sábado, 9 de fevereiro de 2013

1640 COMO EXPRESSÃO MÁXIMA DE CIDADANIA pelo Oficial Piloto Aviador Brandão Ferreira



E ASSIM SURGIU A RESTAURAÇÃO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

"Eu não sirvo a El-Rei D. António por interesse… Mas sirvo-o com a pureza da minha obrigação de que resulta não me moverem mercês prometidas que foy o laço em que cahio Portugal; porque fora do que devo, nenhuma couza me poderá mover a troco de vender a Honra e Lealdade que não tem preço nem que eu tanto tanto estimo; lição que a muitos fidalgos esqueceu".
 
Cyprião de Figueiredo de Vasconcelos

Governador da Ilha Terceira,
in a El-Rei Filipe I


A independência conquista-se, nunca é oferecida. Isto implica um preço a pagar para a sua obtenção e outro para a sua manutenção (coisa se que hoje em dia também estamos esquecidos!).

O apoio do futuro D. João IV foi fundamental para a continuidade do sucesso da revolta e para evitar intervencionismos estrangeiros. O levantamento foi, deste modo, da responsabilidade exclusiva de dirigentes portugueses, que começaram por dominar o centro da administração filipina – o Terreiro do Paço – após vencerem a Guarda Alemã.

O povo ao saber disto revoltou-se em massa. A guarnição espanhola do Castelo de S. Jorge rendeu-se. Á tarde já Lisboa era patrulhada por grupos de fidalgos portugueses.

Como um rastilho a notícia do sucesso percorreu o país, que aderiu em bloco à revolução, sem que qualquer tipo de resistência se tivesse esboçado.

O mesmo aconteceu em relação a todas as possessões ultramarinas portuguesas com uma excepção: Ceuta cujo governador era espanhol não reconheceu D. João IV e desligou-se da Nação.

O modo como a Restauração da Independência se deu e o desenrolar dos acontecimentos mostram, por um lado, que a população estava madura para o evento e, por outro, a longa preparação que a antecedeu. E tudo se fez sem forças estranhas à nacionalidade.

A tarefa era, todavia, ciclópica. Tornava-se, desde logo, necessário tentar saber quais as intenções espanholas e qual o auxilio que eventuais aliados estavam dispostos a conceder e em que condições.

A Espanha estava decidida a não perder Portugal, que lhe aumentava extraordinariamente a importância estratégica, sobretudo no Atlântico, que lhe protegia as "costas" e lhe aumentava as rendas.

A maneira de trazer Portugal de volta ao mando de Madrid é que causava controvérsia e dificuldades. Quais as opções? Basicamente três: a guerra imediata; a estratégia indirecta de cunho político, económico e diplomático, ou a tentativa de eliminação física do Rei, da dinastia e dos seus mais directos servidores. Ou uma mescla das três, dado não se excluírem mutuamente. A Espanha não tinha, contudo, tropas disponíveis para atacar Portugal, já que se encontravam em operações na Flandres e na Catalunha.

O facto de estarem convencidos de que o povo português ofereceria tenaz resistência levou-os a ponderar melhor as acções a tomar e a dilatá-las no tempo. Em termos diplomáticos tentaram isolar Portugal defendendo, também, que os portugueses deveriam ser tratados como rebeldes.

Dado que Portugal estava na disposição de fazer uma guerra defensiva, os espanhóis não sentiram necessidade de deslocar tropas para a nossa fronteira, o que permitia não aliviar a pressão na Catalunha e ao mesmo tempo fazer crer aos franceses que nada ganhavam em apoiar a nossa causa.

Esta posição de Madrid, que era no fundo uma posição de fraqueza, permitiu a Portugal reforçar-se no campo militar e económico e empreender uma vasta acção diplomática, que se resume:

- Envio, em 19 de Dezembro de 1640, de um emissário à Catalunha, para afirmar os direitos ao trono e prometer ajuda à luta dos catalães;

- Envio, em 21 de Janeiro de 1641, de uma embaixada a França a fim de negociar apoios mútuos;

- Em simultâneo com o anterior, são concedidas aos holandeses a liberdade de comércio que estes gozavam antes de 1580;

- Envio, em 2 de Fevereiro de 1641, de uma embaixada para Inglaterra com vista a obter-se um acordo e adquirir armamento;

- Embaixada com fins idênticos foi enviada à Holanda, em 9 de Março do mesmo ano;

- A 18 de Março de 1641, seguiu uma embaixada para a Escandinávia, que obteve fracos resultados;

- Em Abril do mesmo ano foi a vez da Santa Sé ser visitada por uma delegação portuguesa encabeçada pelo Bispo de Lamego, D. Miguel de Portugal.

Esta delegação não foi recebida pelo Papa e sofreu hostilização constante enquanto permaneceu em Roma. A Santa Sé só não fez uma condenação formal da Restauração como pretendia Madrid. Esta situação deixou a Igreja Portuguesa em sérias dificuldades. Por exemplo o Papa não confirmava os bispos propostos por D. João IV e, em 1645, havia 17 dioceses vagas.

De tudo isto resultou um tratado com a França; tréguas com a Holanda e reconhecimento da Inglaterra para a mudança de soberania, embora não se tratasse de um reconhecimento "de jure" da revolução.

Mais importante, ficou patente para os portugueses a precaridade do apoio exterior e de que teriam que contar sobretudo com eles próprios. E fez-se outra coisa de grande sensatez: não se permitiu tropas estrangeiras em solo nacional, para além daquelas que pudéssemos efectivamente controlar.

A Espanha fazia constante luta ideológica que era contrariada do lado português. Eis os principais argumentos:

- O 1º de Dezembro representava a restauração dos direitos da Casa de Bragança ao trono português, que lhe tinham sido retirados em 1580;

- Filipe II foi um rei imposto;

- D. Catarina desistira dos seus direitos por razões pessoais;

- Os povos tinham o direito de resistir quando são desrespeitados os seus direitos e privilégios. O estabelecido nas Cortes de Tomar de 1581, tinha sido amplamente iludido;

- O povo tinha o direito de entregar o trono a quem legitimamente defendesse os seus "foros e privilégios".

Os assuntos do Ultramar também careciam de uma acção delicada. Era necessário manter a unidade do mundo português em termos políticos e espirituais, mas cada região possuía características e situações distintas. Assim era mister acorrer a cada uma delas em função das forças prevalecentes.

O ano de 1641 foi muito importante para a diplomacia portuguesa que conseguiu ainda evitar o reconhecimento das conquistas feitas pelos holandeses; concederam-se garantias de comércio aos ingleses que permitiam quebrar o bloqueio espanhol, conseguindo-se, ainda, que a Suécia nos vendesse armas. O grande obstáculo com que deparámos foi a Santa Sé, que entendia que a independência portuguesa era um factor de enfraquecimento do mundo católico que lutava contra as heresias.

E a Espanha conseguiu evitar que Portugal se sentasse à mesa nas conversações de Vestefália, em 1648, cujas concepções vieram a durar até ao século XX.

Das querelas europeias aproveitou Portugal para negociar o enlace do herdeiro, D. Teodósio com uma princesa francesa ou, em alternativa, uma renovação da Aliança Inglesa, com eventual aproximação das casas reais.

A guerra aberta entre a Inglaterra e a Holanda, a partir de 1651, aproveitou a Portugal que atacou os holandeses no Brasil, de onde foram expulsos, definitivamente, em 1654.

O aumento do poder naval inglês também nos ajudou já que a conflitualidade com espanhóis, franceses e holandeses garantia - nos maior liberdade no Atlântico o que permitiu aumentar o comércio com o Brasil através de comboios navais devidamente escoltados.

A Espanha, porém, consegue finalmente um Tratado de Paz com a França (que nos abandona), o Tratado dos Pirenéus, em 1659 e tal facto permite-lhe deslocar tropas para a fronteira portuguesa. A fase militar mais aguda e perigosa para Portugal, ia agora ter lugar.

*****
A resistência portuguesa foi duramente organizada desde o início, não se improvisou.

Gastou-se grossa soma de cabedais e esforços na reparação de fortalezas ao longo da fronteira, na linha de costa e nas principais vias de infiltração do território. Reorganizaram-se as milícias e contrataram-se soldados profissionais e quadros – o que era norma nessa época, em todos os países.

Portugal manteve-se na defensiva e alguns dos primeiros combates não nos foram favoráveis, como a queda de Olivença e a desistência do cerco de Badajoz. A primeira vitória significativa dá-se nas Linhas de Elvas, em 14 de Janeiro de 1659, onde o Conde de Cantanhede venceu D. Luís de Haro, que tinha sido o negociador da Paz dos Pirenéus.

Neste tratado os franceses comprometiam-se a não ajudar Portugal, o que causou grande indignação no País. A Rainha D. Luísa de Gusmão, partidária do apoio francês, viu o seu "partido" sair ferido desta situação. Algumas personagens do Paço ficaram perturbadas com estes eventos e temiam que Portugal não se aguentasse em termos militares.

Foi nesta altura que D. Francisco Manuel de Melo negociou o casamento de D. Catarina de Bragança, com Carlos II. A Diplomacia espanhola tentou impedir por todos os meios este enlace, sem o conseguir.

A 25 de Abril de 1662, saíu D. Catarina de Lisboa para Londres, e o casamento realizou-se a 31 de Maio (tendo o dote custado dois milhões de cruzados e as cidades de Tânger e Bombaim). Foi renovada a Aliança Luso – Britânica, tendo cessado o isolamento do trono português.

Na Corte em Lisboa, porém, continuavam as linhas de fractura, quanto às estratégias a seguir e quanto aos modelos políticos a estabelecer (o que tem sido uma constante na nossa História…).

É dentro desta lógica que se deve entender o golpe de estado tentado pela Rainha Regente, que visava substituir o seu filho Afonso VI (por incapacidade), no poder, pelo irmão D. Pedro. Um contra golpe desencadeado pelo Conde de Castelo Melhor fez abortar a tentativa e obrigou a Rainha a restituir o poder três dias depois (23 de Julho de1662).

Intensificaram-se, de seguida, as operações militares; a 8 de Junho de 1663, D. João de Áustria é vencido no Ameixial; a 7 de julho ganha-se em Castelo Rodrigo e, finalmente, em 17 de Julho do mesmo ano, o Marquês de Marialva desbarata o Exército espanhol do Marquês de Caracena.

Filipe III morre pouco tempo depois e a paz começa a ganhar contornos.

De novo os meandros da política internacional nos vão afectar, como sempre acontece.

A França quer, a partir de 1655, ocupar os Países- Baixos espanhóis, convindo-lhe que a Espanha tivesse problemas militares noutros lados; a Inglaterra estava de novo em guerra com a Holanda e, também com a França a qual ao pretender renovar o apoio de lisboa sugere o casamento de D. Afonso VI com uma princesa francesa.

É com estas coordenadas que a diplomacia portuguesa vai encetar as conversações de paz, de que o povo português estava desejoso.

A Inglaterra desejava a paz pois pretendia enfraquecer a França e permitir o reforço dos Países- Baixos, ao mesmo tempo que desejava proteger as suas rotas e comércio no Atlântico.

A França pretendia que Portugal encetasse operações ofensivas em Espanha, oferecendo-se para fazer uma "Liga Formal" a que se tinha recusado nos últimos 20 anos…

A Espanha sabendo tudo isto, inclinou-se ao tratado de paz. O aumento do poder português melhorou a nossa margem de manobra. O embaixador inglês em Madrid trabalhou em conformidade.

Castelo Melhor entendeu a situação e dispunha-se à paz. Mas, conhecedor do poder francês não o subestimou. Mantendo o apoio inglês, aceitou a proposta de casamento do Rei com a Princesa Maria Francisca Isabel de Saboia.

Para a França e seus apaniguados na Corte de Lisboa, tornou-se clara a necessidade de afastar Castelo Melhor. O Palácio do infante D. pedro era o centro da conspiração contra o Escrivão da Puridade. O Golpe deu-se em outubro de 1667, resultando na fuga do Conde e na substituição do Rei, pelo irmão, como regente, o que teve o apoio da Rainha, que era amante do irmão com quem viria, mais tarde, a casar depois de um atribulado processo de anulamento de casamento.

Apesar de mais uns quantos incidentes a paz viria a ser assinada, em 13 de Fevereiro de 1668.

Para traz ficaram 28 anos de luta tenaz onde prevaleceu a vontade de independência dos portugueses!


CONCLUSÃO

 
"El-Rei Filipe bem poderá meter-me em Castela, mas Castela em mim é impossível".

Frei Heitor Pinto


Durante os 60 longos anos que durou a ocupação filipina, o espirito nacional não morreu, mantendo-se vivo e alimentado pelo "sebastianismo", esse estranho e indefinível fenómeno que se traduzia na saudade das glórias passadas, misturado com a esperança no retorno do Rei-Menino (no fundo um qualquer), que viesse restaurar a independência e liberdade da Pátria.

O sofrimento comum, as desilusões e as incontáveis desgraças e perdas, regeneraram o país e as suas gentes e uniu-o (esperemos que hoje possa acontecer o mesmo…).

Nas vésperas do grande dia a Nobreza, o Clero e o Povo estavam, de novo, coesos no mesmo propósito.

Por isso se gerou uma unidade indestrutível, disposta a todos os sacrifícios, sem regatear esforços, cabedais e vidas, o que permitiu a cerca de dois milhões de antigos compatriotas nossos, aguentar uma ofensiva à escala mundial, da maior potência mundial da altura e, ainda, sustentar dezenas de ataques dos seus inimigos – a Inglaterra, a França e, sobretudo, a Holanda – durante 28 anos. E sair vencedores!

Potências, estas, que se apressaram a protestar o seu apoio a Portugal na Europa (sempre com o seu interesse à cabeça), enquanto nos continuavam a atacar no Ultramar – na senda do que continuariam a fazer, sem interrupção até ao 25 de Abril de 1974 e, também, daí para a frente.

Para já não falar da oposição da Santa Sé. Que ainda levou dois anos a reconhecer a Restauração portuguesa, após a paz ter sido firmada, em 1668.

Ora tudo isto representa um feito único na História Universal, que os portugueses de hoje, em geral ignoram e não têm a menor ideia do que representa.

É muito lamentável e, até, perigoso que assim seja e, por isso, tive o maior gosto em vir aqui partilhar convosco estas mal alinhavadas ideias.

Aprender com os erros e os acertos do passado, eis um desafio que, para nós, deve ser permanente. É para isso que deve servir a História, que o único laboratório da Política…

Hoje estamos, mais uma vez, perante uma esquina perigosíssima do nosso devir colectivo. É uma esquina de vida ou de morte. Se nos unirmos em torno de ideias sãs e patriotas, obraremos ter futuro. Caso contrário seremos destruídos e, ou, escravizados e desapareceremos como Nação.

João J. Brandão Ferreira


Oficial Piloto Aviador
Escrito em Lisboa, capital da Respública, aos 21 de Janeiro, 372 anos após o glorioso 1º de Dezembro de 1640 e a escassos meses de novas forças usurpadoras e antinacionais, eliminarem a data das comemorações oficiais.
Glória aos "Conjurados", Morte aos traidores!
 
 
Fonte: O Adamastor

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Missa por alma de S.A.R. El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real Luís Filipe - Porto

 




A nova revolução francesa

Pela liberdade e pela família, marchar, marchar!

A nova revolução francesa
Confesso que estou escandalizado com a França. Três notícias dão azo a este desconforto de soixante-huitard desiludido com a filha primogénita da Igreja e a pátria por excelência de todas as revoluções. A saber: o exílio de Gérard Depardieu, a entrada numa ordem religiosa de uma modelo e a manifestação de um milhão de franceses a favor do casamento natural. Mas vamos por partes.
 
Gérard Depardieu, se é que ainda não se chama Igor Ivanovitch ou coisa que o valha, deu com os pés à sua terra natal para se instalar com armas e bagagens na Rússia. Vladimir Putin, o actual czar, ofereceu-lhe a nacionalidade e o passaporte russo e talvez, como brinde, uma datcha na Crimeia.

Ora a França era a pátria da liberdade, pelo que parece um contra-senso que um francês se exile precisamente por entender que já não há liberdade no seu país. Aliás, a moda de princípios do século xx era a inversa: os milionários perseguidos pela revolução bolchevique procuravam nas margens do Sena a segurança e o conforto que lhes era negado na sua terra. Se agora o movimento migratório é o inverso e até um indefectível guerreiro gaulês como Obélix se vê obrigado a emigrar antes que os impostos o esmaguem, forçoso é admitir que há algo de podre no reino da Gália.

A revista “Marie-Claire”, ultrapassando todos os limites da decência laica e republicana, publicita a entrada na vida religiosa de uma ex-modelo, Lauren Falko, aliás Irmã Maria Teresa do Sagrado Coração. Pior ainda: quase elogia o gesto da anacrónica beldade voluntariamente enclausurada, em vez de vituperar o obscurantismo religioso, que impede de brilhar nas passerelles este prodígio da beleza feminina.

Qualquer dia, por este andar, a Marianne, o ex-líbris da República Francesa, ver-se-á obrigada a ocultar o impudico seio e a cobrir o seu escandaloso decote com um modesto hábito religioso e, talvez até, a trocar o seu lendário barrete frígio pelas abas esvoaçantes do véu religioso. É caso para perguntar: onde pára a França laica de Voltaire e Rousseau? Onde paira o espírito de Simone de Beauvoir, precursora da revolucionária ideologia do género? Onde estão as femininistas e as suas revindicações de liberdade para as mulheres?

Mais grave ainda é que perto de um milhão de pessoas – a polícia francesa, que sofre de miopia política quando se trata de manifestações não alinhadas com o governo, só viu trezentas mil – se manifestou pelo casamento natural e contra a outorga do estatuto matrimonial às uniões de pessoas do mesmo sexo. Infelizmente, nem sequer foi um protesto caricato de umas quantas velhotas piedosas empunhando terços, nem uma procissão de padres e religiosas disfarçados, mas de milhares de trabalhadores, de jovens, de famílias, de mulheres e homens de todas as condições sociais e de todos os recantos da geografia francesa.

Que os clérigos ultramontanos e os fanáticos integristas se manifestem é uma coisa que até tem a graça de uma marcha folclórica, mas que um milhão de cidadãos saia à rua é outra muito diferente, sobretudo quando a iniciativa parte nada mais nem nada menos que de uma humorista, que dá pelo nome artístico de Frigide Barjot, e de Xavier Bongibault, um jovem homossexual. Diga-se de passagem que tem o seu quê de curioso que sejam uma artista e um gay a liderar um movimento de massas contra os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Os humoristas cá da terra não têm essa graça, nem consta que os homossexuais lusitanos tenham tido o bom senso de reconhecer que, por razões óbvias, às suas uniões não é aplicável o regime matrimonial.

Quer isto dizer que a França já não é a pátria das revoluções e traiu a sua vocação histórica? De modo nenhum! A França continua fiel à sua gloriosa tradição e na vanguarda da revolução social, mas agora contra o antigo regime libertário, socialista e laico. A nova revolução francesa é um grito de mudança e de esperança, em nome da verdade, da liberdade e da família.

Padre Gonçalo Portocarrero de Almada

Fonte: I online

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

1640 COMO EXPRESSÃO MÁXIMA DE CIDADANIA pelo Oficial Piloto Aviador Brandão Ferreira (parte I)

 
"Não podemos reconhecer nunca, nem ao filho de Henrique de Borgonha nem aos portugueses, o direito à emancipação".

(Lafuente, citado por Hernâni Cidade)

"A Espanha como um todo, mais do que uma recordação, é uma meta, um destino. A separação de Portugal foi um fracasso, uma rebelião contra a Geografia. A Península Ibérica está preparada desde o princípio do tempo para ser a morada dos Espanhóis".

(Julian Marias, "Cinco Anos de Espanha", 1982)


INTRODUÇÃO

Porquê 1640 e porquê a expressão "máxima de cidadania"?

1640, entenda-se, o 1º de Dezembro desse ano, viu chegar a Restauração da soberania plena da Nação Portuguesa e a Aclamação de um Rei, que iniciou uma nova dinastia, também ela originária de uma casa ducal portuguesa.

Digo plena, porque "de jure", Portugal nunca chegou a perder a sua independência, dado que a coroa nacional nunca chegou a ser absorvida pela Espanha, coroou apenas a cabeça de um Rei oriundo de outra terra. Daí o nome de "Monarquia Dual".

Esse Rei foi Filipe I, um homem muito capaz e que nos conhecia bem (a sua mãe era portuguesa e a sua primeira mulher, também).

E de tal modo era sagaz que preservou, na sua quase totalidade, os foros e prerrogativas nacionais (note-se que nem a moeda nos tirou, ao contrário da UE…) o que ficou consignado nas Cortes de Tomar, de 1581.

Foram os seus descendentes, nomeadamente Filipe III e o seu valido Conde-Duque de Olivares, que vieram a desrespeitar o que fora estabelecido nas Cortes, ao mesmo tempo que esmagavam o Reino com impostos e requisições militares, deitando tudo a perder para a Espanha.

Porém um aspecto se verificou desde o princípio do reinado de Filipe I e que nos afectou sobremaneira: a política externa. Como a sede do Poder político estava em Madrid, Portugal perdeu qualquer individualidade na defesa dos seus interesses e nas relações internacionais. Ou seja, e por exemplo, Filipe como Rei de Espanha não podia estar em guerra e, como Rei de Portugal, gozar a paz…

Ou seja a nossa autonomia, neste âmbito, era nenhuma, pelo que passámos a ter de ir combater nas guerras de Espanha e a ser atacados por todos os seus inimigos – que eram muitos!

Em síntese, não tendo Portugal perdido a sua independência "de jure" perdemos - la "de facto"!

Deste modo a luminosa madrugada desse dia 1º de Dezembro permitiu, não só que a Nação Portuguesa mantivesse a sua identidade como lhe devolveu a sua individualidade (aliás uma não se pode manter sem a outra, que é outro erro recorrente nos dias de hoje).

Ora a autodeterminação e independência de um povo como o português – que já era nação completa, desde o tempo do Rei D. Dinis; tem as suas fronteiras estáveis, mais antigas da Europa e do Mundo, desde o Tratado de Alcanizes de 1297 – apesar do abcesso político/diplomático de Olivença, ocupada ilegalmente desde 1807, seguramente desde 1815 – e com um embrião de estado moderno, desde o preclaro Rei D. João II, representa, dizia, o acto cívico mais importante, revolucionário e exclusivo de todos os possíveis.

Daí a expressão "máxima de cidadania".

Por tudo isto não se pode aceitar a reprovável, anti natural e insensata medida, de se acabar com o feriado nacional que a comemorava! Esta medida tem que ser urgentemente revertida.


ENQUADRAMENTO GERAL: COMO SE CHEGOU ÀS CÔRTES DE TOMAR, DE 1581?


"Antes morrer livres, que em paz sujeitos".

Cyprião Figueiredo de Vasconcelos
 
(Governador das Ilhas dos Açores, in Carta a El-Rei Filipe I, 1583)


Como se sabe, as Cortes de Tomar que se iniciaram a 16 de Abril de 1581, representam o culminar de todos os eventos que levaram a que Filipe II de Espanha cingisse a Coroa Portuguesa (apesar da maioria das ilhas dos Açores só se terem rendido, em 1583).

Filipe falou para a História e disse, referindo-se a Portugal, que "este Reino herdei -o, comprei-o e conquistei-o". Não há a certeza que ele tenha proferido a frase mas, de facto, assim aconteceu.

Vejamos como tudo se passou, em termos sucintos.

Com o desaparecimento de D. Sebastião durante a batalha de Alcácer Quibir – e ainda hoje não se sabe ao certo o que realmente se passou – o Reino ficou em estado de choque. Não apenas pela noticia da derrota e pela brutalidade do número de mortos (cerca de 9000) e dos milhares de cativos, onde se destacava a fina flor da nobreza mas, também, porque o Rei, ao embrenhar-se em tão arriscado lance – que, ao contrário do que defende uma historiografia alargada, tinha plena justificação estratégica, não se tratando de nenhum desvario real – dizia, não tinha assegurado descendência.

No transe assegurou a realeza o já caquético e pusilânime Cardeal D. Henrique, que reinou ano e meio. Sem descendência e indeciso acabou por morrer, em 31 de Janeiro de 1580, sem usar a prerrogativa de nomear sucessor, antes apontando uma junta de cinco governadores criando, deste modo, uma gravíssima crise política e de sucessão.

Dividiu-se o Reino.

Havia três correntes de opinião e seis candidatos ao trono: Filipe II; D. António, Prior do Crato; D. Catarina de Bragança; o Duque de Saboia, Manuel Felisberto; Raimundo, Príncipe de Parma e Catarina de Médicis, Rainha - mãe de França.

Destes seis só os três primeiros tinham hipóteses sérias: Filipe por ser neto de D. Manuel I; O Prior do Crato, por ser bastardo legitimado, do Infante D. Luís (segundo filho de D. Manuel) e a Duquesa de Bragança, filha do Infante D. Duarte, também ele, filho de D. Manuel.

O primeiro tentava, por todos os meios, influenciar o Clero e a Nobreza portuguesa conseguindo comprar muitas consciências e ainda amedrontar o Cardeal – Rei; D. António não era bem visto pela Nobreza e Clero legalista, mas dispunha de amplo apoio no povo e nas Ordens Militares/Religiosas, e D. Catarina que era ciosa da independência e constituía a única alternativa nacional para a Nobreza, que detestava o Prior do Crato que, por sua vez, era muito malquisto de D. Henrique, que o chegou a desterrar.

Quanto aos governadores, o Arcebispo de Lisboa (que era afecto a D. Catarina), D. João de Mascarenhas, Francisco de Sá, Diogo de Lopes de Sousa (afectos a Filipe II) e D. João Teles de Menezes (partidário de D. António) foram, de início, imparciais na governação do Reino tomando atitudes acertadas na administração do mesmo. Convocaram cortes para 20 de Maio de 1580, em Almeirim, entretanto adiadas e transferidas para Setúbal devido a um surto de peste.

Surgiu então o boato de que as tropas do Duque de Alba invadiam o Alentejo, o que provocou a indignação geral e a aclamação de D. António, em Santarém, apoiado por grande parte do Reino.
 
Os três governadores que restavam (dado que o Arcebispo de Lisboa tinha adoecido e D. João de Menezes afastara-se por não concordar com o rumo dos acontecimentos) fogem para Castro Marim e de lá nomearam Filipe II Rei de Portugal e D. António, rebelde.

O Duque de Alba vence a resistência que encontra no Alentejo e desbarata as forças de D. António, em Alcântara, já com a esquadra do Marquês de Santa Cruz na barra do Tejo.

D. António foge para o Norte, entra na clandestinidade até se exilar para Inglaterra.

Filipe II entra em Portugal, a 27 de Dezembro de 1580, dirigindo-se a Tomar onde é aclamado Rei de Portugal.

As causas do declínio português que terminou neste fatídico desenlace devem-se, fundamentalmente, a falhas de liderança, podendo distinguir-se neste âmbito, os seguintes:

- A desmoralização da Corte

- Não observância do princípio do objectivo

- Erros no aproveitamento das riquezas

- Declínio das Ordens Militares/Religiosas

- A questão religiosa e a implantação da Inquisição

- Quebra na formação e escolha dos elementos dirigentes.


O PAÍS NAS VÉSPERAS DA RESTAURAÇÃO
"Aonde se dirá com honra, que se entregou este reino a Castela por temor de se defender do seu poder?"

Febo Moniz

 
O reinado dos Filipes resultou num longo calvário de perdas e suplícios, sobretudo a partir da morte de Filipe I.

Mesmo depois da aclamação de Filipe I nas Cortes de Tomar, a resistência não sucumbiu totalmente. Os Açores resistiram três anos, sob o comando de Cyprião de Figueiredo, e foi necessário uma forte esquadra para os submeter. D. António veio a morrer na miséria, em 1595, perseguido pelos agentes de Filipe I.

Os seus seguidores, reunidos em torno do seu filho D. Cristóvão, continuariam a resistência, multiplicando os livros, brochuras, panfletos, etc., dentro e fora do Reino. Outros, onde se incluíam membros do baixo clero e fidalguia, percorreram vários países da Europa tentando influenciar os grandes dessas nações.

Fazia-se apelo ao direito dos portugueses a um rei natural, não se submetendo a Castela.

Nasce a lenda do "Encoberto", que as trovas do Bandarra tanto ajudaram a espalhar. Renova-se o sentido da independência, tendo o Duque de Bragança começando a ser olhado como possível rei.

Filipe I, de um modo geral, procurou cumprir as promessas feitas nas Cortes de Tomar, no sentido de acatar os privilégios, foros e regalias dos portugueses e de manter separados os cargos e ofícios régios, que eram ocupados por nacionais. A união das coroas de Portugal e Espanha não pôs em causa, do ponto de vista jurídico-político, a independência interna do nosso País.

No entanto a posição portuguesa estava pouco acautelada face à Espanha, no sentido em que não tinha uma política externa própria. Ora a política feita em nome dos reis de Espanha raro coincidia com os interesses portugueses.

Muitas das contendas em que os monarcas espanhóis se achavam envolvidos (disputas no centro da Europa, lutas hegemónicas na Itália e França e os conflitos de ordem religiosa), arrastaram-nos para hostilidades que não eram as nossas e aumentaram o rol dos nossos inimigos. Tais factos obrigaram a um esforço militar muito grande, disperso pelo mundo e a dolorosas amputações no património ultramarino.

À medida que o tempo passava e, sobretudo a partir de 1628, rebentaram revoltas um pouco por todo o país, de que se destacam Lisboa, Évora, Ericeira e Mafra. A repressão fez-se sentir e tropas espanholas são enviadas para Portugal e as fortalezas entregues a oficiais castelhanos.

A opressão passou a ser intolerável.

O ódio aos espanhóis foi concentrado na figura do Conde-Duque Olivares, que advogava uma política de força e intervenção – visando a absorção de Portugal - e em Miguel de Vasconcelos, Secretário do Reino, sendo Vice-Rainha a Duques de Mântua.

O panorama internacional mudou, entretanto, a favor de Portugal.

Em 1580 era omnipotente o trono espanhol o qual, vivendo do génio político de Carlos V, não possuía rival à altura. A Casa de Áustria dominava.

Em 1640 a realidade era outra. O poder real enfraquecia em Espanha. Havia movimentos autonomistas no seu próprio território e na zona alemã. Os ingleses, agora com Isabel Tudor, continuavam interessados em abater o poderio espanhol. Esta rainha apoiou os emigrados portugueses e chegou a pensar um acordo com Marrocos que facilitasse um desembarque nas costas portuguesas.

A tentativa castelhana para destruir o poderio inglês falhou com a Invencível Armada. A longo prazo esta derrota favorecia Portugal, mas no imediato, as perdas da marinha nacional iriam impedir a defesa do Ultramar e do nosso litoral europeu, contra os corsários.

Na Europa ocorrem numerosas guerras em busca de hegemonia. O Duque de Bragança, que casará, em 1633, com D. Luísa de Gusmão (da Casa de Medina Sidónia), estava informado do que se passava, através das cartas de seu irmão D. Duarte que, na altura, viajava pelas diferentes cortes europeias.

Em 1603 morre Isabel Tudor e o domínio espanhol é contestado. As Províncias Unidas aliam-se à Inglaterra. Há confrontos nos Principados Germânicos. Rebentam conflitos por toda a parte.

Com Richelieu há uma política concertada para abater a Casa de Áustria. Em 1635, a França declara guerra à Espanha, no âmbito da Guerra dos 30 Anos, conflito que termina em 1648, com a Paz de Vestefália. A Espanha está em declínio e não consegue fazer face a todos os problemas que lhe surgem.

Portugal agita-se. Em 1639, o Conde-Duque Olivares nomeia o Duque de Bragança – o fidalgo mais poderoso do Reino, em quem confluíam os desígnios da revolta – Governador das Armas de Portugal. Era uma tentativa de manietar o Duque e de lhe testar a lealdade.

Richelieu promete ajuda a D. João e já a presta aos revoltosos da Catalunha, que se sublevaram, em Junho de 1640. A oportunidade era única.

Em 1 de Dezembro, estão os três braços do Reino de novo reunidos.

O Alto Clero era representado por D. Rodrigo da Cunha, Arcebispo de Lisboa e pelo Arcebispo Primaz, D. Sebastião de Noronha. A Nobreza, por D. Antão de Almada, em cujo palácio se realizaram muitas das reuniões dos conjurados; D. António Telo, D. Jorge de Melo, D. Lourenço de Lima e muitos outros.

O Padre Nicolau da Maia fomentou a revolta no povo e baixo-clero.

D. Filipa de Vilhena e D. Mariana de Lencastre prepararam as mulheres portuguesas ao incitarem os seus filhos à luta. A própria Duquesa, D. Luísa de Gusmão encorajou o futuro rei dizendo-lhe "mais valia morrer reinando do que viver servindo" (palavras sábias que hoje fazem muita falta…).

Porém, o verdadeiro mentor da revolução foi o Dr. João Pinto Ribeiro, a quem se deve, inclusive, a ultrapassagem de uma crise de desalento, já em vésperas do dia redentor.

Em síntese, pode afirmar-se que as razões que mais contribuíram para a Restauração foram, o desrespeito, sobretudo a partir de Filipe III, do acordado nas Cortes de Tomar; os impostos sucessivos e não consentidos; as guerras que não nos diziam respeito; o abandono das conquistas e navegações; a conjuntura internacional que, a partir de 1635, ajudava as intenções portuguesas; a política sistemática conduzida por Olivares de enfraquecimento e absorção de Portugal; o Patriotismo, a saudade da independência e a crença na redenção da Pátria, que nunca esmoreceram e das quais o "Sebastianismo" foi uma das expressões mais evidentes.

Finalmente as medidas que precipitaram a revolução foram a mobilização dos principais fidalgos portugueses para combaterem a revolta da Catalunha e o anúncio de mais impostos.


Fonte: O Adamastor 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Da esquerda à direita

Um facto que salta à vista (e nem é preciso estar muito atento) é que Portugal vive tempos difíceis. Mas vejamos bem: Portugal alguma vez deixou de estar em tempos difíceis desde a implantação da República?
 
A primeira república foi o caos que se sabe e dela não saiu absolutamente nada de positivo.
 
A segunda república foi a ditadura que se conhece mas que, apesar dos seus tantos aspectos negativos teve, pelo menos, a virtude de conseguir equilibrar as contas públicas e encher os cofres públicos.
A terceira república é aquela que vivemos actualmente e tem algumas peculiaridades que praticamente a transformam num ‘worst-off’ (oposto de ‘best-off’) das duas anteriores.
 
Antes de prosseguir deve-se ressalvar que ainda está por explicar como é que tendo a 2ª republica deixado os cofres cheios (e as contas em ordem), poucos anos depois do 25 de Abril o País já estava em falência! E como é que faliu novamente menos de 10 anos depois da primeira falência? Intrigante! Muito intrigante! Alguma explicação devia ser dada ao Povo Português a este respeito! Parece haver aqui qualquer (muita) coisa que não joga bem!
 
Desde que a 3ª República se iniciou em 25 de Abril de 1974 tem-se visto uma grande variedade de forças políticas no poder. Já se teve de tudo: governos de esquerda, governos de direita e às vezes até governos com o ‘centro’ à mistura. Tiveram-se também Presidentes da esquerda à direita (será isto aceitável?)!
 
As combinações de esquerda e direita no governo e na Presidência têm sido, portanto, as mais diversas possíveis. O resultado, contudo, tem sido invariavelmente o mesmo: o completo e absoluto desastre. Aliás, as diferenças entre esquerda e direita que se estudaram na escola parecem esbater-se cada vez mais, originando um grande núcleo “ideológico” que se poderia chamar de ‘esqueita’ ou ‘direida’ mas que, melhor ainda, se deveria chamar ‘gamela’ ou ‘a grande gamela’. Mas está-se a divergir!
 
Houve até casos em que ficou no ar a dúvida se determinados Presidentes não estariam a favorecer os seus partidos (estivessem eles no governo ou na oposição). Note-se que tal suspeita seria impossível em Monarquia simplesmente porque o Rei não deve a sua posição/cargo a nenhum partido. A independência face aos partidos da governação e parlamento seria total e absoluta.
 
O Rei existe pela População, para a População e só a ela deve o cargo que ocupa. Consequentemente é unicamente perante a População que o Rei deve responder!
 
O facto é que, com esta alternância entre esquerda e direita que se tem verificado sem que nada pareça ficar efectivamente resolvido, se chega à conclusão que este regime em que se vive actualmente se esgotou (e bem rápido por sinal).
 
Estranhamente a esquerda e a direita digladiam-se para ver de quem é a culpa deste estado desastroso a que o País chegou, talvez para iludir a opinião pública. Esqueça-se, contudo, que o Povo Português não é estúpido e sabe perfeitamente que a culpa os abrange a eles todos, da esquerda à direita (ou da direita à esquerda, como preferirem), sem excepção.
 
Nenhum deles é isento de culpa! Como se diz em linguagem popular “não vale a pena tapar o Sol com a peneira”. Pelo menos tentem manter alguma dignidade (já lhes resta tão pouca) e não se dêem ao ridículo.
 
Desta forma, a não ser que se tenha um perturbante sentido masoquista, simplesmente não vale a pena continuar a insistir no mesmo porque se sabe à partida que não vai funcionar. A república em Portugal simplesmente foi e é um fracasso, um fiasco! Nesse sentido porque não dar uma nova oportunidade à Monarquia? Da maneira como as coisas estão não perderíamos nada e teríamos muito a ganhar já que a Monarquia, ao longo de mais de 750 anos deu muito boas provas!
 
 

JANTAR-TERTÚLIA DA JUVENTUDE MONÁRQUICA DE LISBOA (31-01-2013)

 
A Juventude Monárquica de Lisboa abriu as portas da sua Sede recentemente renovada para receber cerca de 30 pessoas para um jantar, seguido de uma tertúlia, com a Professora de História do Colégio de São Tomás, Maria João Matos.
A exposição de ideias prendeu todos os presentes à cadeira e despoletou uma série de intervenções que tornou todo aquele serão numa forte experiência da importância de existir uma ponte entre todos os jovens monárquicos, o que pretende ser a JML, para que se possa aprender em conjunto, partilhando histórias e conhecimentos.
 

A JML desde já agradece a todos os convidados a sua presença, sem todos vocês nunca seria possível o sucesso deste jantar. Sintam-se sempre livres para contactarem a JML pelo endereço juventude@reallisboa.pt.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Juventude Monárquica de Lisboa

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

« A consciência nacional sente já hoje que El-Rei D. Carlos morreu no serviço do seu país » João Franco, 1923.

« No meio de uma nação decadente, mas rica de tradições, o mister de recordar o passado é uma espécie de magistratura moral, uma espécie de sacerdócio; e os que podem e sabem devem exercê-lo, porque, não o fazer é um crime ». Alexandre Herculano

" Porque D. Carlos serviu o País, usando o complexo distinto de qualidades com que era dotado sempre ao serviço da Nação, preciso é se inclua o seu nome na galeria dos mais excelsos servidores da Pátria ( ... ) " Casimiro Gomes da Silva, « D. Carlos I »

Depois de ler as cartas d'El-Rei a João Franco, por este publicadas em 1923, foi este o desabafo do republicano João Chagas: " Aliviam a memória de D. Carlos de um grande peso ". Porque da sua leitura ficava a todos muito evidente o patriotismo do Rei, o quanto ele se esforçou por resgatar PortugaL:
« Meu querido João Franco
...Ha muito a fazer, e temos, para bem do Paiz, que seguir por caminho differente d'aquelle trilhado até hoje; para isso conto comtigo e com a tua lealdade e dedicação, como tu podes contar com o meu auxilio e com toda a força que te devo dar. ( ....................... )
Vamos por certo ter uma campanha sobretudo contra nós dois, mas para isso é que cá estamos. ( ... ) Deixemos, pois, fallar quem falla, e continuemos, serenamente, com calma, mas com firmeza, a nossa obra. ( ... ) Desde que tenhamos a razão do nosso lado, devemos ir até aonde o nosso dever o indicar, dando garantias de bem servir o Paiz. Devemos prosseguir o nosso caminho, dôa a quem doer, e sempre me terás a teu lado, por maiores que sejam os sacrificios que eu tenha que fazer. Devo-os ao meu Paiz.
Um abraço do teu amigo verdadeiro
Carlos R. »

Este é que é o verdadeiro « Sentido de Estado », que, hoje, como ontem, se arrasta pelas ruas da amargura.
 
 
Cristina Ribeiro
 

Não esqueceremos jamais (II)

 
Foi na Igreja de São José das Taipas, no Porto, que se celebrou a Missa em Memória de S.M. El-Rei D. Carlos I e de S.A.R. o Príncipe D. Luís Filipe.
A Missa foi celebrada pelo Rev. Padre Manuel Aranha e foi acompanhada por um magnífico coro da Confraria de São José das Taipas.
Após a celebração os presentes tiveram oportunidade de trocar impressões na Sacristia da Igreja, num ambiente muito agradável.
 A todos, muito obrigado.


Fonte: Real Associação do Porto
 

Não esqueceremos jamais (I)

A Real Associação de Lisboa mandou celebrar no passado dia um de Fevereiro, no âmbito do 105º aniversário sobre o trágico regicídio que vitimou Sua Majestade o Rei Dom Carlos I e Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luís Filipe, uma missa de sufrágio na Igreja de São Vicente de Fora, ao que se seguiu uma romagem ao Panteão Real onde foi depositada uma coroa de flores junto aos túmulos de El-Rei e do Príncipe Real por Sua Alteza Real D. Duarte Duque de Bragança e pelo presidente da Real Associação de Lisboa, Dr. Nuno Pombo. A Causa Real fez-se representar pelo seu Vice-presidente João Távora.





Fonte: Causa Real