quinta-feira, 18 de junho de 2020

Vivemos a ordem revolucionária

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Pacificamente, os povos partilharam a sua sorte política, sabendo que cada poder se limitava à consecução dos seus próprios fins, um poder livre e oposto ao carácter absoluto e único da nova doutrina da soberania.

Os poderes locais, inferiores e superiores, movimentavam-se cada qual dentro do seu âmbito até ao momento em que o superior, abusivamente, condicionasse o inferior. Assim aceitava-se prestar-lhes lealdade sem qualquer problema, sendo que tal não significava submissão ou mesmo renúncia aos seus direitos, mas tão só para dar o devido acordo a cada ordem conforme a sua natureza.

Esta correlação que existiu outrora entre as políticas nacionais e multinacionais do Império Português e a autonomia subsidiária foi destruída pela ordem revolucionária instituída pela Revolução Francesa.

Esta acabou com as sociedades intermédias e criou um vínculo directo e despótico entre o Estado e o indivíduo, instituindo o postulado da não separação entre o Estado e a Nação.

L.L.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Jamais Apagarão a Gloriosa História de Portugal

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Infante D. Henrique (1394-1460). Iluminura da “Cronica dos feitos da Guiné por Mandado do Infante D. Henrique” (fls. 50 e 51 do Códice de 1453), de Gomes Eanes d´Azurara (1420-1474), acervo da Biblioteca Nacional de França

O Infante Dom Henrique era o quinto filho d’El-Rei Dom João I e de Dona Filipa de Lencastre, e, nasceu na cidade do Porto a 4 de Março de 1394. O Infante Dom Henrique de Avis foi o 1.° Duque de Viseu – a par do seu irmão D. Pedro (O Infante das Sete Partidas), foram os primeiros a receber título de Duques – e 1.° Senhor da Covilhã e ficou conhecido pelo epíteto d’O Navegador, pois o Infante teve um papel determinante na expansão portuguesa ultramarina que principiou em 1415, com a conquista de Ceuta.

Nem vamos abordar o papel guerreiro que o Infante D. Henrique teve nos Descobrimentos portugueses, mas sim o seu papel como patrocinador da criação de uma cadeira de Astronomia na Universidade de Coimbra, ou o seu empenho no desenvolvimento da Caravela, de portulanos, de roteiros e de instrumentos náuticos que facilitassem essas mesmas descobertas por parte dos navegadores. "O Navegador" investiu toda a sua fortuna em investigação relacionada com navegação, náutica e cartografia, dando início à epopeia dos Descobrimentos. Esta descoberta geográfica do Mundo empreendida pelos portugueses que se expandirá por séculos, é reflexo do paradigma do Renascimento na medida que o humanismo não se trata apenas de um ideal de cultura, mas um ideal de pensamento de confiança no Homem. Com os Descobrimentos, Portugal participou na primeira linha da construção de um admirável Mundo Novo.

O sabant italiano Poggio Bracciolini compara os feitos do Infante Dom Henrique aos de Alexandre, o Grande, ou aos de Júlio César, exaltando-os ainda mais por serem descobertas de lugares até, então, desconhecidos da Humanidade.

O Infante D. Henrique era um dos homens mais poderosos da sua época, mas apesar disso regia-se por princípios da mais rigorosa ética. Tal como toda a Ínclita Geração recebeu uma esmerada educação, mas sem descurar a vertente religiosa. A sua moral enquadra-se dentro do moralismo puritano inglês, por influência da Mãe que antes de ser Rainha de Portugal era neta do Rei inglês e filha do Duque de Lencastre - o homem mais poderoso de Inglaterra que Rei não fosse.

Ao Infante Dom Henrique devem-se feitos como a tomada de Ceuta em conjunto com seu pai e irmãos; a armada das Canárias; a guerra que os seus navios faziam aos piratas; o povoamento das "descobertas" ilhas Atlânticas, sobretudo da Madeira. Foi ele quem mandou vir da Sicília a cana-de-açúcar e os "peritos" para monitorizarem o seu cultivo e a sua transformação, fazendo da Madeira uma relevante região produtora de açúcar.
Partiu para a sua derradeira viagem a 13 de Novembro de 1460.

Nunca O esqueceremos, nunca deixaremos apagar da memória colectiva portuguesa os Seus feitos.

MVB

terça-feira, 16 de junho de 2020

E Se a Maior Parte da Imprensa for Apenas Uma Agência de Informação e Propaganda?

E Se a Maior Parte da Imprensa for Apenas Uma Agência de Informação e Propaganda?

“A imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.
Millor Fernandes

A fazermos fé na frase em epígrafe, o que temos são armazéns de secos e molhados. Quando a imprensa recebe dinheiro do Estado ou está submetida ao conselho de direção de um grande grupo económico privado não é oposição mas megafone de interesses específicos.
Houve um tempo em que a imprensa foi fundamental para a construção da cultura Ocidental. Informação, liberdade e pluralidade de pensamento e opinião, debate, espírito critico, divulgação literária, científica, política, etc., eram comuns nos projetos singulares da imprensa e havia uma verdadeira liberdade, independência e diversidade. O jornalismo era incómodo. Esse tempo é passado, a importância da imprensa tem outro sentido, significa algo perturbador.
Autores como Karl Kraus (Viena, 1874-1936) começaram a perceber algo que destruíra o papel fundamental da imprensa (por imprensa hoje consideramos não só os jornais mas todos os media).
O diagnóstico de Kraus não só se foi confirmando como os sintomas e as causas se agravaram a níveis impensáveis. A importância que atribuía à linguagem e ao sentido permitiam-lhe perceber como a banalização e manipulação dos mesmos eram cada vez mais decisivas para se compreender o mundo contemporâneo. A imprensa e a política eram exemplos acabados de uma decomposição acelerada do melhor da cultura Ocidental e da transformação desta numa obra sofisticada de uniformização e manipulação de um pensamento totalitário. Os meios de comunicação tornaram-se principalmente negócios e instrumentos de propaganda. Não é fácil atualmente distinguir um jornal de uma agência de comunicação e a informação de press release. A imprensa morreu, o ideal do “jornalista” é uma memória longínqua, as grandes investigações e até a defesa apaixonada de causas fazem parte de um passado distante. Grupos económicos com mais ou menos poder e em estreita relação com o poder político ou mesmo indistintos destes, as respectivas castas mediáticas que nasceram à sombra da decomposição das auto-intituladas democracias liberais Ocidentais, dominam a imprensa (os tudólogos, especialistas em generalidades, os políticos disfarçados de jornalistas, e os jornalistas disfarçados de políticos, os amigos e conhecidos, formam um grupo que vive para propagar e difundir, não o que são as coisas ou o seu ponto de vista, mas aquilo que é a narrativa oficial, diabolizando tudo o que não segue o guião pré-escrito da realidade).
A degradação da imprensa é uma consequência de uma decomposição mais profunda, mas também um sintoma como tudo se transformou em negócio e manipulação. Tudo é objeto de consumo e técnica publicitária, sejam objetos ou ideias. Não há muito a permitir distinguir o trabalho jornalístico corrente da promoção de um produto, com a exaltação das suas qualidades, as respetivas campanhas e promoções, assim como a desqualificação mais ou menos velada dos produtos rivais. As técnicas de adestramento e a obra de uniformização das massas transformaram os media num veículo fundamental. Quem quer ser livre, morrerá à fome, como escrevia Cioran.
Os media subjugaram-se e ou foram assimilados por interesses económicos, políticos e até culturais. A sua função é debitar de modo repetido determinadas mensagens e slogans para que o consumidor interiorize que ideias deve repetir e aceitar. A sociedade da informação é agora a sociedade da manipulação massiva. Kraus no seu tempo chegou a falar da imprensa como “A grande prostituta de Viena”, agora provavelmente falaria da “maior prostituta do mundo”. Escrevia Kraus, «…longe de servir de maneira desinteressada os ideais universais de onde se reclama, a imprensa propõe e reserva os seus favores àqueles que têm meios de os pagar e os pagam efetivamente.» (in Jacques Bouveresse, Schmock Ou Le Triomphe Du Journalisme ; La Grande Bataille De Karl Kraus, 2001) Não se trata tanto do fim do ideal, e do domínio do real, mas do triunfo de um falso real, o real construído para consumo obrigatório.
Os media, salvo exceções honrosas, abandonaram a sua principal função de informar, de transmitir conhecimento e ideias, e até de pontos de vista diversos e mesmo opostos e polémicos ou considerados intoleráveis. O debate, a argumentação e contra-argumentação, as ideias por mais benignas ou não devem ser totalmente livres e debatidas. O que temos é apenas uma função, a mais degradante: formatar, manipular, servir de veículo a um determinado tipo de poder político e económico.
O problema sintomático dos média, agrava-se ainda mais em países pequenos e com um certo atraso, como é o caso de Portugal, ainda mais monolítico em termos políticos e da sua pequena, medíocre e obediente elite mediática.
Que diferença existe, mesmo em termos editoriais, entre a RTP, a SIC e a TVI? Ou o Expresso, o Observador, e mesmo o Público ou o JN? O meio é pequeno e o trânsito das pessoas, sempre as mesmas a dizerem as mesmas coisas, entre os diferentes meios, é frequente, constituindo uma espécie de confraria. Temos mesmo que ser muito meticulosos para percebermos alguma diferença.
Escrevo este texto para o Notícias Viriato (NV). O que sucedeu recentemente em relação ao NV demonstra como essa confraria tem a sua coutada que defende de modo intransigente. Já não se trata de pluralidade de informação e opinião, mas de uma versão que é a correta, a boa, e que é única, e a outra, a inaceitável, que tem que ser silenciada e punida por todos os meios e truques. O pensamento único, típico do pior dos totalitarismos, aparece travestido de democracia, de liberdade, mas agora numa formulação execrável: “podes ser livre e democrata, mas se repetires o que queremos que repitas”.
O NV na sua dimensão e crescimento foi uma novidade no panorama português. A prova que se tornou incómodo, foi a barragem de disparates, calúnias e falsificações a que foi sujeito. Como não se vergou ao guião a seguir, não houve malfeitoria, crime, fobia, etc., que não lhe fosse imputado. Da falsidade das acusações pouco interessa, o que conta é o processo, e o acto de amedrontar, denegrir e manchar. A nova ordem, a do “bem” implica uns novos três dês: demonizar, descredibilizar e desqualificar. Tudo o que traz uma visão que não é conforme o poder estabelecido e o que esse poder determina tem que ser destruído de todas as formas.
Estes dados chamam-nos a atenção para a pequenez e atraso do nosso país, que assim é facilmente controlável. A pequenez não se refere à dimensão geográfica. Fazem falta visões efetivamente plurais e divergentes. Só assim há efetivo debate e contraditório, só assim há liberdade de informação, expressão, pensamento e opinião. Ser livre não é repetir a cartilha dos “democratas do bem”, dos “donos da virtude”.
Uma imprensa não estatal, livre e independente não recebe subsídios, pagamentos antecipados por publicidade, não reproduz as agendas do poder nem contribui para processos demonológicos contra os opositores do status quo. Quando a política ajuda a imprensa, a imprensa ajudará a política.
Não vale a pena fingir distinções, é inexistente a fronteira entre os media do sistema, a política e grupos económicos e financeiros. O unanimismo e vinculação de uma visão ideológica única sobre o mundo e o país, portanto totalitária, são o produto final dessas conjugações de interesses.
Temos em Portugal, desde sempre, a obsessão com o ser moderno, europeu e civilizado, ora sem pluralidade nos media, na política e até no ensino não há modernidade de facto. Para se alcançar essas “metas” importa uma verdadeira diversidade, mesmo no plano ideológico, e que se reflita também nos media. O que temos é de facto um sistema, como um pensamento único, com as mesmas orientações políticas e ideológicas. Ver a SIC, a TVI ou a RTP é ver o mesmo, o mesmo sucede com os jornais, além de uma falta de qualidade cada vez mais gritante. O consenso mediático é o mesmo que o político, todos de acordo nos valores e costumes, desde o CDS liberal até ao Bloco, e com algumas variantes sobre economia.
Mais democracia, mais modernidade, mais desenvolvimento só é possível com novos medias verdadeiramente de direita, conservadores, como até liberais e de esquerda, de extrema direita e extrema esquerda com um outro olhar e abordagem sobre a “realidade”, outras visões e propostas, mas que não sejam mais do mesmo, protegidos e subsidiados e fazendo “favores” e alimentado autênticos clãs e grupúsculos de influência. Um genuíno olhar de direita ou de esquerda não significa o desvirtuar da informação, mas a assunção de um outro olhar sobre o real. O que temos já não é sobre o real, mas o fornecimento de uma teoria sobre o real no qual devemos viver e na qual devemos acreditar.
Mas quem investirá na imprensa independente respeitando a sua liberdade e sem medo da máquina de diabolizar deste centro difuso que tem o poder em Portugal há décadas e décadas? Medias de direita como de esquerda teriam de ser corajosos e arrojados, mas sem cair em caricaturas de si próprios. No caso específico da direita, medias de direita não significa missa em latim, recitação e louvor das obras de Salazar e sermões moralistas de manhã, com meia dúzia de loucos a vociferar diatribes em relação ao mundo e a tudo. Uma direita do século XXI sem vergonha de o ser é clara sobre a sua visão acerca da economia, dos valores, da soberania, da imigração, da europa, etc.
O primeiro grande desafio de medias livres, de direita e esquerda, será o da respetiva afirmação e resistência, para que consigam desconstruir a imagem de si próprios que é sempre recebida, não a partir do que são, mas do que o sistema designa que sejam. Por exemplo, o que é direita não é o que a direita diz que é, mas o que o centro do poder designa que ela seja.
João Brás
Professor e Escritor

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Manto restaurado da Rainha Dona Amélia em exposição no Santuário de Fátima



Um manto da Rainha D. Amélia, última rainha de Portugal, oferecido por esta ao Bispo D. José Alves Correia da Silva, encontra-se em exposição até 15 de Outubro no Santuário de Fátima – Basílica da Santíssima Trindade, no âmbito da exposição “Vestida de Branco”. O manto, um dos maiores que se guardam da monarca e que se encontrava com alguma degradação, foi alvo de um restauro, ao longo de cerca de cinco meses, antes de ser colocado nesta exposição.

Em cetim de seda com aplicação de fio laminado, missangas, pedraria, rendas e plumas e forro de veludo, com data de finais do século XIX, inícios do século XX, o longo manto já esteve exposto na exposição “Fátima Luz e Paz”. Foi oferecido pela rainha ao bispo responsável pelo reconhecimento de Fátima junto da Igreja Católica, D. José Alves Correia da Silva, reconhecido monárquico.

Sendo um dos maiores mantos que se guardam da Rainha D. Amélia, a peça surge num núcleo alegórico da exposição “Vestida de Branco”, que recorda o centenário da escultura de Nossa Senhora de Fátima. Segundo Marco Daniel Duarte, director do Museu do Santuário de Fátima, a peça visa simbolizar o manto de luz da Virgem, que se estendia da cabeça aos pés.

No mesmo núcleo estão ainda expostas algumas peças de grande valor monetário e simbólico, recordando a histórica ligação da realeza ao divino, como as ofertas de ouro a Nossa Senhora ou a coroa da imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Terroristas infamam o Padre António Vieira

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Alertados por um seu associado, dois membros da direcção da Nova Portugalidade deslocaram-se há poucos minutos ao Largo da Misericórdia para confirmar um acto de vandalismo, cobarde e infame, perpetrado contra a estátua do Padre António Vieira. O crime foi cometido um dia após o 10 de Junho, nossa festa nacional. Tal não é coincidência. Tem a Nova Portugalidade seguido atentamente o trajecto e manifestações de ódio contra a presença desta evocação do Imperador da Língua Portuguesa e Apóstolo do Brasil, podendo sem dificuldade e erro saber quem são os inspiradores, mandantes e executores deste acto de terrorismo cultural. Perante a maré de banditismo cultural que se espraia pelo Ocidente, tudo faremos para prestar todo o apoio às autoridades na localização dos inimigos da paz social que elementos extremistas, colonizados mentais por algumas universidades americanas e inimigos da cultura, querem perturbar.


quarta-feira, 10 de junho de 2020

S. Anjo da Guarda de Portugal


anjo portugal[1]


Anjo de Portugal, o "Santo Anjo da Guarda de Portugal" ou o "Anjo Custódio de Portugal", também conhecido por Anjo da Paz é uma das designações atribuídas a São Miguel Arcanjo que representa "Portugal"

Terá surgido pela primeira vez na Batalha de Ourique, a mesma deu uma tal vitória às forças de D. Afonso Henriques sobre os invasores muçulmanos que deu a chance de autoproclamar-se Rei de Portugal.

Nas suas Memórias, a Irmã Lúcia contou ainda que, entre Abril e outubro de 1916, nas Aparições de Fátima, teria já aparecido um anjo aos três pastorinhos, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da casa dela, em Fátima (Ourém), convidando-os à oração e penitência, e afirmando ser o "Anjo de Portugal"

Este anjo teria ensinado aos pastorinhos duas orações, conhecidas por Orações do Anjo, que entraram na piedade popular e são utilizadas sobretudo na adoração eucarística.

A pedido do rei D. Manuel I de Portugal, o Papa Júlio II instituiu em 1504 a festa do «Anjo Custódio do Reino» cujo culto já seria antigo em Portugal.

O pedido terá sido feito ao papa Leão X e este autorizou a sua realização no terceiro Domingo de Julho.

A sua devoção quase desapareceu depois do séc. XVII, mas seria restaurada mais tarde, em 1952, quando mandada inserir no Calendário Litúrgico português por Pio XII, para comemorar o dia de Portugal no 10 de Junho.

A devoção ao Anjo da Guarda é muito antiga em Portugal.

Tomou, porém, incremento especial com as Aparições do Anjo, em Fátima, aos Pastorinhos.

Mensageiros de Deus, em momentos decisivos da História da Salvação, os Anjos estão encarregados da guarda dos homens

A fé cristã crê também possuir cada nação em particular um Anjo encarregado de velar por ela.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Não buscamos a verdade, mas o rigor



Se Lisboa tivesse sido construída com a malagueta da Costa da Malagueta ou com a pimenta-de-rabo do Benim, nunca teria passado de uma patética aldeola, pois quer o grão-do-paraíso (malagueta), quer a pimenta do Benim eram sofrívreis e baratos substitutos das especiarias do Oriente. O seu preço era pouco mais do que insignificante.
Se Lisboa tivesse sido construída por escravos, não havia Lisboa, de todo, pois o seu quantitativo era insignificante ao longo dos séculos XVII e XVIII (respectivamente 4,5% e 2,8%). O estudo atento do Rol de Confessados de Santa Justa fez há muito desabar o mito de uma Lisboa abrigando uma imensa população escrava. Para além disso, esses 4,5% ou 2,8% de escravos eram aplicados na sua grande maioria em ocupações caseiras, mas também como remadores, carregadores, vendedores ambulantes, sapateiros, barbeiros, aguadeiros e caiadores. Pedreiros, havia-os poucos e especializados. As corporações, muito ciosas dos seus privilégios, jamais telerariam a concorrência de mão-de-obra gratuita.
Estas meninas devem fazer parte do contingente de novas professoras de História, pelo que se compreende que, encurtadas por Bolonha, não tenham tido tempo para passar além das fantasias, ou antes, delírios.