domingo, 18 de agosto de 2019

SAR, O Senhor D. Duarte Pio pretende criar Escola Real das Artes em Castelo de Vide

D. Duarte Pio pretende criar Escola Real das Artes em Castelo de Vide

SAR, O Senhor Dom Duarte Pio de Bragança pretende criar uma Escola Real de Artes na Quinta da Senhora da Luz em Castelo de Vide, projecto que envolve no imediato a realização de um “Architecture Summer School” de 18 a 20 de Junho do próximo ano.
Neste sentido, o proprietário da quinta, D. Duarte de Bragança, reuniu com o Presidente da Câmara Municipal, António Pita, para apresentar a sua proposta.
“Discutimos o conceito, analisámos os objectivos e reflectimos sobre a sustentabilidade e enquadramento institucional do projecto”, referiu o autarca nas redes sociais, sublinhando que “a Câmara Municipal estará certamente disponível para colaborar activamente no projecto que evidencia um inequívoco interesse comunitário”.
“Por ora, é prematuro avançar com mais considerações, mas não deixa de ser um sinal positivo SAR, O Duque de Bragança estar interessado em criar uma solução para este histórico imóvel do nosso concelho, bem como contribuir para o desenvolvimento cultural, social e económico da região”, refere também António Pita.
Recorda-se que Dom Duarte de Bragança procura pelo menos desde 2012 encontrar “um destino” para esta Quinta, que herdou de Virgínia Lee Malone Flores, viúva do Francisco Mimoso Flores. Entre as possibilidades elencadas esteve o turismo de habitação ou mesmo um empréstimo, e uma das hipóteses aventadas na altura chegou mesmo a ser "acolher uma Ordem religiosa expulsa de Portugal há 150 anos”.

sábado, 17 de agosto de 2019

Máximas de um Rei católico


Num memorial de sua letra, que fez antes de tomar o governo do Reino, El-Rei D. Sebastião escreveu as máximas que devia observar, e são as seguintes:

– Terei a Deus por fim de todas as minhas obras, e em todas elas me lembrarei d'Ele.
– Em me deitando, e levantando, conto com Ele muito particular. – Cuidar à noite, em que falei naquele dia.
– Trabalharei muito por dilatar a Fé. – Favorecerei muito as coisas da Igreja. – Armar todo o Reino. – Defender alfaias e delícias. – Fazer mercê a bons, castigar a maus. – Não crer levemente, e ouvir sempre ambas as partes. – Fazer justiça ao grande, e ao pequeno, sem excepção de pessoa. – Tirar as onzenas. – Conquistar e povoar a Índia, Brasil, Angola e Mina. – Todo o que me falar desonestidades, castigá-lo rijamente.
– Quando houver de fazer alguma coisa, comunicá-la primeiro com Deus. – Reformar os costumes, começando por mim no vestir e comer. – Em negócios, ter primeiro conta com o bem comum, e depois com os particulares. – Tirar alguns tributos e buscar modo com que Lisboa seja abastada. – As leis que fizer, mostrá-las primeiro a homens de virtude e letras, para que me apontem os inconvenientes que tiverem.
– Levar os súbditos por amor, enquanto puder. – Ser inteiro aos grandes, humano aos pequenos.
– As comendas sirvam em África.
– Não ter junto de mim senão homens tementes a Deus.
– Devassar dos ofícios de justiça, e fazenda, cada ano.
– Escrever a todos os Prelados que façam dizer Missas e Orações por mim, e pedir jubileu ao Papa.
– Terei nos postos do mar homens de confiança, e os que entram, que não sejam suspeitos na Fé.
– As coisas que não entender bem, comunicá-las primeiro com quem me possa dar parecer desenganado.
– Não dar, nem prometer nada, sem saber se é injustiça ou mal feita. – Mostrar bom rosto e agasalhado a todos. – Prover os cargos e ofícios em quem faz para isso, e não por outros respeitos. – Não desmaiar nas dificuldades, antes ter maior fé e confiança em Deus. – Tirar a cobiça. – Mostrar sempre ânimo liberal e não acanhado. – Gabar os homens, e cavaleiros, que tiverem bons procedimentos, diante de gente, e os que tiverem préstimo para a República, e mostrar aborrecimento às coisas a ela prejudiciais. – Não dizer palavras que escandalizem, mormente quando estiver agastado. – Os meus Embaixadores andarão sempre vestidos à portuguesa.
– Em todas as coisas que fizer, terei primeiro conta com a honra de Deus. – Serei pai dos pobres e de quem não tem quem faça por eles.


Fonte: Veritatis

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

14 de Agosto: o dia em que ganhámos o direito a ser na História

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A 14 de Agosto de 1385, as hostes portuguesas e castelhanas defrontaram-se em Aljubarrota, numa das batalhas campais mais impressionantes da Idade Média. Em inferioridade numérica, na proporção de seis mil e quinhentos homens (6.500) contra trinta e um mil (31.000), os portugueses infligiram uma pesadíssima derrota às forças castelhanas. O luto, em Castela, foi de dois anos, pelas perdas humanas em mortos e em prisioneiros. Em Portugal, a vitória consolidaria definitivamente a soberania portuguesa e ajudaria a incrementar um sentimento de identidade fortíssimo que nos acompanha desde então.

Encerrada a crise dinástica despoletada com a morte de Dom Fernando I, em 1383, Dom João I pôde consolidar a sua posição como Rei de Portugal, o primeiro da sua dinastia. As pretensões de João I de Castela saíram goradas irremediavelmente.

Mitos surgiram, nomeadamente o da célebre Padeira, que teria, de uma assentada, matado sete castelhanos com uma pá. Representações que o imaginário popular cria de tão surpreendente campanha. O engenho português que levou a dianteira sobre a força de cavalariça. Os cálculos, a previsão, a estratégia, que se sobrepuseram à vantagem do inimigo.

De lá para cá, Aljubarrota tem sido frequentemente evocada. Paira sobre os portugueses como um episódio que a todos deve orgulhar. Houvéssemos perdido e o curso da História não nos teria sido favorável. O mundo não existiria tal qual o conhecemos, é uma certeza, pois a expansão não se teria dado, se tanto como se viria a dar, e não muito tempo depois. Já havia, aliás, incursões marítimas pelas ilhas do Atlântico.

Um feito notável para um pequeno reino. Viva Portugal!

MTF

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Espada de Justiça


Nosso Senhor Jesus Cristo abençoa os que têm fome e sede de justiça; o Apóstolo das Nações designa os Príncipes como vingadores do crime, porque de outra sorte era inútil o cingirem uma espada, e até no Céu as ditosas almas dos Santos Mártires pedem com instância ao Senhor, que lhes vingue as suas injúrias, e nomeadamente o sangue que derramaram pela palavra Divina.

Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo», 1824


Fonte: Veritatis

terça-feira, 13 de agosto de 2019

República incompatível...

Incompatível desde logo com a legalidade, porque não cumpre a lei. E com a justiça porque não a aplica! Ou só a aplica quando entende. E tem ainda a desfaçatez de invocar o desconhecimento da mesma. No caso, uma lei de 1993 que durante a sua 'vigência' sofreu inúmeras alterações, incluindo a que entrará em vigor na próxima legislatura! O que demonstra o contrário do que agora afirmam. Ou seja, conhecem-na bem demais. Mesmo assim ensaiam uma fuga para a frente a ver se pega – a procuradoria geral da república que esclareça o sentido da lei! Isto só na república das bananas! Inventam-se então desculpas infantis e ao mesmo tempo comprometedoras – não há jurisprudência! O que só pode significar que a lei (durante mais de vinte e cinco anos) nunca foi aplicada! E das duas uma – ou não houve fiscalização, ou então houve mas foi varrida para debaixo do tapete. Única maneira de explicar os inúmeros casos de violação agora descobertos! Descobertos por acaso e à boleia do escândalo das golas anti-fumo!

Como é que isto vai acabar?! Como sempre – a procuradoria emite um parecer redondo e inconclusivo, o presidente tira mais uma selfie, e o povo paga a factura.


Saudações monárquicas


Nota: Isto era impensável ficar impune numa qualquer monarquia europeia.



Fonte: Interregno

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Meritocracia sem obstáculo racial

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Pela lei de 19 de Fevereiro de 1624, aplicada em Goa e todo o Oriente português a partir do ano seguinte, ficava estabelecido que doravante chinês algum pudesse ser reduzido à condição de escravo, fosse qual fosse a sua origem e situação jurídica, e que todos, sendo livres na plenitude de direitos, pudessem ocupar postos, desempenhar funções e receber honras (i.e. títulos de nobreza), sendo que os únicos critérios para os investir eram os do mérito (merecimento) e graduação [escolar]. Esta moldura seria depois ampliada em 1761 (Alvará de 2 de Abril), pelo qual que todos os súbditos do rei de Portugal nos domínios asiáticos se poderiam apresentar a concurso para a ocupação de cargos, funções, postos e jurisdições, em plena igualdade jurídica com os naturais do Reino [Portugal]. Mais se advertia que tais asiáticos e luso-asiáticos deviam ser tratados como se europeus fossem, sendo que insultos odiosos e referências à sua origem étnica passariam a ser duramente castigados.

Imagem: Coronel Nicolau de Mesquita, de família luso-chinesa, membro do Conselho do Governo e comandante militar de Macau.

domingo, 11 de agosto de 2019

(A falta de) Respeito pela velhice

Na semana passada li uma entrevista com um candidato a deputado (cabeça-de-lista) pelo circulo eleitoral do Porto. Neste breve texto, não é relevante referir nem o nome da pessoa, nem o partido que representa, pois essa é uma óptica que para aqui não é chamada. Apenas direi que se trata de um jovem estreante nestas lides e de uma organização partidária pertencente ao que se convencionou chamar o “arco da governação”. Daí a relevância do que a seguir descrevo e comento.

No meio da entrevista, deparei com uma pergunta sobre a hipotética alteração da idade mínima para o direito de voto a partir dos 16 anos. Questão para a qual, certamente, todos poderemos encontrar razões favoráveis ou desfavoráveis. Acontece que um dos argumentos usados pelo entrevistado para reflectir sobre o assunto está expresso neste naco da sua posição: “Quanto mais argumentos me dão para que o jovem não possa votar aos 16, mais eu tenho a certeza de que se calhar é o contrário. Porque os argumentos são na linha do ‘a pessoa de 16 anos não tem maturidade para fazer uma escolha’ e eu conheço muitas pessoas de 70 que também não têm” (in Publico, 17.07.2019). Voltei a ler, não queria acreditar no que estava escrito…

Não é que eu goste do neologismo, mas veio-me logo à cabeça o chamado idadismo, que tem sido definido como o pensamento e a atitude preconceituosas e discriminatórias com base na idade, sobretudo em relação a pessoas idosas. Não conheço o jovem e até acredito que, no fundo, não tenha tido a intenção de assim se exprimir. Mas questionei-me sobre o que o candidato quis dizer com falta de maturidade aos 70 anos, mistério que prefiro não abordar, para não chegar a conclusões familiares, sociais ou geracionais perigosas ou absurdas. Acontece que a argumentação usada, além de falaciosa, é profundamente injusta e mesmo insultuosa. Numa lógica silogística e num confronto entre “seniores” e “juniores”, eis o esplendor do seu raciocínio: se dizem que uma pessoa de 16 anos não tem maturidade para fazer uma escolha (votar), como conheço muitas (!) pessoas de 70 anos que também não têm maturidade, então estas também não estão em condições de fazer escolhas (votar)…

Hoje condenam-se – com justeza – diferentes formas de discriminação, designadamente de origem social e étnica. Não há dia em que não haja notícias sobre o assunto. Quanto a formas de apartar e discriminar os mais velhos, vamos ouvindo, mais larvarmente ou mais directamente (lembro aqui um deputado que, há poucos anos, falou na AR da “peste grisalha”, referindo-se aos reformados), considerações gerontofóbicas, ainda que sem manchetes mediáticas. A velhice, antes uma dignidade inalienável e uma conquista civilizacional é, agora, e não raro, considerada um peso, um passivo ou um fardo social numa abordagem estritamente utilitarista, hedonista e de cultura de descarte (e até de indiferença).

Como dizem os africanos a morte de um velho é como o arder uma biblioteca, a que eu acrescentaria de uma biblioteca de que só existe um exemplar, o que torna a sua sabedoria um bem precioso, uma verdadeira universidade da vida, para a qual não há manuais e dispositivos técnicos para a substituir. É bom não esquecer que uma pessoa mais velha já antes foi nova, ao passo que uma pessoa nova ainda não foi velha…

Uma pessoa mais velha tem naturalmente o desgaste inerente à idade e a longos percursos de trabalho, mas pode transmitir a sabedoria de vida através de um mais livre e integral modo, como também transmitir o testemunho da vivência, a memória que está para além da mera factualidade, a seriedade despojada da agressividade do quotidiano, a disponibilidade, a partilha e a ternura juntas numa simbiose desinteressada de dar sem exigência de troca.

Enquanto somos jovens, somos levados a ignorar a velhice, como se fosse uma enfermidade da qual nos devemos manter à distância; depois, quando envelhecemos […], experimentamos as lacunas de uma sociedade programada sobre a eficácia que, consequentemente, ignora os idosos. Mas os idosos são uma riqueza, não podem ser ignorados! Os anciãos são a reserva sapiencial do nosso povo!”, afirmou o Papa Francisco. Já Bento XVI sintetizou assim: “a qualidade de uma sociedade vê-se a partir do modo como ela trata os idosos”.

Não certamente por acaso, e no meio de tanto lixo mediático que transforma ninharias em assuntos pseudo relevantes, sobre este assunto houve um silêncio desprezível e o habitual “aconchego” mediático, eufemístico e endogâmico político-partidário.

Por coincidência ou talvez não, quanto à questão da “identidade de género” (sic), o entrevistado defende, a mudança de sexo a partir dos 16 anos por decisão própria, o que, certamente, terá sido do agrado do “espectro político fracturante”.

Em suma: na velhice arde-se de maturidade, ao contrário do que disse o jovem político que, por certo, ainda irá beneficiar do conselho de muitas pessoas de 70 e mais anos. Provavelmente, a começar no seu seio familiar.

(O texto não segue o AO, por vontade expressa do autor)

ANTÓNIO BAGÃO FÉLIX


sábado, 10 de agosto de 2019

O Desejado

Nenhuma descrição de foto disponível.

Foi dado como morto em Alcácer-Quibir e Filipe II organizou-lhe exéquias em Lisboa em 1582, fazendo passear o seu cavalo em frente do préstito, mas todos sabiam que aquele corpo não era, nem o corpo físico do Rei, nem o corpo místico do Desejado. A longa espera pelo seu regresso continua e por esse reinado restaurado de felicidade, paz e prosperidade, sobre a destruição, as desgraças e a decadência, esse tenente de Deus na terra reinará sobre o Quinto Império. O sebastianismo é o nosso mito político mais arreigado, e por mais charlatães que teimem em apresentar-se, reclamando o lugar do ausente, o povo saberá identificá-lo no momento em que esse homem-força demonstrar que é Dom Sebastião, finalmente regressado coberto de cicatrizes, humildade e sabedoria da guerra com o Miramolim.

MCB

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

DIVAGAÇÕES SOBRE MRS NO “14 DE JULHO”

“Estranha revolução, esta, que desilude e humilha quem sempre ardentemente a desejou.
Estamos a viver em pleno absurdo, a escrever no livro da História gatafunhos que nenhuma inteligência poderá decifrar no futuro. Todas as conjecturas têm a mesma probabilidade de acerto ou desacerto. Jogamos uma roleta de loucos, que tanto anda como desanda.
O espectáculo que damos neste momento é o de um manicómio territorial onde enfermeiros improvisados e atrevidos submetem nove milhões de concidadãos a um eletrochoque aberrante e desumano”.

Miguel Torga
20 de Junho de 1975

O Presidente português, conhecido na língua japonesa como “Ta Ki Ta Li Ta Kula” foi, desta feita, a Paris – provavelmente com o secreto intuito de visitar os alfarrabistas das margens do Sena – presume-se que a convite do seu homólogo Macron, a fim de assistir à festa nacional francesa.

Um exercício, aliás, de mau gosto como veremos à frente.

À parte o General Eanes, que era austero, circunspecto e levava a sério os assuntos de Estado, cedo se assistiu ao desregramento das viagens, por parte dos inquilinos de Belém, dos governantes, dos deputados, dos presidentes de câmara e, de uma forma geral, de todos os lugares de chefia da máquina do Estado.

Parece uma corrida de deslumbrados.

E, claro, se perguntarmos a cada um e a todos, sobre a importância das suas deslocações, seguramente dirão com ar sério e compenetrado, que sim, são importantes!

É certo que a cada vez maior complexidade das relações internacionais, o desmesurado aumento do número de países (uma parte considerável dos quais não tem sequer condições para o ser) e a multiplicação absurda de organismos, comités, fóruns, grupos de trabalho, etc., não ajuda nada à questão. E tal ocorre um pouco por todo o mundo, sobretudo nos países tidos por mais desenvolvidos.

É claro que as agências de viagens, companhias de transporte (sobretudo aéreo), hotéis, restaurantes, e outros ramos de actividade, que beneficiam desta fúria de deslocações, devem esfregar as mãos de contentes, mas a massa dos contribuintes tem que pagar uma nota preta para sustentar todo este rodopio.

Duvidamos seriamente que os benefícios para os mesmos (contribuintes) superem sequer minimamente, o passivo de toda esta situação. Bem como a justiça social relativa, não parece nada sair reforçada.

            Pensávamos nós, que se tinha atingido o ápice do despudor, ao tempo de um “marajá” que deixou nome na história como Soares, Mário Soares. Mas não, eis que agora – a era dos “Ronaldo's” – passámos a ter um presidente (o Ronaldo das viagens que vai, certamente, querer estilhaçar recordes) que, a avaliar pelo exercício já decorrido, vai bater aos pontos (e por “knock-out”!) a performance do antigo “globetrotter”. As tartarugas gigantes das Seychelles que se cuidem, pois há-de chegar a sua vez e no fim ganham uma “selfie”!

Uma viagem presidencial deve ser uma coisa bem pensada, ser cirúrgica e ter uma razão forte de interesse nacional que a sustente e justifique. Não é a mesma coisa que ir beber um café a Cacilhas.

Tudo o que se passa, há muitos anos, aparenta ser o mais das vezes leviano, vulgar; para cumprir calendário; por capricho e sem o menor respeito pelo dinheiro dos contribuintes.

Não sei mesmo porque é que não se acaba com esta coisa das passadeiras vermelhas; honras militares; condecorações e jantares de estadão…

Vão de "jeans", arranjem uns ajudantes de campo que carreguem umas mochilas, levem uns “tuk tuk” para passear, bebam uns copos e fiquem fora o mais tempo possível pois já ninguém vos leva a sério ou tem saudades vossas…

Será que não há fundo para a fossa abissal das viagens? A Assembleia da República devia, supostamente (ah, ah, ah), autorizar e controlar as ditas, mas como os senhores deputados têm um comportamento semelhante, tal prerrogativa nunca passou de um pró-forma, que deve estar permanentemente em modo “automático”.

Agora o “14 de Julho” leia-se, de 1789, data da tão glorificada Revolução Francesa. [1]  
  
Andariam melhor os franceses em mudar a data do seu dia nacional, pois por um azar dos Távoras, em nada os dignifica e não se vislumbra que orgulho possam ter em tão funesta efeméride.

A data é uma mentira histórica, onde predominaram os baixos instintos da condição humana; não se vislumbram razões sociais e políticas de peso, para mudanças tão radicais; tão pouco são credíveis e verosímeis as terríveis acusações feitas aos responsáveis de então, nomeadamente a Família Real; muito menos se encontra justificação para as depredações efectuadas e os crimes e morticínios cometidos.

Grande igualdade!

As aspirações de “liberdade” acabaram rapidamente num reino de terror e pouco depois tudo virou numa ditadura corporizada num homem de génio militar, administrativo e político, que colocou a Europa (e não só) a ferro e fogo, visando uma tentativa de implantação do imperialismo francês em todo o lado. Espetacular fraternidade

Portugal sofreu cinco invasões do seu território europeu e muitas escaramuças no Ultramar, por causa disso.

Vou elencar as cinco, pois por norma, só se consideram três – e mesmo estas se perguntarmos quais foram aos licenciados que hoje temos, 95% não as saberá dizer (tão pouco o século em que ocorreram…). A tal geração mais bem preparada de sempre (risos) …

A primeira corporizou-se em 1801, a chamada “Guerra das Laranjas”, onde só participaram espanhóis (que nos traíram depois da Campanha do Rossilhão), e que estavam feitos com os franceses; a segunda, em 1807, comandada por Junot; a terceira em 1809, com Soult, à testa; a quarta e mais devastadora, liderada por Massena, em 1810 e a quinta (que só durou 20 dias), comandada pelo General Marmont e que se limitou às terras de Riba - Côa, com início em 3/4/1812.

E ainda tivemos que ir atrás deles, empurrando-os na ponta da espada até Toulouse, quando o cabo-de-guerra corso se rendeu pela 1ª vez.

Por isso ir às comemorações da risível “Tomada da Bastilha”, não é de bom gosto, nem condecora ninguém e especialmente um dignitário da Terra de Santa Maria.

Abaixo, pois, a Revolução; e viva a Contra – Revolução!

A França, aliás, tirando o período do assalto ao ultramar português, nos anos 50 e sobretudo 60, do século passado, em que nos ajudou (ao tempo do General De Gaulle), nunca foi nossa amiga.

Não o foi na 1ª Dinastia, por via das relações que tínhamos com a Borgonha, depois pela aliança que fez com a Espanha na Guerra dos 100 anos e da nossa Aliança Inglesa, acabando num confronto em Aljubarrota; na II Dinastia, passou a atacar-nos no mar com corsários e tentou desalojar-nos de vários locais nomeadamente do Brasil.

Sendo em simultâneo uma potência marítima e continental, esta última teve predomínio, o que por norma a opunha às potências marítimas entre as quais Portugal se encontra.

Ajudaram-nos em parte, na Restauração, mas por puro interesse estratégico e pontual, oscilando o seu auxílio ou inimizade, em função das suas contendas com o reino vizinho.

Nas grandes guerras em que entrámos (a maioria obrigados), a França esteve sempre do outro lado da contenda, como foram os casos da Guerra da Sucessão de Espanha e da Guerra dos Sete Anos.

Durante todo o século XIX, humilhou-nos várias vezes, além de terem deixado o país exangue com as invasões, semearam por cá as ideias jacobinas e as lojas maçónicas do Grande Oriente Lusitano, que juntamente com a maçonaria irregular de origem inglesa, têm dilacerado e dividido o país até aos dias de hoje.

Mas os basbaques nacionais ficam sempre alvoraçados com as ideias que sopram daquelas bandas…

Durante a I Grande Guerra e tirando um fugaz apoio político por via das ideias republicanas instaladas, para mal dos nossos pecados, após o 5 de Outubro de 1910, ostracizaram o apoio que lhes demos (e nada nos obrigava a fazê-lo) e ignoraram-nos nas negociações de paz e seguintes. Durante a Guerra Civil de Espanha, pouco faltou para se colocarem ao lado de Moscovo contra nós, vindo a claudicar durante a II GM, onde o seu comportamento foi lastimável.

Passou a ser a Pátria do sempre em festa revolucionário, sempre com gabarolices de galo cantante e quase sempre saídas de sendeiro.

Resistem e existem, pois na equação estratégica de Cline, a França tem um elevado potencial disponível (por exemplo, o solo e o subsolo mais rico da Europa), mas não são flor que se cheire. E hoje são seguramente um dos países (a Suécia faz-lhe agora concorrência) mais “doentes” do Continente Europeu – o que os incidentes ocorridos com os coletes amarelos ou outros, espelham. Pelos vistos nem o dia nacional, do seu país, respeitam!

Era bom que MRS entendesse isto para não ficar demasiado vaidoso (basbaque) em ter ficado à direita do presidente francês (apesar de não ser o mais antigo presente), ladeado por uma murcha senhora Merkel (que por acaso se chama Kasner…), nitidamente diminuída de saúde e alquebrada fisicamente.

Vamos ao senhor Macron. O senhor Macron não era propriamente um desconhecido até aparecer candidato a presidente, mas também não era nenhuma estrela com provas dadas. Era uma espécie de Obama francês.

Ou seja não existia, foi criado. Não foi eleito, foi lá posto.

Assim a modos que um tal cônsul Aristides Sousa Mendes, que 99% dos portugueses não conhecia, mas que acabou em 3º lugar (após poucas semanas de propaganda) num concurso bronco, que elegia o melhor português de sempre…

Ora Macron foi funcionário dos Rothschield’s, nome da família mais rica e poderosa do mundo, mas cujo nome há muito deixou de aparecer em qualquer órgão de comunicação social. Fica aqui esta pista…

Do mesmo modo que a Sedes, o Expresso e a ala liberal, foram criados para, aparentemente, prepararem a queda do Estado Novo, e a criação da “SIC”, tinha subjacente a mudança sociológica em Portugal e ajudar a eleger ou não, os principais governantes…

Existe um nome comum a tudo isto e que MRS conhece bem. Muito provavelmente foi até “cooptado” por ele.

Do mesmo modo, julgo não me enganar, ao dizer que depois da situação política e social, começar a estabilizar em Portugal, após o “PREC” (o que levou cerca de 10 anos), não há nenhum PR, Chefe de Governo e, porventura, Presidente da AR, que não tenha sido convidado a ir a uma reunião do Grupo de Bilderberg.

A Democracia que surgiu/derivou, nos tempos modernos, da Revolução Francesa (com antecedentes nas Revolução “Gloriosa” Inglesa, de 1688 e na Americana de 1776 – esta última muito ajudada pelos franceses contra os ingleses) e onde predominou o ataque ao Trono e ao Altar, não poderia dar grandes frutos. Mas não deixa de ser uma capa com laivos de virtuosismo e filantropia, para tudo o que se cozinha “debaixo da mesa”.

Parece que agora o cozinhado que se prepara é o reforço da Defesa Europeia. Pudera, a coisa está de rastos e avizinham-se piores dias com o “Brexit” (com o qual os tais poderes (como fenómeno Trump) aparentemente, não contavam).

A única réstia de defesa situa-se na NATO, que não é propriamente uma organização que a UE domine…

Além disso as coisas estão pretas: Trump não está pelos ajustes de pagar a defesa e desistir da concorrência económica; o senhor Putin joga melhor xadrez a dormir do que os outros todos acordados e não está a fim de deixar que lhe entrem nas suas zonas avançadas de defesa e segurança; a China ameaça reduzir as mais-valias económicas e financeiras dos europeus e comprar-lhes tudo o que ainda não está nas mãos dos países árabes ricos; o mundo muçulmano e Israel estão em convulsão permanente e tentam subverter a sociedade ocidental com proselitismo religioso.

Até o novo califa turco, Erdogan, de sua graça, se puder não se ensaia nada em vir por aí adiante a querer impôr um “país” muçulmano no centro da Europa…

A cereja em cima do bolo está a surgir com a revolta das populações europeias, que apesar de anestesiadas pelo materialismo galopante, estão a revoltar-se para reganharem a sua soberania nacional; normas morais e éticas, postas em causa pela enxurrada do cano de esgoto a céu aberto do Relativismo Moral e vários “ismos”, postos em voga pelos muitos que tentam controlar, “democraticamente”, as coisas sem ser pelas urnas (lindo nome) dos votos!

Por isso o reforço da defesa da Europa (qual Europa?) vai ser adiado mais uma vez, pois ninguém está para aí virado e ninguém se entende. E o principezinho Macron tire o cavalinho da chuva que não vai conseguir passar para a França o papel da Alemanha na Europa.

Por uma vez, os poderes eleitos portugueses tiveram uma posição correcta ao discordarem da criação de um Exército Europeu, o que é sinal de alguma lucidez e esperança, de que não se caminhe mais na integração europeia mas sim na cooperação.

O PR que temos, sorri-se muito, mas não creio que tenha grandes motivos para tal.

Enfim, pelo menos está nas suas sete quintas e diverte-se a fazer o que gosta…
                       

João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador (Ref.)


[1] Sobre o 14 de Julho e a Tomada da Bastilha, favor ler o notável artigo do Prof. Soares Martinez no Jornal O Diabo de 12 de Julho.

Fonte: O Adamastor