segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Prémio Príncipe da Beira em Ciências Biomédicas distingue duas investigadoras do Porto


A investigação Ana Catarina Macedo da Silva, do IPO do Porto, recebeu o Prémio Príncipe da Beira, um galardão instituído pela Fundação D. Manuel II, a Universidade Minho (UMinho) e o município de Guimarães.
O trabalho vencedor aborda o perfil de metilação de micro RNAs como ferramenta de detecção em biopsia líquida e como biomarcadores de resistência à radioterapia em paciente com cancro esofágico.
Lúcia Raquel Moreira Faria, internista no Hospital de Santo António, no Porto, recebeu uma menção honrosa pelo trabalho que versou o Lúpus Eritematoso Sistémico, uma doença auto-imune debilitante e imprevisível, caracterizada pela heterogeneidade clínica e laboratorial.
“Não queremos que Guimarães seja apenas o Berço de Portugal, mas que seja também o ‘berço do futuro do desenvolvimento científico’”, afirmou Adelina Pinto, vice-presidente da autarquia, na cerimónia da entrega do prémio, que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, com as presenças Rui Viera de Castro, reitor da UMinho, e SAR Dom Duarte, Duque de Bragança.
“A investigação e o conhecimento serão os baluartes da nova sociedade e Guimarães quer estar na linha da frente”, referiu a autarca, concluindo que “é um privilégio para a cidade contar com instituições prestigiadas no que diz respeito ao ensino e à investigação, como é o caso da UMinho e o grupo de investigação em Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos, 3B’s, entre outros.
Rui Vieira de Castro, reitor da universidade minhota, realçou o papel “insubstituível da ciência e do conhecimento” pelo facto de contribuírem para “o alargamento do conhecimento sobre a vida humana e para intervirem de forma decisiva nas transformações da nossa realidade”.
“O conhecimento científico depara-se com discursos alternativos que contradizem o óbvio para a comunidade científica, pelo que combater estas ameaças é imperativo”, disse, acrescentando que os prémios científicos têm um papel importante no incentivo à investigação e, dessa forma, ao desenvolvimento da ciência.
Já Dom Duarte, referiu que Guimarães “é o berço de Portugal, um país que sempre foi grande quando soube abrir-se ao mundo”. Para o Duque de Bragança, as descobertas geográficas e humanas que Portugal encetou foram promotoras de progresso científico.
Ao prémio, com um valor pecuniário de 15 mil euros,  e que visa reconhecer a investigação de excelência na área das ciências biomédicas, concorreram 44 trabalhos.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Missa Sufrágio 1º de Fevereiro 2020

A imagem pode conter: 9 pessoas, pessoas em pé e fato

Na passagem de mais um ano sobre o trágico regicídio de 1908, a Real Associação de Lisboa cumpriu o doloroso dever de mandar celebrar uma missa de sufrágio pelas almas de Sua Majestade El-Rei Dom Carlos I e de Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luiz Filipe. A homenagem decorreu na Igreja de São Vicente de Fora, com a Celebração Eucarística a cargo do Reverendo Padre Gonçalo Portocarrero de Almada e a presença dos Duques de Bragança, além das significativas representações das Ordens de Malta, do Santo Sepulcro e de Nossa Senhora de Vila Viçosa e numerosa assistência.

No final da celebração Suas Altezas Reais os Senhores Duques de Bragança depuseram uma coroa de flores junto aos túmulos reais acompanhados pela presidente da Causa Real Teresa Côrte-Real e o presidente da Real Associação de Lisboa João de Lancastre e Távora.

A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé e interiores

A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas em pé

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas em pé

A imagem pode conter: 9 pessoas, pessoas em pé e casamento

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas em pé, multidão e sapatos

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé e interiores

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, multidão e interiores

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas em pé, fato e interiores

A imagem pode conter: 5 pessoas, pessoas em pé, casamento e interiores

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e interiores

A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas em pé

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas em pé e fato

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas em pé

A imagem pode conter: 7 pessoas, pessoas em pé

A imagem pode conter: 9 pessoas, pessoas em pé e interiores

A imagem pode conter: 11 pessoas, pessoas em pé e casamento

A imagem pode conter: flor, planta e ar livre

sábado, 8 de fevereiro de 2020

O padre António Vieira e as pessoas de boa-fé

A História não é feita para julgar, mas para compreender. É essa a boa norma. O que não é de boa norma é a esta sanha persecutória e o esforço de demolição de algumas figuras maiores da nossa cultura.

Os quatro autores de um extenso artigo que veio há dias a público — Patrícia Martins Marcos, Rui Gomes Coelho, Inês Beleza Barreiros e Pedro Schacht Pereira — tentaram levantar muitas questões e atingir vários alvos em simultâneo: as instituições eclesiásticas, em particular a Companhia de Jesus; o padre António Vieira; a estátua que o evoca e que existe no Largo Trindade Coelho, em Lisboa; o escultor Marco Fidalgo, que a esculpiu; um conjunto de pessoas que os autores designam, sem as nomear, por “comentadores grisalhos” e “guardiães do consenso lusotropical”; etc. Destes alvos o principal ou prioritário é o padre Vieira. Aliás, de há uns anos para cá, um grupo de pessoas de extrema-esquerda tomou o padre de ponta e fez dele uma figura histórica a abater. Acusam-no de ser uma fraude, um hipócrita, um falso humanitarista que — asseguram —, defendia o tráfico e a escravização dos negros, ao mesmo tempo que se opunha à escravização dos índios. Garantem, também, que as posições de Vieira quanto ao problema da escravatura não teriam especial relevância, pois ele não seria um pensador original nem um pioneiro, mas um mero intérprete e copiador das ideias e argumentos de outros.

Esta última acusação levanta um problema que não se coloca, ou que só se coloca na cabeça dos autores do artigo. O padre, nesta área, nunca quis ser inteiramente original. As suas ideias a esse respeito estribam-se em dois mil anos de pensamento ocidental sobre a questão e são o resultado lógico desse pensamento. Vieira não escondia as suas fontes, que eram, essencialmente, a Bíblia, os padres da Igreja e a cultura clássica. Quem pegar, por exemplo, no seu Sermão Vigésimo Sétimo, de 1633, verá que refere Virgílio, Séneca, São Paulo, Santo Agostinho e muitos outros, para se apoiar na autoridade desses autores e revelar o bem fundado da sua própria argumentação, como era, então, de boa norma.
De todo o modo, e mesmo que absurdas, as acusações que têm recentemente sido feitas a António Vieira inserem-se no propósito de ataque às principais figuras da nossa história nacional. A defesa dessas figuras e, acima de tudo, da verdade histórica, faz-se revelando e explicando a razão de ser da sua actuação, no tempo. Há cerca de ano e meio tive ocasião de mostrar, no Observador, as razões pelas quais o padre António Vieira não pode ser considerado um defensor da escravatura dos africanos. É verdade que, como todas as pessoas da sua época, a aceitava, mas aceitar ou tolerar é muito diferente de defender ou promover. Para quem não me leu na altura ou tenha, agora, interesse em reler esses meus argumentos, que vêm a propósito nos dias que correm, remeto para o artigo em questão. Aqui, para não estar a repetir por outras palavras o que já disse no referido texto, julgo que será mais útil explicar por que motivo o padre Vieira e muitos outros membros da Igreja aceitavam a escravidão dos negros, mas rejeitavam e combatiam a dos índios. Qual a origem e a razão de ser deste duplo critério na avaliação das duas escravidões, que era corrente na época em que Vieira viveu?
Desde o descobrimento da América que viajantes e missionários tiveram tendência para encarar o Novo Mundo como algo próximo do ideal da natureza e o nativo como um ser inocente e feliz que, na imagética cristã, evocava um tempo anterior à expulsão do Paraíso. Para observadores como o dominicano Bartolomeu de Las Casas, por exemplo, os ameríndios eram gentes humildes e pacíficas, “as mais simples” que Deus criara, povos sem quaisquer “maldades nem fingimentos”, “sem rancores, sem ódios”, “sem desordens nem tumultos”. Como poderiam escravizar-se essas “mansas ovelhas”, esses filhos do Paraíso, aparentemente ignorantes do pecado? Esta visão era comum entre os clérigos e a tendência para libertar o escravo índio foi-se impondo, teve os seus paladinos como o próprio Bartolomeu de Las Casas, o também dominicano Jean-Baptiste du Tertre ou o jesuíta António Vieira — que merece ser recordado, em estátua e de outras formas, por essa e muitas mais razões. Apesar de desaires e retrocessos, a acção desses homens contribuiu para que se criasse um corpo de leis que protegeu os nativos da exploração desenfreada dos colonizadores.
Mas os africanos estavam, aos olhos dos europeus de então, numa posição muito diferente. Tendencialmente, eram associados aos mouros e mesmo quando exteriores ao Islão, pertenciam ao mundo bíblico, o mundo que melhor ou pior já estivera exposto à mensagem dos apóstolos. Os critérios que tinham levado à protecção do índio não se lhes aplicavam, ou só se aplicavam em parte. Isto não significa que não houvesse humanidade na relação com os escravos negros. António Vieira confessava-se impressionado com a dureza e iniquidade do tratamento infligido aos africanos. Entristecia-se com o espectáculo das naus que chegavam de Angola carregadas de centenas de negros; revoltava-se com o contraste entre a humildade dos pobres cativos, famintos, desvalidos e nus, e a soberba, opulência e brutalidade dos seus senhores. Em Cartagena de Las Índias, na actual Colômbia, o padre jesuíta Pedro Claver ia ao ponto de descer ao porão e à coberta dos navios negreiros recém-chegados de África a fim de entrevistar os escravos, tendo o cuidado de os beijar um a um e de os tranquilizar. E há muitos outros exemplos de membros da Igreja que se esforçavam por ter uma atitude humana e caridosa para com os africanos.
Todavia, admitiam a sua escravidão. Porquê? Por várias razões, algumas ligadas à percepção e interpretação do que seria a vontade divina; outras, mais pragmáticas, relacionadas com a resistência dos africanos às doenças e ao trabalho físico; outras, ainda, porque os negros provinham de regiões e de sociedades muito diferentes das americanas. Eram habitantes de nações mais complexas, que possuíam governo, conheciam o comércio e a agricultura, e onde já se praticava a escravidão. Ou seja, aquelas pessoas já eram escravas quando chegavam à mão dos europeus. Como explicaria, mais tarde, o bispo Azeredo Coutinho, “sendo pois diversas as circunstâncias em que se achavam os pretos de África e os índios no tempo das descobertas, foram diversas as leis; e como a justiça das leis não é absoluta mas sim relativa às circunstâncias, ficou cada uma das ditas leis — que proibiam a escravidão entre os índios, e a autorizavam entre os negros — sendo justa”.
É este tipo de pensamento que justifica a dualidade de critérios, que era muito comum não só na época em que Vieira viveu, mas antes dela, pois já existia, por exemplo, no tempo de Bartolomeu de Las Casas que, à semelhança de Vieira, foi alguém que protegeu os índios e tolerou a escravidão dos negros. E outro tanto se diga a respeito do grande jesuíta Manuel da Nóbrega que, chegado ao Brasil em 1549, procurou corajosamente combater os maus tratos e a escravização dos índios, mas admitiu a importação de escravos negros. Ao contrário do que por aí se afirma ou sugere o padre António Vieira não era uma figura anómala, perversa e injusta que favorecia os naturais da América para prejudicar os da África. Era apenas alguém do século XVII que enfrentava os dilemas e problemas da sua época, e que os pensava com as ideias e as soluções dessa época.
Essa é, no fundo, a principal razão pela qual António Vieira é actualmente atacado. Os que o acusam são ou fazem-se desentendidos, isto é, são pessoas que não têm, ou não querem ter, a compreensão do que é a História e a relatividade das coisas de acordo com cada tempo. Desentendidos que em vez de verem, em Vieira, alguém que se destacou na sua época como missionário, diplomata, orador, escritor, defensor dos direitos dos índios, preferem censurá-lo por não ser o que ninguém então era. Importa dizer e sublinhar pela centésima vez que, no que toca à escravidão dos negros, não havia abolicionistas no século XVII. Os que viveram nessa época aceitavam o princípio da escravidão, ainda que pudessem contestar certos dos seus aspectos ou modalidades, e a crueldade de muitos senhores. E não se venha com o argumento de que os escravos rejeitariam a escravidão, se pudessem, porque esse argumento é ignorante e falso. Aqueles escravos que escaparam das plantações e que viveram em liberdade no grande quilombo de Palmares, que existiu no tempo de Vieira, também possuíam escravos que utilizavam na agricultura e noutras funções no interior do quilombo. E houve muitos outros casos como o de Palmares.
Era assim que as coisas se passavam no século XVII e eu tentarei, sempre que possível e na medida das minhas capacidades, mostrar às pessoas de boa-fé a diferença de concepções e de atitudes entre épocas idas e a nossa. A História não é feita para julgar, mas sim para aprofundar e compreender. É essa a boa norma no que diz respeito ao conhecimento do passado. O que não é de boa norma, nem emocionalmente maduro, é a actual sanha persecutória e o esforço de demolição de algumas figuras maiores da nossa história e da nossa cultura.
João Pedro Marques

Fonte: Observador

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

O Imperador da Língua Portuguesa

Nenhuma descrição de foto disponível.


Passou na  quinta-feira mais um aniversário natalício do Imperador da língua portuguesa, o Padre António Vieira. Foi deste púlpito, situado na Igreja da Misericórdia, em Lisboa, casa-mãe da Companhia de Jesus em Portugal que o grande pregador elevou a culminâncias de grandiosidade as mais ardentes, comoventes, desafiadoras, exortativas e belas peças da oratória sacra, tão impressionantes para quem as escutou, como para quem as lê quase quatro séculos depois.

O Verbo de Vieira abalava e tocava profundamente qualquer um, fosse o cortesão, o mercador ou o simples escravo que ali afluíam à missa de domingo. Foi deste púlpito que Vieira conclamou ao arrependimento, à compaixão e à salvação, mas igualmente foi desta tribuna que desafiou os portugueses a serem dignos da missão que o eloquente orador pensava estar inscrita na ordem da providência. Ao entrar naquela rica igreja, os olhos do visitante depressa se afastam das pinturas, das relíquias, das talhas reluzentes e das peças de arte sacra para se fixarem naquele púlpito onde, sem grande custo de imaginação, ainda pode intuir o grande evangelizador que lembrava aos homens que um chamamento superior os empurrava para a plena realização da nação portuguesa derramada sobre o mundo.

ACM

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Guimarães: Tratamento do cancro do esófago vale prémio a jovem investigadora do IPO



A investigadora do Instituto Português de Oncologia do Porto Ana Catarina Macedo da Silva venceu a edição 2019 do Prémio Príncipe da Beira Ciências Biomédicas, com um projecto relacionado com o cancro do esófago, foi esta terça-feira, anunciado.
O prémio, no valor de 15 mil euros, foi entregue, na Câmara de Guimarães.
A investigadora, de 24 anos, explicou à Lusa que o objectivo é fazer “uma espécie de triagem” dos doentes com cancro do esófago, de modo a poder definir o tratamento mais adequado e mais favorável.
“O meu projecto passa pela identificação das moléculas que estão presentes no doente, para perceber se ele vai ou não responder à radioterapia”, referiu.
Sublinhou que, actualmente, os doentes são avaliados de acordo com o estado do tumor e o tratamento é definido em função dessa avaliação, podendo optar-se pela radioterapia ou pela cirurgia.
A ideia de Ana Catarina Silva é, através de amostras de sangue, antecipar a resposta que o doente vai dar ao tratamento.
“Se se concluir que vai responder à radioterapia, poupa-se o doente à intervenção cirúrgica, que é extremamente invasiva e muito complicada. Se se concluir que não vai responder, parte-se logo para a cirurgia, sabendo-se que neste tipo de doenças o tempo pode fazer toda a diferença”, referiu.
A investigação vai agora ser desenvolvida, com a ajuda do prémio atribuído esta terça-feira.
O júri decidiu ainda atribuir uma menção honrosa a Lúcia Raquel Moreira Faria, internista no Hospital de S. João, no Porto, por um trabalho sobre o Lúpus Eritematoso Sistémico, uma doença autoimune debilitante e imprevisível, caracterizada pela heterogeneidade clínica e laboratorial.
A edição 2019 recebeu um total de 44 candidaturas.
Instituído pela Fundação D. Manuel II, pela Universidade do Minho e pelo Município de Guimarães e destinado a “menores de 40 anos”, o prémio tem como objectivo reconhecer a investigação de excelência na área das ciências biomédicas.
Fonte: O Minho

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Nem pensem em tocar no nosso património



O Livre de Joacine Katar Moreira e do dr. ruizinho exigiu em comunicado que "o património das ex-colónias existente em museus possa ser-lhes restituído, por forma a descolonizar museus e monumentos estatais".

Um dos tópicos da demagogia de hoje repousa sobre a reivindicação de tesouros desviados. O Egipto, o México, a China, a Índia, o Sudão travam batalhas sem derramamento de sangue para ver restituídos objectos retirados dos territórios que compõem actualmente estados soberanos. Com uma pontinha de advogado do Diabo, diríamos que tais obras estão melhor entregues às colecções britânicas, alemãs, americanas e portuguesas que nas mãos de governos que dão testemunho de desprezo pela arte e pela cultura. Não teria sido preferível se as colecções do Afeganistão tivessem sido retiradas nos séculos XIX e XX e expostas/ estudadas/fruídas em Berlim, Londres, Paris e Lisboa ? Entre nós, respeita-se ou aprendeu-se a respeitar o valor de tais objectos. Noutras paragens, a reivindicação serve, pelo que vemos, para espicaçar vaidades nacionalistas ou, pior, para os oferecer à destruição. Talvez um dia a Sociedade de Geografia de Lisboa veja entrar pela porta adentro um diplomata do Benine reclamando as belíssimas peças de estatuária de fundição que os "portugueses roubaram" nos séculos XV e XVI.

O tema é um não-tema, porquanto, se tal enormidade viesse a acontecer, seria um tremendo crime contra património insubstituível. Tais colecções, ao invés de se oferecerem ao estudo e fruição, depressa seriam desviados, roubados ou destruídos, pois em África não há condições mínimas de preservação, nem condições culturais, sociais e políticas que os poupem aos desastres.

Contem com a Nova Portugalidade para travar pleito cerrado contra os novos bárbaros na defesa no nosso património museológico.

A Nova Portugalidade, 28 de Janeiro de 2020

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Guimarães dá 15 mil euros em prémio que homenageia D. Afonso de Bragança, Príncipe da Beira


O Duque de Bragança, através da Fundação D. Manuel II, a Universidade do Minho e o Município de Guimarães instituíram o Prémio Príncipe da Beira Ciências Biomédicas, no valor de 15 mil euros, foi anunciado.
Este galardão visa distinguir um investigador de excelência na área das ciências biomédicas, com menos de 40 anos de idade, pretendendo apoiar o seu plano de pós-graduação a realizar numa instituição de I&D nacional ou estrangeira.
Em nota enviada à imprensa, é referido que a iniciativa tem como objectivo primordial “premiar anualmente a excelência da investigação e contribuir para abrir novos caminhos na investigação aplicada e ética no domínio das ciências biomédicas”.
“Pretende também colaborar para o desenvolvimento de terapias avançadas e impulsionar o desenvolvimento de uma nova geração de investigadores com formação focada naquela área científica”, aponta a mesma nota.
Foi admitido a concurso um único plano de trabalho por candidato, o qual deveria ser executado por um período mínimo de um ano e ser enquadrado nos estudos pós-graduados, nomeadamente de doutoramento.
O júri incluiu personalidades e cientistas de mérito, como Manuel Braga da Cruz, Rui L. Reis, Miguel Oliveira, Adalberto Neiva de Oliveira, Adelina Paula Pinto e António Ferreira.
Depois de analisadas 44 candidaturas, a cerimónia de entrega do Prémio Príncipe da Beira em Ciências Biomédicas 2019 terá lugar no dia 4 de Fevereiro 2020, pelas 12:00, no Salão Nobre da Câmara de Guimarães.
A cerimónia conta com a presença de representantes de todas as entidades envolvidas, nomeadamente da Universidade do Minho, da Câmara de Guimarães e ainda da Fundação D. Manuel II, contando ainda com a presença de D. Afonso, Príncipe da Beira, que entregará o prémio.
Fonte: O Minho

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Primeira Proclamação de D. Manuel II Como Rei de Portugal


‘PORTUGUESES! Um abominável atentado veio oprimir, com a maior amargura, o meu coração de filho amantíssimo e de irmão extremoso, e enlutou a Família Real e toda a Nação, pondo o mais prematuro termo à preciosa vida de Sua Majestade El-Rei o Senhor Dom Carlos I, meu augusto e muito amado Pai, e de Sua Alteza Real, o Senhor Dom Luís Filipe, meu muito querido irmão. Sei que a Nação compartilha a minha extrema dor, e detesta indignada o crime horrendo, sem precedentes da história portuguesa, que assim, inesperada e tristemente deu fim ao reinado de um soberano bom, ilustrado, justo e querido, e malogrou o de um príncipe tão esperançoso pelos seus eminentes predicados e virtudes.
Nesta desventurada conjuntura sou chamado, pela Constituição da Monarquia, a presidir aos destinos do Reino, na sua conformidade e no desempenho dessa elevada missão, empenharei todos os Meus esforços pelo bem da Pátria, e por merecer a afeição do povo português.’
Assinado: Manuel Rei
Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Manuel II de Portugal | Proclamação publicada no Diário do Governo do dia 2 de Fevereiro de 1908

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Também ali morreu Portugal


Monárquicos ou republicanos, basta-nos ser patriotas portugueses para sabermos como aquela manhã de 1 de Fevereiro nos levou muito do melhor que o país tinha. Habituados entretanto ao governo por burgessos, limitados mentais, oportunistas reles e ambiciosos sem prenda alguma de capacidade, ilustração ou sentido de serviço, é-nos quase espantoso pensar que ainda há tão pouco tempo - apenas um pouco mais que um século - este pequeno país, então ainda império, tinha à sua cabeça um homem da formação e dos dotes de Dom Carlos. Oceanógrafo, amante e respeitador do campo, aquele que electrificou Lisboa e foi o maior pintor naturalista português do seu tempo foi uma prenda do destino que Portugal recebeu sem perceber e de que se desfez com ingratidão. Da república das desordens que conduziu à ditadura e da ditadura ao regime que aniquilou Portugal na sua grandeza pluricontinental, o país nunca mais foi o mesmo, e nunca mais foi melhor. Fomos também nós quem morreu com o Rei e o seu filho, por muito que tantos não queiram vê-lo.

RPB