domingo, 9 de janeiro de 2022

Eis a verdadeira razão pela qual eu odeio o socialismo

 


Há muitas razões para odiar o socialismo. A maioria das pessoas odeia-o por razões económicas. Os socialistas acreditam na propriedade e administração colectiva, ou governamental, dos meios de produção e distribuição dos bens. Assim, afasta inúmeras pessoas com o seu ataque à propriedade privada.         

As pessoas também odeiam o socialismo devido ao seu carácter coercivo. O socialismo não gera imediatamente a tirania violenta do regime comunista a que inevitavelmente conduz. Todavia, proporciona a tirania mais suave e sufocante da acção prepotente do governo, dos impostos, da confiscação e da regulamentação que torna a vida dificílima aos proprietários que produzem bens e serviços.    

A mentalidade socialista     

Todas estas são razões válidas para abominar o socialismo. No entanto, para mim, a razão mais convincente é a mentalidade materialista que o socialismo gera.          

Como todas as visões materialistas do mundo, os socialistas acreditam que só existe a matéria. Como resultado, toda a sociedade é organizada em torno de um apego à matéria e de uma rejeição de tudo o que é espiritual. Se algo não ajuda a permanecer vivo, não é importante.          

Deste modo, o socialismo gera uma mentalidade de horizontes estreitos. A vida torna-se marcada pelo vazio incómodo que provoca a falta de um propósito e de um sentido mais amplo. Tudo é julgado pela métrica económica. O governo encarrega-se de garantir a segurança material, erradicando todo o sofrimento através dos seus programas, controlos e regulamentos. Inevitavelmente falha.   

Uma aversão ao risco e à dor          

Na sua obra fundamental, Revolução e Contra-Revolução, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira descreve bem esta mentalidade socialista como «toda feita de horror ao risco e à dor, de adoração da segurança e do supremo apego à vida terrena».         

Esta descrição da mentalidade socialista explica porque detesto o socialismo. Hoje vejo os efeitos desta mentalidade mesquinha em todo o lado, e enche-me de pavor e repugnância. Sinto-me sufocado pela sua falta de um propósito superior. Os seus grilhões materialistas privam a alma humana (negada pelo socialismo, afinal de contas) dos seus melhores e mais nobres frutos. Onde quer que esta mentalidade prevaleça, sufoca a iniciativa humana e promove o vício da preguiça, alimentando a inveja, a desarmonia social e o ressentimento.          

A aversão ao sofrimento     

Esta mentalidade baseia-se em três erros que aparecem em todo o lado à medida que o socialismo se instala.           

Como mencionado pelo Prof. Corrêa de Oliveira, o primeiro erro do socialismo é a repugnância da dor. Uma visão materialista do mundo sustenta que toda a dor é uma injustiça causada pelas desigualdades materiais que nos rodeiam. Assim, há um esforço constante para erradicar a dor através da eliminação das desigualdades materiais. As soluções socialistas reduzem tudo a dar mais bens materiais àqueles que têm menos. Os socialistas acreditam que fornecer às pessoas bastante dinheiro gratuito fará desaparecer o problema.      

A mentalidade socialista manifesta-se na vida quotidiana ao visar qualquer distinção, reconhecimento ou honra que derive das qualidades e dos talentos que surgem naturalmente na sociedade. Suprime as hierarquias naturais e as estruturas sociais (incluindo a família). Todas estas coisas devem ser niveladas e vilipendiadas porque “causam” sofrimento. No seu lugar, colocam a suave tirania das regras igualitárias, das leis e das burocracias que procuram impor a igualdade em todas as coisas e em todos os processos.   

O governo assume o papel do Grande Irmão, aquele que sabe o que é melhor para todos. Sob o pretexto de evitar o sofrimento, escondem-se os vícios da apatia, da inveja e do orgulho.     

Podemos ver este ódio extremo pela mínima dor nos ambientes socialistas onde a mais pequena palavra desencadeia e ofende uma sensibilidade delicada. A ditadura do politicamente correcto funciona para assegurar que ninguém seja ofendido, que nenhum sentimento seja ferido ou que nenhuma fraqueza seja exposta. Mesmo a dor histórica tem de ser revista e a própria História reescrita, de modo a reflectir a suposta injustiça do sofrimento.        

A desumanidade de um mundo assim       

Num mundo assim medíocre, ninguém pode suportar nada de enfático por medo de ferir os outros com uma afirmação truculenta de verdade ou de sabedoria. Qualquer pessoa que inflija uma qualquer dor a outra deve ser punida, mesmo a criança por nascer no útero materno.          

Esta mentalidade baseia-se na mentira absurda de que todo o sofrimento deriva da desigualdade e que é uma injustiça.        

A verdade é que o sofrimento faz parte da realidade da existência humana terrena. Não pode ser evitado. Todas as pessoas devem sofrer e morrer. As desigualdades nas nossas qualidades e dos nossos talentos também fazem parte da nossa natureza e devem ser encorajadas, não suprimidas.

Os indivíduos constroem o próprio carácter e vivem uma vida cheia de significado e de objectivos, superando as dificuldades e o sofrimento. Além disso, os nossos maiores sofrimentos são espirituais, não materiais. Surgem da nossa procura de sentido, unidade e perfeição. Na verdade, a mania de evitar o sofrimento leva frequentemente ao maior dos sofrimentos.

Evitar o risco 

Um segundo erro da mentalidade socialista é a sua aversão ao risco. Trata-se de uma lógica consequência de evitar o sofrimento a todo o custo.  

A mentalidade socialista identifica-se com a eliminação de todos os riscos. Embora o risco não provoque necessariamente dor, abre a porta à possibilidade de sofrer. Mesmo esta remota possibilidade deve ser eliminada no mundo socialista. Do mesmo modo, o risco da desigualdade deve ser suprimido porque aqueles que correm riscos são recompensados de forma diferente pelos seus esforços.  

Assim, o governo assume o papel de impor regulamentos para evitar todos os perigos que possam causar dor, penalizando eventuais acidentes que possam ocorrer com multas e processos judiciais. Tudo é equiparado à existência branda de vidas reguladas pela mediocridade.

A mentalidade socialista leva à adoração da segurança numa sociedade controlada por vigilância e restrições. A segurança, embora necessária, torna-se obsessiva à medida que o governo se torna cada vez mais intrusivo em nome da segurança pública.       

De facto, se a vida biológica é a única coisa que existe, então este ódio pelo risco, embora repugnante, é coerente. Todo o acto de heroísmo deve ser desencorajado e toda a audácia suprimida. Não deve haver causas transcendentes que valham mais do que a própria vida biológica. Esta visão sombria de uma sociedade inteiramente segura despoja a vida dos nobres princípios e dos sacrifícios desinteressados.      

Apego à vida terrena

O último erro assinala a incompatibilidade da mentalidade socialista com o cristianismo, uma vez que constitui uma ligação egocêntrica à vida terrena. A mentalidade socialista gera tanto o peso como o vazio de uma existência que nega a alma e a sua santificação.

Se não há nada para além da nossa vida terrena, então o nosso único objectivo deve ser o de prolongá-la o mais possível. Se não há valores maiores que a própria vida, então viver sem sofrimento é o seu próprio fim. A partir daí, tornamo-nos livres de abandonar o nosso domínio sobre a vida quando o considerarmos oportuno. Podemos, então, abandonar-nos a nós próprios para entrar naquele grande vazio imaginado por aqueles que não acreditam em Deus.          

Efectivamente, a mentalidade socialista contradiz a visão cristã do mundo e forja uma sociedade contrária a ela. Não pode haver um Deus omnipotente que tenha criado desigualdades proporcionais na sua criação. Não pode haver uma natureza caída com a qual a humanidade tenha trazido sofrimento, dor, risco e morte sobre si mesma. Não há necessidade de redenção fora da revolução socialista que derruba todas as desigualdades. Todos os conceitos cristãos são rejeitados e suprimidos no secularismo estéril da sociedade socialista. Esta mentalidade é o que torna o socialismo tão mau. O socialismo que está a destruir a nossa nação, os Estados Unidos.

Em vez disso, subscrevo uma outra mentalidade que considera o corpo e a alma. Acredito nas verdades transcendentes e numa moral objectiva que deveria guiar todos os aspectos da nossa vida quotidiana. Celebro o Natal, regozijando-me com o seu papel sublime e transcendente na redenção da humanidade. Estou disposto a suportar a dor e o sofrimento que me aproximarão mais da minha santificação. Gosto do risco de me colocar ao serviço do bem. Creio na existência de valores que são maiores do que a própria vida e pelos quais se deve estar disposto a morrer. Adoro a Deus, que ofereceu a Sua vida por mim, e desejo servi-Lo. E abomino o socialismo. Existe uma incompatibilidade fundamental de visão do mundo entre nós que não pode ser ultrapassada.       

John Horvat II


Fonte: Dies Irae

sábado, 8 de janeiro de 2022

A 7 de Janeiro de 1325 Morreu D. Dinis, "O Lavrador"

 


El-Rei Dom Dinis, o Rei Poeta, foi o 6.° Rei de Portugal, e era filho do Rei Dom Afonso III de Portugal e da Infanta D. Beatriz de Castela. Nasceu a 9 de Outubro de 1261 e faleceu a 7 de Janeiro de 1325.

Dom Dinis, um nome incomum e mesmo único na genealogia real portuguesa, com pouco mais de dezassete anos, foi Aclamado Rei em Lisboa, em 1279, tendo governado durante 46 anos. Casou em 1282 com Dona Isabel de Aragão - a Rainha Santa Isabel.

Foi essencialmente um Rei preocupado com os assuntos de Estado e organização administrativa e não um guerreiro, pois embora envolvesse numa guerra com Castela, em 1295, desistiu dela em troca das vilas de Serpa e Moura.

Assim, estabeleceu a Paz com Castela, definindo-se as fronteiras actuais entre os dois Reinos da Península Ibérica. A assinatura do Tratado de Alcanizes ocorreu a 12 de Setembro de 1297 entre El-Rei Dom Dinis de Portugal e El Rey Don Fernando IV de Leão e Castela, e fixou os limites geográficos de Portugal, após uma guerra que opôs os dois Reinos Ibéricos.

Este Tratado de paz celebrado foi firmado na povoação leonesa Alcañices, próximo de Miranda do Douro, entre D. Dinis, Fernando IV e sua mãe Maria de Molina, pondo fim à guerra de 1295-97. O tratado definiu os limites do território continental português, que não teve alteração posterior, exceptuando a perda de Olivença, em 1801, através do Tratado de Badajoz, denunciado em 1808 pelo Reino de Portugal, mas que não evitou a anexação do território por Espanha. Em 1817, quando subscreveu o diploma resultante do Congresso de Viena (1815), Espanha reconheceu a soberania portuguesa, comprometendo-se à devolução do território o mais rapidamente possível. No entanto, tal nunca chegou a acontecer.

O Tratado de Alcanizes:
- Fixou definitivamente os limites, as fronteiras entre Portugal e Castela-Leão;
- Portugal ficou com as suas praças de Riba-Côa, Olivença, Campo Maior, Ouguela, Moura e Serpa, e Castela com Aroche, Aracena, Valência, Ferrera, Esparregal e Ayamonte; e
- Fixou uma aliança de casamento em que Fernando IV casaria com D. Constança, filha de D. Dinis, e D. Beatriz, irmã de Fernando IV, com D. Afonso, príncipe herdeiro de Portugal.

El-Rei Dom Dinis para estimular a agricultura, distribuiu terras a colonos, mandou construir canais e secar pântanos e limitou os privilégios territoriais da igreja e, mandou plantar o célebre Pinhal do Rei, em Leiria, e por isso, foi cognominado de "O Lavrador". Durante o seu reinado, o comércio também prosperou, com o aumento da extracção de metais, a protecção às feiras e a reorganização da Marinha. Beneficiou a literatura e mandou traduzir livros latinos e árabes, inclusive a Geografia de Razis.

Fundou a primeira universidade do País, que funcionou entre Lisboa e Coimbra, até se fixar nesta última cidade.

Poeta e patrono de trovadores e jograis, também foi apelidado de O Rei Poeta ou O Rei Trovador pelas cantigas que compôs - Foi o primeiro rei português a assinar os seus documentos com o nome completo.

Depois dos primeiros Reis da Dinastia Afonsina, com preocupações marcadamente geopolíticas de formação e manutenção do território, chega-se ao Reinado de Dom Dinis, que transforma Portugal num dos mais famosos focos da poesia europeia da Idade Média, e que ficou conhecido como o Período Trovadoresco ou Galego-Português. Neste período eram sobretudo o “Amor” e a “Amizade” os temas sobre o que os poetas escreviam e que os trovadores cantavam, mas não exclusivamente, debruçando-se ainda em temas políticos sobretudo feitos guerreiros e até mesmo assuntos satíricos.

Mas dominam sobretudo dois estilos de lirismo: as Cantigas d’ Amor – de influência Provençal – e as Cantigas d’ Amigo, completamente nativo português.

As primeiras, recatada e requintadamente platónicas, focam-se no enaltecimento das qualidades da mulher amada ou na expressão da saudade do ente amado.

Nesta sublimação da figura feminina participou el-Rei Dom Dinis com a sua mestria e indiscutível talento poéticos:

«Quer’ eu en maneira de poençal
Fazer agora un cantar d’amor
E querrei muit’ i loar mnha senhor’a,
A que prez nem fremusura non fal,
Nem bondade, e mais vos direi en:
Tanto a fez Deus comprida de bem
Que mais que todas las do mundo val.»

Mas mais conhecidos e enaltecidos são os seus poemas no estilo de Cantigas d’ Amigo, e a mais célebre Cantiga d’ Amigo D’el-Rei Dom Dinis – escrito sobre a perspectiva de uma personagem feminina, como era comum à mestria da época - foi certamente o célebre: AI FLORES, AI FLORES DO VERDE PINO.

«Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo!
aquel que mentiu do que pôs comigo!
Ai Deus, e u é?»

'D. Dinis, o rei que fez tudo quanto quis!’ – ditado popular -, reinou e governou até sua morte, em Santarém, e está sepultado no Convento de São Dinis, em Odivelas. Os últimos anos do seu reinado foram marcados por conflitos internos quando o herdeiro, futuro D. Afonso IV, achando que o rei favorecia o seu filho bastardo, Afonso Sanches, entrou em conflito com o pai, mas não chegou a haver guerra civil.

Miguel Villas-Boas

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

O irrealismo profundo dos "intelectuais"

 


Por essas e por outras é que sempre aconselho aos jovens intelectuais a prática de trabalhos manuais. Aprendam a consertar torneiras, a descobrir curto-circuitos e assim terão um exercício de docilidade ao real. Não é só com a cabeça que o homem pensa, é também com as mãos. É preciso nunca ter mudado um fusível, ou nunca ter pregado um botão nas calças, para chegar ao irrealismo profundo dos "intelectuais" que trazem os seus brilhantes talentos para pronunciamentos que deveriam versar sobre coisas simples, como o pão e a água, e por excesso de categorias mentais, deixam de ver o elefante, o piano e outras coisas mais volumosas.

Gustavo Corção in jornal «O Globo», 29 de Agosto de 1970


Fonte: Veritatis

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Os Magos vindos do Oriente - Epifania do Senhor

 


Celebramos hoje a Epifania do Senhor. A palavra epifania pode traduzir-se como manifestação, desvelamento, revelação. Trata-se da Revelação do Deus humanado aos gentios (pagãos), representados pelos Magos, que tinha sido profetizado pelo Profeta Isaías (Is. 60) e pelo Salmo 72. Os Magos eram filósofos, sábios, astrónomos e astrólogos, podendo alguns deles serem reis (como Salomão).

Naquele tempo havia uma expectativa generalizada em todos os povos que nasceria um rei na Judeia. Vendo os Magos[1] aquela estrela absolutamente singular, misteriosa, seguem-na, como investigadores da Criação, na esperança de encontrarem o Rei judeu recém-nascido. A estrela, pela descrição de S. Mateus, mais parece uma realidade sobrenatural, um Anjo, certamente muito luminoso, do que propriamente um simples astro - não poucos Padres da Igreja assim pensavam (A Sagrada Escritura com alguma frequência refere os Anjos como estrelas e as estrelas como Anjos - metáforas a que é preciso tomar atenção). No entanto, somente depois de em Jerusalém consultarem os sumos sacerdotes e os escribas do povo sobre as profecias constantes nas Sagradas Escrituras é que ficam a saber o que lhes faltava - a Revelação Natural (Criação) e a Revelação Sobrenatural (A Bíblia) não se contradizem, mas completam-se.

Saídos de Jerusalém veem de novo a estrela (o desaparecimento da estrela quando chegaram a Jerusalém pode significar diversas coisas, por exemplo: 1- a infestação da cidade prenhe de corrupção e pecado, etc.; 2- ou entregar os Magos à pura Fé na Palavra de Deus) que os guia pontualmente até à casa onde estavam a Virgem Santa Maria e o Menino Jesus.

Aí chegados os Magos prostram-se por terra num gesto de adoração devido somente a Deus, e oferecem ao Rei recém-nascido ouro, em reconhecimento da Sua Realeza, incenso confessando a Sua Divindade, e mirra pela Sua humanidade mortal.

Estes dons oferecidos à Cabeça derramam-se sobre o Seu Corpo Místico que nós somos porque n’Ele incorporados pelo Baptismo. E é isto que faz de nós um povo de reis, sacerdotes e profetas. A mirra era um óleo que não se prestava somente ao cuidado dos cadáveres, mas que podia servir de unção aos profetas. O incenso era usado no Templo para significar as orações ao Altíssimo. E o ouro era o adorno dos reis.

Padre Nuno Serras Pereira

[1] Estudos recentes sugerem que os magos eram nabateus, um território além Jordão até Babilónia. Mais ou menos onde se situa hoje a Jordânia.

Fonte: Senza Pagare

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

A História do Bolo-Rei

 



O Bolo-Rei é um legado dos romanos. Inicialmente, continuou somente em França onde tem duas formas de confecção: no Norte é em massa folhada e, no Sul, o Galette des Rois, um brioche recheado com frutas caramelizadas, tal como o Bolo-Rei português que por isso deriva do segundo. Foi precisamente das suas viagens por França, que Baltazar Castanheiro II, filho do fundador da Confeitaria Nacional, trouxe a receita do Bolo-Rei, mais precisamente de Toulouse.

Mas claro, é mérito da Confeitaria Nacional e do seu empreendedor de confeitaria pegar numa receita do bolo francês e convertê-la no icónico e típico doce português: o bolo redondo, em forma de coroa, com frutos secos e cristalizados e polvilhado com açúcar. O Bolo-Rei logo se tornou um sucesso, e a Confeitaria Nacional foi nomeada, por El-Rei D. Luís I, fornecedora oficial da Casa Real. Depois até se generalizar, dada a qualidade do produto, foi um ápice.

O Bolo-Rei, assim chamado por causa da forma de Coroa, não mais abandonaria as mesas nacionais, sobretudo na época Natalícia.

Já na república velha, aquela instaurada por intermédio de um processo revolucionário, que durou entre 1910 e 1926, Afonso Costa e Bernardino Machado mudaram o nome do Bolo-Rei para Bolo-presidente, mas os portugueses não engoliram… nem a imposição, nem a nomenclatura nascida daquelas mentes intransigentes; e a designação Bolo-Rei prevaleceria ad eternum.

Se o bacalhau é o fiel amigo, o Bolo-Rei é o Real Amigo e sempre permanecerá: inventem quantos pastelinhos quiserem e nomeiem-nos de ‘presidentes’ – como em Cebolais de Cima (história verídica) -, de ministros, de edis, de vereadores, mas o Real pastel perdurará sempre entronizado nos nossos corações e palato como Bolo-Rei.

Em Espanha existe um bolo parecido, o Róncon dos Reyes, e, no Sul dos EUA o Epiphany Cake, mas em nada comparáveis com o fantástico Bolo-Rei português.

Miguel Villas-Boas

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

30 covidices

 Tradução Deus-Pátria-Rei


Uma síntese interessante. Cada declaração é complementada com explicações e fontes que podem ser encontradas aqui . Excertos:

1. A taxa de sobrevivência “Covid” é superior a 99%.

2. Não houve excesso de mortalidade incomum.

3. O número de “mortes devido à Covid” é aumentado artificialmente.

4. A grande maioria das mortes por covid tem comorbidades graves.

5. A idade média das mortes na Covid é mais alta do que a expectativa de vida média.

6. A mortalidade de covid reflete exactamente a curva de mortalidade natural.

7. Tem havido um grande aumento no uso de DNRs “ilegais” . Órgãos de supervisão e agências governamentais relataram um aumento dramático no uso de ordens de não ressuscitação (NDRs) nos últimos vinte meses.

8. Os confinamentos não impedem a propagação de doenças .

9. Os confinamentos matam pessoas. 

10. Os hospitais nunca foram excepcionalmente sobrecarregados.

11. Os testes de PCR não foram concebidos para diagnosticar doenças.

12. Os testes de PCR têm um histórico de imprecisão e falta de confiabilidade.

13. Os valores de CT dos testes de PCR são muito altos.

14. A Organização Mundial da Saúde admitiu (duas vezes) que os testes de PCR produziram falsos positivos.

15. A base científica para os testes da Covid é questionável.

16. A maioria das infecções por Covid são “assintomáticas” .

17. Há muito poucas evidências para apoiar o alegado perigo de “transmissão assintomática” .

18. A ventilação NÃO é um tratamento para vírus respiratórios.

19. Os ventiladores mataram pessoas.

20. As máscaras não funcionam. Pelo menos uma dúzia de estudos científicos mostraram que as máscaras não fazem nada para impedir a propagação de vírus respiratórios.

21. As máscaras são ruins para sua saúde.

22. As máscaras são ruins para o planeta.

23. As “vacinas” contra a Covid são completamente novas.

24. As vacinas não conferem imunidade nem previnem a transmissão.

25. As vacinas foram produzidas às pressas e seus efeitos a longo prazo são desconhecidos.

26. Os fabricantes de vacinas têm imunidade legal se as vacinas causarem danos.

27. A UE estava preparando “passaportes para vacinas” pelo menos um ano antes do início da pandemia.

28. Um “exercício de treinamento” previu a pandemia apenas algumas semanas antes de começar.

29. Desde o início de 2020, a gripe “desapareceu” . Nos Estados Unidos, desde Fevereiro de 2020, os casos de gripe caíram mais de 98% .

30. A elite fez fortuna durante a pandemia.



Fonte: Le Salon Beige

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

O JOGO ‘DEMOCRÁTICO ‘

Como sempre vêm a lume as críticas e notícias picantes sobre as listas de candidatos pelos partidos, onde a escolha recai, não na bondade e competência, mas nos que sobressaem na bajulação do chefe do partido.


Perante este argumento, a resposta desses chefes é quase sempre a mesma, que quem escolhe é um conselho, aparentemente independente do chefe, mas que curiosamente resulta invariavelmente da sua eleição.

Se tivermos em conta que este Conselho é fruto da votação de uns escassos milhares de militantes, depressa se conclui que a escolha dos futuros representantes do povo, está à partida inquinada e à mercê do absolutismo da direcção do partido.

Assim, quando passamos para o nível seguinte do jogo democrático, denominado de sufrágio universal, o tutorial anuncia que o povo vai escolher os seus representantes, vai ter voz, vai decidir, que o voto é um acto de cidadania… mas só os mais distraídos, ou viciados no jogo, conseguem acreditar nos poucos argumentos apresentados.

Na realidade, de democrático só tem o nome, pois se a democracia é na sua génese uma forma de governo, ao transformar-se em fundamento de governo, passou a aceitar e a justificar todas as suas formas. A mais feroz ditadura, ou a oligarquia que nos governa, são democráticas, isto se respeitarem os princípios do sistema: - Uma constituição, um estado, os seus três poderes, o incontornável “sufrágio universal”…

Um dos momentos mais animados do jogo é a campanha eleitoral. Os partidos de esquerda e direita acusam-se e insultam-se, num cómico corrupio a que Juan de Prada compara, numa feliz frase, a dois bêbados que andam à pancada à saída do bordel, tentando um convencer o outro que dormiu primeiro com a meretriz. E tal corresponde à pura realidade, se os progressistas querem mudar as cores de fundo para o jogo parecer mais bonito, os conservadores respondem que não, como estão já são suficientemente lindas…

Já depois do sufrágio universal, há a vertigem da noite eleitoral onde se conhecerão os ganhadores, quem chorou mais ou menos, quem ia mais bonito no desfile fotográfico da “hollywoodesca” passadeira vermelha da noite eleitoral.

Os níveis seguintes passam a ser entediantes, pois o jogo entra em modo automático e é necessário esperar uns anos, para voltar a sentir a ansiedade do divertimento deste viciado jogo e cair exactamente no mesmo modo automático de sempre. Talvez por isso haja cada vez mais gente a deixar de jogar, mas esse não é o único motivo.

Se notarmos bem, as propostas que irão ser apresentadas pouco dizem aos eleitores. Andarão à volta do eterno combate ao desemprego, aumento de salários, aumento das pensões, crescimento económico, salvação do SNS, mais e melhor educação, mais ou menos deputados e o incontornável ambiente.

Na verdade, elas constam na estratosfera do inatingível para o simples e mortal eleitor, que preferia saber quando o hospital a que recorre, pequena peça no monstro que é o SNS, terá as condições necessárias a um célere e bom atendimento. Mas tal é impossível, pois o centralismo do Estado é tão esmagador, que ninguém se atreve a dizer quando, como, ou se ocorrerá. São contudo factos que transformam qualquer voto neste sistema, em algo inorgânico, pois é incapaz de responder em concreto a uma necessidade pontual e cruamente objectiva sentida por um comunidade real.

Outro aspecto interessante prende-se com a Soberania. A empresa implantadora do jogo, a revolução & cia., tem algo excitante nas regras, a Soberania pertence aos jogadores e cada vez que jogam, depois de uma montanha de anúncios, podem exercem esse poder fantástico, carregando no botão virtual do raiozinho, de quatro em quatro anos. Mais tarde ou mais cedo a esmagadora maioria percebe que no fundo o botão para nada serve, pois na verdade essa supremacia relativa está na mão dos partidos, que a usam a seu bel-prazer, não para governarem bem, mas para garantirem o seu quinhão nas próximas eleições.

Devemos por isso ir a jogo? Obviamente não.

Uma das formas de um jogo desaparecer é cair em desuso, por puro desinteresse dos potenciais jogadores, até porque há realidades bem mais interessantes.

Deus, Pátria, Foros e Rei

domingo, 2 de janeiro de 2022

Arcebispo Viganò exorta à resistência e à desobediência perante uma «ordem inadmissível»

 


De forma absolutamente obcecada contra tudo aquilo que é Sagrado, o Arcebispo Arthur Roche, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, publicou, com o expresso consentimento de Francisco, uma série de respostas a dúvidas que, pelo menos alegadamente, foram dirigidas à referida Congregação a respeito do motu proprio Traditionis Custodes, de Julho de 2021, que ataca ferozmente a Liturgia Tradicional. O Arcebispo Carlo Maria Viganò, que tem vindo a denunciar corajosamente os erros espalhados pela igreja bergogliana, redigiu uma declaração que, a seu pedido, o portal Dies Iræ traduziu e publica em exclusivo para língua portuguesa.


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Vos estis qui justificatis vos coram hominibus:
Deus autem novit corda vestra:
quia quod hominibus altum est,
abominatio est ante Deum.
Lc 16, 15


Lendo as Responsa ad Dubia recentemente publicadas pela Congregação para o Culto Divino, perguntamo-nos a que níveis a Cúria Romana foi capaz de descer para poder secundar Bergoglio com tal subserviência, numa guerra cruel e impiedosa contra a parte mais dócil e fiel da Igreja. Nunca, nas últimas décadas de gravíssima crise da Igreja, a autoridade eclesiástica se mostrou tão determinada e severa: não o fez com os teólogos hereges que infestam as Pontifícias Universidades e os Seminários; não o fez com clérigos e Prelados fornicadores; não o fez punindo exemplarmente os escândalos de Bispos e Cardeais. Mas contra os fiéis, os sacerdotes e os religiosos que só pedem para poder celebrar a Santa Missa tridentina, nenhuma piedade, nenhuma misericórdia, nenhuma inclusividade. Todos irmãos?    

Nunca como sob este “pontificado” foi tão perceptível o abuso de poder por parte da autoridade, nem mesmo quando dois mil anos de lex orandi foram imolados por Paulo VI no altar do Vaticano II, impondo à Igreja um rito tão equívoco quanto hipócrita. Aquela imposição, a que correspondia a proibição de celebrar no antigo rito e a perseguição dos dissidentes, tinha, pelo menos, o álibi da ilusão de que uma mudança talvez melhorasse a sorte do catolicismo face a um mundo cada vez mais secularizado. Hoje, após cinquenta anos de imensas catástrofes e quatorze anos de Summorum Pontificum, essa frágil justificação não só deixou de ser válida, como a sua inconsistência foi derrotada pela evidência dos factos. Tudo o que o Concílio trouxe de novo revelou-se danoso, esvaziou igrejas, seminários e conventos, destruiu as vocações eclesiásticas e religiosas, dessecou todos os impulsos espirituais, culturais e civis dos católicos, humilhou a Igreja de Cristo e confinou-a às margens da sociedade, tornando-a patética na sua tentativa desajeitada de agradar ao mundo. E vice-versa, desde que Bento XVI procurou sanar aquele vulnus reconhecendo plenos direitos à liturgia tradicional, as comunidades ligadas à Missa de São Pio V multiplicaram-se, os seminários dos Institutos Ecclesia Dei cresceram, as vocações aumentaram, a assistência dos fiéis aumentou, e a vida espiritual de muitos jovens e de tantas famílias encontrou um impulso inesperado.

Que lição se deveria ter tirado desta “experiência da Tradição” invocada no seu tempo também por Mons. Marcel Lefebvre? O mais óbvio e, ao mesmo tempo, o mais simples: o que Deus deu à Igreja está destinado a ser bem-sucedido e o que o homem lhe acrescenta colapsa miseravelmente. Uma alma não obcecada pela fúria ideológica teria admitido o erro cometido, procurando reparar os danos e reconstruir o que, entretanto, tinha sido destruído, para restaurar o que tinha sido abandonado. Mas isto requer humildade, um olhar sobrenatural e confiança na providencial intervenção de Deus. Requer também a consciência, por parte dos Pastores, de que são administradores dos bens do Senhor e não senhores: não têm o direito nem de os alienar, nem de os esconder, nem de os substituir pelas suas próprias invenções; devem limitar-se a guardá-los e a pô-los à disposição dos fiéis, sine glossa, e com o pensamento constante de que devem responder perante Deus por cada ovelha e cada cordeiro do Seu rebanho. Admoesta o Apóstolo: «Hic jam quæritur inter dispensatóres, ut fidélis quisiátur» (I Cor 4, 2), «o que se requer dos administradores é que sejam fiéis».          

As Responsa ad Dubia são coerentes com Traditionis Custodes e explicitam a natureza subversiva deste “pontificado”, no qual o poder supremo da Igreja é usurpado para alcançar um propósito diametralmente oposto àquele para o qual Nosso Senhor constituiu em autoridade os Sagrados Pastores e o Seu Vigário na terra. Um poder inócuo e rebelde Àquele que o instituiu e que o legitima, um poder que se acredita fide solutus, por assim dizer, de acordo com um princípio intrinsecamente revolucionário e, portanto, herético. Não o esqueçamos: a Revolução reivindica para si um poder que se justifica pelo simples facto de ser revolucionário, subversivo, conspiratório e antitético ao poder legítimo que pretende derrubar; e que assim que chega a assumir cargos institucionais é exercido com autoritarismo tirânico, precisamente porque não é ratificado nem por Deus nem pelo povo.     

Permitam-me que sublinhe um paralelo entre duas situações aparentemente sem ligação. Tal como na presença de uma pandemia são negados os tratamentos eficazes, com a imposição de uma “vacina” inútil, ou melhor, prejudicial e mesmo letal; assim a Santa Missa tridentina, verdadeiro remédio para a alma numa época gravíssima de pestilência moral, é culpavelmente negada aos fiéis, substituindo-a pelo Novus Ordo. Os médicos do corpo falharam no seu dever, mesmo na presença de tratamentos, e impuseram um soro experimental tanto aos doentes como aos saudáveis, obstinando-se em administrá-lo apesar das provas da sua total ineficácia e dos efeitos adversos. Analogamente, os sacerdotes, médicos da alma, traem o seu mandato, embora na presença de um fármaco infalível testado durante mais de dois mil anos, e fazem de tudo para impedir que aqueles que experimentaram a sua eficácia possam usá-lo para se curarem do pecado. No primeiro caso, as defesas imunitárias do corpo são enfraquecidas ou anuladas para criar doentes crónicos à mercê das empresas farmacêuticas; no segundo caso, as defesas imunitárias da alma são comprometidas por uma mentalidade mundana e pelo cancelamento da dimensão sobrenatural e transcendente, de modo a deixar as almas indefesas contra os assaltos do Demónio. E isto aplica-se como resposta àqueles que pretendem enfrentar a crise religiosa sem considerar a crise social e política em paralelo, porque é justamente esta dualidade de ataque que a torna tão terrível e revela a sua mente criminosa única.

Não quero entrar no mérito dos delírios das Responsa: basta conhecer a ratio legis para rejeitar Traditionis Custodes como um documento ideológico e faccioso, redigido por pessoas vingativas e intolerantes, cheio de veleidades e de grosseiros erros canónicos, com a intenção de proibir um rito canonizado por dois mil anos de Santos e Pontífices e de impor um espúrio, copiado dos luteranos e atamancado pelos modernistas, que em cinquenta anos causou um enorme desastre ao corpo eclesial e que, exactamente devido à sua eficácia devastadora, não deve conhecer derrogações. Não há apenas a culpa: há também a malícia e a dupla traição ao divino Legislador e aos fiéis.       

Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos voltam a ter de fazer uma escolha de campo: ou com a Igreja Católica e a sua doutrina bimilenária e imutável, ou com a igreja conciliar e bergogliana, com os seus erros e os seus ritos secularizados. E isto acontece numa situação paradoxal em que a Igreja Católica e a sua contrafacção coincidem na mesma Hierarquia, à qual os fiéis sentem que devem obedecer como expressão da autoridade de Deus e, ao mesmo tempo, desobedecer enquanto traidora e rebelde.

É claro que não é fácil desobedecer ao tirano: as suas reacções são impiedosas e cruéis; mas as perseguições muito piores foram as que os católicos tiveram de sofrer ao longo dos séculos quando tiveram de enfrentar o arianismo, a iconoclastia, a heresia luterana, o cisma anglicano, o puritanismo de Cromwell, o laicismo maçónico da França e do México, o comunismo soviético, da Espanha, do Camboja, da China… Quantos Bispos e sacerdotes foram martirizados, encarcerados, exilados. Quantos religiosos massacrados, quantas igrejas profanadas, quantos altares destruídos. E tudo isto porquê? Porque os Sagrados Ministros não quiseram renunciar ao tesouro mais precioso que Nosso Senhor nos deu: a Santa Missa. A Missa que Ele ensinou a celebrar aos Apóstolos, que os Apóstolos passaram aos seus Sucessores, que os Papas preservaram e restauraram, e que sempre esteve no centro do ódio infernal dos inimigos de Cristo e da Igreja. Pensar que aquela Santa Missa, pela qual os missionários enviados a terras protestantes ou os sacerdotes presos nos gulags arriscavam as suas vidas, é agora proibida pela Santa Sé, é motivo de dor e de escândalo, assim como uma ofensa aos Mártires que defenderam aquela Missa até ao último suspiro. Mas só aqueles que acreditam, amam e esperam podem compreender estas coisas. Só aqueles que vivem de Deus.     

Quem se limita a expressar reservas ou críticas a Traditionis Custodes e às Responsa cai na armadilha do adversário, porque reconhece a legitimidade de uma lei ilegítima e inválida, querida e promulgada para humilhar a Igreja e os seus fiéis, a despeito dos “tradicionalistas” que ousam opor-se nada menos do que a doutrinas heterodoxas condenadas até ao Concílio Vaticano II, por esse feitas suas e, hoje, ascendidas a cifra do pontificado bergogliano. Traditionis Custodes e as Responsa devem ser simplesmente ignorados, devolvidos ao remetente. Devem ser ignorados porque é clara a vontade de punir os católicos que permaneceram fiéis, de os dispersar, de os fazer desaparecer.     

Fico assombrado diante da subserviência de tantos Cardeais e Bispos que, para agradar a Bergoglio, espezinham os direitos de Deus e das almas que lhes foram confiadas, e que fazem questão de mostrar a sua aversão à Liturgia “pré-conciliar”, considerando-se dignos de louvor público e da aprovação vaticana. A estes são dirigidas as palavras do Senhor: «Vós pretendeis passar por justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os vossos corações. Porque o que os homens têm por muito elevado é abominável aos olhos de Deus» (Lc 16, 15).     

A resposta coerente e corajosa a um gesto tirânico da autoridade eclesiástica deve ser a resistência e a desobediência a uma ordem inadmissível. Resignar-se a aceitar esta enésima vexação significa acrescentar mais um precedente à longa série de abusos até agora tolerados e, com a própria obediência servil, tornar-se responsáveis pela manutenção de um poder que é um fim em si mesmo.           

É necessário que os Bispos, Sucessores dos Apóstolos, exerçam a sua sagrada autoridade, em obediência e fidelidade à Cabeça do Corpo Místico, para pôr fim a este golpe de estado eclesiástico que se consumou diante dos nossos olhos. Exige-o a honra do Papado, hoje exposto ao descrédito e à humilhação por aquele que ocupa o Sólio de Pedro. Exige-o o bem das almas, cuja salvação é a suprema lex da Igreja. Exige-o a glória de Deus, com respeito à qual nenhum compromisso é tolerável.     

O Arcebispo polaco Mons. Jan Paweł Lenga disse que é tempo de uma contra-revolução católica, se não queremos ver a Igreja afundar-se sob as heresias e os vícios dos mercenários e dos traidores. A promessa do Non prævalebunt não exclui minimamente, na verdade, exige e pretende uma acção firme e corajosa não só da parte dos Bispos e dos sacerdotes, mas também dos leigos, que, hoje como nunca, são tratados como súbditos, apesar dos fátuos apelos à actuosa participatio e ao seu papel na Igreja. Tomemos nota: o clericalismo atingiu o seu auge sob o “pontificado” de quem hipocritamente nada mais faz do que estigmatizá-lo.                   

† Carlo Maria Viganò, Arcebispo

Fonte: Dies Iræ