quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Portugal é sem exemplo



A História de Portugal está cheia de "impossíveis". Eis um testemunho insuspeito:

Que homens seriam, então, os Portugueses, e que esforços extraordinários teria feito este povo de heróis? Tinha-se visto, porventura, até então, uma nação de tão limitado poderio desenvolver uma acção tão ampla? Os Portugueses em armas não eram mais de quarenta mil. Todavia, faziam tremer o império de Marrocos e todos os bárbaros de África, os Mamelucos, os Árabes e todo o Oriente, desde a ilha de Ormuz até à China.

Guillaume-Thomas Raynal (1713-1796)


Fonte: Veritatis

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Vicente, mártir


Todos os lisboetas conhecem a história de São Vicente, mártir, padroeiro do Patriarcado de Lisboa. Este diácono era natural de Aragão e foi martirizado em Valência. Mais tarde, segundo uma piedosa lenda representada na heráldica olisiponense, as suas relíquias deram à costa da capital portuguesa, num barco tripulado por corvos.

Se esse é o São Vicente mártir, padroeiro principal do Patriarcado de Lisboa, há pelo menos mais um mártir homónimo: Vincent Lambert, um enfermeiro francês, de 42 anos, que foi agora, depois de uma renhida batalha judicial, morto em França, ao abrigo da legislação que, nesse país, liberalizou o suicídio assistido e despenalizou a eutanásia. Também em Portugal não falta quem se proponha levar a cabo uma tal reforma legislativa, que representaria um colossal retrocesso em termos civilizacionais.

Geralmente, quando se pretende a legalização de comportamentos que ofendem a consciência cristã de países de tradição católica, recorre-se à manipulação da opinião pública, através da exploração sentimental de casos extremos, o que em geral provoca uma atitude mais tolerante em relação a situações objectivamente criminosas. Admitido esse comportamento delitivo em relação a casos extraordinários, rapidamente se generaliza, até se tornar trivial. Foi o que aconteceu, no nosso país, com o aborto, inicialmente permitido apenas nos casos de violação ou de malformação do feto, mas que hoje se pratica livre e impunemente, mesmo que a criança seja saudável e tenha sido concebida voluntariamente. Na Holanda e na Bélgica, em que a eutanásia é legal há mais tempo, também só era, de início, autorizada em casos muito excepcionais. Hoje, porém, já se pratica em larga escala, mesmo em relação a doentes que não são terminais, nem desejam morrer.

Um desses casos extremos foi, no país vizinho, o de Ramón Sampedro, um tetraplégico que dizia ser, de forma dramática, uma cabeça sem corpo. Dada a sua forçosa imobilidade, Ramón queria morrer, mas não tinha hipótese de se suicidar e, se alguém o fizesse, incorreria na pena prevista, na lei espanhola, para o delito de homicídio, porque, para o efeito, era irrelevante o consentimento da vítima. Assim sendo, não foi difícil à comunicação social apresentar como cruel a lei que impedia Ramón de morrer, quer por si mesmo, quer por outrem. Claro que a opinião pública, confrontada com estas situações, tende a reagir em termos emocionais, tolerando a legalização da eutanásia e a despenalização do suicídio assistido e, por isso, Sampedro, que foi argumento do filme “Mar adentro”, acabou por ser morto a 12 de Janeiro de 1998, sem que Ramona Maneiro, que lhe deu o cianeto que o matou, fosse responsabilizada pelo homicídio.

Num programa da televisão espanhola de prós e contras em relação à eutanásia, foi preciso, para além do caso do dito Ramón, ouvir alguém que, em situação análoga, tivesse uma opinião contrária. Para este efeito, o Padre Luís de Moya, da prelatura do Opus Dei, tetraplégico em consequência de um grave acidente de viação, ofereceu-se para dar o seu testemunho.

Há já vários anos totalmente imobilizado, o Padre Luís continua a exercer o ministério sacerdotal como capelão universitário: confessa e atende alunos e professores, concelebra a Eucaristia, dá palestras e até tem um blogue muito activo, pois consegue escrever com a língua, graças a um computador especialmente preparado para pessoas com a sua deficiência. Como é natural, precisa de quem o levante, lave, vista, dê de comer e transporte, embora saiba manobrar sozinho uma cadeira de rodas adaptada à sua muito escassa mobilidade.

Quando um jornalista perguntou ao Padre Luís se queria viver, obviamente respondeu que sim, com a alegria própria de um cristão. Acrescentou também que a sua deficiência, que é definitiva, não representava para ele nenhum drama, nem trauma. Ante a incredulidade do entrevistador, explicou que ele era como um milionário a quem se tinham extraviado duas moedas, que eram a sua mobilidade, de facto perdida para sempre, mas insignificante se comparada com a imensa fortuna que é a fé cristã.

Para quem não tem mais horizonte do que o da sua vida terrena, talvez a saúde seja de facto essencial e, a sua ausência, sobretudo se paralisante e incurável, razão suficiente para desistir de viver. Mas, para quem tem uma perspectiva cristã da existência, até a mais dolorosa e incapacitante deficiência tem sentido, à luz do mistério da paixão e morte de Cristo na Cruz. A doença, mesmo terminal, não só nunca é indigna, como é compatível com a alegria pascal dos filhos de Deus.

P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA

domingo, 4 de agosto de 2019

Somos uma democracia há séculos: o mito da preponderância da nobreza no Portugal Antigo

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O filão de mitos a respeito da suposta preponderância da fidalguia no Portugal Antigo merece-nos os maiores cuidados, pois não só são amiúde inverídicos, carregando lamentáveis confusões, como prolongam preconceitos instilados ao longo do século XIX, podendo-se, pois, dizer que são mera propaganda que urge rebater.

Na fase tardia do paradigma corporativo, ou seja, no século XVII, a sociedade repartida em três estados (Clero, Nobreza e Povo) já só funcionava como largo quadro de referência, posto que a realidade social era bem mais complexa e em permanente mudança. A mudança iniciara-se em finais da Idade Média, mas no século XVI era já bem patente. A ascensão dos letrados e a queda dos fidalgos parecia acompanhar uma dinâmica social irreprimível, na qual o apoio da Coroa parecia cada vez mais inclinar-se para o favorecimento do Povo. A prová-lo, a legislação produzida durante o governo de Dom Sebastião marcou uma grande mudança na governação das cidades. Em 1572, o Rei afirmava-o claramente numa lei sobre o estatuto dos governantes da capital portuguesa: “daqui em diante, haja na Câmara um presidente fidalgo principal e três vereadores (do braço popular) que sejam seus desembargadores e sigam os cargos que adiante vereis” (Livro de Reis, vol. VIII, pág. 88).
Esta evolução democrática tornou-se evidente na estruturação da sociedade portuguesa do século XVII. Depois das pessoas de condição “vil” – actividades braçais – encontrava-se um grupo a que os tratadistas chamavam de “Estado do Meio” ou “Classe Média do Antigo Regime”, ou seja, aquelas que desempenhavam funções inicialmente consideradas “mecânicas” (lentes universitários, tabeliães, livreiros, artistas, cirurgiões, boticários) mas que tinham sofrido um processo de ascensão social que as colocava junto do estado de nobreza. Também os desembargadores eram considerados nobres, tendo direito a cavalo e porte de armas. Depois, advogados e escrivães passaram a gozar de privilégios similares aos dos nobres. Ao contrário da nobreza generativa – aquela que se transmitia de pais para filhos – a sua nobreza era reconhecida no quadro das funções que desempenhavam.

O mesmo vinha acontecendo paulatinamente aos produtores agrícolas. Em finais do século XVI, os lavradores – ou seja, proprietários de terras – passaram a ser considerados em estado de nobreza, sendo isentos de obrigações militares. O mesmo acontecia aos concelhos. No século XVII, os concelhos constituíam autênticos senhorios colectivos com atribuição de poderes públicos equivalentes aos nobres, animados por elites locais saídas do povo e que se pautavam pelos valores sociais e de honra próprios da nobreza de linhagem. De facto, eram cavaleiros, ou seja, tratados como se fossem da pequena nobreza, pelo que tais homens não podiam sofrer a humilhação de ser descavalgados – ou seja, privados da sua montada. Descavalgar um homem da aristocracia popular era crime severamente punido.

Também a dinâmica imperial permitiu que largas faixas da população envolvida na gestão e defesa do Ultramar ultrapassassem a condição social em que haviam nascido. Ao partirem para o Oriente ao serviço da Coroa, aos filhos dos membros da Casa dos Vinte e Quatro era reconhecida a condição de nobreza, o mesmo acontecendo depois com a maioria dos militares de pequena patente que saíam a barra do Tejo para o cumprimento de missões no Norte de África, Brasil e Oriente; daí a conhecida expressão de “Fidalgos do Cabo da Boa Esperança”.

Dir-se-ia que pelos finais do Antigo Regime, a nobreza de mérito – ou seja, aquela saída do serviço do Rei – sobrepujara há muito a velha nobreza de sangue. Nas Cortes mandadas reunir por Dom Miguel para o aclamar Rei, dois terços dos representantes da nobreza eram titulares há menos de três gerações, ou seja, até a nobreza titular deixara de ser uma casta fechada de linhagens que se perdiam na bruma dos tempos, passando, ela também a ser uma ordem muito porosa e aberta à crescente entrada de homens de valor saídos do povo.

Miguel Castelo-Branco

Para ler mais:

Ângela Barreto Xavier, António Manuel Hespanha. A representação da sociedade e do poder: paradigmas políticos e tradições literárias, in História de Portugal (dir. Matoso), vol. IV. Lisboa: Círculo de Leitores, 1993.

António Manuel Hespanha, História das instituições: épocas medieval e moderna. Coimbra: Almedina, 1982.

Na imagem, tríptico representativo das Cortes de Leiria da autoria do insigne mestre português Jaime Martins Barata. Escadarias do Palácio de São Bento, Assembleia da República, Lisboa.

sábado, 3 de agosto de 2019

Recordar O Infante D. Afonso de Bragança Que Nasceu A 31 de Julho de 1865


Dom Afonso Henriques de Saxe-Coburgo-Gota e Bragança nasceu às 2 horas da manhã de 31 de Julho de 1865, no Paço Real da Ajuda, em Lisboa, com a titularia de Infante de Portugal e 3.º Duque do Porto (título real de cortesia dos filhos secundogénitos do Rei de Portugal).
Sua Alteza Sereníssima O Senhor Infante Afonso Henriques Maria Luís Pedro de Alcântara Carlos Humberto Amadeu Fernando António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando Inácio de Bragança era filho D’El-Rei Dom Luís I e da Rainha Dona Maria Pia, e irmão mais novo de Dom Carlos, Duque de Bragança e Príncipe Real. Ao contrário do irmão não lhe eram pedidas responsabilidades para reinar pelo que enveredou por uma carreira militar na arma de Artilharia.
O 3.º Duque do Porto foi ainda 24.° e último Condestável de Portugal, 109.º governador e 51.º e último Vice-Rei da Índia Portuguesa – que pacificou, já no reinado do irmão, enquanto Tenente-Coronel de Artilharia à cabeça de apenas 22 oficiais e 567 praças frente a milhares de Maratas e Ranes, nas Campanhas da Expedição de 1895/96. ‘Abraço-te do coração pelos serviços que, com risco da própria vida, prestaste à nossa querida Pátria e peço-te que comuniques aos oficiais e praças debaixo do teu comando quanto me é grato saber o modo como soldados portugueses têm continuado a honrar o nome do seu País.’, escreveu El-Rei Dom Carlos ao Infante Dom Afonso.
Regressado à metrópole e à capital, era um reconhecido entusiasta dos automóveis, sendo o organizador das primeiras corridas de automóveis em Portugal, sendo a primeira corrida, em Agosto de 1902, no hipódromo de Belém, onde o Fiat de D. Afonso, ao despique, com um Locomobile conduzido pelo norte-americano Abott, um Panhard et Levassor conduzido pelo francês Beauvalet e um Darracq conduzido por Alfredo Vieira, e deram 10 voltas num disputada corrida com Abbot a vencer. Fundou ainda o Real Automóvel Club de Portugal.
Deve-se, ainda, ao Infante Dom Afonso Henriques de Bragança a fundação, em 10 de Abril de 1880, da Real Associação de Bombeiros Voluntários da Ajuda, da qual foi o seu primeiro comandante. A RABVA recebeu o alvará de Real Associação em 2 de Maio de 1881 e funcionava como sede numa parte do próprio Palácio da Ajuda.
Fruto da mal-intencionada campanha republicana que visava denegrir os membros da Família Real Portuguesa ficou injustamente conhecido como «O Arreda». O que não conta essa estória é que Dom Afonso como comandante dos Bombeiros Voluntários da Ajuda  percorria as ruas de Lisboa num carro de bombeiros – pago do próprio bolso – a alta velocidade para levar o auxílio a quem tinha os seus bens a serem consumidos pelo fogo ou para combater incêndios nas matas adjacentes, perigando a própria vida, e como não havia sirenes nesse tempo fazia-o com uma palavra de ordem, o grito, de ‘Arreda, Arreda!’ para que os hipomóveis e os peões saíssem da frente, o que lhe valeu o cognome pouco abonatório, pois como era entusiasta de carros e foi o responsável pela organização das primeiras corridas de automóveis em Portugal, a propaganda anti-monarquia pretendeu passar a ideia que era por conduzir o seu automóvel Fiat a alta velocidade – uns ‘estonteantes’ 20 km/hora -, pelas ruas da Capital aos gritos de ‘Arreda!’, para as pessoas se afastarem e não serem atropeladas.
Com o Regicídio, no qual o terrorismo da Carbonária e dos republicanos ceifaram a vida d’el-Rei Dom Carlos e do Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança, no reinado do sobrinho El-Rei Dom Manuel II, o Infante Dom Afonso foi jurado herdeiro da coroa e designado 6° Príncipe Real de Portugal.
Após a golpada revolucionária que implantou a república, D. Afonso exilou-se em Itália, com a sua mãe. Foi um exílio muito isolado e solitário, especialmente a partir da morte da mãe a quem era muito dedicado. Com o casamento de D. Manuel II com Dona Augusta Vitória, o afastamento de tio e sobrinho aumenta, e contrariando a posição da Família Real Portuguesa e Italiana, acaba por casar-se, em Madrid em 1917, tornando-se o 4° marido de Nevada Stoody Hayes Chapman, uma cidadã norte-americana; desse casamento morganático – quando alguém de sangue real se casa com pessoa de condição inferior não transmitindo prerrogativas – não houve descendência. Com o afastamento da Família passa a viver modestamente numa aldeia italiana, Posilippo, onde a saúde do Infante se deteriora rapidamente, perdendo inclusive a memória, acabando por falecer hemiplégico, em Nápoles, em 21 de Fevereiro de 1920, com apenas 54 anos.
A 2 de Março de 1922, os restos mortais do Infante Dom Afonso de Bragança são desembarcados na Pátria, com honras militares, velado na capela do Arsenal e depois percorrendo o caminho até S. Vicente ao som da Marcha Fúnebre de Chopin, num armão que carregou a urna de prata maciça, onde sob uma almofada no mesmo metal repousava uma coroa Real, cobertos pelo Pavilhão de Vice-Rei da Índia. Retirada a urna do armão, esta foi carregada pelos seus companheiros bombeiros ao som de uma salva de 13 tiros da artilharia do campo de Santa Clara, sendo sepultado com honras de Estado no Panteão dos Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.
Por todos os seus feitos ao serviço da Pátria, enquanto Infante de Portugal, é, portanto, impreterível fazer a devida Honra e Justiça à Memória do Infante Dom Afonso Henriques de Bragança que com galhardia tanto honrou a divisa da sua corporação de bombeiros: ‘Vida por Vida’.
Miguel Villas-Boas

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Obviamente, uma das melhores gastronomias do mundo

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A gastronomia portuguesa é diversa, rica, apaladada e reveladora de mil viagens dos sabores. Quando comparada com as gastronomias continentais europeias - de base camponesa ou com estrita separação entre comida para o povo e cozinha palatina - a gastronomia lusa revela inesperadas surpresas, influências e sínteses que lembram um laboratório de experiências que atravessou o tempo longo da história de uma nação que desbravou os mistérios do Mar e se insinuou em todos os continentes inventariando espécies animais e vegetais para as trazer para a mesa. Os doces, os agridoces, os salgados, os condimentados, os picantes - nas entradas, nas sopas, nos guisados, nos cozidos, nos fritos e nos assados - mais a doçaria carregada de referências distantes, são hoje (finalmente descoberta pelo mundo!) um riquíssimo património de cultura.

Já no século XVII se espantavam os viajantes com as iguarias servidas em Lisboa. De Domingos Rodrigues (1637-1719), cozinheiro do Conde do Vimioso, chegou-nos a Arte de Cozinha, publicada em Lisboa em 1683. Dela, retiramos ao acaso uma breve relação das muitas receitas que nos despertam irreprimível vontade de as degustar:

Pastéis de galinha, pastéis de lombo de vaca, pastéis de camarões, pastéis de peitinhos de galinha, pastéis de ameijoas, empadas de peito de vitela, empadas de veado salsichadas, perdiz recheada com almôndegas, perdizes cozidas em vinho branco, empadas de perna de javali, perna de carneiro recheada, perdiz doce, peru recheado com arroz, peru assado com salsa real, ovos recheados com peixe, ovos recheados com carneiro, cebolas recheadas com carneiro, chouriços mouros (com carne de aves), coelho albardado, coelho assado e lardeado, torta de peixe, peixe mourisco, peixe frito em manteiga, ovos de talhadas, trouxas de ovos, ovos em fatias, ovos moles, claras de ovos em castelo polvilhadas com canela, pão de ló de amêndoas, biscoitos de nata, chocolate ...

MCB

Imagem: natureza morta, por Josefa de Óbidos.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Família Real Portuguesa presente na Tourada Real em Salvaterra de Magos


A Praça de Touros de Salvaterra de Magos recebeu esta sexta-feira, 26 de Julho, uma recriação da Tourada Real, na qual marcou presença SAR, O Senhor Dom Duarte Pio, Chefe da Casa Real Portuguesa.
Em praça os cavaleiros Ana Batista e Francisco Palha e o rejoneador luso-espanhol Diego Ventura. Frente a touros da ganadaria Alves Inácio, actuaram ainda os Forcados Amadores de Vila Franca de Xira e Alcochete.
Antes da corrida, Dom Duarte Pio, Dona Isabel de Bragança, Infante Dom Afonso, Infanta Dona Maria Francisca e Infante Dom Dinis desceram a arena para cumprimentar todos os intervenientes do espectáculo.
Fonte: infocul

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Pinharanda Gomes (1939-2019): um sábio português

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Faleceu  Jesué Pinharanda Gomes, um dos mais notáveis homens de cultura e pensamento da segunda metade do século XX. É evidente que a imprensa dita oficial não se dignará a fazer o mais pequeno apontamento necrológico, não só porque ignora a sua existência e a obra imensa que legou, mas também porque Pinharanda Gomes foi sempre um homem livre.

Autodidacta, trabalhou até à reforma como vendedor de maquinaria agrícola, mantendo sempre prudente distância face à jactante e quase sempre submissa universidade. Pinharanda Gomes era gente. Não foi um intelectual orgânico, não genuflectiu nem fez parte dessa sub-casta que prostituiu a Universidade, ao ponto de termos chegado ao nadir de um tempo em que doutores mal sabem assinar o nome ou agarrar numa caneta.

Já nos havia surpreendido Pinharanda Gomes pela Patrologia Lusitana, pelos Conimbricenses e Filosofia Hebraico-Portuguesa, copiosas fontes de informação e interpretação.Em homenagem ao estudioso, mas a mais notável obras foi certamente a Filosofia Arábigo-Portuguesa, talvez o único trabalho de vulto existente no nosso idioma destinado a facultar informação de base sobre o impacto da civilização árabe no Ocidente peninsular.

MCB