segunda-feira, 10 de agosto de 2020

A fulanização do rei!

 Comentar a vida pública ou privada de um rei como se ele fosse um presidente da república é um erro comum entre os analistas republicanos. Um erro, digamos, clássico. Que nos remete para a antiguidade clássica, para a confusão com o cesarismo, num tempo em que os deuses eram homens e havia homens que eram deuses.


Nas monarquias é o vínculo que importa, vínculo que faz jus ao estribilho – rei morto, rei posto. Não interessa a personalidade deste ou daquele rei, se é mais ou menos prendado, o que interessa é que assegure a continuidade da representação. Cabe-lhe ser a figura humana da Pátria, ter a mesma idade do que ela, e a imortalidade que desejamos aos nossos.


Os republicanos não percebem isto. Por isso inventaram cognomes, estabeleceram juízos entre reis maus e reis bons, esquecendo que Portugal foi um esforço permanente de todos. E nunca hão-de perceber porque é que ninguém lhes fez estátuas, a não ser as que os acompanhavam no túmulo. A excepção é Dom José, e foi preciso um terramoto!


Saudações monárquicas


JSM


Fonte: Interregno

sábado, 8 de agosto de 2020

AVÉ DGS, MORITURI TE SALUTANT!

 O caso expõe-se em poucas palavras: um doente foi internado no Hospital de Torres Vedras, onde contraiu Covid-19. A filha pediu ao Padre Ricardo Cristóvão, amigo da família, que atendesse seu pai, mas o sacerdote em questão, apesar de autorizado pelo respectivo capelão, foi impedido pelos serviços hospitalares de dar assistência religiosa ao doente, que veio a falecer dessa infecção, 24 horas depois, sem sacramentos.


Ante um tal atropelo da lei, o Padre Ricardo Cristóvão dirigiu uma reclamação ao Centro Hospitalar do Oeste, do Serviço Nacional de Saúde (exposição nº 171/2020 – LR – TV). Na resposta que lhe foi dada, a 21 de Julho de 2020, a presidente do Conselho de Administração, Elsa Baião (EB), reconheceu que “foi o cidadão reclamante devidamente informado da impossibilidade de acesso ao local onde se encontrava internado o doente que pretendia visitar a fim de prestar assistência religiosa, enquanto e na qualidade de sacerdote, a pedido da filha daquele.”

É relevante que se reconheça, explicitamente, que a exclusiva razão do pedido, não obstante a relação de amizade, era apenas e só “prestar assistência religiosa, enquanto e na qualidade de sacerdote, a pedido da filha”, por ser essa a vontade do doente. Portanto, o indeferimento deste pedido constitui, formalmente, uma denegação do direito a uma liberdade fundamental, consagrada no artigo 41º da Constituição que, no seu nº 1, estabelece que “a liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável”.

EB acrescenta que “o doente em causa encontrava-se internado numa ‘área COVID’, de acesso exclusivo a um grupo restrito de profissionais de saúde dotados de equipamentos de proteção individual adequados e especialmente treinados no seu uso e manuseamento”. Mas omite que o doente em questão contraiu a infecção, de que veio a falecer, quando já estava internado, o que é, certamente, relevante.

Afirma ainda que “a existência de condições permissivas do acompanhamento e assistência espiritual aos doentes hospitalizados é neste Centro Hospitalar uma realidade, porém limitada a áreas ‘não-COVID’, e ainda assim obrigando à utilização de equipamento de proteção adequado – de resto, disponibilizado quando solicitado.” Ou seja, permite-se a assistência religiosa a quem dela possa não necessitar, mas não a quem, por estar em iminente perigo de vida, dela mais carece! Uma pandemia não pode ser razão para a supressão de um direito fundamental que, nem sequer quando decretado o estado de emergência, pode ser restringido, segundo o nº 6 do Artº 19º da Constituição. Se também se afirma que o próprio hospital disponibiliza o equipamento de protecção, “quando solicitado”, a não concessão da licença pedida pelo sacerdote indicia responsabilidade por parte dos serviços hospitalares, na medida em que lhe podiam e deviam ter facultado os meios que faziam inócua a sua missão, como era direito do doente, vontade da sua família e do próprio sacerdote.

Prossegue EB: “Declina-se, portanto, (e cita-se) a alegada abusiva proibição de assistência religiosa, dado esta encontrar-se limitada apenas a áreas em que é real o risco de pôr em causa a segurança dos doentes ou dos procedimentos […] ou a segurança dos presentes […] como é o caso vertente (área de internamento de doentes portadores de COVID).” Ora, em sentido contrário, o artigo 13º, da Lei da Liberdade Religiosa, no seu nº 1, estabelece que “o internamento em hospitais […] não impedem o exercício da liberdade religiosa e, nomeadamente, do direito à assistência religiosa e à prática dos actos de culto”. Por outro lado, no nº 2 desse mesmo artigo, afirma-se que “as restrições imprescindíveis por razões funcionais ou de segurança” – como são as inerentes ao presente estado de pandemia – “só podem ser impostas mediante audiência prévia, sempre que possível, do ministro do culto respetivo”, que também não ocorreu.

É razoável que, para doentes mais vulneráveis, os hospitais apliquem normas de maior segurança, mas nenhuma entidade pode não reconhecer o direito de qualquer doente à assistência religiosa, que nunca lhe pode ser negada, de forma permanente e definitiva, pela administração hospitalar.

Na impossibilidade de justificar esta violação da Constituição da República Portuguesa, da Concordata, da Lei da Liberdade Religiosa e demais legislação em vigor, EB apelou à salvaguarda da saúde pública: “Também numa perspetiva de Saúde Pública se realça o especial dever de proteção da comunidade quanto às interrogações que ainda se mantém quanto à transmissibilidade do agente em causa (SARS-Cov-2); saluspopuli suprema lex, desfazendo o clássico conflito ético sobre aquilo que há direito a fazer e aquilo que deve ser feito.” Ora, salvo melhor opinião, o argumento é contraditório: se aquilo “que há direito a fazer” não “deve ser feito”, não há direito; ou a proibição de agir em conformidade é ilegal, como foi o caso.

Se é verdade que salus populi suprema lex, ou, em português, “a saúde é a lei suprema”, é precisamente porque, acima de qualquer norma administrativa ou sanitária, devem prevalecer os meios que tendem a garantir a saúde, sobretudo da alma, muito mais importante, para o crente, do que a corporal. Portanto, também quando a medicina já nada pode fazer, deve dar-se ao doente a possibilidade de recorrer aos meios espirituais de que carece para o seu conforto e salvação espiritual. Privar deste auxílio, precisamente os doentes mais graves, como podem ser alguns dos infectados com o coronavírus, afigura-se, portanto, paradoxal e eventualmente passível de responsabilidade jurídica.

A argumentação da administração hospitalar raia o absurdo quando não apenas cita, mas também interpreta (!!), o decreto do Cardeal Mauro Piacenza, Penitenciário-Mor da Igreja católica, que concede indulgência plenária aos doentes desta pandemia.

A Direcção-Geral da Saúde, quando decretou o modo como os fiéis católicos deveriam comungar, parece ter usurpado competências exclusivas do episcopado. Pelos vistos, a moda pegou, porque agora é a presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Oeste que pretende ensinar aos católicos, sobretudo aos padres, como se pode lucrar a indulgência plenária concedida pelo Papa! Infelizmente, estas improvisadas “doutoras” da Santa Madre Igreja não conhecem a Constituição, nem a Lei da Liberdade Religiosa, nem o princípio evangélico que obriga dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mt 22, 21; Mc 12, 13-17; Lc 20, 20-26).

Com efeito, EB pretende “ensinar o Pai-Nosso ao Vigário” quando esclarece que, como se concede esta indulgência também a quem não se pode confessar, nem comungar, não se justifica a presença do sacerdote junto do doente. Na sua apressada exegese, esqueceu que, mesmo nas condições excepcionais em que esta indulgência é concedida, só é eficaz se o fiel “sai debitamente disposto” ou seja, em português, está com as necessárias disposições. Ora foi essa preparação espiritual que foi negada ao doente em questão, porque não se lhe permitiu que tivesse assistência religiosa, nem sequer na iminência da sua morte, que acabou por acontecer a breve trecho.

Com efeito, qualquer indulgência só é eficaz se o fiel estiver contrito das suas faltas. Portanto, se um crente é consciente de que vive, por hipótese, em situação irregular e não está arrependido, não pode ganhar a indulgência. Neste sentido, a proibição de assistência religiosa pode significar que, por esse motivo, um doente não lucre a indulgência plenária que, se lhe tivesse sido dado esse auxílio, teria recebido.

Por outro lado, quando no decreto da Penitenciaria Apostólica se diz que a Igreja confia à divina misericórdia os que não puderam, por causa da pandemia, confessar-se, nem receber a Unção dos Doentes, está-se precisamente a dizer que, na impossibilidade da certeza que só a frutuosa recepção destes sacramentos pode dar, resta confiar na misericórdia divina. É o que também se diz das crianças falecidas antes de terem chegado ao uso da razão: se baptizadas, estão necessariamente salvas; mas se o não foram, a Igreja não pode ter essa certeza e, por isso, confia-as à misericórdia divina (cfr. Catecismo da Igreja Católica, nº 1260).

Portanto, não é exacto o que se afirma: “Nenhum prejuízo espiritual ter resultado para o doente, strictosensu, da medida tomada”. Aliás, a própria EB reconhece os danos provocados quando, em jeito de despedida, acrescenta que “não pode por isso deixar de lamentar o sucedido e pedir desculpas pelos transtornos causados” que obviamente são, em sede judicial, susceptíveis de apreciação.

O Hospital de Torres Vedras é responsável pela negação do direito do doente à assistência religiosa, ao frustrar a sua legítima expectativa de receber, à hora da morte, o conforto dos sacramentos da Igreja. Ao ministro católico que, no exercício das suas funções, se prestou heroicamente, com risco da sua saúde e vida, a proporcionar a esse crente os auxílios espirituais a que tinha direito, como fiel católico e como cidadão português, se negou o direito a exercer o seu sagrado ministério, de que resultou um irreparável dano espiritual para o doente e para a sua família.

Espera-se que o Estado português, reconhecendo a inconstitucionalidade e a ilegalidade dos actos praticados por esta administração hospitalar, tenha por bem fazer justiça em relação à família, que foi vítima da arrogância e prepotência do Hospital de Torres Vedras. Mais importante é, contudo, que providencie para que, de futuro, os capelães hospitalares, ou outros ministros de qualquer culto – viva a liberdade! – possam realizar a sua missão junto dos doentes que peçam, por si ou seus familiares, assistência religiosa.

Se nem sequer aos doentes terminais se lhes reconhece já o direito aos sacramentos, resta-lhes apenas a possibilidade de saudarem a omnipotente DGS, com as fatídicas palavras com que os gladiadores romanos depunham, aos pés do despótico imperador, a sua própria vida: “Avé César, os que vão morrer te saúdam!”.


P. Gonçalo Portocarrero de Almada


Fonte: Observador

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Ser católico português e republicano?



Na véspera da Batalha de Ourique, Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu milagrosamente a D. Afonso Henriques, dizendo:

Eu sou o fundador e destruidor dos Reinos e Impérios, e quero em ti, e teus descendentes, fundar para Mim um Império, por cujo meio seja Meu Nome publicado entre as nações mais estranhas. E para que teus descendentes conheçam quem lhes dá o Reino, comporás o escudo de tuas armas do preço com que Eu remi o género humano, e daquele porque fui comprado dos Judeus, e ser-Me-á Reino santificado, puro na fé e amado por Minha piedade.

Temos, então, que Portugal é por definição ontológica um Reino Católico, fundado pelo próprio Deus sobre D. Afonso Henriques e a sua directa e legítima descendência. Donde se conclui que o Catolicismo e a Monarquia são parte da essência e indissociáveis do ente chamado Portugal.

Portanto, para um católico português pretender ser republicano, terá que:

1. Negar a aparição milagrosa de Jesus Cristo a D. Afonso Henriques, chamando de mentiroso ao nosso primeiro Rei, e a todos os que testemunharam em seu favor, nomeadamente São Teotónio, confessor de D. Afonso Henriques e primeiro santo português. (Se não negar o facto do milagre, terá pelo menos que negar a fundação divina do Reino de Portugal, dizendo que Deus mentiu, ou enganou, quando edificou uma Monarquia sobre D. Afonso Henriques).

2. Dizer que a Igreja se enganou quando deu crédito ao Milagre de Ourique, e quando declarou D. Afonso Henriques como Venerável. Pois se o Milagre de Ourique é uma fraude, então D. Afonso Henriques nunca poderia ser um varão de preclaras virtudes, como concluiu a Igreja.

3. Dizer que os nossos antepassados estavam enganados, e que Portugal foi um erro até 1910, ano em que finalmente viu a "luz". Ou seja, Portugal só passou a existir verdadeiramente a partir de 1910, uma vez que antes disso só havia erro e engano.

4. Entrar em rebelião contra Deus, a Igreja, a Pátria e os Antepassados. Pecar contra o 4º Mandamento, que nos manda honrar pai e mãe, e outros legítimos superiores.

Assim, conclui-se que é impossível um católico português ser republicano. Trata-se de uma contradição moral e ontológica. Haverá uns que são republicanos por ignorância, mas também haverá outros que são por culpa própria. Estes últimos não são portugueses verdadeiramente, uma vez que se colocam na posição de inimigos de Portugal, contradizendo uma verdade conhecida como tal.


Fonte: Veritatis

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

A CADA VEZ PIOR QUALIDADE DOS POLÍTICOS

 “Sendo a velocidade da luz superior à velocidade do som
É natural que algumas pessoas pareçam brilhantes até
Abrirem a boca”.

Autor desconhecido.

Se eu porventura (o que Deus não permita) fosse Primeiro-Ministro (PM) de um governo com o qual o país tivesse relações diplomáticas e, em cima disso, fosse meu aliado numa aliança militar e co - membro de uma “associação política” (se assim se lhe pode chamar) com o nome de União Europeia (UE), e um outro PM de um desses países, em directo nas televisões, afirmasse que uma certa declaração por mim feita, era “repugnante”, o mínimo que faria era ligar-lhe de imediato e dizer-lhe que ou ele pedia desculpas públicas pelo que acabara de dizer, ou da próxima vez que o visse lhe amassava o frontispício até o respectivo cônjuge o deixar de reconhecer.

Note-se que não se trata de uma ofensa de lesa - Pátria que poderia justificar uma ruptura diplomática. Não, é apenas chicana política, que entra no foro ofensivo entre duas figuras públicas.

Aparentemente, porém, ninguém se molestou de tal sorte que, passadas poucas semanas, o putativo ofensor foi visitar o não menos putativo ofendido, a fim de lhe pedir – certamente – para tornar menos “repugnante” a sua posição no próximo Conselho Europeu. Tratava-se, como (quase) sempre, de dinheiro.

Ora isto passou-se entre o PM português, um certo descendente de indianos (como ele diz), chamado Costa (lê-se Kosta) e um súbdito da Casa de Orange - por acaso muito amiga dos portugueses - que por lá exerce funções idênticas.

E quando se encontraram aquele que me representa como chefe de governo, curva-se quase até ao chão para cumprimentar o anfitrião, sem estar minimamente enxofrado por outros políticos holandeses entenderem que gastamos o dinheiro em “vinho e mulheres” (eles não, parece que é em “drogas e homens”), tendo o auspicioso herdeiro de quem inventou a teoria do “Mare Liberum” pensado, certamente, que já não repugnava ao agora visitante e que ele até vinha vestido para a “audiência” como se fosse jogar canastra (parecido aliás, a uma cena em Luanda em que o nosso personagem passou revista à guarda de honra de jeans e sem gravata…).

A coisa passava numa de informalidade e sorrisos…      

Afinal o único que destoava desta cena pouco digna de um quadro de Rubens, era o militar que, fardado a rigor e em apresentar armas, enquadrava o cenário, como se fosse uma jarra de flores. E era.

Estas cenas caricatas (que se lhes há - de chamar?) constituem uma excepção na vida política e diplomática dos povos e nações, sobretudo no chamado mundo ocidental? Não, passaram até a ser a regra.

Tudo isto tem a ver com a falta de educação, instrução, carácter e escrúpulo da maioria dos políticos que tomaram conta da “Res pública”.

Os exemplos não faltam.

Ainda na última cimeira da UE, apareceu o PM húngaro agastado, a dizer para o éter que era o “holandês que estava a impedir o acordo, não era ele”. O holandês era a supracitada figura.

E que dizer das querelas públicas no governo brasileiro, para já não falar no inaudito Lula e na ex- assaltante de bancos, Dilma? As diatribes do inqualificável Maduro, na Venezuela? As trocas de galhardetes constantes de e para, a Administração Americana? A fotografia do despenteado PM britânico com os pés em cima da mesa, a cumprimentos ao PR francês no gabinete deste? As inqualificáveis tiradas de monsieur Macron a propósito dos incêndios na Amazónia?

Como qualificar as trocas azedas de epítetos nas discussões do Parlamento, para depois irem (quase) todos almoçar juntos nos restaurantes que rodeiam S. Bento? O que dizer da figura do Presidente Marcelo, que não hesita em pôr-se, em fato de banho, publicamente, sempre que tal lhe passa na republicaníssima mente? Logo ele que até não se pode dizer que não tenha tido uma esmerada educação e instrução. Devo continuar?

Infelizmente, a “doença” não deu apenas nos republicanos, as casas reais não têm primado pelo bom exemplo.

A talhe de foice, porque terá o actual representante da República – que não é capaz de estar quieto e calado – ido almoçar de fugida à Zarzuela a pedido de Filipe, o VI? Será que S. Majestade, o Bourbon Real em efectividade de serviço, gostaria de enviar para cá, de volta, o progenitor e outros da sua roda, pois a sua presença em Madrid está a incomodar a frágil coroa espanhola? Afinal o marido da sofrida Sofia tem cá muitos amigos (alguns até seus comparsas no Clube de Bildelberg) e consta que passou tempos felizes nos Estoris.

Não sei, é apenas um palpite…

Voltando à qualidade (ou falta dela) dos políticos, porque se passarão as coisas desta maneira?

Eu que não me cultivei nessa ciência algo esotérica que dá pelo nome de “Sociologia”, onde hoje pontifica o Boaventura de Coimbra (não confundir com “boa” ventura”), parece-me – mas claro que apenas me parece – que as razões se prendem com a “democratização” da sociedade e da vida política. Neste caso o termo Democratização é sinónimo de “abandalhamento”; de nivelar por baixo; de Demagogia e de falso igualitarismo, que levam à falta de vergonha, à falta de Ética e à falta de Moral. Vale tudo, o que é exponenciado pelos diferentes “ismos” e pela importância superlativa que os “media” adquiriram, acompanhado da falta de “regras” que os orientem.

Os políticos, aliás, norteiam toda a sua actividade e prioridades, pela agenda mediática, nomeadamente o telejornal das 20:00. Os principais políticos caminham sempre com uma corte de jornalistas atrás e não perdem uma oportunidade para se fazerem à fotografia e à imagem.

Os senhores jornalistas habituaram-se a tal e tiram partido disso. O actual governo espera certamente, não ter desperdiçado os 15 milhões de euros que distribuiu graciosa, mas muito pouco equitativamente, pela comunidade mediática. Terá sido um óptimo investimento…

Naturalmente com o argumento de que a comunicação social é imprescindível à Democracia. Azar o meu e de muitos outros, que não sendo, tão pouco a nossa profissão, imprescindíveis à dita cuja, ficámos a chupar no dedo…

Os Partidos Políticos são outra das principais causas. Um Partido Político, não me canso de repetir, é uma coisa mal enxabida e daninha da sociedade. Mas inculcaram na cabeça dos votantes (vivemos da quantidade, não da qualidade) que aqueles são fundamentais à Democracia. Como se tem visto.

Ora um Partido Político é apenas um “clube” de adeptos de uma ideia, ideologia ou doutrina, às vezes apenas um grupo de admiradores de um individuo; uma amálgama que não tem crivo, preparação, nem selecção, tão pouco supervisão. As únicas regras existentes são as de cumprirem os estatutos do clube, perdão, do Partido, pagarem as quotas (e se não pagarem, “alguém” paga por eles para poderem votar) e nada mais. Ora é daqui que saem os cidadãos que vão na sua maioria, ocupar os lugares de mando da “Res pública”, a começar nas Autarquias. Os Partidos possuem “juventudes”, que supostamente, sendo jovens teriam tempo para irem aprendendo. Mas o que eles aprendem não tem nada a ver com governação, mas sim “como se manterem no Poder”; o que não é propriamente a mesma coisa.

Aliás, a actividade mais importante, ou seja o governo da Polis, é a única para a qual não existe curso ou licenciatura, não se prestam provas, nem existe “mínimos” para ir a jogo. É assim, mal comparado, como se um tipo qualquer viesse para a tropa com a roupa que trouxesse no corpo, ia a votos e era eleito para um cargo qualquer independentemente do posto a que correspondesse…

O escrutínio público não assegura coisa alguma.

As “massas” não estão preparadas (nem podem estar) para terem uma fotografia correcta do que se passa e há muitas maneiras de as induzir em erro. Às vezes acerta-se, mas é sol de pouca dura.

E o “edifício” pela força das coisas, nunca tende a melhorar nem se regenera: decompõe-se.

As pessoas de “Bem” há muito que deixaram de ter o mínimo de respeito pelos Políticos; até porque eles são os primeiros a não se darem ao respeito.

Lamento desapontá-los, mas tudo isto só melhora com grandes mudanças de paradigma o que exige uma acção “revolucionária” de carácter contra – revolucionário. E ter saudades activas do futuro…

Sim, eu sei, que não é fácil entender. E, por isso, depois realizar.

Até lá, vou-me entretendo a ver desfilar os filhos d’algo deste mundo e a tentar passar nos intervalos da chuva.

E sempre que posso inebrio-me com um branco geladinho, comprado obviamente no Pingo Doce (passe a propaganda).

Parece que eles pagam os impostos na Holanda.

 

João José Brandão Ferreira

Oficial Piloto Aviador (Ref.)


Fonte: O Adamastor

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

D. Sebastião desapareceu a 04 de Agosto de 1578, na Batalha de Alcácer-Quibir

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Dom Sebastião nasceu em 20 de Janeiro de 1554, e pelo facto, de ser o herdeiro tão esperado para dar continuidade à Dinastia de Avis, Dom Sebastião, foi cognominado d’O Desejado; mas é também recordado como O Encoberto, devido à lenda messiânica que prevê o seu regresso numa manhã de nevoeiro, para salvar a Nação Portuguesa dos males que a assolam.


Neto do Rei D. João III, D. Sebastião torna-se herdeiro do trono depois da morte de D. João de Portugal, seu pai, apenas duas semanas antes do seu nascimento. Era pois, filho do Príncipe D. João e de D. Joana de Áustria. D. Sebastião herdou o trono de seu avô, o Rei D. João III, porque, apesar de este ter tido vários filhos, todos eles acabaram por falecer precocemente. Em 1557, com a morte do avô, ascende ao trono - Rei com apenas três anos – tornando-se o Décimo sexto rei de Portugal (1557-1578). Na menoridade de Dom Sebastião a regência é assegurada pela avó D. Catarina da Áustria e depois pelo tio-avô Cardeal D. Henrique.


Aos 14 anos Dom Sebastião I de Portugal é Coroado, Aclamado e Alevantado Rei de Portugal e assume os destinos e governação do Reino!


O Rei de Portugal ia combater em Pessoa, não mandava os soldados sozinhos, era o Comandante-em-Chefe e o primeiro a avançar. Adiantava-se mesmo, não ficava no conforto dos salões, assarapantado em hesitações. De resto como quase todos os Reis foi assim, para sempre servir os interesses supremos da Nação. Por isso não se pense que guerrear era um impulso básico, mas uma forma de manter a paz: si vis pacem, para bellum (lat) - se queres a paz, prepara a guerra. Gnoma ainda, hoje, seguido pelas nações, que procuram fortalecer-se a fim de evitar uma eventual agressão.


Mens sana in corpore sano (lat) - mente sã em corpo são -, frase de Juvenal, utilizada para demonstrar a necessidade de um corpo sadio para serviços de ideais elevados. Os nossos Reis conciliavam a capacidade e a capacitação inerentes a um soldado apto para comandar um teatro de guerra, sem descurar as faculdades intelectuais – a educação de Dom Sebastião fora entregue aos Jesuítas -, até porque o melhor dos generais é o mais inteligente dos homens. Nisso seguiam os exemplos clássicos de Alexandre e de César, os mais brilhantes generais e os mais ilustrados das respectivas épocas.


Muitas vezes, e não poucos, atribuem ao corajoso Rei Dom Sebastião I de Portugal a imaturidade na sua resolução na empresa de Alcácer-Quibir, ora que injustiça chamar irreflectido ao Rei-menino que com tão exemplar acto de bravura procurou manter o Império que herdara e que sofria as investidas das hordas mouriscas. A Coroa sempre serviu o Império português fosse em que parte fosse da sua dilatada extensão e que estivesse disso necessitada.


No Reinado de D. Sebastião os ataques dos piratas e corsários eram constantes na rota para o Brasil e a Índia, e os Almorávidas ameaçavam as possessões em Marrocos, pelo que investiu muito na protecção militar dos territórios construindo ou restaurando fortes e fortalezas ao longo do litoral, para proteger a marinha mercante.


Porventura, ficou o Desejado, na penumbra de uma tenda de comando jogando xadrez com as suas peças de cavalaria ou com os seus peões?! Não, não ficou, avançou temerário! Não se conte o que sucedeu em seguida lançando o nome Sebastião no auto dos arrebatados, mas sim como o resultado de uma maquinação estrangeira para anexar o Portugal que havia perdido e cobiçava desde os tempos em que aquele Dom Afonso I Henriques, Rei de Portugal, ilustre descendente dos Reais Capetos de França e dos Imperadores da Hispânia, formou a mais Augusta e Antiga Dinastia Peninsular, pois caso único no Mundo é um facto que a Monarquia Portuguesa conheceu quatro Dinastias, mas todas elas pertencentes à mesma Família.


E não foi no Reinado de Dom Sebastião que se avançou pela África e foi fundada a cidade de Luanda, e não foi, também, no Seu Reinado que se consolidou o domínio da costa brasileira?! E se adquiriu Macau?! E a vitória dos Muçulmanos em Alcácer Quibir não foi uma vitória de Pirro, pois perderam grande número de guerreiros o que permitiria a vitória cristã em Lepanto?! Perguntas retóricas, pois, necessárias respostas não são!


A História diz qu’El-Rei Dom Sebastião I desapareceu em combate, juntamente com o escol da Nobreza portuguesa, no dia 04 de Agosto de 1578, na Batalha de Alcácer Quibir. No entanto, reza a Lenda que sobreveio, mas que foi convenientemente empurrado para o oblívio pelo usurpador castelhano e seu partido de adesivos. A Lenda dizia ainda que voltaria numa manhã de nevoeiro…


Miguel Villas-Boas


terça-feira, 4 de agosto de 2020

Ser Conservador

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"The Left is united by hatred, but we are united by love: love of our country, love of institutions, love of the law, love of family, and so on. What makes us conservatives is the desire to protect those things, and we're up against people who want to destroy them"- Roger Scruton


« La gauche est unie par la haine, mais nous sommes unis par l’amour : l’amour de notre pays, l’amour des institutions, l’amour de la loi, l’amour de la famille, etc. Ce qui fait de nous des conservateurs, c’est le désir de protéger ces choses, et nous sommes confrontés à des gens qui veulent les détruire ».


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

O moço de forcado


Então, o forcado. Ele disgrega-se do grupo dos valentes, que nessa manhã chegaram de Alcochete ou de Aldeia Galega [Montijo], e só, no campo desafogado, adianta-se para o bicho em costume de gala: jaleca de ramagens, calção d'anta, cinta encarnada, meias bordadas, e sapatos de prateleira. O seu aspecto cheira ao sol da lezíria, ao rosmaninho da charneca e à terra revolvida pelas charruas. Palpita-lhe a força em cada músculo, e canta-lhe a saúde, vermelha e salgada em cada poro da pele. O touro investe com ele pela barriga. Ele empolga o touro de frente por entre os cornos, escarrancha-se-lhe na cara e afocinha-o no chão.

Não havia no mundo espectáculo mais nobremente sugestivo, mais virilmente belo, mais legitimamente português. Os que governam Lisboa, proibindo as pégas, suprimiram o moço de forcado. Depois demoliram a praça. Acabaram por fim com as tardes de touros em Lisboa.
De sorte que é por esse Ribatejo fora, as corridas da Alhandra, de Vila Franca de Xira, de Samora Correia, de Salvaterra de Magos, que eu terei de ir mais este verão, de jaleca ao ombro, faca no bolso e uma melancia debaixo do braço, refazer-me de nacionalidade, de força, de literatura e de poesia na sagrada tradição da minha terra.

Às razões de brandura de costumes, de humanidade, de filosofia, de civilização, invocadas pelos que dirigem esta jigajoga, eu, humilde intérprete do povo, só uma coisa oponho: é que maus raios partam o zelo tísico de tanto maricas, de tanto chochinha, de tanto lambisgóia!

Ramalho Ortigão in «Álbum de Costumes Portugueses», 1888


Fonte: Veritatis

domingo, 2 de agosto de 2020

Servir a cruz

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Em matéria político-social, a Portugalidade compõe-se de vários elementos: uns que a criaram e estão, portanto, na sua origem e lhe são, até anteriores, como a Monarquia; outros que a integraram, completaram e desenvolveram, como o Nacionalismo e a Tradição.


Antes de sermos uma nacionalidade, já éramos um Estado, já éramos uma Monarquia. A Nação, isto é, a consciência de um passado comum, de interesses e de aspirações comuns, surgiu mais tarde e foi obra dos seus Reis e da Igreja Católica. Eis porque um doutrinador de Portugalidade, como o foi Alfredo Pimenta, tem de, fatalmente, defender a Igreja e defender a Realeza. Defender a Igreja, primeiro, porque esta representa Deus na terra, e as sociedades humanas nascem, desenvolvem-se e existem, para servir um fim espiritual, ou seja, para servir a Deus. Depois, porque é em Deus que reside a origem do Poder, para a Monarquia hereditária. E, finalmente, porque, como Alfredo Pimenta escreveu, se «foi a espada dum Rei que fez Portugal», fê-lo «por amor da Cruz e para servir a Cruz». E acrescentava: «Português que não seja fiel a esta dupla tradição religiosa e política, é português transviado por influências estrangeiras ao espírito, aos sentimentos e ao sangue de Portugal, seja qual for o seu valor particular».


Júlio Evangelista na homenagem ao Dr. Alfredo Pimenta, promovido pela Junta Escolar Monárquica do Porto, em 28 de Abril de 1951. Publicado em «Gil Vicente», vol. II - 2.ª série, Nov/Dez de 1951



Fonte: Causa Tradicionalista

sábado, 1 de agosto de 2020

212 anos depois do mais negro dia da História de Évora

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Cumprem-se por estes dias os 212 anos da queda, saque e massacre de Évora, então ainda a segunda cidade de Portugal na honra e das principais em população, importância económica, peso demográfico e destaque político.


Fechava-se o mês de Julho de 1808 quando, vindos pela estrada de Montemor, 7000 franceses comandados por Loison, o "Maneta", assediaram aquela que era então a segunda maior cidade do Reino. Foram duras as represálias pela resistência da capital alentejana ao invasor: tomada, foi a cidade posta a saque, assaltadas igrejas, palácios e conventos e mortos ou feridos grandes números de eborenses numa orgia de violência que terá feito entre 2 e 8000 baixas portuguesas.


Estima-se hoje que Portugal terá´perdido 10% da sua população nas invasões franceses. Trata-se, pois, de um dos maiores desastres da nossa História, e nele ocuparam destaque particular os acontecimentos de Évora. Não os esqueçamos.


Fonte: Nova Portugalidade