quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Ciclo “MÚSICA – ESCUTAR E COMPREENDER” - Coimbra



 O Serviço de Música e o Museu da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra organizam o Ciclo  “MÚSICA – ESCUTAR E COMPREENDER”

Capela do Museu da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra – Rua Sobre Ribas 35, Coimbra


5ª Sessão - O inverno: a música e os compositores por José Campos e Raul Mendes

Quantas vezes nos perguntamos porque é que os compositores escrevem sobre as estações do ano? O inverno é a última ou será a primeira? O frio, a chuva, a neve e … a lareira, são as suas características? O inverno, no nosso coração, como se descreve?

Música de Vivaldi, Dvořák, Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, Hans Zimmer e Rupert Gregson-Williams.

Quinta feira, dia 10, e sábado, dia 12 de Fevereiro, 18 horas.

Entrada Livre.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Farmacêutica Japonesa Revela “Efeito Anti-Viral” da Ivermectina contra Covid-19

 


De acordo com a Reuters, a empresa farmacêutica japonesa Kowa Co. Ltd. anunciou nesta Segunda-feira que o medicamento anti-parasitário ivermectina mostrou um “efeito anti-viral” contra a Covid-19 e as suas variantes.

A empresa, que tem trabalhado com a Universidade de Kitasato em Tóquio para investigar a ivermectina para uso profilático e tratamento da Covid-19, ainda não providenciou mais informações pois os ensaios clínicos ainda estão em conclusão.

A ivermectina, juntamente com a hidroxicloroquina, tem sido dos medicamentos mais “demonizados” pela comunicação social e industria farmacêutica na luta contra a Covid-19, tendo sido rotulado como o medicamento de “negacionistas”, “bolsonaristas” ou de quem usa “medicamentos veterinários em humanos”.

Este medicamento, que foi tornado polémico nos últimos dois anos, já valeu um Prémio Nobel em 2015 e já salvou dezenas de milhões de pessoas, em particular nos países sub-desenvolvidos, na luta contra doenças mortais ou incapacitantes como a estrongiloidíase, a filariose linfática, a “cegueira dos rios”, e outras doenças resultantes de parasitas.

Foi utilizada na Índia (inclusive em Goa) na luta contra a Covid-19, resultando numa diminuição de casos positivos e mortes. Mesmo no início da pandemia, em Abril de 2020, já cientistas australianos indicavam que a ivermectina teria possivelmente eficácia no combate à doença. Uma meta-análise de estudos publicados, datada de Maio de 2021, concluiu que a ivermectina é eficaz no tratamento e profilaxia da Covid-19. Em Dezembro de 2021, saiu no Journal of Infection and Chemotherapy, um estudo que associa menor gravidade da doença com a medicação com ivermectina.


Fonte: Notícias Viriato

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Combater a desinformação oficial (2)

 


A continuação da apresentação de documentação oficial importante que, por si, desconstrói toda a desinformação oficial, propagandeada por uma comunicação social vendida, vamos analisar as ditas “vacinas” experimentais (que, já se percebeu, mesmo com sucessivos boosters, não protegem coisa alguma a não ser os lucros obscenos da Big Pharma). E onde imperam as irregularidades e a manipulação de dados dos ensaios clínicos em humanos, que deveriam merecer o máximo rigor e ética.

Por exemplo, a Pfizer manipulou os resultados referentes à eficácia da “Cominarty” combinando os resultados dos ensaios em adultos (iniciados em 27/07/2020) com os resultados dos ensaios em adolescentes dos 12 aos 15 anos de idade, que se iniciaram quatro meses depois, criando deste modo uma falsa aparência de elevada eficácia. Mas não só.

A “Canadian Covid Care Alliance”, grupo constituído por mais de 500 médicos, cientistas e profissionais de saúde independentes, apresentou recentemente um estudo científico intitulado “The Pfizer inoculations for COVID-19: more harm than good”, onde são denunciadas gravíssimas irregularidades referentes aos ensaios clínicos levados a cabo pela Pfizer relativamente à sua “vacina” Cominarty. Mas vamos aos documentos oficiais:

É paradigmático um dos documentos que a Pfizer e a FDA queriam manter secreto por 75 anos – mas foram obrigados por ordem judicial (nos EUA) a divulgar publicamente – intitulado “5.3.6 Cumulative analysis of post-authorization adverse event reports of PF-07302048 (BNT162B2) received through 28-FEB-2021”, de 28 de Fevereiro de 2021 (cerca de 3 meses de “vacinas”). Em particular as 9 páginas de reacções adversas “relevantes” (em letra pequena), no fim do documento (não se conhece nenhum medicamento que tenha semelhante “lista” de reacções adversas – muitas delas fatais!), já conhecidas na altura e, sobretudo, em tão pouco tempo. Neste pequeno intervalo de tempo, foram reportadas 42.086 reacções adversas, das quais resultaram 1.223 óbitos. Ou seja, em cada 34 “reacções adversas” 1 é fatal. É a Pfizer que o diz, claramente, nos dados que queria esconder. Não se sabe a médio/ longo prazo o que (muito) mais virá, até porque se estima serem reportados apenas cerca de 1% dos casos reais.

No site da Agência Europeia do Medicamento (EMA), no “Anexo I – Resumo das características do medicamento” é dito claramente na pág. 4: “Existe um risco acrescido de miocardite e pericardite após a vacinação com Comirnaty. Estas doenças podem desenvolver-se em apenas alguns dias após a vacinação e ocorreram principalmente no período de 14 dias. Foram observadas mais frequentemente após a segunda dose da vacinação e mais frequentemente em jovens do sexo masculino (ver secção 4.8).[…]”. E, claramente, na pág. 67:

“B. Condições ou restrições relativas ao fornecimento e utilização:

Medicamento sujeito a receita médica”.

Acresce que a “Cominarty” contém na sua composição duas substâncias que não estão autorizadas na U.E., a saber: ALC 0315 (di-hexildecanoato de di-hexilaminobutanol); e ALC 0159 (ditetradecilmetoxipolietilenoglicolacetamida). Estas substâncias nunca tinham sido aplicadas em seres humanos antes do início desta “vacinação” massiva da população, não sendo sequer autorizado o seu uso em seres humanos (ou em uso veterinário!). São apenas autorizadas para efeitos de pesquisa. Com a agravante que o ALC 0315 é cancerígeno, não se sabendo se o ALC 0159 também o será. E ainda criminoso é o uso de Trometamina como excipiente destinado às inoculações em crianças de 5 a 11 anos de idade, que nunca foi indicada para administração intramuscular, e já se tinha comprovado causar danos no tecido cardíaco, que supostamente deveria proteger.

Isto (e muito mais) consta no parecer técnico de 12/01/2022, da autoria de Giovanna Gomes Lara, intitulado “Pfizer BNT162b2 – Compostos sintéticos utilizados como veículo de entrega de material genético – Excipientes novos”. Elucidativo.

As reacções adversas graves, complementadas com a progressiva destruição do sistema imunitário, são transversais a todas estas “vacinas” experimentais que manipulam o RNA, como se pode ler no artigo de André Dias, “Doenças auto-imunes, consequência da vacina”, relativamente à “vacina” da Moderna (estudo revisto por pares).

Mas, de forma criminosa, a D.G.S e o governo continuam a garantir que estas “vacinas” são “seguras”.

Mais: havendo questões de segurança sobre o uso de um qualquer medicamento, a Food and Drug Administration (FDA) aplica “avisos”, dos quais o mais grave é o “aviso de caixa preta“, quando apresenta reacções adversas potencialmente graves que podem levar à hospitalização ou à morte, como no quadro. Encontrado na bula e na caixa, este aviso alerta os prescritores e pacientes que o medicamento pode apresentar riscos graves ou potencialmente fatais. Onde estão os “avisos de caixa preta” destes “medicamentos”? Quem é informado? Quem passa a obrigatória receita médica? Será por isso que as seringas são previamente preparadas ao melhor estilo de um matadouro de gado?

Já agora: qual o estudo científico que diz que a “vacina” deve ser preservada entre -90ºC e -60ºC? É que parece não haver nada credível que diga que serve para alguma coisa… a não ser vender uns frigoríficos muito caros.

Não. Nada disto é, nem nunca foi, “ciência”, ou sequer admissível com qualquer outro medicamento (onde ficou o exigível “consentimento informado” das actuais cobaias?).

A palavra aqui é genocídio. Não há outro termo, até porque, repito, apenas serão reportados 1% dos casos reais, pela burocracia exigida. Igual «panorama» se verifica numa consulta do VAERS. Comprovado, por exemplo, pelas (já centenas!) de casos “raros” em desportistas, que é difícil esconder, porque diariamente tombam à frente das câmaras de televisão.

Simultaneamente, decorre mais uma gigantesca burla, com a cumplicidade da O.M.S. e os os mesmos protagonista do AZT/ SIDA nos anos 80, H1N1/ Gripe A e respectiva “vacina” em 2009, mas agora à escala Global com o “novo” coronavírus, com novos investidores/ players e com motivações adicionais muito mais obscuras que o mero lucro desmesurado, conforme se comprova no artigo “The shadowy CIA data firms behind the creation of digital vaccine passport ID’s”, que explica agora a necessidade dos inúteis passes sanitários para conter este vírus.

Fixem a sigla: N.O.M. Será a “variante” a temer de verdade e num futuro próximo, se continuarmos todos a dormir.


Luís Vila

Fonte: Inconveniente

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Portugal, eu te ordeno, levanta-te!

Homilia proferida na Missa de sufrágio de el-Rei D. Carlos e do Príncipe Dom Luis Filipe pelo Rev.º Padre Goncalo Portocarrero de Almada


(Igreja de São Vicente de Fora, 1-2-2022)


1. Introdução. “Naquele tempo, depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago, reuniu-se uma grande multidão à sua volta, e Ele deteve-se à beira-mar” (Mc 5, 21). Assim se dizia no Evangelho, segundo São Marcos, que corresponde a esta terça-feira da quarta semana do tempo comum. Também nós, nesta monumental Igreja de São Vicente de Fora, somos parte dessa grandiosa multidão que se reúne à volta do Senhor Jesus, desejosa de ouvir a sua palavra e de receber a graça da vida, concedida à filha de Jairo, e da cura obtida pela mulher “que tinha um fluxo de sangue havia doze anos” (Mc 5, 25) e que ficou sã ao tocar nas vestes do Mestre.

Hoje ocorre mais um aniversário do atentado que vitimou, no Terreiro do Paço, Sua Majestade Fidelíssima el-Rei D. Carlos I, bem como Sua Alteza Real o Príncipe D. Luís Filipe. Esta Eucaristia celebra-se em sufrágio das suas almas, sem esquecer el-Rei D. Manuel II; sua mãe, a Rainha D. Amélia; sua avó, a Rainha D. Maria Pia e os restantes monarcas portugueses, a quem se devem tantas glórias de Portugal. Por este motivo, depois desta celebração, terá lugar uma piedosa homenagem no anexo Panteão da Casa Real, onde jazem as vítimas do regicídio.

Este ano é também o do centenário do nascimento, para a vida eterna, do Beato Carlos, que foi no século Imperador de Áustria e Rei Apostólico da Hungria, neto materno da Infanta D. Maria Ana de Bragança, filha da Rainha D. Maria II. Também pelo seu casamento, o Beato Carlos está aparentado com a nossa Família Real, porque a Imperatriz Zita de Bourbon-Parma era neta materna de el-Rei D. Miguel I, bisavô, pela varonia, do actual Chefe da Casa Real portuguesa.

Esta Eucaristia tem um sentido especial porque, no ano passado, por imperativos sanitários de todos bem conhecidos, não foi possível a sua realização. Assim sendo, aproveitemos esta ocasião para também sufragar os que, entretanto, o Senhor chamou à sua presença, e para agradecer a Deus o dom da vida, no renovado propósito de gastar a nossa existência no serviço de Deus e de Portugal.

Elevemos também, em acção de graças, a nossa oração ao Senhor, pela saúde de Suas Altezas Reais os Duques de Bragança. Que o Senhor abençoe também o Príncipe da Beira e os Infantes para que, qual nova ínclita geração, sejam agora, como o Infante Santo, exemplos de devoção e, como o Infante Dom Henrique, pioneiros de novas gestas heroicas, em nome da fé e da nação.

Cumpre-me também saudar, como é da praxe, os membros das Ordens pontifícias aqui presentes: a Soberana e Militar Ordem hospitalária de São João, também dita de Malta, e a Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém, aqui representadas por Cavaleiros e Damas a quem dirijo uma confraternal saudação. Cumprimento também os membros das Ordens dinásticas de Santa Isabel e de Nossa Senhora da Conceição, que teve recentemente a bondade de me receber, como simples pajem da nossa Padroeira e Rainha.

Não posso deixar de referir a Real Associação de Lisboa, cujo Presidente, meu bom amigo, teve, mais uma vez, a amabilidade de me convidar para presidir a esta celebração, bem como a Causa Real, a cuja Presidente me une também uma já antiga amizade. Saúdo todos os demais participantes nesta sagrada liturgia, fazendo minhas as suas intenções, na esperança de que também as minhas petições estejam presentes nas suas orações.

 

2. O luto do Rei David. Não é sem emoção que se lê o episódio bíblico que narra a morte de Absalão (2 Sam 18, 9-10.14b.24-25a.30 – 19, 3). Apesar de filho do Rei David, tinha pegado em armas contra o seu augusto progenitor, mas a derrota do seu exército foi também a sua ruína. Segundo o relato agora proclamado, a sua “cabeleira prendeu-se nos ramos e ele ficou suspenso entre o céu e a terra, enquanto o macho que ele montava seguiu para diante” (2Sam 18, 9). Estando nesta difícil situação, que seria cómica se não fosse trágica, Joab “tomou três dados e cravou-os no peito de Absalão”, matando-o (cf 2Sam 18, 14).

O óbito do príncipe rebelde parecia ser uma boa notícia para David, que ficava assim confirmado como rei e via definitivamente frustrada a sediciosa tentativa de usurpação do seu trono. Contudo, o falecimento de Absalão não foi motivo de alegria para o soberano, mas ocasião de amargo luto: “O rei ficou perturbado. Subiu ao aposento que ficava por cima da porta e começou a chorar, dizendo: ‘Meu filho Absalão! Meu filho! Meu filho Absalão! Quem me dera ter morrido em teu lugar! Meu filho Absalão! Meu filho!’” (2Sam 19, 1).

Um político talvez se alegre pela derrota do seu principal adversário, como um general festeja a vitória sobre o seu maior inimigo, mas nenhum pai, digno deste nome, se pode felicitar pela morte de um filho, mesmo que rebelde. A lamentação de David é exemplificativa do amor de Deus por nós, seus filhos pecadores. Apesar das nossas infidelidades, Deus continua a amar-nos apaixonadamente, tão apaixonadamente que “enviou o seu Filho ao mundo”, não “para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3, 17).

A Paixão de Cristo é a mais eloquente expressão do amor apaixonado de Deus pelo homem, criado à sua imagem e semelhança. Apesar dos nossos pecados, Deus ama-nos no seu Filho e, como David chorou a morte de Absalão, sofre a morte, pelo pecado grave, que por isso se chama mortal, da nossa alma. O homem pode usar a sua liberdade para o bem e para o mal, mas não pode cancelar o amor de Deus que, na sua infinita misericórdia, continuamente nos chama à conversão, para que vivamos na “liberdade gloriosa dos filhos de Deus” (Rm 8, 21).

A lamentação de David foi prenúncio da dor que feriu os corações das Rainhas D. Maria Pia e D. Amélia, pela morte dos seus filhos, el-Rei D. Carlos I e D. Luís Filipe, respectivamente. Para outros, foi apenas o Chefe de Estado e o seu legítimo sucessor, mas, para aquelas duas mães, foram os seus filhos que tombaram sob as balas assassinas dos regicidas. As lágrimas das duas Rainha, unidas no mesmo luto, são também as lágrimas de Portugal, que perdeu, no monarca, um exemplar governante e diplomata e, no Príncipe Real, um leal servidor do Rei e da Pátria. Não há ideologia política, nem propósito revolucionário, que legitime um tal crime de lesa-majestade, que precipitou o fim do regime ao qual Portugal deve a sua existência e as maiores glórias da sua História.

 

3. A cura da mulher. O relato evangélico refere uma pobre mulher, “que tinha um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de vários médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais” (Mc 5, 25-26). À humilhação da doença somava-se agora a da indigência, a que se vira condenada depois de gastar tudo o que tinha com os médicos que, já na altura, pelos vistos, cobravam bem as consultas e tratamentos. Acrescia ainda a indignidade religiosa: a sua doença fazia-a impura, segundo as leis judaicas, e, por isso, não se podia aproximar de ninguém: quem a tocasse ficava automaticamente obrigado à purificação legal. Por este motivo, aproxima-se de Jesus num momento de grande confusão, para sorrateiramente tocar nas suas vestes e assim, como firmemente cria, ficar curada. Foi o que fez e a sua fé não foi defraudada, porque “no mesmo instante estancou o fluxo de sangue e sentiu no seu corpo que estava curada da doença” (Mc 5, 29).

Esta boa mulher, que parecia exercer a sofisticada arte dos carteiristas, inaugurou uma prática muito conhecida, a que os fluentes em língua inglesa chamam “hit and run”, e que se pode traduzir por toque e fuga. É habitual em automobilistas sem escrúpulos que, depois de causarem uma mossa numa viatura estacionada, fogem sem assumir a responsabilidade do dano provocado. Às vezes, esta técnica imoral resulta, mas não foi o caso da mulher, “porque Jesus notou logo que saíra uma força de Si mesmo” (Mc 5, 30). Nosso Senhor não queria repreender quem O tinha tocado, mas elogiar a sua fé, pois fora essa a razão da sua milagrosa cura.

 

4. A ressurreição da filha de Jairo. Tem este relato evangélico uma particularidade: refere um milagre dentro de outro milagre. Com efeito, é quando Jesus se dirige para a casa de Jairo, cuja filha ressuscitará, que cura a mulher do fluxo de sangue.

Nesta situação, é muito de admirar a serenidade de Jairo. Não obstante a imperiosa necessidade de que o Senhor fosse, quanto antes, a sua casa, para salvar a filha, que estava a morrer, não se zanga com a mulher que atrasa o Mestre. Outra pessoa, naquela circunstância tão aflitiva, ter-lhe-ia exigido que não se intrometesse num caso da máxima urgência, que era de vida ou morte. Jairo poderia ter-lhe dito: Se quer pedir uma graça a Jesus, aguarde a sua vez! E agora desapareça daqui, que este não é o seu milagre!

Que bonita lição nos dá Jairo, cuja aflição o não levou a ser egoísta, nem a importunar a intrometida doente. A bem dizer, também se poderia ter exasperado com o inquérito que Jesus quis fazer depois da cura da mulher e que, decerto, podia esperar por melhor momento. Mas, mais uma vez, não se deixou vencer pela impaciência. Que grande sabedoria a de quem sabe esperar, não porque desiste dos seus ideais, mas porque sabe que os tempos de Deus não são os nossos.

A inesperada intervenção da mulher do fluxo de sangue teve uma consequência fatal: antes de Jesus chegar à casa de Jairo, a filha deste morreu. Quando transmitiram ao desolado pai a triste notícia, acrescentaram que de nada servia chamar o Mestre. Mas “Jesus […] disse ao chefe da sinagoga: ‘Não temas; basta que tenhas fé” (Mc 5, 36).

Também esta segunda cura é um milagre da fé. Não obstante a comprovada morte da rapariga, que já todos choravam, Jesus “pegou-lhe na mão e disse: ‘Talitha Kum’, que significa: ‘Menina, Eu te ordeno: levanta-te’. Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos” (Mc 5, 41-42).

Doze anos era igualmente o tempo em que a mulher curada tinha sofrido por causa de “um fluxo de sangue” (Mc 5, 25) e, por isso, também neste pormenor estes dois milagres coincidem. Talvez não seja excessivamente atrevido dizer do Portugal contemporâneo o que o evangelista disse da mulher miraculada, pois também da nossa nação se pode hoje afirmar que gastou “todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais” (Mc 5, 26).

 

5. Conclusão. Não me compete, muito menos no âmbito de uma homilia, fazer qualquer pronunciamento político, mas permitam-me uma confidência. Quando alguns analistas dão por morta e enterrada a Monarquia portuguesa, não posso deixar de me lembrar dos que anunciaram, a Jairo, o falecimento da filha. Se alguém sugere que a Instituição Real não está morta, mas apenas adormecida, também ouve o riso trocista dos que, há dois mil anos, fizeram pouco de Jesus, por ter dito que “a menina não morreu; está a dormir” (Mc 5, 39). Esse escárnio é o eco presente dos que, por falta de fé, não seguiram o Santo Condestável; dos velhos do Restelo que, por tibieza, na era dos Descobrimentos, não se fizeram ao mar; e dos que, por cobardia, não se uniram aos que, em 1640, restauraram a nossa independência. Homens temerosos sempre os houve e haverá, mas atormenta-me a dúvida de que não haja, no meu país, quem tenha a fé que faz os milagres, nem a ousadia dos nossos heróis de antanho. Haja, pois, quem pegue na mão esvaída da Pátria e brade:

Portugal, eu te ordeno, levanta-te!

Depois da ressurreição da filha de Jairo, “ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina” (Mc 5, 42-43). Que a maravilha da nossa fé cristã alimente sempre o nosso propósito de bem servir o nosso país, na senda de el-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real, mártires da Pátria. Que ao seu sacrifício corresponda agora a graça da ressurreição nacional. Que Nossa Senhora da Conceição, nossa Padroeira e Rainha, nos obtenha o milagre de ver ressurgir, hoje de novo, o esplendor de Portugal.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Os lobos são mais perigosos mas as moscas são mais chatas

 


Ainda que tenhamos que combater contra as grandes tentações com ânimo inquebrantável e a vitória nos seja de suma utilidade, é todavia ainda mais útil combater as pequenas, cuja vitória por causa de seu número pode trazer tanta vantagem como a daqueles que venceram felizmente grandes tentações. 

Os lobos e os ursos são certamente mais para temer do que as moscas; as moscas, porém, são mais importunas e experimentam mais a nossa paciência. É fácil não cometer um homicídio; mas é difícil repelir continuamente os pequenos ímpetos da cólera, que se oferecem em todas as ocasiões. 

É fácil a um homem ou a uma mulher não cometer adultério; mas não há igual facilidade em assim conservar a pureza dos olhos, não dizer ou ouvir com prazer nada daquilo que se chama adulações, galanteios, não dar nem receber amor ou pequeninas provas de amizade. É bem fácil não dar rival ao marido, nem rival à mulher, quanto ao corpo. Mas não é assim fácil não o dar quanto ao coração. É bem fácil não manchar o tálamo nupcial, mas bem difícil manter ileso o amor conjugal. 

É fácil não furtar os bens do próximo; mas dificultoso é não os desejar e cobiçar. É fácil não levantar falsos testemunhos em juízo; mas difícil não mentir em conversa; fácil é não embriagar-se, difícil ser sempre sóbrio; é bem fácil não desejar a morte ao próximo, difícil contudo não desejar a sua incomodidade; fácil é não difamar alguém, mas é difícil não desprezar.

Enfim, essas pequenas tentações de cólera, de suspeitas, de ciúmes, de invejas, de amizades tolas e vãs, de duplicidades, de vaidade, de afectação, de artifícios, de pensamentos maus, tudo isso, digo, forma o exercício cotidiano, mesmo das almas mais devotas e resolvidas a viver santamente. 

Por isso, Filoteia, ao passo que nos devemos mostrar generosos em combater as grandes tentações, quando aparecem, é muito necessário que nos preparemos cuidadosamente para as pequenas tentações, convictos de que as vitórias que obtivermos assim de nossos inimigos ajuntarão outras tantas pedras preciosas à coroa que Deus nos prepara no paraíso.

São Francisco de Sales in 'Filoteia ou Introdução à Vida Devota'


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

33ª Tertúlia Portugal-Brasil | Olivença, uma questão que tocou os dois lados do Atlântico (1801-1817)

 



33ª TERTÚLIA PORTUGAL-BRASILSÁBADO, dia 5 de fevereiro de 2022,21h00 – 22h40 (horário de Lisboa) / 18h00 – 19h40 (horário de Brasília),TEMA: “Olivença, uma questão que tocou os dois  lados do Atlântico (1801 - 1817)”Apresentação: João Brandão FerreiraPlataforma Zoom: https://us02web.zoom.us/j/6164543465


terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

MISSA DE SUFRÁGIO POR S. M., EL-REI D. CARLOS I E POR S. A. R., O PRÍNCIPE REAL D. LUIZ FILIPE - Coimbra

 


Promovida pelo Instituto Santa Isabel de Portugal, no próximo dia 1 de Fevereiro (3.ª feira), pelas 19,30 horas, será celebrada no Centro Pastoral Irmã Lúcia (ao Loreto), em Coimbra, Missa de Sufrágio pelas almas de Sua Majestade, El-Rei Dom Carlos I, e de Sua Alteza Real, o Príncipe Real Dom Luiz Filipe.

A Missa será celebrada pelo Rev.º Pe. Francisco Prior Claro.

A Real Associação de Coimbra associa-se à cerimónia e convida todos os Portugueses a estarem presentes neste piedoso acto em memória do Soberano e do Herdeiro da Coroa de Portugal.


Que Deus Guarde Portugal e a Família Real!

D. Luís Filipe de Bragança, O Futuro Que Nos Roubaram

 


‘O Príncipe Real era uma figura de arrebatar! Tanto El-Rei como S. M. a Rainha tinham esta preocupação na educação do Príncipe: que Sua Alteza bem merecesse da Pátria pelo que valesse, pelos seus méritos e virtudes. E o Príncipe foi o que Suas Majestades desejavam. Eu vi despontar, naquela alma portuguesa, todos os grandes sentimentos da nacionalidade. Era português na linguagem, imprevisto e delicado como um literato nato, reflexivo (as suas respostas nos exames, dadas depois de meditar, aldeados da Corte que assistia, a cabeça entre as mãos!) e espirituoso, subjetivo e cavalheiresco, enlevado e simples. E desde tamanino, dois traços magistrais e característicos vincaram definitivamente a figura do Príncipe: a ternura pelo Rei e o culto pelo Reino! Toda a nobreza que um grande sentimento demanda, no Príncipe a havia.
O Príncipe [D. Luís Filipe] sabia que o Pai [D. Carlos I] lhe estava preparando uma grande Pátria. O muito amor por seu Pai era, a par da admiração de filho, a profunda, consciente gratidão de Português, que assistia ao engrandecimento incessante de trabalho de patriota.
O sentimento patriótico tão característico no Príncipe Real, o seu espírito eminentemente culto fizeram-no entrar admiravelmente na realização dessa ideia que o alto senso político d’El-Rei D. Carlos imediatamente aprovara.
Da forte personalidade do Príncipe Real emanava um singular atracção: a amenidade do trato e a seriedade do carácter, a alegre comunicabilidade da sua mocidade eram outros tantos elementos da simpatia que despertava. (…)
Quanta vez O [Rei D. Carlos] ouvi descrever a esperança de edificar um futuro grandioso para a Pátria.
É claro que El-Rei não tinha a ilusão que esse sonho florisse de todo no Seu Reinado. Obras dessas não se realizam na vida de um homem. D. Manuel I foi precedido por D. João II. D. Carlos olhava para diante, a sua aspiração estava para lá da sua vida: era esse o seu melhor mérito.
E conscientemente, tenazmente, ia lançando as bases do engrandecimento pátrio, preparando o apogeu para o reinado do Seu amado Filho. Para que o Príncipe Real fosse o seu consciente e seguro continuador, o glorioso herdeiro da Sua obra, o facetador que havia de dar o último toque de cinzel no Seu sonho d’oiro, El-Rei, de passo que preparava a força interior que era o exército, e no exterior o ambiente de consideração, com as suas viagens e as suas óptimas relações pessoais com todos os tronos da Europa: de caminho que preparava um Povo, para as nobres alegrias do futuro, educava-lhe um Rei que incarnasse e guiasse esse Povo, nos últimos trechos da marcha para o renascimento. (…)
Mas D. Carlos educava o Príncipe Real não à Sua imagem, e sim à imagem do seu ideal de Rei. Queria-Lhe todas as virtudes que torna legendário um trono, e d’Ele tudo quanto havia de bom e grande havia repassado para o Filho.
O Príncipe sabia que o Pai lhe estava preparando uma grande Pátria. O muito amor por seu Pai era, a par da admiração de filho, a profunda, consciente gratidão de Português, que assistia ao engrandecimento incessante de trabalho de patriota. (…)
Afectuoso e educado como seu Pai, em El-Rei D. Carlos tinha um retrato do que é a cortesia e o respeito, dentro do afecto. (…)
Do que o Príncipe se apercebia, d’olhos gratos e enlevados, era do que muitos ainda hoje se não apercebem, - do grande Rei que estava sendo El-Rei D. Carlos, e de que florescente época de Renascimento para que o seu reinado nos estava encaminhando.
Como nós nos não podemos aperceber do movimento da Terra, por nela estarmos, o Príncipe Real não se apercebia de que Portugal, para vir a ser grande, até o tinha a Ele!’

General Conselheiro António Coelho V.B. Vasconcellos Porto | Ministro e secretário de Estado dos Negócios da Guerra (Mai. 1906 – Fev. 1908) e Ministro e secretário de Estado interino dos Negócios da Marinha e Ultramar (Jun. – Set. 1907) no Ministério de João Franco Castello-Branco, no reinado D’El-Rei D. Carlos I, in ‘A Marcha Para O Renascimento - El-Rei D. Carlos e o seu Reinado’

Fonte: Acção Monárquica