados Unidos, estudou em estabelecimentos de ensino conceituados e privou durante décadas com a elite económica, financeira, cultural e artística americana. Em 2016, a revista Forbes apresentava-o como a 324.ª pessoa mais rica do mundo e a 113.ª nos Estados Unidos, com um património líquido de 4,5 bilhões de dólares. Mas Trump afinal admirava um presidente americano que seria uma anormalidade, Andrew Jackson, ao contrário de Obama, que retirou a esfinge desse presidente das notas de 20 dólares. (a cartada do ignorante e do doente mental)
5- Os seus negócios, além dos fracassos económicos, revelariam todas as suas falhas de carácter. Enriqueceu às custas do pai. Levou à falência várias empresas, não seria assim tão rico, sendo rico fugiu aos impostos o que num país como os EUA tem um significado incompreensível para um português ou latino, etc. (A cartada da fuga aos impostos e das falências)
6- Não estaria preparado para gerir as suas empresas, falência, comportamento fraudulento perante o Estado e ainda o modo como mal tratava e explorava os seus trabalhadores. (A cartada laboral)
7- O antipatriotismo. A colaboração com o arqui-inimigo, o russo, o estrangeiro. (A cartada da traição à nação e da a quebra da lealdade para com as obrigações do cargo)
8- O seu estado de saúde seria deplorável. Por exemplo na pandemia do covid, a sua obesidade mordida, várias vezes enfatizada, tornava-o um doente de elevado risco que estava a tomar medicamentos errados. O tamanho da sua genitália também é tema de diabolização. (A cartada da deformidade física)
9- A sua relação com a mulher seria inexistente, pautada pela violência e pela traição. Trata-se de um péssimo marido e pai, apenas ligaria aos seus filhos e familiares para privilegiar familiares em negócios e cargos. (A carta do pior marido e pai) 
10- A incapacidade para ser verdadeiro. Diria dezenas de mentiras diárias e seria até o padroeiro das fake news. (A cartada do mentiroso patológico)
11- O militarista. O individuo que provocaria várias guerras mundiais, começando pela Coreia e Venezuela e levaria o Ocidente ao colapso económico. O seu antecessor Barack Obama declarou guerra a vários países, chegou a manter os EUA em guerra com sete países, tem recordes de dois mandatos em guerras sucessivas, ataques a civis, deportações, etc., mas é Trump a besta negra do mal. (A cartada do monstro que ameaça a paz mundial). Há também o Trump poluidor, o inimigo do clima, o racista, o anti-liberdade e anti-aborto, o anti-eutanásia, o anti-lgbt…etc.
Todo o mal que sucede nos EUA e mesmo no mundo, da economia, a problemas ambientais, axiológicos, diplomáticos, culturais, políticos, morais etc, terão origem ou forte contribuição de Trump. Para mentes infantilizadas as historietas devem ser contos infantilizadores, com bons e vilões.
Uma breve digressão sobre notícias dos média do sistema, cartoons, fotos escolhidas, etc., e destaca-se uma estratégia meticuloso de ódio brutal, repleta de meias verdades, falácias e mentiras concertadas. Qualquer foto ou desenho assemelha-se à mais diabolizada das iconografias do mal com a respetiva assimilação a caricaturas grotescas, demónios, sangue, fezes e urina. A cruzada contra Trump tem um fervor fundamentalista de um tempo sinistro, um tempo dominado pelos que descobriram a chave do progresso e da civilização irrecusável.
Com que interesses e poderes mexeu este homem? Trump é o bode expiatório dos pecados de um sistema aberrante que domina o Ocidente e transformou o nosso mundo num supermercado e num circo. Pensemos nisso.
João M. Brás
Professor e Escritor

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Lealdade, valor e honra

“Perante a voz da minha consciência afligida pelos males da Nação, perante tantos desastres, tanta ignomínia e tanto declínio, tudo abandono, a tudo renuncio, honras, dignidades, posição, lar e família, e vou procurar debaixo das dobras da nobre bandeira branca da Restauração que tem por lema “DEUS, PÁTRIA e REI” que é como quem diz a minha crença religiosa, a minha nobre Nação – PORTUGAL – e o mandatário da Lei, o garante da minha liberdade, dessa liberdade que eu quero e ansio para todos os fins honestos da vida, a possível salvação da minha Pátria, pesaroso por não o ter feito antes e pedindo à História que quando se ocupar das minhas faltas se lembre também do meu arrependimento e da minha confissão pública.

Vou lá à Ourique da monarquia e da honra portuguesa porque quero ter um Rei, filho e neto de reis e não mil tiranos que me vexem e oprimam; vou lá onde se encontra, não o senhor absoluto, como se apregoa para enganar os incautos, mas sim o representante da Tradição Nacional e das antigas liberdades; vou lá porque se proclama um absolutismo nobre e grande, o absolutismo da Lei que guarda sem diferenças o palácio do magnata e o casebre do mendigo e mede por igual o rico e o necessitado; vou lá para me encontrar no meio do antigo Portugal, entre um exército de bravos que lutam desinteressada e abnegadamente para provar ao Mundo que ainda acreditamos; e vou lá porque um Príncipe honrado e cavalheiro que nunca faltou à sua palavra e que lealmente cumpre as suas promessas, me garante tudo isto e não é loucura dar crédito a alguém de estirpe régia, aqui onde temos sucessivamente entregado a Nação a tantos aventureiros que nos levaram à situação em que nos encontramos.”

Barão de Bretauville, retirado e adaptado de “El Bandido Realista”.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Finalmente: Marcelino da Mata promovido a Major

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Sabemos com felicidade que Marcelino da Mata, até agora capitão graduado em tenente-coronel, foi finalmente, e por distinção, promovido a Major. Trata-se do mais condecorado militar da História das Forças Armadas Portuguesas. A sua promoção era há muito esperada, mas continuava dificultada pelos maus fígados de homens menores. Só a inveja podia explicar que Marcelino, herói de três mil recontros em África e vítima de tortura selvagem ao chegar ao Portugal metropolitano, fosse objecto de tão mau e ingrato tratamento. Desta vez, contudo, a justiça, ainda que tardia, acabou por chegar. Parabéns, Marcelino da Mata. Tem a mais inteira admiração da NP e dos portugueses.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Muitas opiniões, mas poucas verdadeiras



Hoje, pelo contrário, o homem médio tem as "ideias" mais taxativas sobre quanto acontece e deve acontecer no universo. Por isso perdeu o uso da audição. Para quê ouvir, se já tem dentro de si o que necessita? Já não é época de ouvir, mas, pelo contrário, de julgar, de sentenciar, de decidir. Não há questão da vida pública em que não intervenha, cego e surdo como é, impondo a sua "opinião".
Mas não é isto uma vantagem? Não representa um progresso enorme que as massas tenham "ideias", quer dizer, que sejam cultas? De maneira nenhuma. As "ideias" deste homem médio não são autenticamente ideias, nem a sua posse é cultura. A "ideia" é um xeque-mate à verdade. Quem queira ter ideias necessita antes de dispor-se a querer a verdade, e aceitar as regras do jogo que ela imponha. Não vale falar de ideias, ou opiniões, onde não se admite uma instância que as regula, uma série de normas às quais na discussão cabe apelar. Estas normas são os princípios da cultura.

José Ortega y Gasset in «A Rebelião das Massas», 1929


Fonte: Veritatis