terça-feira, 18 de agosto de 2020

«CADA POVO TEM O GOVERNO (E O CLERO) QUE MERECE»

 Desde 2007, ano em que foi aprovada a «despenalização» do crime de aborto, ocorreram em Portugal mais de 144 mil abortos, o que supera a população de Braga (126 710 habitantes, à data do censo de 2011).

Quer isto dizer que em Portugal se mata por dia uma média de 55 bebés, no meio de uma indiferença geral.
Para quem faz parte da «família» globalista (comunistas, socialistas, feministas, ambientalistas, LGBTs, etc.) o aborto é uma prática normal e até desejável.
Mas para quem é católico não pode ser assim. Recorde-se que o aborto é condenado desde o primeiro Catecismo elaborado pela Igreja, conhecido como Didaqué ou Catecismo dos Primeiros Cristãos: «Não matarás o embrião por meio do aborto, não farás perecer o recém-nascido” (2, 2).

Em Dezembro de 2013, o Carmelo de Coimbra publicou uma Biografia da Irmã Lúcia, em que a vidente de Fátima faz uma séria advertência a Portugal:

«Se Portugal não aprovar o aborto, está salvo; Mas se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa, paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação, paga todo o povo (…) porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu» (Cfr. «Um caminho sob o olhar de Maria», Coimbra, Edições Carmelo, 2013, p.68).

Mas ao aborto também se soma agora a questão da eutanásia. Precisamente a 20 de Fevereiro deste ano (exactamente quando se comemoravam 100 anos sobre a morte de Santa Jacinta de Fátima), o Parlamento ateu, republicano e socialista abriu o processo legislativo que permite a legalização da eutanásia. Nem sequer deu hipótese à realização de um referendo: «A líder parlamentar do Partido Socialista, Ana Catarina Mendes, sublinhou que agora, na especialidade “o intuito é [conseguir] um diploma conjunto”. E reiteriou que “o PS estará frontalmente contra um referendo sobre esta matéria“.»

Claro que a vida humana não é matéria para se referendar, mas para esses «democratas», tão amigos da «consulta popular», não deixa de ser estranha a categórica rejeição de um método que lhes era tão querido (enquanto os resultados lhes iam sendo favoráveis…).

Onde estão então as vozes dos bispos e sacerdotes católicos que deveriam denunciar os crimes que todos os dias se cometem contra a vida, promovidos pela nossa legislação comunista?
É raríssimo ouvir-se do púlpito algum sacerdote falar em defesa da vida, certamente por ser perigoso emitir opiniões que colidam com as políticas liberais, socialistas ou comunistas… Aliás é só disto que fomos «autorizados» a ter desde a implantação da «democracia” e do «pluralismo», em 25 Abril de 1974.

Em Portugal, a maioria do Clero já não defende a Fé Católica, ou porque tem medo da «liberdade de expressão» nesta «democracia», ou porque tem pacto com o Poder Político e preferiu aderir à agenda liberal, comunista, gay, feminista e ambientalista.

Aliás, foi isto que se verificou na crise da epidemia COVID-19.
Em plena consonância com as normas da Direcção-Geral de Saúde (DGS), a Conferência Episcopal mandou fechar as igrejas, proibir as missas e procissões da Semana Santa, fechar o Santuário de Fátima e aceitar a interferência do governo ateu na celebração da liturgia ao proibir a comunhão na boca (sabendo embora que há muitas e bem fundamentadas opiniões médicas que concordam com esta forma de comungar).

Desgraçado do rebanho que deixou de ter pastores. O resultado está à vista: Sem termos quem nos ensine a Religião, a Moral, os valores da Pátria, da Família e da Tradição, acabámos por perder a Fé e a capacidade de discernir entre o Bem e o Mal. Continuamos estupidamente a acreditar num sistema político viciado, que há décadas nos vem subjugando com leis iníquas e com um sistema de «justiça» feito para favorecer a corrupção e o crime. Até quando?…

«Cada povo tem o governo que merece»…

LUÍS F. FERRAND D’ALMEIDA
16 DE JULHO DE 2020, FESTA DE NOSSA SENHORA DO CARMO


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